sexta-feira, 22 de julho de 2016

A Existência de Deus #21 - O Argumento do Pensamento Livre


Ateus normalmente dizem ser os “livres pensadores”. “Os donos da razão”, eles se auto-denominam. Afinal, eles não ficam presos às amarras da religião, não é mesmo? Ironicamente, a afirmação ateísta de “livre pensamento” não pode ser sustentada por sua visão de mundo. Em um mundo puramente naturalista, liberdade e racionalidade são puras ilusões.

O Argumento do Pensamento Livre


Premissas


Premissa 1 – Se o naturalismo/ateísmo for verdade, então a alma humana imaterial não existe

Premissa 2 – Se a alma não existe, então o livre arbítrio libertário não existe.

Premissa 3 – Se o livre arbítrio libertário não existe, então a racionalidade não existe.

Premissa 4 – Racionalidade existe.

Conclusão 1 – Portanto, o livre arbítrio libertário existe

Conclusão 2 – Portanto, a alma existe

Conclusão 3 – Portanto, o naturalismo é falso

Premissa 5 – A melhor explicação para a existência da alma é Deus.

Conclusão – Portanto, Deus existe

Avaliação do argumento


Premissa 1 – Se o naturalismo/ateísmo for verdade, então a alma humana imaterial não existe

Isso é óbvio. A visão de mundo naturalista diz que apenas a natureza e a matéria existem. Logo, não há qualquer espaço para a existência de uma alma imaterial.

Premissa 2 – Se a alma não existe, então o livre arbítrio libertário não existe.

Se a alma não existe, então tudo o que existe é apenas o cérebro humano. Uma massa física repleta de química. Porém, a natureza sempre segue leis naturais. Tudo o que acontece no mundo físico, dado o naturalismo, é determinado pelas leis da natureza. Então, se as ações do cérebro também estão sujeitas às leis da natureza, se segue que cada ação comandada pelo cérebro também esta determinada pelas leis da natureza. Como refletiu o filósofo Tim Stratton, “[s]e tudo o que existe é a natureza, então todas as coisas seriam regidas e determinadas pelas leis da natureza (incluindo pensamentos, crenças, e ações). Portanto, o livre arbítrio libertário não pode existir se o naturalismo for verdade.” (Freethinking Ministries, Compatibilistic Free Will: Can you have your cake & eat it too?, http://freethinkingministries.com/compatibilistic-free-will-can-you-have-your-cake-eat-it-too-2/)
Biólogo ateísta Richard Dawkins admite isso, além de mostrar suas implicâncias morais. Ele diz, “nenhum de nós disse alguma vez, ‘Oh bem, ele não podia não fazer isso; ele foi determinado por suas moléculas [...] Talvez nós devêssemos.” (Logan Gage, “Who Wrote Richard Dawkins’s New Book?” http://www.evolutionnews.org/2006/10/who_wrote_richard_dawkinss_new002783.html)  
Neurocientista ateu Sam Harris concorda:

Livre arbítrio é uma ilusão. Nossas vontades simplesmente não são de nós mesmos. Pensamentos e intenções emergem de causas de pano de fundo que nós não temos consciência e as quais nós não exercemos controle consciente. Nós não temos o livre arbítrio que pensamos ter. (Sam Harris, Free Will, p. 5)


Premissa 3 – Se o livre arbítrio libertário não existe, então a racionalidade não existe.

A partir da mesma explicação da premissa anterior, vê-se o problema com a existência da racionalidade se não houver livre arbítrio. Pois se nossos pensamentos são determinados, então nós nunca raciocinamos. Porém, se o determinismo for verdade, então quanta confiança podemos ter de que chegamos racionalmente na conclusão de que ele é verdade? Como sabemos que nossos pensamentos não foram determinados para concluir a favor do determinismo? Como disse William Lane Craig:

Há uma espécie de caráter vertiginoso e auto-destrutivo no determinismo. Pois se alguém passa a acreditar que o determinismo é verdadeiro, tem que acreditar que o motivo pelo qual ele veio a acreditar nisso é simplesmente porque ele estava determinado a fazê-lo. Ele não foi capaz de pesar os argumentos pró e contra e livremente fazer a sua decisão com base nisso. A diferença entre a pessoa que pesa os argumentos para o determinismo e o rejeita, e a pessoa que os pesa e aceita, é somente porque uma foi determinada por fatores causais fora de si mesmo para acreditar e outra para não acreditar. Quando você percebe que sua decisão de acreditar no determinismo foi determinada e que até mesmo sua presente realização desse fato agora é igualmente determinada, uma espécie de vertigem acontece, porque tudo o que você pensa, até mesmo este mesmo pensamento, está fora de seu controle. O determinismo poderia ser verdade; mas é muito difícil ver como isso poderia ser racionalmente afirmado, já que sua afirmação enfraquece a racionalidade de sua afirmação. (Reasonable Faith, Q&A #157 - Molinismo vs. Calvinismo: Preocupado com os Calvinistas, http://www.reasonablefaith.org/portuguese/Molinismo-vs-Calvinismo)

Premissa 4 – Racionalidade existe.

Isso é bem óbvio. De fato, se você negasse a existência da racionalidade, então teria algum motivo racional para isso. Porem, motivos racionais usam de racionalidade. Portanto, qualquer argumento formulado contra a racionalidade também vai ser auto-refutável. Como disse Stratton:

...se alguém for argumentar contra [a racionalidade], eles devem apelar para a argumentação racional para faze-lo. Isso seria afirmar o próprio ponto que eles estão rejeitando. [...] Alem disso, para o “livre pensador” ateísta rejeitar essa premissa ele teria que admitir a irracionalidade. Se esse for o caso, porque qualquer pessoa deveria se incomodar em ouvir idéias irracionais? O ateu iria perder todo o direito de argumentar contra o Cristianismo com base intelectual. (Freethinking Ministries, Freethinking Atheists are Oxymorons, http://freethinkingministries.com/freethinking-atheists-are-oxymorons/#_ftnref8)

Conclusão 1 – Portanto, o livre arbítrio libertário existe

Se a racionalidade existe, então, como vimos, ela só é possível com livre arbítrio.

Conclusão 2– Portanto, a alma existe

Ja que pensamentos são imateriais, então eles devem ter como fonte algo imaterial. E é ai que entra o papel da alma. Como disse Stratton, “[j]a que pensamentos são imateriais, nós temos motivos para pensar que uma mente/alma seja uma coisa pensante alem da natureza. [...] A alma seria *livre* da causa e efeito deterministas do universo natural, e então, a alma (você como agente) pode pensar livremente.” (Freethinking Ministries, Q&A #2: How Does a SOUL Provide Free Will?, http://freethinkingministries.com/qa-2-how-does-a-soul-provide-free-will/)

Conclusão 3 – Portanto, o naturalismo é falso

Já que a alma imaterial existe, então fica evidente que a natureza não é tudo o que existe e, portanto, o naturalismo é falso.

Premissa 5 – A melhor explicação para a existência da alma é Deus.

Dado o fato de almas serem imateriais e sobrenaturais, a melhor explicação do porque existem almas é a existência de uma Alma Maior. Um Ser Transcendente que possa explicar a existência da alma humana.

Conclusão – Portanto, Deus existe

No momento em que o ateísta se proclama como “livre pensador” ele afirma a existência tanto de livre arbítrio quanto de racionalidade. Ironicamente ambos só podem existir se a alma existir. A pergunta seguinte é: O que explica melhor a existência da alma? A melhor explicação é a de que Deus existe. Alguém que possa criar a realidade imaterial da alma deve no mínimo também ser imaterial e transcendente.

2 comentários:

  1. Olá, fiquei com uma dúvida, não seria os pensamentos imateriais, apenas fruto de uma mente humana material?

    Deus te abençoe, agradeço desde já pela resposta

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  2. Fiquei refletindo sobre este argumento e me veio mais dúvidas:

    "
    Conclusão 3 – Portanto, o naturalismo é falso

    Já que a alma imaterial existe, então fica evidente que a natureza não é tudo o que existe e, portanto, o naturalismo é falso."

    O certo não seria concluir que o materialismo é falso, que existem coisas sem matéria?

    "
    Conclusão 2– Portanto, a alma existe

    Ja que pensamentos são imateriais, então eles devem ter como fonte algo imaterial. E é ai que entra o papel da alma. Como disse Stratton, “[j]a que pensamentos são imateriais, nós temos motivos para pensar que uma mente/alma seja uma coisa pensante alem da natureza. [...] A alma seria *livre* da causa e efeito deterministas do universo natural, e então, a alma (você como agente) pode pensar livremente.” (Freethinking Ministries, Q&A #2: How Does a SOUL Provide Free Will?, http://freethinkingministries.com/qa-2-how-does-a-soul-provide-free-will/)"

    Por que alma e não outra coisa? E qual o sentido de alma neste caso? E por que algo imaterial não pode vir de algo material? Não sei se está certo, mas a luz não tem matéria e vem de coisa material como a lâmpada.

    Acredito em Deus, mas acho que o argumento está errado.

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