segunda-feira, 1 de maio de 2017

A repressão dos afetos

(https://bereianews.files.wordpress.com/2014/04/augustus-nicodemus.jpg?w=267&h=300)

Por Caio Peclat da Silva Paula

Não é tão raro ouvir que Freud copiou Nietzsche! Já existem alguns livros publicados que defendem esta tese. Eu, particularmente, não acredito que seja tão relevante assim esta discussão. Afinal, se Freud copiou, copiou com maestria. Entretanto este não será o tema do post de hoje. Falaremos sobre um tema que liga o pensamento destes dois grandes gênios. A repressão de afetos.
Leonardo Zoccaratto Ferreira em suas aulas na internet costuma explicar o pensamento Nietzscheano da seguinte forma: No mundo, ou somos afetados ou o afetamos. O som da televisão ligada neste momento em que escrevo me afeta. O pedido que fiz para abaixarem o volume do aparelho afetou quem o assistia. Quando algo (ou alguém) nos afeta, este afeto entra no corpo e necessita sair de alguma forma. Se não sair de uma, sai de outra (forma).
Assim, se algum homem sente desejo sexual, ele é afetado e necessita afetar o mundo com o seu desejo. Se o afeto é sexual, o desejo, logicamente, deverá ser sexual. Este também é o pensamento de Sigmund Freud.  E é precisamente sobre este tipo de afeto (o sexual) que ouviremos hoje. Digo “ouviremos”, pois a partir de agora a palavra está com o Dr. Augustus Nicodemus:


  • 1-

“Esse argumento parte do princípio de que os evangélicos conservadores são contra o sexo. Já desisti de tentar mostrar aos libertinos que essa ideia é uma representação falsa da visão cristã conservadora sobre o assunto. Nós não somos contra o sexo em si. Somos contra o sexo fora do casamento, pois entendemos que as relações sexuais devem ser desfrutadas somente por pessoas legitimamente casadas. Foi o próprio Deus que nos criou sexuados. E ele criou o sexo não somente para a procriação, mas como meio de comunhão, comunicação e prazer entre marido e mulher”. (NICODEMUS, Augustus. O ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja — São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p.95)

  • 2-
“O argumento de que reprimir o desejo sexual causa traumas, no fundo, acaba colocando a culpa em Deus, na Bíblia e na Igreja de serem uma fábrica de neuróticos reprimidos. Sim, pois a Bíblia ensina claramente a abstinência, a pureza sexual e a virgindade para os que não são casados, conforme argumentei no texto anterior, “Carta a um jovem evangélico que faz sexo com a namorada”. Se a abstinência sexual antes do casamento traz transtornos mentais e emocionais, deveríamos considerar esses ensinamentos da Bíblia como radicais, antiquados e inadequados, portanto como meras ideias humanas de pessoas que viveram numa época pré-Freud — e, como tais, deveriam ser rejeitadas e descartadas como palavra de homem, e não palavra de Deus. Ao fim, a contenção dos libertinos é mesmo contra a Bíblia e contra Deus”. (NICODEMUS, Augustus. O ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja — São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p.96)

  • 3-
“Bem, para esse argumento ser verdadeiro, teríamos de verificá-lo estatisticamente, na prática. Pesquisa alguma vai mostrar que existe uma relação direta de causa e efeito entre abstinência antes do casamento e distúrbios mentais, neuroses e coisas afins. Da mesma forma que nenhuma pesquisa vai mostrar que os jovens que praticam sexo livre antes do casamento são equilibrados, sensatos, sábios e inteligentes. Pode ser que até se prove o contrário. Os tarados, estupradores e maníacos sexuais não serão encontrados no grupo dos virgens e abstinentes. Talvez fosse interessante mencionar nesse contexto o estudo conduzido na Universidade de Minnesota por Ann Meier. De acordo com as pesquisas, o sexo estava associado à autoestima baixa e depressão em garotas que iniciaram as relações sexuais (entre os 15 e os 17 anos, em média) sem relacionamento afetivo ou romântico”. (NICODEMUS, Augustus. O ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja — São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p.96)

  • 4-
“Embora a decisão de preservar-se para o casamento vá provocar lutas e conflitos internos no coração e na mente dos jovens evangélicos, esses conflitos nada mais são que a luta normal que todo cristão verdadeiro enfrenta para viver uma vida reta e santa diante de Deus, mortificando o pecado e se revestindo diariamente de Cristo (Rm 3; Cl 3; Ef 4—5). Fugir das paixões da mocidade foi o mandamento de Paulo ao jovem Timóteo (2Tm 2:22). Esse combate contra a nossa natureza carnal não provoca traumas, neuroses, recalques e distúrbios. Ao contrário, nos ensina paciência, perseverança, a amar a pureza e a apreciar as virtudes, o que significa tomar diariamente a cruz, como Jesus nos mandou (Lc 9:23). Os que não querem tomar o caminho da cruz, entram pela porta larga e vivem para satisfazer seus desejos e instintos.
Por esses motivos acima e por outros que poderiam ser acrescentados, considero esse argumento — de que a abstenção das relações sexuais antes do casamento provoca complexos, neuroses, recalques — como nada mais que uma desculpa para aqueles que querem viver na fornicação. Não existe realmente substância e fundamento para essa ideia, a não ser o desejo de justificar-se diante de uma consciência culpada, da opinião contrária de outros ou dos ensinamentos das Escrituras”. (NICODEMUS, Augustus. O ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja — São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p.97)

Caio Peclat da Silva Paula

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Alegria, Confiança e Esperança

http://www.livinghopechicago.com/need-hope.html

A Bíblia nunca prometeu a felicidade terrena. Deus pode nos abençoar de diversas formas, mas não há promessa na Bíblia de que seremos 100% felizes 100% do tempo com coisas terrenas. Mas isso não significa que a Bíblia não fale nada sobre a alegria. Pelo contrário, há uma receita bíblica simples para o homem se alegrar a qualquer momento: Lembre-se de Cristo.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Em defesa dos valores - uma crítica a Nietzsche


Por Caio Peclat da Silva Paula

Em defesa dos valores - uma crítica a Nietzsche


Um tema que "está na moda" nos últimos anos é a imoralidade, mesmo que esta venha a ser chamada por nomes como: inversão de valores ou, até mesmo, degradação dos valores.  Em ambos os nomes, estamos diante de uma - pelo menos - aparente troca de algumas construções morais por outras.
Um crítico da moral - que gostava de ser chamado de imoralista - foi o alemão F. W. Nietzsche. Este, em alguns de seus textos - como "Genealogia da moral", "Humano, demasiado humano", "Além do bem e do mal" e etc - demonstra que a moral é uma barreira nascida da fraqueza humana e que deve ser superada.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Como um Deus totalmente bondoso permitiria o sofrimento? – Uma Resposta


Por Caio Peclat da Silva Paula

Como um Deus totalmente bondoso permitiria o sofrimento? – Uma Resposta

É sempre lembrada, entre os filósofos, a fase em que a criança levanta inúmeros questionamentos, a chamada fase dos porquês. É, em regra, assim que os filósofos se veem – como crianças que perguntam o porquê das coisas. Entretanto, mais importante que o questionamento é desejar ouvir – ou encontrar – a resposta. É aqui que há a separação entre bons e maus filósofos. Sinto que devo contar a vocês uma pequena história que me fez questionar a mim mesmo se quero verdadeiramente ouvir a resposta:

Era feriado numa cidade da Europa, mas não era mais um feriado, era um feriado religioso que movimentava todos os habitantes daquela cidade. Naquele dia, as igrejas estavam lotadas, e quando ninguém esperava, houve um terremoto. Como todos sabem, quando há um tremor de terra as primeiras construções a caírem são as mais altas. Justamente as igrejas.

Talvez, assim como eu, você esteja se sentindo tal como uma criança – perguntando: Por quê? Mas será que você quer ouvir a resposta? Será que você conseguirá entender a resposta? Será mesmo que existe uma resposta? Acredito que estas são perguntas secundárias e devemos nos preocupar – neste momento - com a questão principal, que é: Como um Deus totalmente bondoso e todo-poderoso permite o sofrimento? Será que Ele é realmente bondoso? Ou que Ele não tem todo poder? Ou, talvez, Ele nem mesmo exista?
Os teóricos irão classificar o mal (sofrimento) em dois tipos:

·         Mal moral/espiritual (Ex.: Maldade Humana):

O primeiro, para Kreeft e Tacelli, tem por natureza o pecado, que nos separa de Deus e a origem do mesmo é o livre-arbítrio humano. Se você for inteligente, perceberá que se Deus nos tirasse o livre-arbítrio, estaria acabando com o mal espiritual. Mas por que Ele não acaba com o nosso livre-arbítrio? Certamente Deus possui um motivo muito especial para mantê-lo. Vou explicar:
Imagine que um cachorro acaba de morder João. O cachorro agiu de forma má? Certamente não, pois um cachorro só sabe ser cachorro, ele não poderia agir de forma diversa. Agora pense que quem morde João foi um homem. O homem foi mau? Sim. O homem por possuir o livre-arbítrio poderia agir de forma diversa. Mas é o mesmo livre-arbítrio que faz o homem ser bom, sem o livre-arbítrio o homem não seria mau nem bom. Deus somente permite o livre-arbítrio para que haja a possibilidade do homem ser bom, mesmo podendo escolher ser mau.

·         Mal natural/físico (Ex.: Doenças, Terremotos):

Agora que respondemos uma parte do problema, só nos falta solucionarmos a outra metade, mas para isso é necessário entender alguns conceitos:
N. T. Wright denuncia dois erros no que se trata do problema do mal:

·         Dualismo ontológico – Onde o sujeito acredita que o mundo é mal e é necessário fugir;
·         Dualismo sociológico- Onde existem duas classes de pessoas: Nós (os bons) e eles (os maus).

O erro destas duas visões é retirar a si mesmo do problema. É acreditar que você mesmo não é, também, responsável pelo mal do mundo. Por isso o referido autor entende que é nossa responsabilidade acabar com o nosso mal (aquele que você produz) no mundo através do perdão. Quando Jesus diz na oração do Pai nosso: “E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal [...]” (Mateus 6:13a) Ele pede para nos livrar do mal que nós mesmos podemos cometer. E é por isso que o problema do mal não diz respeito, somente, a guerras e pestes, mas também à humilhação que Jorge passou e a mentira que Jonas contou, este problema tem a ver com você, nós somos parte do problema. Alguns autores dirão que a causa de terremotos, doenças e outros males físicos são: Castigo pelo pecado humano e instrumento de aperfeiçoamento espiritual.
Veremos agora algumas tentativas, chamadas de teodiceias, de explicar o problema do mal:

Platão

Em Platão não somos essencialmente este monte de coisas visíveis, mas uma alma, um espírito, uma personalidade, um caráter. Assim, quando alguém faz mal ao meu corpo, tenho a opção de me vingar ou perdoar, neste sentido, o único capaz de fazer mal à minha alma sou eu mesmo. Coisas más só podem ocorrer com o meu corpo e, por isso, a resposta à pergunta “por que coisas más acontecem com pessoas boas” é que elas simplesmente não acontecem com as pessoas boas, mas sim com o seu corpo.

Mitos

Quem sente mais por não ser rei como aquele que foi destronado? Quem se sente mais sozinho do que aquele que acabou de se tornar órfão? Quem sente mais gratidão por estar vivo como aquele que acabou de ser curado de uma grave doença? É fato que costumamos a dar valor às coisas por comparação. Só sabemos que um bolo foi mal feito se já experimentamos algum bem feito. Mas como podemos saber que o homem é mau? Só poderíamos conceber a ideia de homem mau se acreditarmos que já existiu um homem bom. Não é esta a ideia do paraíso perdido?  Ideia esta que o cristianismo nos conta a tantos anos?   A explicação para esta certeza cristã é que a partir da liberdade humana o mal entra no mundo, mas é por causa da liberdade existir que o homem tem a opção de agir bondosamente.

Boécio

Boécio diz que as coisas ruins que acontecem em nossa vida são tão boas para nós quanto as coisas que costumamos chamar de boas. Enquanto o que é ruim ensina, o que é bom ilude. Quando os brinquedos mundanos nos quais depositamos totalmente nossas esperanças de felicidade nos são retirados, nossa tolice também é retirada, e tudo isso nos aproxima da verdadeira felicidade, que não está em coisas mundanas, mas na sabedoria. As coisas ruins nos acordam do sonho ilusório, e assim é bom – assumindo, como o corajoso e honesto pensamento antigo quase sempre assumiu, que precisamos mais da verdade que do conforto, que precisamos não da falsa, mas da verdadeira felicidade.

Um filósofo analítico qualquer

Você poderia dizer como estará sua saúde nos próximos 5 minutos? Ou quando será que seu chefe o demitirá? Talvez você tenha uma ideia, mas nunca terá a certeza de como será o futuro. Existem elementos que causarão o efeitos no nosso futuro que ainda não conhecemos. É por isso que você não pode dizer que o sofrimento é ruim. Para dizer que ele é ruim, você deveria comparar a sua vida com sofrimento com a sua vida sem sofrimento e isto é algo que não está no nosso alcance. Portanto, não esta em nosso alcance atribuir juízo para o sofrimento e sim aceita-lo como parte integrante da vida.

Mesmo após ouvir todas estas respostas, pode parecer que o problema ainda não foi totalmente resolvido. Talvez pareça que as respostas não foram suficientemente fortes. Esta é uma possibilidade. Plantinga diz que Deus pode ter um motivo muito especial para não nos dar uma resposta satisfatória, um possível motivo seria o fato de que não conseguiríamos entender. Esta é outra  possibilidade. Entretanto as Escrituras são evidencias de uma promessa futura em que o próprio Deus acabará com o mal no fim dos tempos. Esta resposta pode parecer um pouco incerta, mas C. S. Lewis lembra que o autor da peça só sobe ao palco quando o espetáculo acaba.

Caio Peclat da Silva Paula

Bibliografia:
Peter Kreeft - Buscar sentido no sofrimento
Peter Kreeft e Ronald K. Tacelli – Manual de defesa da Fé
Alvin Plantinga - Deus, a liberdade e o mal
N. T. Wright - O Mal e a Justiça de Deus


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

P&R #3 - Os Discípulos de Jesus vs Homens-bomba

Pergunta:

Para dar um ponto positivo à ressurreição de Jesus e à veracidade do Cristianismo usamos às vezes o argumento de que "É altamente improvável ou quase impossível que os apóstolos tivessem morrido por uma invenção, uma mentira, um embuste, enfim." Até aí, tudo em ordem. Mas e se alguém objetasse dizendo: "Homens-bombas também morrem por causa de Deus, isso quer dizer que o islamismo também é verdade?", qual resposta eu poderia dar? Será que há alguma coisa a mais que eu não estou conseguindo enxergar nessa estória toda?
Obrigada, desde já.

Feliz Natal e tenha um próspero ano novo e que a paz de Cristo esteja com você.

Atenciosamente,
Yasmin.

Maria foi assunta ao céu?


Maria foi assunta corporalmente aos céus? Essa doutrina da Igreja Católica Romana enfrenta dois problemas sérios: Não possui base bíblica e é tardio na história. Apologista católico, Karl Keating admite:

Fundamentalistas perguntam, onde esta a prova nas Escrituras? Estritamente, não há nenhuma. [1]

De fato, nem mesmo tradição pode ajudar aqui. A doutrina é completamente ausente em todos os escritos até séculos depois da morte e ressurreição de Cristo. Epifânio, no quarto século escreveu que, “quanto ao seu fim [de Maria], ninguém sabe.” [2] Ele também negou que ela tenha sido levada ao céu. [3]