Desde que eu saí da Igreja Adventista do Sétimo Dia, me perguntaram o porquê de eu ter saído. Uma das respostas a essa pergunta é: Ellen White. Nem lendo “Caminho a Cristo” ou qualquer uma dessas “obras bonitinhas” eu fui convencido por ela. As razões para isso já foram expostas em outro texto, mas vamos aprofundar nelas.
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Por que rejeitar Ellen White?
Desde que eu saí da Igreja Adventista do Sétimo Dia, me perguntaram o porquê de eu ter saído. Uma das respostas a essa pergunta é: Ellen White. Nem lendo “Caminho a Cristo” ou qualquer uma dessas “obras bonitinhas” eu fui convencido por ela. As razões para isso já foram expostas em outro texto, mas vamos aprofundar nelas.
segunda-feira, 29 de maio de 2017
P&R #4 - Adão nomeando os animais
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| http://www.holyhome.nl/bvib-09.html |
Pergunta
Olá, primeiramente gostaria de
parabenizar pelo conteúdo do blog, muito bom mesmo!
Tenho uma pergunta que
possivelmente coloca em cheque o ponto de Adão não ter tempo para nomear todos
os animais no sexto dia: Era realmente necessário nomear todos os tipos de
animais e "almas viventes" citados em Genesis 2 v19 e v20 ? Porque
partindo do ponto de vista do autor de Gênesis seria consistente pensar que não
eram muitos animais, uma vez que os judeus provavelmente conheciam poucas espécies,
assim do ponto de vista do autor do texto me parece coerente pensar que Adão
teve tempo suficiente pra dar o nome de todas as espécies conhecidas pelos
judeus.
Também gostaria de pedir
indicações de material defendendo diluvio local (livros que defendam essa
posição de maneira biblica).
E outra pergunta, apesar de já
ter visto argumentos para crer que Êxodo 20 v10 e 11 não defendem os dias de Gênesis
1 como sendo literais, você ainda se sente inseguro com a abordagem biblica
"old earth"?
Agradeceria de coração uma
resposta, sou simpático ao criacionismo progressista mas ainda me sinto
inseguro na questão, se puder indicar livros e vídeos falando a respeito do
tema ficaria muito mas MUITO grato mesmo, abraços!
Atenciosamente,
Jessé de Souza Martins da
Silva
Resposta
Eu não acho, Jessé, que seja
relevante quantos animais o autor de Gênesis conhecia. O simples fato dele
nomear os tipos de animais que seriam nomeados já abrange todos os que haviam
sido criados anteriormente. O contexto de criação, antes de Adão ter de nomear
os animais, implica que Adão, na verdade, nomeou todos os animais criados
antes, não apenas os que o autor de Gênesis conhecia.
O texto de Gênesis 2 diz:
Havendo,
pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos
céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão
chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.
E Adão pôs
os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas
para o homem não se achava ajudadora idônea.
Gênesis
2:19,20
Antes disso, o texto narra no
versículo 19 que “o Senhor Deus formou da terra todo animal...” É importante ressaltar
que o hebraico para “todo” é kol, que significa literalmente, todos. O contexto não
da suporte à interpretação apresentada, pelo fato de seguir uma linha:
- Deus criou todo o universo
- Deus construiu tudo no
universo
- Deus formou todos os animais
Não faria muito sentido Deus
criar tudo e de repente apenas focar nos animais conhecidos pelo autor.
Acredito que até mesmo Moisés sabia que havia muitos animais ele não conhecia!
Podemos mostrar outras partes
da Bíblia em que o autor também não sabia o que estava se passando, mas narrou
de sua maneira. Por exemplo, em Josué 10:13, o sol não parou literalmente, mas
sim a terra que parou. Temos aqui a narrativa com o conhecimento do autor, mas
esse conhecimento não abrange tudo o que aconteceu de fato. Do mesmo modo,
mesmo se Moisés estivesse narrando
com base nos animais que conhecia, ainda assim o texto não permite que esse
conhecimento do autor abrangesse tudo o que aconteceu. De fato, isso não respeitaria o sentido óbvio do texto. Seria necessário uma pressuposição ad hoc e tentar encaixa-la no texto para que essa interpretação funcionasse, sendo assim uma eisegese, não exegese.
Com respeito a sua segunda
pergunta, o que eu posso recomendar é o site godandscience.org e oldearth.org.
Já para a terceira, você diz “apesar
de já ter visto argumentos para crer que Êxodo 20 v10 e 11 não defendem os dias
de Gênesis 1 como sendo literais, você ainda se sente inseguro com a abordagem
bíblica ‘old earth’?” De modo nenhum! Eu tenho plena certeza que a Bíblia em
parte alguma ensina a criação recente. A criação recente, a meu ver, é biblicamente
fantasiosa e cientificamente indefensível. A ciência de terra jovem depende
muito da demonstração de que métodos de datação não funcionem. Também é altamente improvável que tudo o que sabemos nos ramos de geologia,
cosmologia, física e biologia estejam errados. Quanto aos argumentos bíblicos,
eles também parecem defeituosos. O que é algo que eu já argumentei bastante na série Criacionismo Progressivo, aqui do blog.
Livros que posso te recomendar
sobre o assunto são:
- A Matter of Days, Hugh Ross
- A Biblical Case for an Old Earth, David Snoke
Espero que tenha ajudado!
Paz,
Felipe Forti
terça-feira, 23 de maio de 2017
Como pensar o problema do sofrimento
Como pensar o problema do sofrimento
Por: Caio Peclat da Silva Paula
ATENÇÃO: Neste post não fiz a distinção entre mal moral e mal
físico. Não é um texto introdutório. Sugiro leitura deste texto aqui.
Se você estuda a arte do pensamento, perceberá que para
responder uma pergunta complexa é necessário construir um sistema filosófico,
uma estrutura de pensamento. Eu não sei se você já teve esta impressão, mas
quando estudei o problema do sofrimento (pode ser conceituado como: “Por que um
Deus bom e amoroso permitiria o sofrimento humano?”) conseguia encontrar
algumas explicações, mas nada concreto, parecia que todas as tentativas de
respostas (teodiceias) foram em vão. Neste contexto nasce a estrutura que John
W. Wenham para, primeiro pensar, e depois responder o problema do sofrimento.
- · Liberdade;
Este ponto é praticamente universal entre a
maioria dos autores que já li. A liberdade é o que possibilita que a ação
humana seja boa ou má. Assim, a natureza pecaminosa humana faz com que a ação a
ser escolhida seja a má. Neste sentido, boa parte do mal que existe no mundo é causada
primeiramente pelo pecado, e este pela liberdade do homem. Contudo, dessa vez,
tenho que ir além de Wenham para demonstrar o motivo de possuirmos a liberdade.
Primeiramente note que se retirarmos a
liberdade do homem, com certeza grande parte do mal não existiria. Entretanto,
não seríamos livres. Se existe uma coisa que Deus valoriza muito é o
relacionamento. E para que um relacionamento seja sincero é essencial que haja
a escolha de relacionar-se. E para que uma escolha seja feita, necessário é,
evidentemente, a existência da liberdade. Após esta leitura tenho certeza que
você pode compreender perfeitamente que a liberdade é um ato de amor de Deus.
- · Pecado;
Wenham também acredita que “o pecado seja relacionado ao sofrimento,
sendo este um desestímulo”. Neste sentido, o mal seria tal como a dor de
uma ferida. O mal (ou o sofrimento) avisaria que existe algo errado e que deve
ser concertado. No caso a ferida deve ser tratada e deve-se tomar cuidado para
não causar uma nova ferida, pois a dor é incômoda. Assim, sempre que alguém
pensar em pecar lembrar-se-á do mal que o pecado traz.
- · Nosso bem supremo através do sofrimento;
Lembro-me de um autor que dizia que tudo de
grande nesta Terra se fez grande por ter passado pelo sofrimento. Neste
sentido, o sofrimento é uma ponte para que se alcance a glória. É com este
pensamento em mãos que Wenham diz que o que possuímos de mais precioso – a
salvação – foi construído em meio à dor, horror e sofrimento na cruz. É assim
que temos que lembrar que o sofrimento não é um obstáculo, mas um caminho para
a grandeza.
- · Não sabemos de tudo ainda;
“Quem é o homem para dar a impressão de que
compreende a sabedoria infinita e a complexidade dos propósitos divinos?” – diz
Wenham. O intelecto humano é limitado e não conhece todas as coisas. Portanto,
não devemos questionar Deus por coisas que não sabemos. Deus pode ter um motivo
muito especial para que exista o meu e o seu sofrimento, contudo, este motivo
pode ser tão complexo que nem o mais inteligente de nós poderia entender. Se
Deus nos respondesse a pergunta “Por que sofremos?”, neste pensamento, Ele
diria algo parecido com isso: “Eu te responderei, mas na minha resposta irei
falar de coisas que você ainda não conhece, como pessoas, leis da natureza e
uma matemática muito complicada para você entender...”.
- · O sofrimento pode estimular a vida espiritual;
É nítida a
impressão, ao se ler a história de homens que andaram com Deus, de que ainda
que o sofrimento seja doloroso, há algo de útil no mesmo. É impressionante a
capacidade de o sofrimento tornar aquele que sofre um tanto mais sensível a dor
do outro. Acredito que não seja necessário falar que esta não é a única
característica que o sofrimento nos trás como um presente. Aquele que passa
pelo sofrimento (geralmente) bebe do néctar das mais altas virtudes. O sofrimento
nos leva para perto de Deus. Este é um fato que cada história bíblica (que
envolve o sofrimento) nos apresenta como lição.
- · Retribuição, Postergada e atinge a todos;
No Direito Penal brasileiro vigente, um dos
fundamentos da pena é a retribuição. O criminoso comete a infração penal e o
Estado retribui com a pena. Para o autor em questão, o sofrimento é a
retribuição de Deus dá ao pecado humano. De modo análogo ocorre com uma ação
boa a recompensa divina. Mas é interessante notar que esta retribuição é postergada,
pois assim o pecador teria tempo para se arrepender e aquele que pratica o bem,
mais uma oportunidade para aprofundar a sua fé. Necessário é ressaltar que, o
sofrimento é estendido a todos por, a
priori, dois motivos, são eles: Para que todos vejam o poder de Deus e sua
justiça; e para que todos recebam a
punição. Mas neste ponto você me pergunta: ”Todos devem receber a punição? E os
inocentes?”. A melhor resposta é: “Não
há inocentes”!
- · Sofrimento é limitado;
Mesmo que nosso sofrimento pareça grande,
ele ainda é limitado a esta vida. Evidentemente, o cristianismo não acredita
que a vida terrena vale por si mesma. Ela vale pela oportunidade de salvação
que ela nos dá. Salvação esta que leva o homem à vida Eterna. Nesta segunda
vida não há sofrimento. Mas se pudermos observar sinceramente (e também de modo
racional – digo, livre de sentimentalismo tóxico) é possível concordar, mesmo
que em primeiro momento seja difícil, com as palavras do apóstolo Paulo:
“A nossa leve e momentânea tribulação produz
para nós eterno peso de glória, acima de
toda comparação” (2 Cor 4.17).
segunda-feira, 1 de maio de 2017
A repressão dos afetos
(https://bereianews.files.wordpress.com/2014/04/augustus-nicodemus.jpg?w=267&h=300)
Por Caio Peclat da Silva Paula
Não é tão raro ouvir que Freud copiou Nietzsche! Já existem
alguns livros publicados que defendem esta tese. Eu, particularmente, não
acredito que seja tão relevante assim esta discussão. Afinal, se Freud copiou,
copiou com maestria. Entretanto este não será o tema do post de hoje. Falaremos
sobre um tema que liga o pensamento destes dois grandes gênios. A repressão de afetos.
Leonardo Zoccaratto Ferreira em suas aulas na internet costuma explicar o pensamento Nietzscheano da seguinte forma: No mundo, ou somos afetados ou o afetamos. O
som da televisão ligada neste momento em que escrevo me afeta. O pedido que fiz
para abaixarem o volume do aparelho afetou quem o assistia. Quando algo (ou
alguém) nos afeta, este afeto entra no corpo e necessita sair de alguma forma. Se
não sair de uma, sai de outra (forma).
Assim, se algum homem sente desejo sexual, ele é afetado e
necessita afetar o mundo com o seu desejo. Se o afeto é sexual, o desejo,
logicamente, deverá ser sexual. Este também é o pensamento de Sigmund
Freud. E é precisamente sobre este tipo
de afeto (o sexual) que ouviremos hoje. Digo “ouviremos”, pois a partir de
agora a palavra está com o Dr. Augustus Nicodemus:
- 1-
“Esse argumento parte do princípio de que os evangélicos conservadores
são contra o sexo. Já desisti de tentar mostrar aos libertinos que essa ideia é
uma representação falsa da visão cristã conservadora sobre o assunto. Nós não
somos contra o sexo em si. Somos contra o sexo fora do casamento, pois
entendemos que as relações sexuais devem ser desfrutadas somente por pessoas
legitimamente casadas. Foi o próprio Deus que nos criou sexuados. E ele criou o
sexo não somente para a procriação, mas como meio de comunhão, comunicação e
prazer entre marido e mulher”. (NICODEMUS, Augustus. O ateísmo cristão e
outras ameaças à Igreja — São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p.95)
- 2-
“O argumento de que reprimir o desejo sexual causa traumas, no fundo,
acaba colocando a culpa em Deus, na Bíblia e na Igreja de serem uma fábrica de
neuróticos reprimidos. Sim, pois a Bíblia ensina claramente a abstinência, a
pureza sexual e a virgindade para os que não são casados, conforme argumentei
no texto anterior, “Carta a um jovem evangélico que faz sexo com a namorada”.
Se a abstinência sexual antes do casamento traz transtornos mentais e
emocionais, deveríamos considerar esses ensinamentos da Bíblia como radicais,
antiquados e inadequados, portanto como meras ideias humanas de pessoas que
viveram numa época pré-Freud — e, como tais, deveriam ser rejeitadas e
descartadas como palavra de homem, e não palavra de Deus. Ao fim, a contenção
dos libertinos é mesmo contra a Bíblia e contra Deus”. (NICODEMUS,
Augustus. O ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja — São Paulo: Mundo
Cristão, 2011. p.96)
- 3-
“Bem, para esse argumento ser verdadeiro, teríamos de verificá-lo
estatisticamente, na prática. Pesquisa alguma vai mostrar que existe uma
relação direta de causa e efeito entre abstinência antes do casamento e
distúrbios mentais, neuroses e coisas afins. Da mesma forma que nenhuma
pesquisa vai mostrar que os jovens que praticam sexo livre antes do casamento
são equilibrados, sensatos, sábios e inteligentes. Pode ser que até se prove o contrário.
Os tarados, estupradores e maníacos sexuais não serão encontrados no grupo dos
virgens e abstinentes. Talvez fosse interessante mencionar nesse contexto o
estudo conduzido na Universidade de Minnesota por Ann Meier. De acordo com as
pesquisas, o sexo estava associado à autoestima baixa e depressão em garotas que
iniciaram as relações sexuais (entre os 15 e os 17 anos, em média) sem
relacionamento afetivo ou romântico”. (NICODEMUS, Augustus. O ateísmo
cristão e outras ameaças à Igreja — São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p.96)
- 4-
“Embora a decisão de preservar-se para o casamento vá provocar lutas e
conflitos internos no coração e na mente dos jovens evangélicos, esses
conflitos nada mais são que a luta normal que todo cristão verdadeiro enfrenta
para viver uma vida reta e santa diante de Deus, mortificando o pecado e se
revestindo diariamente de Cristo (Rm 3; Cl 3; Ef 4—5). Fugir das paixões da
mocidade foi o mandamento de Paulo ao jovem Timóteo (2Tm 2:22). Esse combate
contra a nossa natureza carnal não provoca traumas, neuroses, recalques e
distúrbios. Ao contrário, nos ensina paciência, perseverança, a amar a pureza e
a apreciar as virtudes, o que significa tomar diariamente a cruz, como Jesus
nos mandou (Lc 9:23). Os que não querem tomar o caminho da cruz, entram pela
porta larga e vivem para satisfazer seus desejos e instintos.
Por esses motivos acima e por outros que poderiam ser acrescentados,
considero esse argumento — de que a abstenção das relações sexuais antes do
casamento provoca complexos, neuroses, recalques — como nada mais que uma
desculpa para aqueles que querem viver na fornicação. Não existe realmente
substância e fundamento para essa ideia, a não ser o desejo de justificar-se
diante de uma consciência culpada, da opinião contrária de outros ou dos
ensinamentos das Escrituras”. (NICODEMUS, Augustus. O ateísmo cristão e
outras ameaças à Igreja — São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p.97)
Caio Peclat da Silva
Paula
quinta-feira, 6 de abril de 2017
Alegria, Confiança e Esperança
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| http://www.livinghopechicago.com/need-hope.html |
A Bíblia nunca prometeu a
felicidade terrena. Deus pode nos abençoar de diversas formas, mas não há
promessa na Bíblia de que seremos 100% felizes 100% do tempo com coisas
terrenas. Mas isso não significa que a Bíblia não fale nada sobre a alegria.
Pelo contrário, há uma receita bíblica simples para o homem se alegrar a
qualquer momento: Lembre-se de Cristo.
quinta-feira, 30 de março de 2017
Em defesa dos valores - uma crítica a Nietzsche
Em defesa dos valores - uma crítica a Nietzsche
Um tema que "está na moda" nos últimos anos
é a imoralidade, mesmo que esta venha a ser chamada por nomes como: inversão de
valores ou, até mesmo, degradação dos valores.
Em ambos os nomes, estamos diante de uma - pelo menos - aparente troca
de algumas construções morais por outras.
Um crítico da moral - que gostava de ser chamado de
imoralista - foi o alemão F. W. Nietzsche. Este, em alguns de seus textos -
como "Genealogia da moral", "Humano, demasiado humano",
"Além do bem e do mal" e etc - demonstra que a moral é uma barreira
nascida da fraqueza humana e que deve ser superada.
sábado, 18 de fevereiro de 2017
Como um Deus totalmente bondoso permitiria o sofrimento? – Uma Resposta
Por Caio Peclat da Silva Paula
Como um Deus totalmente bondoso permitiria o sofrimento? – Uma Resposta
É sempre lembrada, entre os
filósofos, a fase em que a criança levanta inúmeros questionamentos, a chamada
fase dos porquês. É, em regra, assim que os filósofos se veem – como crianças
que perguntam o porquê das coisas. Entretanto, mais importante que o
questionamento é desejar ouvir – ou encontrar – a resposta. É aqui que há a
separação entre bons e maus filósofos. Sinto que devo contar a vocês uma
pequena história que me fez questionar a mim mesmo se quero verdadeiramente ouvir
a resposta:
Era feriado numa cidade da Europa, mas não
era mais um feriado, era um feriado religioso que movimentava todos os
habitantes daquela cidade. Naquele dia, as igrejas estavam lotadas, e quando
ninguém esperava, houve um terremoto. Como todos sabem, quando há um tremor de
terra as primeiras construções a caírem são as mais altas. Justamente as
igrejas.
Talvez, assim como eu, você
esteja se sentindo tal como uma criança – perguntando: Por quê? Mas será que
você quer ouvir a resposta? Será que você conseguirá entender a resposta? Será
mesmo que existe uma resposta? Acredito que estas são perguntas secundárias e
devemos nos preocupar – neste momento - com a questão principal, que é: Como um
Deus totalmente bondoso e todo-poderoso permite o sofrimento? Será que Ele é
realmente bondoso? Ou que Ele não tem todo poder? Ou, talvez, Ele nem mesmo
exista?
Os teóricos irão classificar o
mal (sofrimento) em dois tipos:
·
Mal moral/espiritual (Ex.: Maldade Humana):
O primeiro, para Kreeft e
Tacelli, tem por natureza o pecado, que nos separa de Deus e a origem do mesmo
é o livre-arbítrio humano. Se você for inteligente, perceberá que se Deus nos
tirasse o livre-arbítrio, estaria acabando com o mal espiritual. Mas por que
Ele não acaba com o nosso livre-arbítrio? Certamente Deus possui um motivo
muito especial para mantê-lo. Vou explicar:
Imagine que um cachorro acaba de
morder João. O cachorro agiu de forma má? Certamente não, pois um cachorro só
sabe ser cachorro, ele não poderia agir
de forma diversa. Agora pense que quem morde João foi um homem. O homem foi
mau? Sim. O homem por possuir o livre-arbítrio poderia agir de forma diversa. Mas é o mesmo livre-arbítrio que faz
o homem ser bom, sem o livre-arbítrio o homem não seria mau nem bom. Deus
somente permite o livre-arbítrio para que haja a possibilidade do homem ser
bom, mesmo podendo escolher ser mau.
·
Mal natural/físico (Ex.: Doenças, Terremotos):
Agora que respondemos uma parte
do problema, só nos falta solucionarmos a outra metade, mas para isso é
necessário entender alguns conceitos:
N. T. Wright denuncia dois erros
no que se trata do problema do mal:
·
Dualismo ontológico – Onde o sujeito acredita
que o mundo é mal e é necessário fugir;
·
Dualismo sociológico- Onde existem duas classes
de pessoas: Nós (os bons) e eles (os maus).
O erro destas duas visões é
retirar a si mesmo do problema. É acreditar que você mesmo não é, também,
responsável pelo mal do mundo. Por isso o referido autor entende que é nossa
responsabilidade acabar com o nosso mal (aquele que você produz) no mundo
através do perdão. Quando Jesus diz na oração do Pai nosso: “E não nos conduzas
à tentação; mas livra-nos do mal [...]” (Mateus 6:13a) Ele pede para nos livrar
do mal que nós mesmos podemos cometer. E é por isso que o problema do mal não
diz respeito, somente, a guerras e pestes, mas também à humilhação que Jorge
passou e a mentira que Jonas contou, este problema tem a ver com você, nós
somos parte do problema. Alguns autores dirão que a causa de terremotos,
doenças e outros males físicos são: Castigo pelo pecado humano e instrumento de
aperfeiçoamento espiritual.
Veremos agora algumas tentativas,
chamadas de teodiceias, de explicar o problema do mal:
Platão
Em Platão não somos essencialmente este monte de coisas visíveis, mas
uma alma, um espírito, uma personalidade, um caráter. Assim, quando alguém faz
mal ao meu corpo, tenho a opção de me vingar ou perdoar, neste sentido, o único
capaz de fazer mal à minha alma sou eu mesmo. Coisas más só podem ocorrer com o
meu corpo e, por isso, a resposta à pergunta “por que coisas más acontecem com
pessoas boas” é que elas simplesmente não acontecem com as pessoas boas, mas
sim com o seu corpo.
Mitos
Quem sente mais por não ser rei como aquele que foi destronado? Quem se
sente mais sozinho do que aquele que acabou de se tornar órfão? Quem sente mais
gratidão por estar vivo como aquele que acabou de ser curado de uma grave
doença? É fato que costumamos a dar valor às coisas por comparação. Só sabemos
que um bolo foi mal feito se já experimentamos algum bem feito. Mas como
podemos saber que o homem é mau? Só poderíamos conceber a ideia de homem mau se
acreditarmos que já existiu um homem bom. Não é esta a ideia do paraíso
perdido? Ideia esta que o cristianismo
nos conta a tantos anos? A explicação
para esta certeza cristã é que a partir da liberdade humana o mal entra no
mundo, mas é por causa da liberdade existir que o homem tem a opção de agir
bondosamente.
Boécio
Boécio diz que as coisas ruins que acontecem em nossa vida são tão boas
para nós quanto as coisas que costumamos chamar de boas. Enquanto o que é ruim
ensina, o que é bom ilude. Quando os brinquedos mundanos nos quais depositamos
totalmente nossas esperanças de felicidade nos são retirados, nossa tolice
também é retirada, e tudo isso nos aproxima da verdadeira felicidade, que não
está em coisas mundanas, mas na sabedoria. As coisas ruins nos acordam do sonho
ilusório, e assim é bom – assumindo, como o corajoso e honesto pensamento
antigo quase sempre assumiu, que precisamos mais da verdade que do conforto,
que precisamos não da falsa, mas da verdadeira felicidade.
Um filósofo analítico qualquer
Você poderia dizer como estará sua saúde nos próximos 5 minutos? Ou
quando será que seu chefe o demitirá? Talvez você tenha uma ideia, mas nunca
terá a certeza de como será o futuro. Existem elementos que causarão o efeitos
no nosso futuro que ainda não conhecemos. É por isso que você não pode dizer
que o sofrimento é ruim. Para dizer que ele é ruim, você deveria comparar a sua
vida com sofrimento com a sua vida sem sofrimento e isto é algo que não está no nosso alcance.
Portanto, não esta em nosso alcance atribuir juízo para o sofrimento e sim
aceita-lo como parte integrante da vida.
Mesmo após ouvir todas estas
respostas, pode parecer que o problema ainda não foi totalmente resolvido.
Talvez pareça que as respostas não foram suficientemente fortes. Esta é uma
possibilidade. Plantinga diz que Deus pode ter um motivo muito especial para
não nos dar uma resposta satisfatória, um possível motivo seria o fato de que
não conseguiríamos entender. Esta é outra
possibilidade. Entretanto as Escrituras são evidencias de uma promessa
futura em que o próprio Deus acabará com o mal no fim dos tempos. Esta resposta
pode parecer um pouco incerta, mas C. S. Lewis lembra que o autor da peça só sobe ao palco quando o espetáculo acaba.
Caio Peclat da Silva Paula
Bibliografia:
Peter Kreeft - Buscar sentido no sofrimento
Peter Kreeft - Buscar sentido no sofrimento
Peter Kreeft e Ronald K. Tacelli – Manual de defesa da Fé
Alvin Plantinga - Deus, a liberdade e o mal
Alvin Plantinga - Deus, a liberdade e o mal
N. T. Wright - O Mal e a Justiça de Deus
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