sábado, 28 de maio de 2016

Se Richard Dawkins estiver certo, então Deus existe


Richard Dawkins é uma comédia quando fala de Deus. Já não bastava ele se contradizer, seu "argumento central", que é um piores argumentos contra a existência de Deus já pensados, na verdade, se tiver sucesso, mostra que Deus deve, de fato, existir.

Se Richard Dawkins estiver certo, então Deus existe


Pano de fundo – Lógica modal


Lógica modal é a lógica do possível e do necessário. Quando filósofos falam de mundos possíveis, eles não falam de outros planetas ou universos paralelos. Mas na verdade estão falando de possíveis descrições da realidade. É importante distinguir entre três tipos de entidades:
- Impossíveis: Aqueles que não existem em nenhum mundo possível (Ex.: Triângulos de quatro lados, solteiros casados, etc)
- Contingentes: Aqueles que são meramente possíveis. Que existem em algum mundo possível. (Ex.: unicórnios existem em algum mundo possível, já que sua descrição não é contraditória. Então, é possível que unicórnios existam, mas não existem.)
- Necessários: Existem em todos os mundos possíveis. É impossível que um ser necessário falhe em existir. (Ex.: Platão diria que a Forma dos objetos é necessária. Similarmente, muitos matemáticos diriam que números existem em todos os mundos possíveis. Não há mundo possível em que eles não possam existir.)
Em que categoria Deus de encaixa? Já que Deus, por definição, é o Maior Ser Possível (se algo puder ser maior do que Deus, então este será Deus), então ele deve ter todas as propriedades de grandeza máxima. Por exemplo, Ele tem que ser Todo Poderoso, pois isso é melhor do que ser todo fraco ou apenas poderoso. Ele tem que ser Todo Amoroso, pois isso é melhor do que ser odioso ou apenas amoroso. E assim por diante. E não há nada contraditório no conceito de Deus com todas as propriedades de grandeza máxima. Agora, e essa é a chave, se Deus é um Ser de Grandeza Máxima, então Ele deve ser Necessário, já que isso é melhor do que ser contingente. Agora, mantenha isso em mente, e vamos ver o argumento de Dawkins.

O “argumento” de Richard Dawkins


Em seu livro, “Deus – Um Delírio”, Dawkins coloca o que ele chama de “o argumento central de seu livro”. Ignoremos o fato de ser um péssimo argumento e da conclusão não seguir das premissas por nenhuma regra de lógica. Ele argumenta:

1. Um dos maiores desafios para o intelecto humano tem sido explicar como surgiu no universo o complexo e improvável design.
2. A tentação natural é atribuir o surgimento do design ao próprio design atual.
3. Essa tentação e falsa, pois a hipótese do designer imediatamente faz surgir o problema maior de quem criou o designer.
4. A explicação mais engenhosa e poderosa é a evolução de Darwin baseada na seleção natural.
5. Não temos uma explicação equivalente para a física.
6. Não devemos desistir da esperança de surgir uma explicação melhor no campo da física, algo que seja tão poderoso quanto o darwinismo é para a biologia.
7. Portanto, é praticamente certo que Deus não existe.* (Richard Dawkins, The God Delusion. Nova Iorque: Hougbton Mifflin, 2006. p. 157-158. Traduzido para o português sob o titulo “Deus, um delírio”, pela Companhia das Letras.)

Em uma de suas campanhas, Dawkins colocou uma frase em alguns ônibus (ou outdoors, não tenho certeza. Enfim...) dizendo “Deus provavelmente não existe. Então, não se preocupe e curta a vida.”

Se Dawkins estiver correto, então Deus existe?


Agora, vamos mostrar porque o argumente de Dawkins, na verdade, mostra que Deus deve existir.

Premissa 1 – Se Deus for improvável, então é possível que Ele (Um Ser de Grandeza Máxima) exista.

Note que o próprio Dawkins afirma essa premissa. A conclusão de seu “argumento central” é a de que “é praticamente certo que Deus não exista.” Mas, mesmo que fosse praticamente certo, ainda assim seria possível que Deus existisse. Em sua campanha isso fica mais claro. Ele diz que Deus “provavelmente não existe”. Mas, mesmo se a probabilidade da inexistência de Deus fosse grande (nos critérios de Dawkins), ainda seria possível que Deus existisse. Então, usando o próprio raciocínio de Dawkins, a premissa 1 é afirmada.

Premissa 2 – Se é possível que Deus (SGM) exista, então Ele deve existir em algum mundo possível

Já que não há nada de ilógico ou auto-contraditório no conceito de Deus, então Ele deve existir em algum mundo possível.

Premissa 3 – Se Deus existe em algum mundo possível, então Ele deve existir em todos os mundos possíveis

Por ser um ser necessário, não pode haver nenhum mundo possível em que Deus não exista.

Premissa 4 – Se Deus existe em todos os mundos possíveis, então Ele existe no mundo real.

Já que o mundo real é um mundo possível, então se Deus existe em todos os mundos possíveis, Ele deve existir no mundo real.

Premissa 5 – Portanto, Deus existe no mundo real

Conclusão – Portanto, Deus existe.

A questão agora é: Como você sabe que é o Deus da Bíblia? É verdade que esse argumento poderia, em teoria ser usado por qualquer religião monoteísta. Porem, quando se pensa no conceito de um Ser de Grandeza Máxima, apenas o Deus da Bíblia se encaixa. Isso porque Ele deve ser Todo Amoroso. Porem, amor só é possível se houver suas ou mais pessoas. E, como antes da criação Deus estava sozinho, Ele só poderia ser Todo Amoroso se for mais de uma pessoa.
Apenas o Deus da Bíblia, que é Um Deus, que é Três Pessoas, se encaixa como o Ser de Grandeza Máxima. Portanto, a Trindade Bíblica existe.
(Eu falei mais do Argumento Ontológico Modal nesse outro texto)

* Tenho consciência de que é possível que Dawkins não esteja usando esse argumento em forma de premissas, mas apenas jogando afirmações ao acaso. Mas de qualquer forma, a conclusão é o que é importante.

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