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terça-feira, 28 de março de 2023

Por que a apologética de Terra Jovem é inútil?

 


POR QUE A APOLOGÉTICA DE TERRA JOVEM É INÚTIL?

“Inútil” – talvez a sua primeira reação ao ler o título deste post seja que a palavra escolhida para caracterizar a apologética de terra jovem seja muito forte. E talvez seja mesmo. Mas, o fato dela ser forte não a desqualifica para o caso em questão. A apologética de terra jovem é inútil.

Para ser claro, é preciso fazer uma distinção aqui: por “apologética de terra jovem”, me refiro ao que normalmente é chamada de “ciência criacionista” – a tentativa de reconciliar a ciência com a interpretação literalista e concordista[1] do texto de Gênesis 1-11, com todas as suas peculiaridades: a negação da efetividade dos métodos de datação, a geologia diluviana, apelo ao mistério (“Deus colocou a luz do jeito que a vemos e isso não prova um universo antigo, isso é algo que não sabemos explicar”) etc.[2] Repare, no entanto, que isso não tem absolutamente nada a ver com o Design Inteligente. O DI é aceito tanto por criacionistas de terra jovem quanto de terra antiga[3] e, pasme, até alguns teístas evolucionistas[4].

Mas então, por que a apologética de terra jovem é inútil? Por vários motivos, os quais listarei abaixo:

 

1. Ela visa provar uma terra jovem... mas e ai?

Pense nisso por um instante: suponha que se consiga provar que a terra tem 6.000 anos. Se provou que os métodos de datação não são tão confiáveis para idades longas, que um grande dilúvio ocorreu e que o big bang é uma mentira. Ok, e ai?

Isso prova que Deus existe? Não.

Isso aumenta a probabilidade da existência de Deus? Não.

Isso mostra que Jesus é Deus? Não.

Isso aumenta a probabilidade da ressurreição de Jesus? Não.

Isso aumenta a confiabilidade na Bíblia? Não.

Ou seja, não existe absolutamente nenhum benefício apologético vindo da “apologética de terra jovem”. Ela absolutamente não serve para nada.


2. Ela não prova nem a interpretação literalista e concordista de Gênesis

Ligado ao primeiro ponto, muitos usam a “ciência criacionista” como forma de validar uma interpretação literalista e concordista de Gênesis. Chamada de “interpretação literal” – que vê os dias de Gênesis como literais, além das idades dos patriarcas como literais e sem lacunas – ela é vista como a “verdade bíblica” e o criacionismo de terra jovem é, muitas vezes, chamado de “criacionismo bíblico” por conta do peso retórico que o termo “bíblico” acrescenta ao discurso.

Mas mesmo se for provado que o mundo tem 6.000 anos, ainda não se provou que essa interpretação está correta. A interpretação funcional de John Walton é compatível com uma terra jovem. Walton diz: “O ponto não é que o texto bíblico, portanto, dê suporte à uma terra antiga, mas simplesmente que não existe uma posição bíblica sobre a idade da terra. Se fosse o caso de a terra ser jovem, tanto faz.” [5]

A interpretação alegórica também é compatível com uma terra jovem. Aliás, até mesmo a interpretação dia-era é compatível com uma terra jovem! Muitos pais da igreja, por exemplo, acreditavam que o mundo tinha de 6.000 a 7.000 anos por crerem que os dias não eram literais, mas sim eras milenares. [6] Ou seja, nem como “aval hermenêutico” a apologética de terra jovem serve, pois múltiplas interpretações bíblicas são compatíveis com uma idade recente da criação.[7]


3. Ela não prova a veracidade do relato bíblico.

Suponha que o dilúvio global seja provado. Por conta dele, a geologia deve pressupor ele para a datação. Certo. A partir disso, se provou que o mundo é jovem. Muito bem. Ainda assim, não se provou o relato bíblico. Por que? Porque o dilúvio aparece em outros textos religiosos antigos, como o épico de Gilgamesh. Ou seja, outros textos sagrados seriam validados pela geologia diluviana.

 

4. Ela invalida evidências para argumentos da teologia natural

A ciência de terra jovem, por negar o Big Bang invalida uma das evidências científicas mais fortes a favor de premissas chave em argumentos a favor da existência de Deus. No argumento cosmológico kalam, a premissa 2 do argumento diz que “o universo começou a existir”. Uma das evidências mais fortes para a verdade dessa premissa é justamente a cosmologia e a teoria do Big Bang. De fato, quando descoberto, foi reconhecido que o Big Bang favorecia o teísmo, não o naturalismo. Como diz Christopher Isham:

Talvez o melhor argumento em favor da tese de que o Big Bang é favorável ao teísmo seja o óbvio desgosto pelo qual ele é recebido por alguns físicos ateus. Às vezes isso leva à ideias cientificas [...] que avançam com uma tenacidade que excede seu valor intrínseco, de modo que só podemos suspeitar que seja uma operação de forças psicológicas muito mais profundas do que o desejo acadêmico normal de um teorista em favor de sua teoria.[8]

E Stephen Hawking disse: “Muitos não gostam da ideia de que o tempo teve um início, provavelmente porque isso cheira a intervenção divina [...] Por isso, houve uma série de tentativas para evitar a conclusão de que um Big Bang tenha ocorrido.”[9] Esse desgosto por parte dos não-teístas mostra que a negação ao Big Bang parte de uma espécie de naturalismo metodológico, que visa validar apenas explicações que se restringem ao mundo natural.[10]

Além disso, o Big Bang como evento de criação fornece uma das evidências mais fortes do ajuste fino do universo, que é a sua baixa entropia inicial (o universo começou altamente ordenado, apesar do que dizem por ai[11]). Como diz o cosmólogo Sean Carroll: “Se o universo que nós vemos realmente é tudo o que existe, com o Big Bang sendo um início em baixa entropia, então parece que estamos presos em um desconfortável problema de ajuste fino”.[12]

 

Conclusão

Em suma, a apologética de terra jovem é, além de inútil, uma pedra no caminho da teologia natural. Ela não chega à conclusão alguma a favor do teísmo cristão e enfraquece argumentos a favor dele. No fim, assim como o terraplanismo, a apologética de terra jovem serve meramente de instrumento para ridicularizar o cristianismo e dar mal testemunho frente à população por meio de conspiracionismo e negacionismo.



[1] “Concordismo” é a visão hermenêutica que tenta fazer o texto bíblico concordar com a ciência moderna. Cf. SODEN, John. “Concordismo”, In: Dicionário de Cristianismo e Ciência. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2018, p. 264. Edição do Kindle.

[2] A geologia do dilúvio (ou geologia diluviana) é parte importante da “ciência criacionista”. Cf. LOURENÇO, Adauto. Gênesis 1 e 2: a mão de Deus na criação, São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2018, p. 95.

[3] Pessoas como Hugh Ross, John Lennox e Fuz Rana defendem o design biológico como evidência de um Designer Inteligente. Cf. LENNOX, John. Cosmic Chemistry: do God and science mix?, 2º ed., London: Lion Books, 2021.

[4] Michael Behe, por exemplo, que é um dos maiores defensores do Design Inteligente da atualidade admite que ele crê na descendência comum dos seres vivos (DISCOVERY SCIENCE, Michael Behe Answers Hard Questions: What do you think of the idea of common descent?¸ 26 de Nov. 2019. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=zvS7t-Buwik>; acesso 28 de Mar. 2023.)

[5] WALTON, John. The lost world of genesis one: ancient cosmology and the origins debate, Downers Grove: InterVarsity Press, 2009, p. 94.

[6] GORDON, Bruce. Scandal of the Evangelical Mind: A Biblical and Scientific Critique of Young-Earth Creationism, Science, Religion and Culture, ISSN 2055-222X, Vol. 1, Nº 3, pp. 144-173, 13 de Out. 2014. Disponível em <https://researcherslinks.com/current-issues/Scandal-of-the-Evangelical-Mind-A-Biblical-and-Scientific-Critique-of-Young-Earth-Creationism/9/5/43>; Acesso 09 de Abr. 2021.

[7] Contrário à crença popular, interpretações não-terra jovem de Gênesis não surgiram para acomodar a ciência moderna ao relato bíblico. Como dito na nota anterior, os pais da igreja enxergavam os dias como eras milenares. Agostinho entendia que a humanidade era “jovem”, mas que a criação em si poderia ser muito antiga (ORTLUNG, Gavin R. Retrieving Augustine’s doctrine of creation: ancient wisdom for current controversy, Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 2020, p. 120-121).

[8] Apud. CRAIG, William Lane. “The ultimate question of origins: God and the beginning of the universe”.  Astrophysics and space, ISSN: 1572-946X, v. 269, p. 728, 1999. Disponível em <https://doi.org/10.1023/A:1017083700096>; Acesso 16 set. 2020

[9] HAWKING, Stephen. Uma breve história do tempo, Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015, p. 65. Edição ePub

[10] ERASMUS, Jacobus. The kalam cosmological argument: a reassessment, Cham, Switzerland: Springer International Publishing, 2018, p. 131.

[11] Cf. LOURENÇO, Adauto. Como tudo começou: Uma introdução ao criacionismo bíblico, São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2007, p. 91.

[12] CARROLL, Sean. From Eternity to Here: the quest for the ultimate theory of time, Nova Iorque: Dutton, 2010, p. 343. Edição ePub.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

NTLM PodCast #1 - O que é "apologética"?

 

Nesse episódio de apresentação, Felipe e Paulo apresentam o PodCast e conversam a respeito da apologética, seguindo os tópicos:


- O que é "apologética"?


- Métodos de apologética (clássica, pressuposicionalista, evidencialista).


- O que NÃO é apologética.


- Objeções à apologética.


- Justificativa bíblica pra apologética.


- Finalidades da apologética.


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quarta-feira, 22 de julho de 2020

Uma pausa na apologética e conselhos aos novos apologistas.


Você deve ter notado que não há nenhum texto novo no blog e que alguns (muitos) textos antigos sumiram. O texto a seguir explicará parcialmente o porquê disso ter acontecido e logo em seguida irei para um conselho aos novos apologistas.
No último ano eu dei uma pausa nos posts porque, embora eu tivesse conhecimento para ser repassado, estava cansado de escrever apenas para um blog. Por mais que tenha seu valor o ensino passado por meio de blog posts, eu estava cansado (e ainda estou). Mas esse não é o ponto principal. Ano passado foi o ano em que eu mais estudei filosofia na vida: mais do que em qualquer ano do meu curso de filosofia. Digo isso sem medo de errar na precisão.
No ano passado eu comecei um projeto de pesquisa sobre Tomás de Aquino e os árabes da Idade Média (falsafa e kalam), e quais são as divergências e convergências dos pensamentos desses últimos com as ideias de Tomás. Claro, tal tarefa me levou de volta a Aristóteles, mas eu fui ainda além e comecei com Platão. Nesse último ano, eu percebi algo em mim que não iria aprender nunca se ficasse apenas na apologética: o valor da filosofia para superar a própria apologética.
Nesse ponto, não quero que entendam mal, por isso serei mais preciso no que quero dizer. Em 2013, quando comecei a estudar apologética por meio do trabalho do filósofo William Lane Craig, eu fiquei fascinado. É claro que, como doutor em filosofia, a apologética do Craig envolvia muitos aspectos profundamente filosóficos. Logo em seguida fui para Norman Geisler e continuei seguindo os estudos em apologética. Mas aqui está o ponto principal: eu estudava apenas os contemporâneos e acabava conhecendo um certo nível de filosofia por tabela.
Craig é profundamente filosófico. Por mais que ele tenha uma formação em teologia, é nítido que sua metodologia é primariamente filosófica. E ele é um grande filósofo. Na verdade, eu teria que ser muito autocentrado e/ou ignorante para olhar pra toda obra do Craig e dizer que ele não é um bom filósofo. Entretanto, ficar “preso” na obra apologética dele (e nele mesmo) é uma barreira para o crescimento.
Assim como os pressuposicionalistas ficam presos em Cornelius Van Til e Herman Dooyeweerd, muitos apologistas atuais ficam presos em nomes como Craig, Geisler, Ravi Zacarias e outros (ouso dizer, sem medo de errar, que Craig deixa Van Til no chinelo). E, embora exista um conteúdo muito bom nesses autores, é preciso ir além deles. E o apologista só vai além quando começar a estudar filosofia de verdade, fora da “bolha apologética”.
A “bolha apologética” é quando você lê Não tenho fé suficiente para ser ateu e, como meu amigo Gilberto ex-Cristão Contemporâneo gosta de dizer, acha que Geisler refutou Kant, Hume e todos os desafios modernos à fé cristã. É também quando o pressuposicionalista acha que pode resolver qualquer problema perguntando “de acordo com que padrão?” para o ateu. Usarei isso como exemplo para demonstrar porque estão errados. Imagine o diálogo:
Pessoa A: “Cristãos são imorais.”
Pressuposicionalista: “De acordo com que padrão você julga que eles são imorais?”
Pessoa A: “De acordo com formas platônicas existentes além do espaço-tempo que fundamentam os meus julgamentos morais.”
E agora? É realmente só perguntar de acordo com qual padrão? Existem respostas para a alternativa da Pessoa A? Claro que existem. Mas você tem que ir além disso. Outro exemplo (continuando com o pressuposicionalismo por causa do ranço) é a questão do Uno e do Múltiplo. “Apenas a Trindade fornece uma resposta ao problema do Uno e do Múltiplo!” – Sério? Platão, Aristóteles e outros nunca buscaram solucionar o problema?
Por conta dessas limitações que a bolha apologética implica que senti que era necessário fazer uma pausa na apologética e estudar mais de filosofia. A filosofia é uma arma essencial para qualquer sistema apologético, mas você vai ficar extremamente preso se ficar apenas em Craig, Geisler e Van Til. Eles não respondem a tudo e nem tiveram a pretensão de fazê-lo. Na verdade, nem a Bíblia responde a tudo, gostando ou não disso. E quando eu falo de estudar filosofia, não é decorar o antes e depois da linha do desespero do Francis Schaffer, entender um pouco de Dooyeweerd e achar que está manjando dos paranauê tudo.
O que a pausa na apologética contribuiu para a minha apologética? Eu adquiri mais conhecimento sobre Platão, Aristóteles, Al-Kindi, Al-Ghazali, Avicena, Averróis e Tomás de Aquino que jamais pensei que iria adquirir. E todos estes citados têm algo útil para a apologética cristã. Ademais, vi que Craig, apesar de ter ressurgido com o argumento kalam não é o único defensor dele hoje. Existem filósofos que vão muito mais além do que ele. Filósofos como Andrew Loke, Joshua Rasmussen e Robert Koons são defensores de versões mais atualizadas do argumento kalam. Em suas versões, boa parte das objeções tradicionais são inúteis (objeções baseadas em teorias do tempo, por exemplo).
Outra coisa que percebi é que neo-ateísmo é o movimento mais burro que a internet já viu. Mas isso não significa que não existam bons filósofos ateus. Neo-ateísmo, como aquele predominante na mente de todos os comentários de ateus deste blog, é uma piada intelectual. (Pelo amor de Deus: um dos memes dos neo-ateus diz que Jesus mandou levar pessoas à sua frente e matá-las. Eu apontei em um texto que isso era dito por uma personagem em uma parábola e o indivíduo vem me dizer que eu “inventei a desculpa de que era uma parábola”, quando a própria Bíblia diz: “E Jesus lhes propôs uma parábola”)
Mas quando falamos de ateus sérios (e, aqui, não me refiro a Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris, Stephen Hawking e Lawrence Krauss) vemos um desafio muito maior. Não que eles tenham refutado o cristianismo, longe disso. Mas podemos dizer, de forma análoga, que, enquanto você refuta todos esses neo-ateus citados acima lendo Em Guarda, para responder em pé de igualdade os ateus sérios você tem que começar com no mínimo Filosofia e cosmovisão cristã.
Eu não escrevi esse texto com muito ânimo, até porque eu nem queria postar nada. Mas achei preciso para dar um conselho ao leitor: estude. Estude filosofia além da apologética; estude história além da defesa da ressurreição de Jesus; estude crítica textual além de Sean McDowell; estude teologia além dos apologistas contra-seitas brasileiros (que são bem meia boca); e pelo amor de tudo que há de mais sagrado, estude ciência e exegese além de Adauto Lourenço. Lembre-se:
- Geisler tem seu valor, mas é apenas uma porta de entrada.
- Craig é excelente, mas estudar filosofia o ajudará a superar desafios maiores.
- Perguntar apenas “de acordo com qual padrão?” é preguiça intelectual.
- Existem ateus inteligentes, mas atualmente na internet  você não encontrará muitos.
- O mundo acadêmico precisa de mais intelectuais cristãos. Venha!
Ah! Os textos que foram retirados não voltarão por um tempo. Eu os retirei porque: (a) achei que estavam bem mal escritos; (b) eu não concordava tanto com alguns, e (c) eu fiquei mais criterioso com ABNT e essas normas chatas.
Que Deus os abençoe,

Felipe S. Forti.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Doze respostas para o sofrimento



Obs: Este texto não é introdutório. Sugiro que leia alguns dos outros textos do blog que abordam o assunto para que você entenda este.

Acho que deveria, aqui, dizer por que quero escrever tudo que prometi no título. Bem, talvez eu só queira te dar as respostas. E, por certo, você acredita que precisa disso. Mas não se iluda! O seu sofrimento não termina simultaneamente com a última frase deste post. Será que depois disso você dirá que não precisava de respostas? Se você quer saber disso, continue a ler!

Nota 1- Aqui eu apresento respostas cristãs e não-cristãs. Nem eu, nem o blog estamos a defender todas elas. Minha proposta é apenas expor.

Nota2- Quero ser sucinto, portanto, não vou falar em detalhes nenhuma das respostas, e sim expor brevemente.

Respostas não-cristãs

• Zoroastrismo

Para a antiga religião, fundada por Zoroastro, chamada de Zoroastrismo, existem dois deuses. A saber, Ormuz e Arimã. Os dois criaram o mundo. O primeiro criou as coisas boas e o segundo criou todas as coisas más. A solução para o sofrimento do mundo seria uma vitória final do bem (Ormuz). O mal, assim, seria exterminado no fim dos tempos.

• Resposta Hindu

“O hinduísmo, tanto em sua forma clássica como na popular, ensina que os homens maus sofrem hoje o resultado de más ações praticadas nalguma existência anterior. Cegueira, luto, fome, desastre e dor são merecidos castigos dos erros de uma vida anterior. Esta é a doutrina hinduísta do karma, e associada a ela está a crença na transmigração das almas, da qual virtualmente não há fuga”. (William Fitch – Deus e o Mal)

• Resposta Budista

Para o Budismo o problema não é o sofrimento. O mal é um sintoma. Há sempre um desejo por detrás de todo mal e sofrimento. A perda de um filho só é um mal, pois nela reside o desejo de permanência da vida do filho. Uma grave doença só causa uma forte dor, pois o que lhe sustenta é o desejo de conforto e boa saúde. A solução para não sofrer seria a extinção do desejo.

“Cultivar a morte do desejo veio a ser o fim supremo da vida. O mal reside no desejo; e, portanto, a libertação do mal necessariamente está na fuga ou na morte do desejo. A resposta do budismo ao problema do mal é o cultivo dessa morte. O Nirvana é realmente a extinção de toda a realização pessoal”. (William Fitch – Deus e o Mal)

Respostas Cristãs

• Resposta do Livre-Arbítrio

Esta é a resposta clássica mais antiga do Cristianismo. Para seus defensores: Uma das coisas que Deus mais valoriza é o relacionamento. Mas para que o relacionamento seja verdadeiro é necessário que seja livre isto é, que os envolvidos nele escolham livremente se relacionar juntamente. É graças a esta liberdade que os homens podem ser bons, mas, também, é graças a ela que podem ser maus. Deus ao criar o homem, viu que ao dar o livre-arbítrio para o mesmo, poderia dar a chance para que sua criação se torne má e cause sofrimento no mundo. Mas, mesmo assim, decidiu nos criar com esta tal de liberdade, pois visou um bem maior: Longe da liberdade não existe amor. É graças a ela que podemos ser bons e, também, ter um relacionamento com Deus.

• Resposta pedagógica

“Na teodiceia pedagógica, o enfoque e deslocado da origem do mal, e é colocado principalmente nos possíveis bons resultados da experiência do sofrimento. A ideia é que a experiência do sofrimento (mal) seria um beneficio indispensável para o melhor desenvolvimento das capacidades humanas, do contrario a humanidade permaneceria eternamente na infância. Argumenta-se, por exemplo, que um pouco de sofrimento aumenta a nossa própria satisfação com a vida e que um sofrimento maior e mais intenso desenvolve em nós uma maior profundidade de caráter e de compaixão. Além disso, essa posição enfatiza a realidade de que vivemos em um mundo regulado por leis naturais e que boa parte do mal existente no mundo decorre da atuação dessas leis”. (Luiz Sayão – O problema do mal no antigo testamento)

• Resposta de Gordon H. Clark

Deus criou, para Clark, o mal e o sofrimento – sendo estes a consequência do pecado. Mas Ele é a causa e não o autor. Assim como Deus é a causa das Institutas e não o seu autor – deste modo, Calvino seria a causa imediata e Deus a secundária. Deus determina até os nossos pecados, não havendo liberdade para o homem escolher não pecar. Em suma, Deus seria a causa, até mesmo, dos nossos pecados. Mas, posto que Ele não pode pecar, a responsabilidade pelo pecado e o sofrimento é do homem. Aliás, a palavra responsável indica que alguém deve prestar contas a um superior. Visto que não há superior a Deus, o responsável é sempre um homem.

• Resposta de John W. Wenham 

Diferentemente de Clark, Wenham acredita na liberdade humana. E é pelo mau uso desta que ocorre o pecado. Você deve estar perguntando: “Qual é a relação do pecado com o sofrimento”, né? A resposta é que o sofrimento é o sintoma do pecado. Todos sofremos como punição de Deus por conta de nossos pecados. Como todos pecaram, todos sofrem. E esta punição ocorre de modo que todos veem a consequência do pecado no mundo: o sofrimento.

• Teoria do mal aparente

Para seus defensores, um fato que trás sofrimento pode até ser doloroso e, aparentemente, mal. Mas visto depois de certo tempo, com mais cuidado, o que era mau pode ter causado um bem maior. O mal é aparente.

Ex.: Ter perdido o voo para aquela reunião importante por ter chegado atrasado pode parecer ruim. Mas, se depois você descobrir que o avião caiu, um homem com bom senso dirá que foi uma benção não ter entrado no avião.

• A teodiceia da edificação da alma - John Hick:

Fomos criados a uma distância epistêmica de Deus. Se o oposto estivesse correto, a liberdade inexiste. Acalme-se que eu explico! Ao olharmos o mundo, pelo menos em primeira análise, vemos o mundo, e não, Deus. Se olhássemos o mundo e víssemos Deus, mais uma vez, em primeira análise, ficaríamos tão maravilhados  com a sua beleza que não agiríamos para nós, e sim, para Deus. Perderíamos a nossa liberdade. Deus, assim, cria um mundo ambíguo. Onde você pode ver o mundo por si só, mas pode, também, ver a Deus. Ele o faz para que ninguém limite a própria ação por conta dEle. Somos, desse modo, imperfeitos (moralmente), para que um dia sejamos perfeitos. Nascemos longe de Deus para que um dia, depois de muito sofrimento e aprendizado moral, venhamos a amá-lo e conhece-lo. Se fossemos criados de outro modo, não O (Deus) desejaríamos. Nesse sentido, a história da humanidade é a história de um povo que evolui moralmente tornando-se capaz, depois de ver a maldade se manifestar, de extrair alguma lição, quem sabe, de descobrir uma nova virtude, pois só damos valor à lição depois da perda. Em suma, o sofrimento é necessário para a evolução no tocante à moralidade humana.

• Resposta de Caio Peclat

Tudo o que existe possui grau algum de existência. Deus também a possui, contudo, em grau máximo, visto que existe antes de todas as coisas. O Criador ao criar o homem, dá uma existência apequenada para que o homem não se glorie. Sua criação, assim, possui uma data de nascimento - diferentemente de seu criador. Note que a ideia é que: a criação não pode louvar a si mesma. Portanto, tenha em mente sempre que a existência do homem não pertence a ele e sim a Deus.

O problema é que o homem acredita que é senhor de seu corpo – “meu corpo, minhas regras”, dizem alguns, mas que coisa é essa de “meu corpo”? Ele não é seu! -, de seu tempo, de sua família e de toda a infinidade de exemplos que você imaginar. Mentimos a nós mesmos para assenhorarmos – tornarmos donos de algo. É neste ponto que surge o sofrimento. Deus envia a infelicidade para que o homem pare de se ver justo, senhor, chefe – e et cetera – e reconheça que é miserável, isto é, não é dono de nada. Eis aqui a explicação para o sofrimento! É desta infelicidade que nasce a miséria, e, da miséria nasce uma palavra para louvar e agradecer a Deus pelo que Ele é e pelo que fez: Senhor. Que reconhece que Ele é dono de tudo e eu, de nada.

Respostas diversas

• Resposta de Lucrécio

Lucrécio, em seu poema-filosófico, afirma que a natureza das coisas é o acaso. Não há uma ordem no mundo, em Lucrécio, senão a aleatoriedade.  Isto significa que se um mal lhe atingiu, não é culpa sua. Você foi apenas mais um sorteado, no bingo da existência, para sofrer. Não faz a menos diferença no que escolher, a vida é muito maior que você e ninguém possui controle sobre ela. Por isso, o sofrimento é irracional. Não importa o que você fizer, é a vida, e não você, quem decide quem irá sofrer.

• Teísmo aberto

Para seus defensores, Deus não sabe das coisas futuras. Imagine que uma mulher pede ao Senhor um marido por anos. Ao conseguir, o homem a trai e a deixa grávida para viver com a amante. O teísmo aberto diz que Deus não sabia das ações futuras do marido desta mulher. O Senhor o preparou para um feliz casamento, mas um mau uso da liberdade causou tanto sofrimento. A culpa não seria de Deus.
Caio Peclat da Silva Paula

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Apologistas como advogados da igreja

                                  

Venho de uma família de pastores. Meu avô é pastor, meu tio também e o meu pai é presbítero. Todos os dias aprendia uma lição diferente sobre como deveria me comportar como cristão. Sou um jovem que nunca deixou a liturgia de lado, sempre orei, li a Bíblia, frequentava, e ainda frequento, a maioria dos cultos que posso participar e, como um bom religioso, tenho, o que se pode chamar, de reputação ilibada perante os que me cercam. No entanto, passei há alguns anos por uma crise de fé. É a partir dela que eu inicio toda esta reflexão.

Na época, era eu um porteiro da igreja. Não sabia se meu Patrão (Deus) existia ou se seria eu um tolo. Não me preocupava com o salário (recompensas), queria saber somente: “Seria eu um autônomo ou seu servo”? Foi então que conheci, verdadeiramente, a apologética. Se todos os descrentes conhecessem o que dizem os apologistas, uma considerável parte seria persuadida, como eu fui. O triste problema é que os ateus só conhecem - algumas – igrejas. Mas os problemas não acabaram de vez. Conheci nas leituras apologéticas um Cristianismo diferente daquele que hoje vejo nas igrejas que visito e, também, na que congrego.

Aquele mito, que nós apologistas destruímos, de que a ciência é contrária à fé cristã encontra adeptos dentro de ambientes religiosos. Canso-me de ouvir discursos onde a ciência é negada e desprezada para salvar a fé deste falacioso “dilema”. E o que dizer da falta de conhecimento a cerca do Cristianismo e das demais religiões? Frases como “Os budistas adoram a Buda” ou como “Não existe nem mesmo uma prova da existência de Deus. É tudo pela fé” só mostram o analfabetismo religioso de nossos líderes.

Outro problema é a intolerância religiosa. A apologética cristã mostra que a nossa religião não é intolerante ao fazer críticas a partir de textos bíblicos. Mas em meus dias vejo críticas como: “É necessária muita fé para acreditar em algo desses” ou “É mais fácil acreditar em Cristo do que no Espiritismo”. Minha pergunta é: Se a nossa regra de fé é a Bíblia, onde ela está nestas críticas? Acredito nem ser necessário citar as frases mais vergonhosas que alguns representantes – digo, alguns e não todos- proferem, as frases que escolhi são as mais brandas.

Muitos representantes – repito: Não são todos - não possuem a mínima ideia de apologética e outras áreas da Teologia. Cabe, infelizmente, aos apologistas defender o Cristo que eles pregam, mesmo não concordando em todos os pontos. Cabe a nós o ônus de mostrar aos descrentes um Cristianismo tolerante, alfabetizado religiosamente – pois nossa pretensão, por enquanto, é pequena, não precisa ser culto – e, no mínimo, que entende os conceitos mais básicos da Teologia. Nossa missão – como apologistas - é clamar. Clamar até que haja ouvidos para nossas bocas. Até que tenhamos vozes e alguém nos ouça.

Caio Peclat da Silva Paula

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Dan Brown, Deus e a Ciência


Para o melhor ou para o pior (provavelmente para o pior), Dan Brown novamente tenta falar besteira sobre Deus. Como seu livro O Código Da Vinci já foi demonstrado inúmeras vezes como uma obra que contém tantos erros históricos quanto poderia ter, Brown parece que não pode ficar quieto e fazer alguma pesquisa séria, ele tem que escrever sobre aquilo que acha “ruim” (o que nos faz pensar sobre qual a base dele para chamar algo de “ruim”, mas ok.)

Dan Brown, Deus e a Ciência


Deus e a Ciência
Dan Brown alegou o seguinte:

Historicamente, nenhum deus sobreviveu à ciência. Com os avanços da tecnologia, a necessidade de um Deus exterior, que nos julga vai desaparecer. [1]

Brown está correto em uma coisa: No passado as antigas culturas e religiões explicavam fenômenos dizendo que os deuses os haviam causado. Mas é uma grande extrapolação dizer que os filósofos teístas em toda a história que colocaram Deus como o criador do universo fizeram isso da mesma forma. Na verdade, o Cristianismo em si é diferente dessas religiões pagãs, e a história da ciência nos mostra isso.
Durante a história, os cientistas cristãos eram bastante diferentes dos religiosos pagãos. Por exemplo, enquanto muitos deles viam a natureza como deuses ou causada por deuses, de modo que não deveria ser investigada, os cristãos sempre olharam para a natureza buscando entender como Deus havia feito aquilo.
Por exemplo, por que a ciência não se desenvolveu mais na China, que possui bem mais tecnologia, do que na Europa? O biólogo Edward Wilson responde:

... Os estudiosos Chineses abandonaram a ideia de um ser supremo com propriedades criativas e pessoais. Nenhum Autor racional da Natureza existia em seu universo; consequentemente, os objetos que eles descreviam não seguiam princípios universais, mas, ao invés disso, operavam dentro de regras particulares que eram seguidas por essas entidades na ordem cósmica. Na ausência de uma necessidade para a noção de leis gerais – ou, pensamentos na mente de Deus, por assim dizer – pouca ou nenhuma pesquisa era feira para elas.[2]

David Livingstone, professor de geociência da Queen’s University também foi bem claro quanto à participação do Cristianismo na ciência. Ele diz: “A ideia de que o cristianismo e a ciência estão constantemente em conflito é uma grosseira distorção do testemunho histórico. Na verdade, Robert Boyle, o grande químico inglês, acreditava que os cientistas, mais que quaisquer outros, glorificavam a Deus na realização das suas tarefas porque lhes foi dado investigar a criação de Deus.”[3]
A afirmação de que o Cristianismo e a ciência são opostos está em total contradição com a história da ciência, que foi desenvolvida principalmente por causa dos cristãos.
Na realidade, é impossível que a ciência acabe com Deus. Por quê? Porque poderíamos saber tudo sobre o universo e seu funcionamento por meios naturais, ainda assim isso não descartaria a existência de Deus.
O filósofo da ciência John Lennox demonstrou isso com um exemplo: Imagine que um homem primitivo viesse a ter contato com um carro. Nesse primeiro instante, ele poderia dizer que o carro anda por causa do “deus dos carros”. Com o tempo, ele vai entendendo que o carro funciona com um motor e vários mecanismos. Ele descobre que acontece toda uma química por dentro do carro que faz com que ele funcione. Ok! Ele pode saber tudo isso. Mas isso não faz com que ele seja capaz de dizer que não existe um projetista ou designer do carro. Saber como funciona o motor do carro não significa que não se pode dizer que não há um criador do carro. [4]
O historiador da ciência Alfred North Whitehead colocou muito bem quando disse que: “Os homens tornaram-se científicos porque esperavam lei na natureza; e eles esperavam lei na natureza porque acreditavam em um Legislador.” [5]
Mas e então? Tendo mostrado que os cristãos em toda a história foram a causa do crescimento da ciência, podemos dizer, ainda assim, que a criação do universo por Deus é igual aos mitos antigos das religiões pagãs?
A ciência estuda o mundo natural. Mas antes de existir o universo, não existia natureza. Então como pode a ciência buscar uma causa que seja governada por leis da natureza, sujeita ao tempo, ao espaço e à matéria, sendo que não havia nada disso antes?
O que o teísta esta fazendo não é dizer, “Não sabemos, portanto foi Deus.” O contrário! Ele esta dizendo: Sabemos que a natureza teve um início, portanto a causa só pode ser sobrenatural.
Pense nisso: Como pode algo natural criar a natureza? Seria como se você dissesse que deu a luz a si mesmo. Sendo que não havia nem tempo, nem espaço e nem matéria antes da origem da natureza, a causa tem que, necessariamente, estar além do tempo, do espaço e da matéria. Além disso, já que criou o universo a partir de absolutamente nada, ela deve ser infinitamente poderosa. Mas veja bem: Isso é exatamente o que o Cristão quer dizer quando fala de Deus! Alguém além do espaço, do tempo e da matéria que é onipotente.
Então, o Cristão não esta dizendo que Deus é a causa de algo que não sabemos. Mas sim dizendo que a melhor explicação para um fenômeno que sabemos é a de que há um Criador Transcendente.
Quando fazemos a Teologia Natural, nós não apelamos ao desconhecido. Ao contrário, usamos o que sabemos da ciência como evidência para a premissa de um argumento filosófico que nos leva a uma conclusão teológica. Considere estes exemplos:

Argumento Cosmológico Kalam:

P1 – Tudo o que começa a existir tem uma causa
P2 – O universo começou a existir
Conclusão – Portanto o universo teve uma causa

Argumento Teleológico:

P1 – O ajuste fino do universo se deve a necessidade física, ao acaso ou ao design
P2 – Não é por necessidade física ou ao acaso
Conclusão – Portanto, é por Design

Em ambos esses casos, a P2 é fortalecida por evidências cientificas vindas dos estudos da cosmologia contemporânea. Se ambos os argumentos tiverem sucesso, então há boas razões filosóficas e cientificas para se crer em um Criador e Designer do universo.
Claro, nenhum desses argumentos prova o Deus da Bíblia. Eles nem são intencionados a isso. Mas, se bem sucedidos, provam um Deus que pode ser o Deus do Cristianismo. E, para ir além, devemos partir para as evidências históricas a favor do cristianismo, como as evidências da historicidade do Novo Testamento e as evidências da ressurreição de Jesus.
Porém, algo mais importante se torna evidente pela afirmação de Brown. A pressuposição de que a existência de Deus depende das pessoas crerem n’Ele como alguém útil para explicar fenômenos. Porém, tal pressuposto é completamente falacioso. Supondo que não houvesse nenhuma evidência para a existência de Deus vinda da ciência, ainda assim Deus poderia existir. Deus não é alguém “útil” para explicações. Deus é um ser metafisicamente necessário, que existe mesmo antes de qualquer ser vivo no universo existir.
Em suma, Dan Brown erra miseravelmente com sua afirmação de que a ciência nega a existência de Deus. Ele erra em dois pontos centrais: Não perceber que foram os cristãos que fizeram da ciência o que ela é hoje, e no pressuposto de que a existência de Deus depende da crença n’Ele como forma de explicar fenômenos. Mas mais importante que isso, essas afirmações e pressupostos, mesmo se corretos, ainda assim não descartariam Deus como explicação ultima da realidade. Pois mesmo que explicássemos tudo por meios naturais, ainda seria necessária uma explicação do por que a natureza existe e do por que de conseguirmos compreende-la. Isso o ateísmo jamais conseguirá explicar.



[1] Folha de São Paulo, Deus vai desaparecer, diz Dan Brown, que lança livro em Frankfurt, disponível em < http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/10/1926555-deus-vai-desaparecer-diz-dan-brown-que-lanca-livro-em-frankfurt.shtml> acesso 15 de outubro de 2017
[2] E. O. Wilson, Consilience: The Unity of Knowledge, Vintage, 2014, p. 31
[3] Citado em Lee Strobel, Em Defesa da fé, São Paulo: Editora Vida, 2002, p. 296
[4] John Lennox e David Gooding, Cristianismo: Ópio do povo?, Porto Alegre: A Verdade, 2013, p. 43; ao invés do termo “deus dos carros”, Lennox usa “Sr. Ford”
[5] Citado em Cristianismo: ópio do povo?, p. 46

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

“Argumentos e evidências são para os que tem fé fraca.” – Uma Resposta

http://www.patheos.com/blogs/unequallyyoked/2016/07/rational-faith-more-working-hypothesis-than-logical-proof.html

Proponentes do Fideísmo costumam dizer que aqueles que possuem argumentos e evidências para sua fé são os que possuem uma fé fraca e, por isso, precisam de um apoio intelectual para ela.
Já lidamos com argumentos baseados em João 20:29 e Hebreus 11:1, que são versículos usados para tentar defender uma fé cega com base na Bíblia. Agora, vamos lidar com a afirmação de que as evidências são para aqueles que possuem uma fé fraca.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Qual a origem de todas as coisas?


  “De onde viemos”? “O Universo foi criado ou sempre existiu”? ”Qual a origem de todas as coisas”? “Como podemos ter certeza de que o que conhecemos é a verdade”? “Qual a melhor maneira de viver”? Perguntas como estas são feitas por qualquer um, são universais, não importa o grau de instrução, raça, idade ou, até mesmo, local de origem. Meu palpite é que você também já pensou sobre estas perguntas. Mas será que o Cristianismo responde a estas grandes questões da humanidade? É pensando em uma destas questões que escrevo este texto, mas não com a minha interpretação, baseio o texto nos escritos de Francis Schaeffer. A Pergunta que respondemos neste texto é: ”Qual a origem de todas as coisas”?


Para o referido autor existem três respostas para esta pergunta, são elas: 
  • ·         Tudo se origina do nada;
O erro que Schaeffer observa neste pensamento é que sempre que dizemos que tudo vem do nada, este “nada” já é alguma coisa e não “nada” realmente. O nada é ausência de ser, mas aqueles que defendem esta posição costumam chamar de “nada” alguma coisa. Geralmente este “nada” é o que chamamos de vácuo quântico – uma flutuação de energia que produz matéria- mas, se alguém o considerar como “nada”, se constituirá uma contradição – como já foi dito acima – para o autor.
  •              Tudo possui uma origem impessoal;
Existem dois problemas que esta resposta desconsidera. A origem impessoal não explica a complexidade da vida e do universo, como também deixa de responder a pessoalidade humana (o que distingue o homem do restante da criação). Como pode o homem ser pessoal se teve uma origem impessoal? Como pode o impessoal gerar o pessoal? Como podem leis naturais gerar complexidade se o processo não é guiado por qualquer ser pessoal? As duas únicas respostas decentes para estas perguntas são: a) Necessidade Física: diz que era necessário que existisse complexidade, tal qual é necessário que existam leis naturais. Este pensamento cai por terra quando entendemos que as leis da natureza não implicam uma necessidade física. b) Acaso: diz que a pessoalidade  e a complexidade são frutos de um processo sem propósito algum que demorou tempo suficiente para que o acaso consiga os fazer nascer. Ideia estranha, não é? Bem, a minha resposta é que ela é improvável. Assim, a origem impessoal não explica a complexidade nem mesmo a pessoalidade humana.
  •              Tudo possui uma origem pessoal;
Esta parece ser a melhor posição, já que responde muito bem a complexidade do Universo e a pessoalidade humana. Uma causa pessoal parece ser mais verdadeira que uma impessoal. Mas esta causa deve ser infinita e independente do Universo causado. O Cristianismo responderia que esta causa é Deus. Sabemos que o Deus cristão é infinito, mas como poderíamos demonstrar que Ele independe do mundo? É neste ponto que Schaeffer recorre à trindade. No Cristianismo a concepção de Deus é bastante sofisticada, onde Ele é dividido em três pessoas que se amam e se amavam antes da criação do mundo (Deus é só um que se divide em três pessoas). Deus não dependia do mundo para ser amado, Ele já era amado antes da criação do Universo e do homem. É por estes motivos – Deus ser pessoal,  infinito e independente do mundo – que Deus é a melhor explicação para a origem do Universo.
Assim, pode-se concluir que Deus existe – visto que é a melhor explicação para o problema exposto (a origem de todas as coisas) e como tal, existe por necessidade – e que não está em silêncio, pois comunicou a sua existência a nós, como também os seus atributos. O Deus pessoal, infinito e independente fala conosco.
Caio Peclat da Silva Paula

sábado, 5 de novembro de 2016

Seria a fé bíblica uma fé cega?


Seria a fé bíblica uma fé cega? Será mesmo que a Bíblia nos ensina a crer cegamente naquilo que ela ensina? A resposta rápida é: Não. Mas pra respondermos de forma mais aprofundada, alguns textos devem ser considerados. Esses textos são João 20:29 e Hebreus 11:1, que dizem:

Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.
João 20:29

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
Hebreus 11:1

Esses textos são usados tanto por ateus quanto por crentes-mornos-nãoJulgueis para argumentar contra o uso da apologética cristã, e dizer que a fé, na verdade, é cega. Porém, uma exegese apropriada desses textos demonstra que eles não passam nem perto de ensinar isso.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O que a Bíblia diz sobre astrologia?


O que a Bíblia realmente diz sobre horoscopo e astrologia? Recentemente, um amigo meu me pediu para verificar essa questão, pois ele mesmo estava gostando dos astros. Ele especificamente me pediu para verificar os textos até mesmo no grego e no hebraico! Então, sem mais delongas, vamos ao que a Bíblia realmente diz sobre astrologia.

domingo, 10 de julho de 2016

Quais livros são bons para apologistas mais avançados?


Depois da lista dos livros para iniciantes (ok, vamos admitir, alguns ali não eram para totais iniciantes), aqui vai a lista de livros mais avançados para quem quer manjar bem dos paranaues da defesa da fé cristã.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Quais livros são bons para iniciantes em Apologética Cristã?

Minha prateleira
Então, eu recebo muita mensagem (atualmente, nem tanto), sobre quais livros são bons para o iniciante em apologética cristã. Então, a seguir, uma lista de livros que acho bons para quem esta começando e para quem pretende avançar nos estudos.
(Na parte “temas abordados”, os itens colocados não são necessariamente os nomes dos capítulos.)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

A Próxima Etapa da Unificação Apologética


A Próxima Etapa da Unificação Apologética


Desde o inicio do blog, a concentração principal foi em defender a verdade do Cristianismo Puro e Simples, apresentando argumentos para a existência de Deus e refutando os argumentos apresentados pelos ateus. 
O tema central no inicio do Blog era unificar a ciência e a religião, mostrando que não há contradição entre as duas. A apresentação de uma serie sobre a origem do universo e a compatibilidade da Bíblia com a teoria da evolução foram o foco. Junto desse processo, surgiu a seria "Piores Argumentos Contra o Teísmo", onde argumentos muito ruins, porem que podem enganar o leigo, foram apresentados e refutados. 
Desde o início também, consegui uma parceria com o físico Aron Wall, pós-doutorando em física e especialista na busca pela teoria de gravidade quântica e em buracos negros, que me deu autorização para traduzir qualquer texto dele. Alem dele, uma permissão de tradução dos videos do apologista Michael Jones, do canal Inspiring Philosophy me foi dada. 
No final do ano passado e inicio desse ano, minha concentração central no blog foi na ideia de criação recente. Uma análise bíblica e no hebraico foi feita de Gênesis um e outros versos que dão suporte a interpretação de Dia-Era. Argumentos para a criação recente também foram mostrados como completamente falhos. Não apenas houve uma defesa bíblica dessa interpretação, mas também argumentos contra o Big Bang (que são beeeem "num sei então refutei") foram refutados. 
Durante tudo isso, a serie sobre o Jesus histórico foi iniciada e finalizada. Questões como a credibilidade do Novo Testamento, sua data, autoria e como sabemos o que Jesus disse foram abordadas. As principais objeções quanto a divindade de Cristo também foram refutadas.
Uma série traduzida do blog do Aron Wall foi completada, falando dos Pilares da Ciência. O objetivo dessa tradução foi mostrar, não só como nós podemos saber se uma "nova teoria" que aparece nas noticias é valida ou não, como, pra mim, ela demonstrou como a dita "ciência de terra jovem" não passa em absolutamente nenhum desses pilares. E, por isso, qualquer um que sinceramente busca a verdade deve nega-la.
Nesse ultimo semestre de 2015, houve uma adição ao propósito do blog: Combater doutrinas e crenças falsas. Começando com a tradução errada de João 1:1 das Testemunhas de Jeová, que diz que Jesus era apenas um deus menor. Logo depois, vimos que não há como, biblicamente, interpretar que Jesus e o Arcanjo Miguel são a mesma pessoa. Por fim, a doutrina da guarda do sábado também foi um tópico importante. 

A Próxima Fase da Apologética Cristã


Nesse ano de 2016, começo o meu curso de filosofia. Com isso, pretendo trazer as ideias relacionadas a existência de Deus dos antigos pensadores. Defender os argumentos pró e responder aos argumentos contra. Obviamente, eu não sou (e nesse inicio nem serei) "O Filósofo". Mas a ideia é trazer isso para o aprendizado do público, e porque eu adoro comentar sobre essas coisas.
Junto com isso, eu pretendo continuar combatendo falsas doutrinas. O motivo disso é que vejo pessoas que estão completamente perdidas por causa dessas doutrinas. (Obviamente, não falo de todas.)
Apóstolo Paulo disse em sua carta aos Romanos;

Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. - Romanos 12:5

Mas, se alguém crê em um Jesus diferente do apresentado na Bíblia (Um Jesus apenas humano ou um Jesus anjo), estaria essa pessoa no mesmo corpo de Cristo? Adicionalmente, Igrejas que se dizem "a igreja verdadeira", por possuírem essas "doutrinas diferenciadas", adicionam obras ("estar na igreja 'verdadeira'") aos requisitos necessários para a salvação, o que a Bíblia diz claramente que é apenas por fé em Cristo - pela Graça. A verdadeira igreja de Cristo exalta a Cristo, não a si mesma.
Uma pessoa que esta no Espiritismo nunca vai admitir que precisa de um Salvador e que Jesus é o Senhor. Isso porque o Espiritismo nega a divindade de Cristo e a reencarnação "aperfeiçoa" as pessoas a cada "etapa".
Similarmente, os Mormons distorcem totalmente a visão monoteísta da Bíblia para crerem em vários deuses. E pior, que eles serão deuses um dia. 
Em meio a todas essas heresias, eu "tive necessidade de escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos." (Judas 1:3)
Também seria uma heresia adicionar algo a Bíblia, dizendo que esta não é suficiente para conduzir o verdadeiro crente. Joseph Smith, Allan Kardec e Ellen White devem ter suas ideias combatidas. E eu vou combate-las, pois a Verdade de Cristo é mais importante do que a aprovação dos homens. 
É possível que também ajam textos de "autoajuda", de uma perspectiva cristã para ajudar cristãos com problemas pessoais. 
Enfim, novos planos para o blog estão a vista. Fique ligado.