sexta-feira, 1 de abril de 2016

Maria teve outros filhos?


Um dos pontos mais irrelevantes e discutidos entre católicos e protestantes é o da virgindade perpetua de Maria. Por que irrelevante? Porque tendo mantido sua virgindade ou não, isso não afeta em absolutamente nada nenhuma parte do Cristianismo. Mas então, por que escrever sobre isso? Sei la. Só acho que é biblicamente improvável manter a posição de que Maria não teve outros filhos.

Maria teve outros filhos?


Mal entendido


É discutível se Calvino e Lutero acreditavam na virgindade perpetua de Maria. So what? Sola Scriptura independe de “lideres”. (Esse é quase o mesmo erro que A. G. Brito, teólogo adventista, cometeu quando comentou que “protestantes sempre interpretaram que o sábado era uma lei moral” achando que tinha refutado todo o meu texto sobre o sábado.)

O Salmo Messianico


Comecemos pelo Antigo Testamento, pra mostrar que já haviam profecias apontando que o Messias iria ser negado por seus irmãos:

Aqueles que me odeiam sem causa são mais do que os cabelos da minha cabeça; aqueles que procuram destruir-me, sendo injustamente meus inimigos, são poderosos; então restituí o que não furtei.
Tu, ó Deus, bem conheces a minha estultice; e os meus pecados não te são encobertos.
Não sejam envergonhados por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor, DEUS dos Exércitos; não sejam confundidos por minha causa aqueles que te buscam, ó Deus de Israel.
Porque por amor de ti tenho suportado afrontas; a confusão cobriu o meu rosto.
Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe.
Pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim.
Salmos 69:4-9

Vemos que não de pode simplesmente apelar para as similaridades entre “irmãos” e “primos” em hebraico, pois o texto claramente diz “filhos de minha mãe”.
Não se pode também desviar da conclusão de que esse salmo seja messiânico.  Em João 15:25, Jesus cita o versículo 4 desse salmo para se referir a si mesmo. Também, em João 2:16-17 ele cita o versículo 9 para si mesmo. Claramente Jesus mostrava que esse salmo se referia ao Messias.

A evidência esmagadora do Novo Testamento


Existe um numero imenso de versos no Novo Testamento que tornam impossível a interpretação de que estes eram primos:


E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus. - Mateus 1:25

Sempre que um homem “não conhece a mulher até...”, quer dizer que ele conheceu depois. (Gênesis 4:1)
Católicos vão dizer que “até que” não implica necessariamente que houve uma mudança de estado. Normalmente citam 1 Coríntios 15:25; Filipenses 1:10; 1 Timóteo 6:10, dentre outras passagens em que “até que” é usado mas não implica mudança. Mas, palavras significam o que palavras significam... Em contexto! O contexto todo da passagem é sobre a virgindade de Maria, que muda de foto nesse verso para o relacionamento dos dois:

Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco. E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher; E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus. - Mateus 1:23-25

O termo grego usado para "até que" ou "enquanto" é "heos hou". De acordo com o estudioso Jack Lewis, "em outras partes do Novo Testamento (Mt 17:9; 24:39; Jo 9:19), a palavra enquanto (heos hou), seguida por uma negativa, sempre sugere que a ação negada realmente ocorria posteriormente." (Jack Lewis, "The Gospel According to Matthew, vol. 1, p. 42)
Vejamos outros versos que implicam que Maria teve outros filhos:

Porque nem mesmo seus irmãos criam nele. - João 7:5

Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos. - Atos 1:14

Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele. - Marcos 6:3

E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. - Gálatas 1:19

E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe. E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. - Mateus 12:46,47

Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? - Mateus 13:55

Note que, em alguns casos, quando os irmãos e irmãs de Jesus são mencionados, o contexto implica que eles sejam filhos de Maria. Afinal, por que citar ela primeiro, e logo depois falar dos primos de Jesus? Não é muito estranho Maria andar por ai com os primos céticos de Jesus? Ou com filhos de outro casamento de José? Ou com os filhos céticos de Alfeu?
A palavra usada para “irmão” é “adelphos” e para “irmã” é “adelphe”. Se fossem primos seria usada a palavra “anepsios”, e se fossem “meio-irmãos”, seriam usadas as palavras “adelphos ouch omopathios”. Esses supostos filhos de José teriam viajado com ele e Maria (Lucas 2:5)
Agora, é verdade que “adelphos” pode ser usado para significar outra coisa dependendo do contexto. Porem, o seu significado primário é de “irmão” de sangue, e apelar para os significados secundários ou simbólicos é inteiramente ad hoc e desnecessário, e parece mais uma tentativa desesperada para desviar das conclusões óbvias das Escrituras.
Note que trocar os “irmãos” por “primos” ou filhos de outro casamento de José no contexto torna o texto estranho:

Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus primos. - Atos 1:14

Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e meio irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? E não estão aqui conosco suas primas? E escandalizavam-se nele. - Marcos 6:3

Algo interessante pode percebido no seguinte texto:

E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe.
E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te.
Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?
E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos;
Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe.
Mateus 12:46-50

Note que alguém da “platéia” lhe disse que ali estavam sua mãe e irmãos. Foi só depois disso que Jesus “estabeleceu” que sua família “simbólica” eram seus discípulos.
Qualquer uma das três teorias predominantes no catolicismo sobre os irmãos de Jesus será ad hoc e sem qualquer evidência. Dizer que são primos não tem base, já que os autores do Novo Testamento estavam familiarizados com a diferenciação dos termos adelphos e anepsios. Dizer que são meio-irmãos de outro casamento anterior de José torna o contexto estranho, já que eles estão acompanhados de Maria, a mãe de Jesus. E dizer que são filhos de Alfeu não explica as irmãs e nem o por que deles estarem com Maria.
Quanto a essa ultima teoria – a dos filhos de Alfeu – os nomes iguais não devem ser algo de se surpreender. Traduzindo para o hebraico, os nomes “Tiago, José, Judas e Simão” ficam “Yakov, “Yoseph, Yehudah e Shimeon”. Tais nomes tinham um sentido especial no Judaísmo: Jacó (Yakov) teve três filhos chamados Yoseph (José, com Raquel), Yehudah (Judá, com Lia) e Shimeon (Simeão, com Lia). (Gênesis 29:33. 35; 30:23)
Alem de tudo isso, existe a evidência extra-bíblica de Flávio Joséfo, chamando Tiago de Irmão de Jesus:

“Anano, um dos que nós falamos agora, era homem ousado e empreender, da seita dos saduceus, que, como dissemos, são os mais severos de todos os judeus e os mais rigorosos no julgamento. Ele aproveitou o tempo da morte de Festo, e Albino ainda não havia chegado, para reunir um conselho diante do qual fez comparecer Tiago, irmão de Jesus chamado Cristo, e alguns outros; acusou-os de terem desobedecido às leis e os condenou ao apedrejamento. Esse ato desagradou muito a todos os habitantes de Jerusalém, que eram piedosos e tinham verdadeiro amor pela observância das nossas leis” (Antiguidades 20:197:203)

Joséfo, como judeu, não teria razão nenhuma para chamar Tiago de irmão de Jesus se este fosse apenas um irmão simbólico. Os primeiros cristãos e a Bíblia chama Tiago de “Irmão do Senhor” ou “Irmão do Salvador”. Isso pode ser visto em Gálatas 1:19 e nos escritos de Eusébio.
Como vimos, a leitura plena das Escrituras mostram de forma clara e direta que Jesus teve irmãos, filhos de Maria e José. A teologia católica se baseia em “pode ser que isso” ou “pode ser aquilo”.

Mas a tradição...


Pelo bem do argumento, suponhamos que a tradição nunca tenha sido corrompida. E dai? As Escrituras obviamente contradizem a Tradição Católica. Sabemos que as Escrituras são theopneustos (inspirado divinamente). Com qual você fica?
De qualquer forma, a tradição realmente sempre foi unânime? No final do segundo século d.C., Tertuliano escreveu:

“E, portanto, quanto à pergunta anterior, ‘quem é a minha mãe, e quem são meus irmãos?’ Ele adicionou a resposta ‘Aqueles que ouvem minhas palavras e as seguem’, Ele transferiu os nomes de quem tem relação de sangue aos outros, a quem Ele julgava serem mais próximos a Ele por razão de sua fé. Agora, ninguém transfere essas coisas exceto por aquele que possui aquilo que é transferido. Se, portanto, Ele fez deles ‘Sua mãe e Seus irmãos’, a quem não eram, como Ele poderia negar a eles esses relacionamentos e quem realmente os tinha?” (Against Marcion 4:19)

Note que ele faz claro uso da passagem em que a mãe e os irmãos de Jesus aparecem, e Ele fala dos “irmãos” novos. Tertuliano esta argumentando que Jesus não poderia fazer daqueles seus “irmãos” se já não tivesse esse tipo de parente. Agora, alguém pode contrariá-lo ou refutar seus argumentos. Mas o ponto aqui é: Um dos primeiros cristãos claramente ensinava que Jesus possuía irmãos de sangue. Nós vemos a tradição mostrando mais claramente afirmações da perpetua virgindade depois, sendo fortalecida apenas no quarto século. Mas ainda no quarto século, Basílio de Cesareia escreveu que a perpetua virgindade de Maria, “não iria afetar os ensinos de nossa religião, porque a virgindade de Maria era necessária até o serviço da Encarnação, e o que aconteceu depois não precisa ser investigado para afetar a doutrina do mistério.” (St. Basil the Great, PG 31, 1468 B; citado por Luigi Gambero, Mary and the Fathers of the Church, p. 146)
É verdade que Basílio prosseguiu argumentando com o porque ele acreditava que Maria teria se mantido virgem. Mas o ponto importante é que ele não via isso como um essencial da fé Cristã. De fato, em outro lugar ele escreveu:

“Nós não devemos debater sobre esse assunto – se depois dela dar a luz ao Salvador, Maria firmou o casamento ou, por outro lado, se manteve uma virgem – porque isso não tem aplicação ao mistério da fé. [...] O que aconteceu depois (do nascimento de Cristo) é algo que nós não nos intrometemos no que diz respeito à Palavra do mistério, porque isso não tira o respeito da longo da Palavra, porque ela não faz mal a piedade.” (St. Basil the Great, “Sermon on the Nativity of Christ,” Vol. 1, p. 389, citado em John Gerhard, Theological Commonplaces, “On the Nature of Theology and Scripture,” 18, 8)

O historiador da igreja J. N. D. Kelly nos diz que tal doutrina se originou no apócrifo Ascensão de Isaías, que diz: “Seu ventre foi encontrado como ele estava antes de ficar gravida.” (11:8-14) [link].  (J. N. D. Kelly, Early Christian Doctrines, p. 492)
Outros documentos apócrifos antigos que mencionam a virgindade perpetua de Maria são o Odes de Salomão, repleto de influencia gnóstica, e o Protevangelio de Tiago, que teve grande influencia na doutrina Católica Romana. Historiador Jesuíta, Joseph Fitzmyer concorda quando diz:

Tal ensino da igreja foi formulado pelos Cristãos primitivos na era pós-Apostólica, fazendo uso de uma interpretação de algumas passagens no Novo Testamento que passaram por outras que eram problemáticas, como João 1:45; 6:42; Lucas 4:22. O resultado foi que esse ensinamento não foi aceito universalmente a principio. Mesmo que as vezes se pense que esse ensino seja implicado no escrito do segundo século, Protevangelium Jacobi [Protevagelio de Tiago], ele eventualmente se tornou cristalizado na crença duradoura sobre Maria como aeiparthenos ou semper virgo, “sempre virgem”, nos credos do quarto século em diante. (America Megazine, Whose Name is This?, http://www.americamagazine.org/issue/412/article/whose-name 18 de Novembro de 2002) 

Sobre o Gnosticismo que influenciava a igreja, Dr. James White comenta:

“Gnosticismo ensinava que a salvação vinha através de um certo tipo de ‘conhecimento’ salvifico [...], e esse conhecimento normalmente vinha por meio de varias cerimonias. A grande ênfase era no celibato [...] e sua asserção resultante de que a união sexual entre marido e mulher deve mais ao Gnosticismo do que a uma interpretação justa das Escrituras.” (James White, Mary - Another Redeemer?, nota 12 do capítulo 3, kindle pos. 1831)

Jesus confiou Maria a João. Por que não a um de seus irmãos?


Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. - João 19:26

A chave para entender este verso é lembrar que os irmãos de Jesus não criam n’Ele como Messias. O fato de Jesus estar crucificado e, pensavam eles, sob a maldição de Deus (Deuteronômio 21:22-23), era mais do que confirmatório para eles verem que Ele era só um iludido. Então, não haviam razões para eles se manterem ali. E assim, como João ficou la e mostrou sua fidelidade, era a melhor opção para Jesus confiar Maria.
De fato, de forma interessante, um detalhe adicional me foi comentado pelo professor Paulo Romeiro da Universidade Mackenzie. Já que Maria foi confiada a João até o final por Jesus, então por que não existe, nos escritos de João, clara referencia de sua perpetua virgindade, assunção (que só aparece no final do quarto século) e outras doutrinas da mariologia?

Maria fez voto de castidade?


Alguns apologistas católicos tem tentado forçar que Maria fez um voto de castidade nas seguintes passagens:

E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? - Lucas 1:34

Se você já leu a Bíblia, sabe que essa interpretação não tem sustento algum. Não é preciso treino em exegese ou hermenêutica para notar isso. Em primeiro lugar, a passagem esta no presente, “não conheço...”. Em segundo lugar, nesse momento ela era apenas noiva de José, ainda não era casada. De fato, tal interpretação foi feita popular por Agostinho, quatro séculos depois de Cristo. Como reconhece o apologista católico Ludwig Ott, essa ideia não tem sustento. Ele comenta, “porem, as núpcias subsequentes dificilmente podem ser reconciliadas com isso.” (Ludwig Ott, Fundamentals of the Catholic Dogma, p. 207)
Dr. James White também comenta:

“A ideia de uma virgem casada simplesmente esta fora de harmonia com os ensinamentos da Bíblia a respeito da natureza do casamento (sem falar nos costumes Judaicos da época). Como Paulo ensinou (1 Cor. 7), existe uma divida conjugal envolvida (v. 3) que iria excluir a ideia de uma virgem casada: o corpo do homem não é dele mesmo, mas é de sua esposa, e vice-versa. Relações sexuais são completamente naturais em um casamento, e, de fato, são assumidos se um casamento de verdade existe. Se uma pessoa quer de manter virgem, ela não deve se casar.”

“A ideia de uma virgem entrando em um noivado com um homem, mesmo ela pretendendo  manter o celibato, é simplesmente uma tentativa de fazer a evidência bíblica dar suporte a uma doutrina criada bem depois dos apóstolos terem terminado de escrever as Escrituras.” (James White, Mary – Another Redeemer?, kindle pos. 323, p. 32)

Ezequiel 44 é uma profecia sobre Maria?


Então me fez voltar para o caminho da porta exterior do santuário, que olha para o oriente, a qual estava fechada. E disse-me o Senhor: Esta porta permanecerá fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor, o Deus de Israel entrou por ela; por isso permanecerá fechada. - Ezequiel 44:1,2


Santo Ambrósio e Santo Agostinho afirmaram que esse portão do templo que nunca mais seria aberto iria se referir a Maria. Porem, claramente eles estavam tentando encontrar algum tipo de suporte Bíblico para tal doutrina. Não existe razão alguma para afirmar que esse templo seja Maria. A única forma de se colocar dessa forma é com a ideia pré-concebida de que Maria se manteve virgem e de que Deus deu essa visão a Ezequiel através de um templo e seu portão. Essa é uma visão que Ezequiel teve a respeito do templo. Não existe razão para inferir nada mais a isso.

Seria Maria o Tabernáculo e a Arca?

Um tentativa de defender biblicamente a doutrina da virgindade perpetua de Maria, e a de dizer que o tabernáculo e a arca eram “símbolos” de Maria. Já que o Tabernáculo mantinha a Arca, que simbolizava Jesus, dentro de si, então o Tabernáculo deve simbolizar Maria. Isso supostamente também seria implicado pelo uso da palavra episkiasei tanto em Lucas 1:35 quanto na Septuaginta em Êxodo 40:35. Já que Deus deu instruções tão cuidadosas para a construção da Arca e do Tabernáculo, então aquela que carregaria Jesus deveria ser ainda mais preparada e conservada.
O problema aqui é que a teologia de Lucas em Atos 7:44-49 nos diz que Deus não habita em casas feitas por homens, nos mostra que não seria bom para Lucas comparar Maria com Jesus à Arca e a glória de Deus no Tabernáculo. Apologistas católicos Raymond Brown, Joseph Fitzmyer e outros disseram que “tal comparação entre Maria e o Tabernáculo não seria favorável a ela.” (Raymond Brown, Karl Donfried, Joseph Fitzmyer, John Reumann, Mary in the New Testament, p. 133 n. 298)
Outra tentativa de conectar Maria à Arca é a de que Davi preparou o caminho dançando para a Arca chegar a Jerusalém (1 Samuel 6:14-16), e isso seria uma previsão de João Batista no útero de Isabel quando a arca da Nova Aliança estivesse próxima (Lucas 1:44). Mas, como os autores acima citados notam, essa tentativa se “baseia em fantasia”. (ibid) De fato, a palavra para saltou em Lucas 1:44 é eskirtesen, enquanto a Septuaginta traduzas palavras de em 1 Samuel 6:14 e 1 Cronicas 15:29 por anekroueto e orchoumenon, respectivamente.
Eric Svendsen diz:

“Nos dizem que Maria é igualada a Davi (ambos ‘ascendidos’ e ‘estabelecidos’), enquanto outras vezes Maria é igualada à Arca. Alem disso, a afirmação de Davi em 2 Sam 6:9, “Como virá a mim a arca do Senhor?”, muda o paralelismo de Maria/Davi para Davi/Isabel [...] A flutuação de paralelismos de Maria/Arca para Maria/Davi para Davi/Isabel para Isabel/Obede-Edom para muito caprichosa para ser valida, e é apenas por essa razão que a maioria dos estudiosos a rejeita corretamente.” (Eric Svendsen, Who is my Mother? The Role of and Status of the Mother of Jesus in the New Testament and Roman Catholicism, p. 168)


Por essas razões, Raymond Brown e outros concluem que “não existe evidência convincente de que Lucas especificamente identificou Maria com [...] a Arca da Aliança.” (Raymond Brown, Karl Donfried, Joseph Fitzmyer, John Reumann, Mary in the New Testament, p. 134)

Conclusão


Existe um numero enorme de evidências bíblicas de que Jesus teve irmãos. Mas, para desviar dessas conclusões é necessária uma defesa ad hoc e a utilização de versos vagos. As Escrituras são a autoridade. Se colocarmos algo que “controle” a interpretação, então estamos colocando algo com autoridade acima da Palavra de Deus.

Fontes


CARM, Did Mary Have Other Children?, https://carm.org/did-mary-have-other-children
Mary's Virginity at Matt. 1:25, https://carm.org/marys-virginity-and-matt-125

Samuele Bacchiocchi, "Mariologia", em Crenças Populares,

James White, Mary - Another Redeemer?

Reformed Apologetics Ministries, Mary is not the Ark and Tabernacle, http://www.reformedapologeticsministries.com/2014/03/mary-is-not-arc-and-tabernacle.html 

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