terça-feira, 19 de março de 2019

Os piores argumentos dos Criacionistas de Terra Jovem



No meio dos defensores do Criacionismo de Terra Jovem, existem certos “jargões” que são repetidos várias e várias vezes, mas aparentemente não há nenhuma reflexão crítica no que diz respeito a eles. Não quero soar grosseiro, mas esses “argumentos” são tão... ruins, que me surpreende alguém com qualquer capacidade mental usá-lo.
Assim, vamos ver quais são os piores argumentos dos Criacionistas de Terra Jovem (podemos chama-los de Terrajovistas?) usam.

“Por que o autor usou yom e não outra palavra, como olam?”
Extremamente comum no meio Terrajovista, esse argumento levanta um questionamento, no mínimo, inútil. Suponha que te diga a seguinte frase: “Eu joguei a dama na piscina”. Estou eu falando da peça “dama” do xadrez, ou de uma senhora? Teria eu jogado a peça na piscina, ou empurrado uma mulher nela? Sendo assim, por que eu não usei a palavra “senhora” ou “mulher”?
Vê? O questionamento acima é análogo ao que ao Terrajovistas fazem ao questionar por que Moisés usou yom e não outra palavra. A palavra yom pode significar um longo período.[1] Desse modo, questionar o por que de Moisés não ter usado outra palavra para longo período, quando a palavra que ele usou pode significar um longo período, é um questionamento vazio e sem muito sentido.
Além disso, deve ser apontado o fato de que a tradução correta em Gênesis 1 provavelmente é “dia” mesmo. A questão é se esses dias são literais ou não, e há diversas razões exegéticas para se dizer que eles podem não ser literais. Por exemplo, o uso da linguagem poética em quiasma e repetições, a ausência de artigo definido na língua original, o uso de palavras de poesias (“luzeiro menor” e “luzeiro maior”), o uso óbvio de metáforas (Gênesis 2:24), etc.
Ao falar que a palavra “dia” de Gênesis 1 é usada de modo metafórico, seremos levados ao outro “argumento” dos Terrajovistas...

“Se você não considerar Gênesis totalmente literal, você logo estará dizendo que a ressurreição de Jesus não foi literal!”
Esse sim é o pior argumento dos Criacionistas de Terra Jovem. Ele é tão ruim, mas tão ruim, que qualquer ser pensante deveria repensar sua existência depois de usá-lo.
Ei, você! Leia os seguintes textos:

Disse Deus: "Haja luminares no firmamento do céu para separar o dia da noite. Sirvam eles de sinais para marcar estações, dias e anos, e sirvam de luminares no firmamento do céu para iluminar a terra". E assim foi.
Deus fez os dois grandes luminares: o maior para governar o dia e o menor para governar a noite; fez também as estrelas.
Gênesis 1:14-16

Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.
Gênesis 2:24

A terra, porém, ajudou a mulher, abrindo a boca e engolindo o rio que o dragão fizera jorrar da sua boca.
O dragão irou-se contra a mulher e saiu para guerrear contra o restante da sua descendência, os que obedecem aos mandamentos de Deus e se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus.
Então o dragão se pôs em pé na areia do mar.
Apocalipse 12:16-18

Acho que, então, devemos dizer que a lua literalmente é um luminar que emite luz, que quando as pessoas fazem sexo elas literalmente se fundem, e que no fim dos tempos vai vir um grande dragão que vai brigar com uma mulher por aí. Ah, não é literal? CUIDADO! Se você disser que essas passagens não são literais, logo logo vai estar dizendo que a ressurreição não é literal hein! Dã.
Não é o caso de interpretarmos como não-literal para encaixar a ciência moderna no texto, mas porque há razões exegéticas para entendermos que esse não é o caso.
O Dr. Michael Heiser expõe o que acha desse movimento “literalista” de interpretar as Escrituras:

Eu diria algo assim: a interpretação literalista é um bom caminho a se seguir, mas não é o único caminho, e em diversas passagens não é o caminho crucial. Em vários casos, você vai se enganar com relação ao que a Escritura está ensinando se você tiver apenas o literalismo na sua mente – Se essa for a sua única perspectiva de como a Bíblia pode ser legitimamente entendida em qualquer parte da Escritura. Isso [o literalismo] é algo que as pessoas ensinam muito quando se fala de profecia. Bom, adivinhe? As profecias do Antigo Testamento não eram sempre cumpridas literalmente. Isso é muito fácil de se perceber quando você vê as referências no Novo Testamento citando o Antigo. Por exemplo, em Oséias 11:1 diz: “do Egito chamei a meu filho”, mas Mateus [2:15] cita isso quando fala de Jesus, Maria e José, quando eles levam Jesus de volta do Egito. E adivinha o que mais? Oséias 11:1 nem ao menos é uma profecia. É uma referência ao tempo passado, que se refere ao êxodo de Israel do Egito, e Mateus vê isso como uma analogia a Jesus quando sai do Egito. Onde está o literalismo ali?[2]

Essa noção literalista não é crucial para a inerrância das Escrituras. Norman Geisler diz que essa insistência dos Terrajovistas em dizer que a crença numa Terra Antiga levanta duvidas sobre o restante da Palavra de Deus é apenas um exemplo de falácia do declive escorregadio.[3] Ou seja, estão dizendo que se deixarmos A acontecer, logo deixaremos Z acontecer. O que é simplesmente falacioso.
Geisler prossegue dizendo que isso não aconteceu com ele (que é um dos maiores defensores da inerrância atualmente!) e nem com a grande maioria dos fundadores do movimento da inerrância dos últimos 100 anos.[4] “É um fato”, diz Geisler, “que não existe conexão lógica necessária entre a crença de uma pessoa em um universo antigo e na descrença na Palavra de Deus.”[5] 
Esse questionamento dos Terrajovistas mostra claramente como o movimento de Terra Jovem está se tornando uma seita, colocando medo em seus adeptos caso não concordem com eles. Essa é a tática principal das seitas para manter seus membros presos a elas.

“A Bíblia é simples! Sua interpretação é muito complicada para um livro que até uma criança pode entender!”
“...nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender. que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição.” (2 Pedro 3:15,16)
Esse simples versículo já refuta a ideia de que a Bíblia é um livro simples. Mas não vamos parar por aqui. É verdade que há certos versículos que são simples, e que até mesmo uma criança pode entender o evangelho. Mas a Bíblia não é um livro simples. Isso é só uma desculpa pra se ficar na superfície e não estudar a Palavra de Deus por preguiça ou ficas nesse “super misticismo” de que a Bíblia é um super livro. Veja se essas passagens são simples:

Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos? (1 Coríntios 15:29)

E então? Devemos nos batizar pelos mortos? Devemos imitar os Mórmons e fazer o batismo pelos mortos, pensando na ressurreição final?

São também sete reis. Cinco já caíram, um ainda existe, e o outro ainda não surgiu; mas, quando surgir, deverá permanecer durante pouco tempo.
A besta que era, e agora não é, é o oitavo rei. É um dos sete, e caminha para a perdição. (Apocalipse 17:10,11)

São sete ou oito reis? Como o oitavo rei é um dos sete reis? O que há de simples nessa passagem?

[Jesus] O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação (Colossenses 1:15)

Jesus é Deus e nunca começou a existir, ou ele foi o primeiro gerado de toda a criação? A que o termo “primogênito” se refere? O que significa πρωτότοκος [prototokos]?

Deus está na assembléia divina; julga no meio dos deuses:
Até quando julgareis injustamente, e tereis respeito às pessoas dos ímpios?
Fazei justiça ao pobre e ao órfão; procedei retamente com o aflito e o desamparado.
Livrai o pobre e o necessitado, livrai-os das mãos dos ímpios.
Eles nada sabem, nem entendem; andam vagueando às escuras; abalam-se todos os fundamentos da terra.
Eu disse: Vós sois deuses, e filhos do Altíssimo, todos vós. (Salmos 82:1-6)

O Deus Trino é o único Elohim? Ou há deuses menores que são os filhos de Deus? Como entender que esses “deuses” são apenas juízes se não há relato de Deus escolhendo judeus para julgar as nações fora de Israel?
Não são respostas simples para esses versos. A “leitura plena e simples” do texto nos faz crer que devemos nos batizar pelos mortos, ensinar que Jesus foi criado e que o henoteísmo é bíblico. Seriamos um mix de Testemunhas de Jeová com Mórmons! Mas quem estuda esses textos a fundo sabe que eles não ensinam isso.[6]
A Bíblia não é um livro simples. Talvez ela tenha sido mais simples quando foi escrita, já que os leitores viviam no contexto em que ela foi escrita. Mas nós temos um distanciamento cultural e linguístico muito grande.
Normalmente, pessoas como Kent Hovind dizem que se você der a Bíblia para qualquer pessoa na rua ela sempre chegará a conclusão de que Deus criou tudo em seis dias. Qualquer pessoa na rua também chegaria a conclusão de que Jesus é ontologicamente menor do que o Pai (João 14:28). Mas interpretar o texto sem estuda-lo é o mesmo que encher o prato de carne para ser devorada pelas seitas.
Em suma, esses são os argumentos dos Terrajovistas que julgo serem os piores. Outros argumentos foram respondidos no meu livro A Gênese em Gênesis, então se tiver interesse pode compra-lo no site do Clube de Autores ou na Amazon.



[1] Em 1 Reis 1:1 é traduzido para “idade”. Em 1 Reis 11:42 ela é usada para um período de quarenta anos. Em 2 Crônicas 21:19 é usado duas vezes, uma se refere a “anos” e outra a “tempo”. Em Zacarias 14:7-9 yom é acompanhado de um numeral e se refere a um período de 1000 anos. Salmo 90:1-7 também usa yom com as palavras “tarde” e “manhã” se referindo há um período “como de mil anos”.
[2] Sentinel Apologetics, Michael Heiser - Top 10 Myths about Bible Study, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=15PT8EVN1UQ; acesso 19/03/2019
[3] Norman Geisler, A Responde to Ken Ham and Answers in Genesis on does inerrancy require believe in a Young Earth?, disponível em https://normangeisler.com/a-response-to-ken-ham-and-answers-in-genesis-on-does-inerrancy-require-believe-in-a-young-earth/; acesso 19/03/2019
[4] Ibid.
[5] Ibid.
[6] Apesar de existirem cristãos como Michael Heiser que defendem a ideia de um Concílio Divino. Veja: HEISER, Michael. The unseen realm: Recovering the Supernatural Worldview of the Bible, Bellingham, WA: Lexham Press, 2015; e HEISER, Michael. Supernatural: What the Bible Teaches About the Unseen World - and Why It Matters, Bellingham, WA: Lexham Press, 2015.

sábado, 16 de março de 2019

Como o Answers in Genesis fortaleceu a defesa de uma terra antiga?



Bruce Gordon fez uma das críticas mais severas ao Criacionismo de Terra Jovem, tanto na área da ciência quando da teologia.[1] Um dos argumentos de Gordon é que Gênesis 1:1 aconteceu antes do primeiro dia, permitindo assim um tempo não-especificado desde a criação até o que é narrado em Gênesis 1:3.[2]
Agora, se você quiser saber das várias razões exegéticas do porque devemos interpretar o verso 1 como um evento independente dos dias de criação, de modo que ocorreu há um tempo não-específico antes do primeiro dia, você pode adquirir meu livro.[3]
O site Answers in Genesis (talvez o maior ministério defensor do Criacionismo de Terra Jovem da atualidade) forneceu uma resposta a Gordon, a qual eu respondi em meu livro.[4] Mas mesmo se a resposta deles estiver correta, ela refutaria o Criacionismo de Terra Antiga?
Na resposta, Ashby L. Camp responde dizendo que a expressão “céus e terra” em Gênesis 1:1 engloba a totalidade da criação: “Necessariamente são incluídas todas as coisas nos versos 3-31, o que quer dizer que o verso tem a função de introdução encapsulada dos detalhes que vão ocorrer no restante do capítulo.”[5]
Os argumentos fornecidos para essa conclusão foram respondidos no meu livro, mas independente disso, vamos considerar que Camp tem a conclusão correta. O que está sendo dito, em outras palavras, é que Gênesis 1:1 inclui tudo o que ocorreu nos versos 3-31, servindo como um resumo do que vai acontecer depois.
Parece, contudo, que essa conclusão prova justamente o contrário do que os proponentes da terra jovem desejam. Considere o versículo 2 de Gênesis 1:

E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. (Gênesis 1:2)

A expressão “sem forma e vazia” não significa que a terra não existia. Afinal, o texto começa dizendo que essas eram as propriedades da terra, e que nesse estado já havia água, sobre a qual o Espírito de Deus se movia.
As palavras hebraicas que são traduzidas para “sem forma e vazia” são tohu e bohu. John Walton fez uma análise do sentido da palavra tohu, e em todas as 32 vezes em que ela é usada nas Escrituras, ela nunca tem o sentido de descrever a forma material de algo (veja:1 Samuel 12:21; Jó 6:18; 12:24; 26:7; Isaías 24:10; 49:4)[6] Walton diz:

Os contextos em que essas palavras ocorrem e as frases usadas em paralelo sugerem que, ao contrário [de uma descrição material], que a palavra descreve aquilo que não é funcional, sem ter propósito e geralmente não produtivo em termos humanos. Aplicando-a como um termo descritivo a substantivos que representam áreas geográficas, nações, cidades, pessoas ou ídolos, todos sugerem a mesma conclusão. Uma palavra que tivesse relação com a forma material não serviria bem nesses contextos. [7]

Dito de outro modo, tohu e bohu indicam uma terra sem função e vazia. E é exatamente isso o que Deus faz nos seis períodos na sequência:

Dia 1 – Separação da luz e das trevas (Função de Dia e de Noite, Gên. 1:5)
Dia 2 – Separação das águas de cima das águas de baixo (Função do Céu, Gên. 1:8)
Dia 3 (1) – Separação das águas e da terra (Função dos Mares e da Terra, Gên. 1:10)
Dia 3 (2) – A terra produz a vegetação (Cheia de vegetação, Gên. 1:11-12)
Dia 4 – Os luminares são para marcar dias, estações e anos (Cheia e com função, Gên. 1:14-16)
Dia 5 – As águas agora têm criaturas (Cheia de animais aquáticos, Gên. 1:20-21)
Dia 5 (2) – Os céus agora têm aves (Gên 1:21)
Dia 6 – A terra agora tem animais e humanos (Gên 1:24-31)

Tanto os animais marinhos quando os humanos têm a função de encher o mundo (1:22; 28). Ou seja, Deus criou tudo com função, e os seres criados o ajuda a encher o que antes estava vazio.[8]
Se, porém, o verso 1 é um texto que engloba os versos 3-31 e o verso 2 é o que começa a narrativa, então o texto de Gênesis 1 não fala da criação do universo. Consequentemente, nada ali impede que a criação tenha ocorrido há bilhões de anos. O universo e a terra não começaram no “que haja luz”. Eles começaram, na verdade, muito antes, antes da terra sem função e vazia.
Portanto, se o site Answers in Genesis estiver correto, nada na Bíblia exclui um universo e uma terra antigos. E o propósito de todo o ministério cai por água abaixo.
Ainda assim, é importante ressaltar que a conclusão de Walton com relação a tohu e bohu não dependem de 1:1 ser um resumo de 1:3-31. Assim, independente da sua interpretação de 1:1, ainda pode ser adotada a interpretação funcional de Walton, ainda que junto de uma interpretação de criação material.



[1] GORDON, Bruce. Scandal of the Evangelical Mind: A Biblical and Scientific Critique of Young-Earth Creationism, 13/10/2014, disponível em http://researcherslinks.com/current-issues/Scandal-of-the-Evangelical-Mind-A-Biblical-and-Scientific-Critique-of-Young-Earth-Creationism/9/5/43/html;; acesso 16/03/2019
[2] Ibid. p. 5
[3] Veja: FORTI, Felipe S. A gênese em gênesis: solucionando a controvérsia das eras, 2ª Ed., São Paulo: Ed. do Autor, 2019.
[4] Ibid. p. 69
[5] Answers in Gênesis, A Reply to Bruce Gordon’s Biblical Critique of Young-Earth Creationism, 2015, p. 3, disponível em https://assets.answersingenesis.org/doc/articles/pdf-versions/arj/v8/reply-bruce-gordon-young-earth-creationism.pdf; acesso 16/03/2019
[6] WALTON, John. The lost world of genesis one: ancient cosmology and the origins debate, Downers Grove: InterVarsity Press, 2009, p. 47-48.
[7] Ibid. p. 48
[8] Walton não acredita que Gênesis 1 fale de origens materiais, apenas origens funcionais. Eu, contudo, diferente de Walton, não acredito que a criação do texto de Gênesis seja apenas sobre atribuir funções, mas que envolve ambos: criar e atribuir funções.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Reflexões sobre Adão e Eva



Enquanto eu estudava Gênesis 1-3 para o lançamento da segunda edição do meu livro sobreCriacionismo, eu acabei me deparando com certas características do texto que me chamaram a atenção. Algumas delas eu coloquei parcialmente no livro, apenas para o ponto central que eu estava fazendo no capítulo. Então, aqui eu vou expandir um pouco no conceito de “pó da terra”, presente em Gênesis 2-3, e como o texto pode ir além do que nós estamos acostumados.

Literal ou não?
A primeira coisa que você deve ter em mente é que nem tudo em Gênesis 1-3 é literal. Não é, simplesmente porque não é. Quando o texto diz que homem e mulher se tornarão uma só carne (2:24) ele não está falando que o casal se tornará igual a irmãos siameses, e nem dizendo que é uma união espiritual (afinal, o texto diz “uma só CARNE”). Assim, sabemos que a formula “uma só carne” é uma metáfora para o sexo e o casamento.
Em geral, se reconhece que há uma linguagem poética em Gênesis 1-3 (mais evidente no primeiro capítulo), mas ela é utilizada para narrar eventos que ocorreram de fato.
Exemplos disso podem ser vistos em outras partes do texto: adam (homem) foi formado adamah (terra). Há um claro jogo de palavras aqui por causa da similaridade. Outro momento que mostra isso é a criação de Eva. O texto de Gênesis 2 diz o seguinte:

Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o SENHOR Deus lhe havia tomado, formou a mulher e a trouxe ao homem. - Gênesis 2:21-22

Pode soar estranho, mas a palavra “costela” não existe no hebraico. A palavra usada aqui é selah, que significa “lado” (usada em Êxodo 25-38; 2 Samuel 16:13; 1 Reis 6-7; Ezequiel 41). Na história das traduções, essa palavra geralmente foi traduzida por equivalentes à palavra “lado”, sendo interpretada mais como “costela” depois do aparecimento da King James.[1]
Adicional evidência para a tradução “lado” vem de mais três fatos: primeiro, a palavra selah nunca é usada em termos de anatomia.[2] Segundo, a reação de Adão fortalece essa tradução: “essa sim é osso dos meus ossos e carne da minha carne” (2:23). Por fim, essa interpretação faz mais sentido ao lado da metáfora do sexo, onde cada lado se une e se tornam “uma só carne”.

Adão foi criado mortal
Talvez te surpreenda saber que o próprio texto de Gênesis nos diz que Adão foi criado como um ser mortal. Há dois indícios disso no texto de Gênesis: Primeiro, veja o texto referente à arvore da vida: “Então disse o SENHOR Deus: Agora o homem tornou-se como um de nós e conhece o bem e o mal. Não suceda que estenda a mão e tome também da árvore da vida, coma e viva eternamente.” (Gênesis 3:22)
Normalmente as pessoas foram tanto nos eventos da árvore do conhecimento do bem e do mal que esquecem de ver o texto que fala da árvore da vida. Adão só viveria eternamente se comesse do fruto dela, e o fato do texto colocar “também” implica que ele não havia comido dela ainda.
Um outro indicativo está na própria metáfora de adam vir do adamah. A fórmula “pó da terra” indica mortalidade:

- Jó 10:9 – Jó diz que foi feito do barro e voltará ao pó da terra.
- Eclesiastes 3:20 – Todos foram feitos do pó e voltarão ao pó.
- 2 Samuel 22:43 – Davi reduziu seus inimigos ao pó
- Salmos 90:3 – Deus faz o homem voltar ao pó
- Daniel 12:2 – Multidões que dormem no pó acordarão
- Salmos 103:14-16 – O homem é como o pó, e sua vida se vai com o sopro do vento

O próprio Deus, quando diz que Adão voltará ao pó da terra, não diz que ele voltará ao pó por causa do seu pecado (não diretamente), mas que ele voltaria ao pó por ser pó (3:19). Assim, adam vir do adamah é uma expressão hebraica que indica a mortalidade, não necessariamente a origem material. De fato, o texto hebraico não possui a preposição “do”. Dito de outro modo, o texto literalmente é traduzido como “E o SENHOR Deus formou o homem pó da terra”*, indicando simplesmente que Deus fez o homem como mortal.**[3]

Certamente morrerás
Um texto que é relevante à discussão é o de Gênesis 2: “Então o SENHOR Deus ordenou ao homem: Podes comer livremente de qualquer árvore do jardim, mas não comerás da árvore do conhecimento do bem e do mal; porque no dia em que dela comeres, com certeza morrerás.” (Gênesis 2:16-17)
Se Adão era mortal, como pode Deus dizer que ele seria castigado com a morte? Bom, em primeiro lugar, Adão tem que ter visto morte, pois se não a ameaça não faria o menor sentido. A ideia de que Adão foi criado com o conhecimento da morte e tinha um conhecimento perfeito é uma adição ao texto que não se encontra nele. Segundo, Adão foi castigado com a perda do acesso à árvore da vida, que lhe garantiria a vida eterna. Sem o antidoto da morte, ele certamente morreu.
“Ah, mas eu ouvi de fulano que a tradução correta é ‘morrendo morrereis’, e não ‘certamente morrerás’”. Essa alternativa é impossível, pois teríamos que traduzir os textos de Gênesis 20:7, 1 Samuel 14:43-44, 22:16 para “morrendo morrereis”, pois esses textos usam as mesmas palavras na mesma forma, mas isso tiraria o sentido do texto. Além disso, a fala da serpente, “certamente não morrerás” usa as mesmas palavras, mas com a adição de “não” antes. Assim, se fossemos traduzir para “morrendo morrereis”, teríamos que traduzir a fala da serpente para “morrendo não morrereis”, o que não faz o menor sentido.

Conclusão
Esses fatos interessantes sobre Gênesis 1-3 podem nos dar uma luz sobre o que o texto diz. Adão foi literalmente criado do pó da terra? Eva foi literalmente criada de metade de Adão que foi retirada dele? Não sei, o texto parece indicar que não, e essas frases são expressões que indicam a mortalidade e a parceria, respectivamente.



[1] John Walton, The lost world of Adam and Eve: Gênesis 1-3 and the human origins debate, Downers Grove: InterVarsity Press, 2015, p. 67. Edição ePub
[2] Ibid.
[3] Ibid, p. 64-66
* Pode ser dito que, as vezes nas traduções algumas preposições tem que ser adicionadas para fazer sentido na nova língua. Porém, dado o fato de que (a) a frase ainda continua com sentido dentro da teologia judaica, e (b) a preposição minne ("do" ou "a partir do") existe e é usada no resto do capítulo, então devemos suspeitar da tradução tradicional do texto, e ir em busca de seu sentido original.
** Como nota adicional, deve ser dito que, como mostrado, Jó 10:9 diz que Jó foi feito do barro, mas sabemos que ele tinha pais (Jó 3:3-12).

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Como a filosofia nos ajuda contra o legalismo (e crendices bobas)



Aaaaand... we’re back.
Através dos anos, vi muitos cristãos fazendo apelos contra certas atitudes ou a favor de certos rituais com o pretexto de que estes possuíam algum valor “espiritual”. Porém, além da Bíblia não exigir tais atos ou proibir certas coisas, esses cristãos ficaram em uma postura legalista, dizendo que devemos nos abster de tais coisas para não chamar Satanás ou fazer tal coisa para Deus nos abençoar mais. Mas é por isso que Deus, pela sua graça, nos possibilitou usar da boa filosofia. Não a “vã filosofia” que Paulo alerta contra, mas sim a boa filosofia. A Bíblia em momento algum é contra a filosofia, apenas contra filosofias que contradizem o que a Escritura nos ensina (eu escrevi um artigo sobre isso no Acrópole da FéCristã).

segunda-feira, 5 de março de 2018

Doze respostas para o sofrimento



Obs: Este texto não é introdutório. Sugiro que leia alguns dos outros textos do blog que abordam o assunto para que você entenda este.

Acho que deveria, aqui, dizer por que quero escrever tudo que prometi no título. Bem, talvez eu só queira te dar as respostas. E, por certo, você acredita que precisa disso. Mas não se iluda! O seu sofrimento não termina simultaneamente com a última frase deste post. Será que depois disso você dirá que não precisava de respostas? Se você quer saber disso, continue a ler!

Nota 1- Aqui eu apresento respostas cristãs e não-cristãs. Nem eu, nem o blog estamos a defender todas elas. Minha proposta é apenas expor.

Nota2- Quero ser sucinto, portanto, não vou falar em detalhes nenhuma das respostas, e sim expor brevemente.

Respostas não-cristãs

• Zoroastrismo

Para a antiga religião, fundada por Zoroastro, chamada de Zoroastrismo, existem dois deuses. A saber, Ormuz e Arimã. Os dois criaram o mundo. O primeiro criou as coisas boas e o segundo criou todas as coisas más. A solução para o sofrimento do mundo seria uma vitória final do bem (Ormuz). O mal, assim, seria exterminado no fim dos tempos.

• Resposta Hindu

“O hinduísmo, tanto em sua forma clássica como na popular, ensina que os homens maus sofrem hoje o resultado de más ações praticadas nalguma existência anterior. Cegueira, luto, fome, desastre e dor são merecidos castigos dos erros de uma vida anterior. Esta é a doutrina hinduísta do karma, e associada a ela está a crença na transmigração das almas, da qual virtualmente não há fuga”. (William Fitch – Deus e o Mal)

• Resposta Budista

Para o Budismo o problema não é o sofrimento. O mal é um sintoma. Há sempre um desejo por detrás de todo mal e sofrimento. A perda de um filho só é um mal, pois nela reside o desejo de permanência da vida do filho. Uma grave doença só causa uma forte dor, pois o que lhe sustenta é o desejo de conforto e boa saúde. A solução para não sofrer seria a extinção do desejo.

“Cultivar a morte do desejo veio a ser o fim supremo da vida. O mal reside no desejo; e, portanto, a libertação do mal necessariamente está na fuga ou na morte do desejo. A resposta do budismo ao problema do mal é o cultivo dessa morte. O Nirvana é realmente a extinção de toda a realização pessoal”. (William Fitch – Deus e o Mal)

Respostas Cristãs

• Resposta do Livre-Arbítrio

Esta é a resposta clássica mais antiga do Cristianismo. Para seus defensores: Uma das coisas que Deus mais valoriza é o relacionamento. Mas para que o relacionamento seja verdadeiro é necessário que seja livre isto é, que os envolvidos nele escolham livremente se relacionar juntamente. É graças a esta liberdade que os homens podem ser bons, mas, também, é graças a ela que podem ser maus. Deus ao criar o homem, viu que ao dar o livre-arbítrio para o mesmo, poderia dar a chance para que sua criação se torne má e cause sofrimento no mundo. Mas, mesmo assim, decidiu nos criar com esta tal de liberdade, pois visou um bem maior: Longe da liberdade não existe amor. É graças a ela que podemos ser bons e, também, ter um relacionamento com Deus.

• Resposta pedagógica

“Na teodiceia pedagógica, o enfoque e deslocado da origem do mal, e é colocado principalmente nos possíveis bons resultados da experiência do sofrimento. A ideia é que a experiência do sofrimento (mal) seria um beneficio indispensável para o melhor desenvolvimento das capacidades humanas, do contrario a humanidade permaneceria eternamente na infância. Argumenta-se, por exemplo, que um pouco de sofrimento aumenta a nossa própria satisfação com a vida e que um sofrimento maior e mais intenso desenvolve em nós uma maior profundidade de caráter e de compaixão. Além disso, essa posição enfatiza a realidade de que vivemos em um mundo regulado por leis naturais e que boa parte do mal existente no mundo decorre da atuação dessas leis”. (Luiz Sayão – O problema do mal no antigo testamento)

• Resposta de Gordon H. Clark

Deus criou, para Clark, o mal e o sofrimento – sendo estes a consequência do pecado. Mas Ele é a causa e não o autor. Assim como Deus é a causa das Institutas e não o seu autor – deste modo, Calvino seria a causa imediata e Deus a secundária. Deus determina até os nossos pecados, não havendo liberdade para o homem escolher não pecar. Em suma, Deus seria a causa, até mesmo, dos nossos pecados. Mas, posto que Ele não pode pecar, a responsabilidade pelo pecado e o sofrimento é do homem. Aliás, a palavra responsável indica que alguém deve prestar contas a um superior. Visto que não há superior a Deus, o responsável é sempre um homem.

• Resposta de John W. Wenham 

Diferentemente de Clark, Wenham acredita na liberdade humana. E é pelo mau uso desta que ocorre o pecado. Você deve estar perguntando: “Qual é a relação do pecado com o sofrimento”, né? A resposta é que o sofrimento é o sintoma do pecado. Todos sofremos como punição de Deus por conta de nossos pecados. Como todos pecaram, todos sofrem. E esta punição ocorre de modo que todos veem a consequência do pecado no mundo: o sofrimento.

• Teoria do mal aparente

Para seus defensores, um fato que trás sofrimento pode até ser doloroso e, aparentemente, mal. Mas visto depois de certo tempo, com mais cuidado, o que era mau pode ter causado um bem maior. O mal é aparente.

Ex.: Ter perdido o voo para aquela reunião importante por ter chegado atrasado pode parecer ruim. Mas, se depois você descobrir que o avião caiu, um homem com bom senso dirá que foi uma benção não ter entrado no avião.

• A teodiceia da edificação da alma - John Hick:

Fomos criados a uma distância epistêmica de Deus. Se o oposto estivesse correto, a liberdade inexiste. Acalme-se que eu explico! Ao olharmos o mundo, pelo menos em primeira análise, vemos o mundo, e não, Deus. Se olhássemos o mundo e víssemos Deus, mais uma vez, em primeira análise, ficaríamos tão maravilhados  com a sua beleza que não agiríamos para nós, e sim, para Deus. Perderíamos a nossa liberdade. Deus, assim, cria um mundo ambíguo. Onde você pode ver o mundo por si só, mas pode, também, ver a Deus. Ele o faz para que ninguém limite a própria ação por conta dEle. Somos, desse modo, imperfeitos (moralmente), para que um dia sejamos perfeitos. Nascemos longe de Deus para que um dia, depois de muito sofrimento e aprendizado moral, venhamos a amá-lo e conhece-lo. Se fossemos criados de outro modo, não O (Deus) desejaríamos. Nesse sentido, a história da humanidade é a história de um povo que evolui moralmente tornando-se capaz, depois de ver a maldade se manifestar, de extrair alguma lição, quem sabe, de descobrir uma nova virtude, pois só damos valor à lição depois da perda. Em suma, o sofrimento é necessário para a evolução no tocante à moralidade humana.

• Resposta de Caio Peclat

Tudo o que existe possui grau algum de existência. Deus também a possui, contudo, em grau máximo, visto que existe antes de todas as coisas. O Criador ao criar o homem, dá uma existência apequenada para que o homem não se glorie. Sua criação, assim, possui uma data de nascimento - diferentemente de seu criador. Note que a ideia é que: a criação não pode louvar a si mesma. Portanto, tenha em mente sempre que a existência do homem não pertence a ele e sim a Deus.

O problema é que o homem acredita que é senhor de seu corpo – “meu corpo, minhas regras”, dizem alguns, mas que coisa é essa de “meu corpo”? Ele não é seu! -, de seu tempo, de sua família e de toda a infinidade de exemplos que você imaginar. Mentimos a nós mesmos para assenhorarmos – tornarmos donos de algo. É neste ponto que surge o sofrimento. Deus envia a infelicidade para que o homem pare de se ver justo, senhor, chefe – e et cetera – e reconheça que é miserável, isto é, não é dono de nada. Eis aqui a explicação para o sofrimento! É desta infelicidade que nasce a miséria, e, da miséria nasce uma palavra para louvar e agradecer a Deus pelo que Ele é e pelo que fez: Senhor. Que reconhece que Ele é dono de tudo e eu, de nada.

Respostas diversas

• Resposta de Lucrécio

Lucrécio, em seu poema-filosófico, afirma que a natureza das coisas é o acaso. Não há uma ordem no mundo, em Lucrécio, senão a aleatoriedade.  Isto significa que se um mal lhe atingiu, não é culpa sua. Você foi apenas mais um sorteado, no bingo da existência, para sofrer. Não faz a menos diferença no que escolher, a vida é muito maior que você e ninguém possui controle sobre ela. Por isso, o sofrimento é irracional. Não importa o que você fizer, é a vida, e não você, quem decide quem irá sofrer.

• Teísmo aberto

Para seus defensores, Deus não sabe das coisas futuras. Imagine que uma mulher pede ao Senhor um marido por anos. Ao conseguir, o homem a trai e a deixa grávida para viver com a amante. O teísmo aberto diz que Deus não sabia das ações futuras do marido desta mulher. O Senhor o preparou para um feliz casamento, mas um mau uso da liberdade causou tanto sofrimento. A culpa não seria de Deus.
Caio Peclat da Silva Paula

sábado, 16 de dezembro de 2017

Chamados para sermos desrespeitados!

                     

                       

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Três de dezembro de dois mil de dezessete no calendário cristão. Poucos veículos circulavam naquela manhã de domingo. É uma pena que não me lembre das condições meteorológicas. Algumas coisas sublimaram de minha memória. E o fizeram mais rápido do que eu poderia perceber. Conto aqui, sem muitos detalhes, algo que aconteceu neste dia que acredito ser interessante para iniciar uma reflexão, mesmo sem a pretensão de terminá-la:

Lecionava acerca de novos desafios que a igreja do presente século deve enfrentar. A discussão começou a se tornar específica, gravitando em torno de um grupo de pessoas que tem crescido e precisam ouvir, mesmo sem eu saber como, o evangelho. Nego-me a dizer qual era o grupo. Isto é completamente irrelevante para o assunto tratado neste texto. Mas o pensamento lançado ao vento, com hercúlea coragem, por parte de um aluno, naquela classe foi: “Se o grupo x não nos respeita, nós (cristãos) devemos respeitá-lo? Se eles não me respeitam, eu também não vou respeitá-los!”. O que se segue parte da problematização do que este discente disse.
Fiquei pensando em como Jesus agiria neste caso. Lembrei-me imediatamente de um dos textos que mais gosto dos evangelhos:

'— Escutem! Eu estou mandando vocês como ovelhas para o meio de lobos. Sejam espertos como as cobras e sem maldade como as pombas.   '

Mateus 10:16

Alguns versículos antes, Jesus prepara seus discípulos para o ministério dizendo o que devem fazer. A partir do dezesseis (16) o mestre começa a discursar sobre as perseguições que seus seguidores iriam passar.

O Dr. Jonas Madureira costuma citar estes versículos e fazer a seguinte pergunta: “O que fazem as ovelhas em meio aos lobos”? – Ele mesmo responde – “Elas são devoradas”! Você não leu errado. Somos chamados para sermos devorados! Qualquer tentativa de fazer desta Terra um Céu, é mentirosa. E qualquer pensamento que trata este mundo como um lugar de gozo e beatitude, é infiel à verdade anunciada por Jesus. Na forma que expôs Lucas Banzoli: “[Somos] chamados para crer e sofrer”.

Devemos tomar cuidado para que não surja uma geração de arrogantes intelectuais. Pessoas que só pensam em vencer os debates, em serem os mais inteligentes da sala, em terem os melhores argumentos ou em serem os autores das teses mais inovadoras. Não podemos esquecer-nos de dar a outra face. Aliás, em Jesus aprendemos que a melhor forma de ensinar o amor é amando as pessoas de tal maneira a deixar sermos humilhados por elas. Quando alguém me humilha também espera que eu faça de igual modo. Mas quando eu me entrego para ser humilhado sem querer “dar o troco”, as ovelha vence o lobo.

Confesso que não quero dar um ponto final neste texto. Meu desejo é provocar uma reflexão que vai além destas palavras. Gosto de pensar que os meus escritos não foram feitos para se restringirem à tela do computador. Leve isto para onde você for: para casa, para o trabalho, para a vida... Mas, por favor, não esqueça: Se te desrespeitarem, deixe ser humilhado – eu sei, é difícil! Fomos chamados para sermos desrespeitados.

Caio Peclat da Silva Paula

sábado, 2 de dezembro de 2017

O Grito de Desespero do Novo Ateísmo


Nos últimos anos, houve no meio popular a grande ascensão do movimento dos novos ateus (ou neo-ateus) tentando ir contra os movimentos cristãos e tentando dar objeções à fé cristã que, para eles, parecem ser fortes. Os Neo-ateus se dizem os grandes “pensadores livres”, os quais questionaram a cultura cristã em que nasceram, e são aqueles que estão do lado da ciência. Porém, em última análise, o novo ateísmo passa longe de nos proporcionar algum desafio intelectual. A falha miserável de pessoas como Richard Dawkins, Stephen Hawking, Lawrence Krauss, e outros em tentar refutar a fé cristã se vê apenas como um grito de desespero.