terça-feira, 26 de abril de 2016

Seria Sola Scriptura algo novo?


Um argumento comum entre católicos (talvez os menos experientes) é o de que Sola Scriptura é uma coisa nova, criada na reforma. Porém, como veremos, Sola Scriptura estava nos ensinos de muitos Pais da Igreja e de outras pessoas influentes na história da igreja.

Seria Sola Scriptura algo novo?

Santo Atanasio, 373 d.C.

“Em vão, eles saíram com o pretexto de que eles tinham exigido Concilios para o bem da fé; pois as Escrituras divinas são suficientes acima de todas as coisas.” (De Synodis, Par. 6; 296)

São Cirilo de Jerusalém (313-386 d.C.)

“Pois, a respeito dos mistérios sagrados e divinos da Fé, nem ao menos uma afirmação casual deve ser entregue sem as Escrituras Sagradas; nem devem ser desviados por mera plausibilidade e artifícios de linguagem. Até mesmo para mim, que os diz estas coisas, não dou credito absoluto, a menos que receba a prova das coisas que eu anuncio nas Escrituras Divinas. Pois esta salvação, que nós cremos não depende de raciocínio ingênuo, mas na demonstração das Escrituras Sagradas.” (Lições de Catequese, IV: 17, Volume VII, p. 23)

São Basílio de Cesareia (330-379 d.C.)

“Qual é a marca de uma alma cheia de fé? Estar nessas disposições de aceitação na autoridade das palavras das Escrituras, não se aventurando a rejeitar qualquer coisa nem fazendo adições. Pois, se tudo o que não é da fé é pecado, como o Apostolo diz, e a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus, tudo fora das Escrituras Sagradas, não sendo da fé, é pecado.” (The Morals, p. 204, vol. 9)

São Gregório (335-394 d.C.)

“Permita que as Escrituras inspiradas, então, sejam nosso árbitro, e o voto da verdade será dada para aqueles dogmas que são encontrados e concordam com as palavras Divinas.” (On the Holy Trinity, p. 327)

São João Crisóstomo (349-407 d.C.)

“Com relação às coisas que eu digo, eu deveria fornecer até mesmo as provas, por isso eu não vou parecer confiar em minhas próprias opiniões, mas ao invés disso, provar-lhes com as Escrituras, de modo que a questão continuará firme e determinada.” (Homoly 8 On Repentance and the Church, p. 118, vol. 96)

“Vem o pagão e diz, ‘eu gostaria de me tornar um Cristão, mas eu não sei a quem devo me juntar: há muita luta e facção entre vós, muita confusão: qual doutrina eu devo escolher?’ Como devemos responder a ele? ‘Cada um de vocês’ (diz ele) ‘afirma que fala a verdade’. Sem duvida: Isso esta a nosso favor. Pois se nós disséssemos-lhe para ser persuadido por argumentos, você pode muito bem estar perplexo: mas se nós o levarmos a crer nas Escrituras, e essas simplesmente não são verdadeiras, a decisão é fácil para você. Se qualquer um concordar com as Escrituras, ele é um Cristão; se qualquer um lutar contra elas, ele esta longe dessa regra.” (Homily 33 em Atos dos Apostolos)

São Gregório de Nissa (335-394 d.C.)

“Nós não temos direito a tal licença, quero dizer a de afirmar o que nos agrada; nós fazemos das Escrituras Sagradas a regra e a medida de todo principio; nós necessariamente fixamos nossos olhos sobre isto, e aprovamos somente aquilo que se harmoniza com tais escritos” (On the Soul and the Resurrection)

São João de Damasco (676-749 d.C.)

“É impossível de dizer ou de entender por completo qualquer coisa sobre Deus além do que foi divinamente proclamado a nós, seja dito ou revelado, pelas declarações sagradas do Antigo e do Novo Testamento.” (On the Orthodox Faith, Livro I, Capitulo 2)

São Tomas de Aquino (1225-1274 d.C.)

Apesar de ser o mais tardio, Tomas de Aquino deixa claro sua visão de que qualquer coisa fora das Escrituras tem menos autoridade:

“No entanto, a doutrina sagrada faz uso dessas autoridades como extrínsecos e argumentos prováveis; mas usos próprios da autoridade das Escrituras canônicas como uma prova incontroversa, e a autoridade dos doutores da Igreja como uma que possa ser propriamente usada, ainda meramente como prováveis. Pois nossa fé se mantem na revelação feita aos apóstolos e profetas que escreveram os livros canônicos, e não nas revelações (se houver qualquer uma por ai) feita por outros doutores. Então, Agostinho diz (Epis. Ad Hieron xix, 1): ‘Apenas os livros das Escrituras que são chamados de canônicos que eu aprendi a manter com tal honra como eu creio que seus autores não se desviaram de forma alguma em escreve-los. Mas outros autores que eu leio e não considero tudo em seus trabalhos como verdade, simplesmente por conta de terem pensado e escrito isso, seja qualquer que tenha sido a sua santidade e aprendizagem’” (Summa Theologica, Parte 1, questão 1, Artigo 8)

Conclusão


Para a conclusão, quero trazer a frase que o pastor e teólogo Paulo Ribeiro, da Universidade Presbiteriana Mackenzie me disse. Ele disse:
"Nada, nem a patrística e nem a tradição, devem ser colocados acima da Palavra de Deus. A pergunta mais importante que devemos fazer é: Qual é a vontade de Deus para a nossa vida? Em seguida, nos perguntamos, como respondemos a essa pergunta?"

Fonte


Church Fathers on Sola Scriptura, https://armchairtheologian.info/2016/04/20/church-fathers-on-sola-scriptura/ (acesso 26 de abril de 2016)

2 comentários:

  1. http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/patristica/estudos-patristicos/451-a-patristica-refutando-a-sola-scriptura

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  2. http://portalconservador.com/apologetica/os-primitivos-pais-da-igreja-acreditavam-na-sola-scriptura/

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