sexta-feira, 22 de abril de 2016

A Ressurreição de Jesus #7 - Objeção: Os autores eram tendenciosos?


Uma outra objeção comum entre leigos é a de acusar os autores do Novo Testamento de tendenciosos. Quer dizer, eles escrevendo favorecendo seu lado, e, portanto, não devem ser confiáveis.


Objeção: Os autores eram tendenciosos?


Falácia Genética


O primeiro problema com a afirmação é que ela comete a falácia genética. Quer dizer, estão tentando invalidar a verdade de algo atacando como ela possa ter se originado. Mesmo se os autores tivessem tido alguma tendência para o lado deles, isso não quer dizer que o que eles registraram era falso. Como o historiador N. T. Wright comentou:

“Deve ser dito fortemente que a descoberta de que um escritor em particular tem alguma ‘tendência’ não nos diz nada sobre o valor da informação que ele ou ela apresenta. Isso apenas nos alerta da tendência [...] e de acessar o material de acordo com o máximo de fontes que pudermos.” (N. T. Wright, The New Testament and the People of God, p. 89)

Ad hominem


Outra falácia é a do ad hominem. Ao invés de lidar com os documentos e argumentos, o cético esta mais preocupado em atacar a pessoa que os apresentou e escreveu. Claramente isso é uma falácia ad hominem. Ser tendencioso não significa estar mentindo.

Eles não eram tendenciosos!


Muitas das testemunhas que relataram os fatos não tinham tendência cristã nenhuma De fato, como argumentado em outro texto, aparições de Jesus devem ter ocorrido na vida do irmão cético de Jesus, Tiago, e de Paulo, perseguidor de Cristãos. Como historiadores Michael Licona e Gary Habermas colocaram:

“O testemunho de Paulo é mais forte do que o de uma testemunha neutra do Jesus ressurreto, já que a sua tendência ia na direção oposta. Ele certamente não era simpático com a causa Cristã. Ao invés disso, ele via Jesus como um Cristo falso e perseguia severamente os seus seguidores. [...] É verdade que Paulo perdeu seu status como uma fonte hostil depois que se tornou um Cristão. Porem, ele manteve a hostilidade com o Cristianismo até o tempo em que creu. Então, nós ainda temos uma aparição do Jesus ressurreto como a razão para a crença de uma fonte hostil.”
“...a tendência de Tiago, o irmão de Jesus, também corre na contramão do Cristianismo. Os Evangelhos registram que ele foi um descrente durante a vida de Jesus. Depois nós encontramos registros de que o Jesus ressurreto apareceu a Tiago (1 Corintios 15:7a) e de sua morte pela crença de que Jesus era o Messias ressurreto. [...] Então, com testemunhos em nossas mãos dos discípulos Paulo e Tiago, nós temos exemplos de amigos e inimigos que creram que o Jesus ressurreto apareceu a eles” (Michael Licona e Gary Habermas, The Case for the Resurrection of Jesus, kindle pos. 1187, 1196)

De fato, como detetive J. Warner Wallace colocou, pessoas tendem a “endireitar” seus testemunhos com base no que elas podem ganhar. Seja dinheiro, sexo ou poder. Porem, os discípulos apenas conseguiram a perseguição, julgamento e execução. Como Wallace diz:

“Se os autores dos Evangelhos estão mentindo sobre o que afirmam, eles estão mentindo apenas por uma dessas três razões. Eles ficaram ricos com o que proclamaram? Não. Eles conseguiram um monte de namoradas como resultado de sua proclamação? Não. E quanto ao poder? Não poderia ser argumentado que esses homens se tornaram lideres importantes na comunidade religiosa? Mesmo esse sendo um motivo plausível, aplique ele ao maior líder do inicio do movimento: Paulo. Paulo começou sem autoridade e respeito em sua comunidade religiosa. Como um líder Judeu e religioso devoto, ele parou de caçar os membros da comunidade Cristã. Realmente temos que crer que ele deixou a sua posição para ‘pular’ em um grupo que ele estava feliz em destruir, apenas para sofrer perseguição por vários anos na esperança de que um dia pudesse retornar a sua posição de autoridade religiosa? Isso parece altamente irracional e improvável. Nenhum dos autores ganhou qualquer coisa de seu testemunho e, ao contrário, sofreram perseguições e morte por suas proclamações.” (Cold-Case Christianity, Four Reasons the New Testament Gospels Are Reliable, http://coldcasechristianity.com/2015/four-reasons-the-new-testament-gospels-are-reliable/)


Objeção auto-refutável


Uma pergunta que deve ser levantada contra aquele que acusa os autores de serem tendenciosos é a seguinte: Já considerou que você esta sendo tendencioso em descartar esses documentos por isso? Seguindo a lógica do cético, nós não deveríamos confiar no próprio argumento dele, já que este claramente é tendencioso. Como J. Warner Wallace diz:

“Alguns céticos baseiam sua desconfiança nos Evangelhos (e nos relatos não-bíblicos da vida dos apóstolos depois da ascensão de Jesus) na possível presença de um preconceito. Mesmo não havendo evidências para sugerir que os apóstolos foram motivados por ganância, luxuria ou poder, críticos ainda tem suspeitas dos relatos dos evangelhos.” (J. Warner Wallace, Cold-Case Christianity: A Homicide Detective Investigates the Claims of the Gospels, kindle pos. 4472)

A tendência deles fortalece o testemunho


Um ultimo ponto que deve ser colocado é que o viés dos autores pós-conversão torna maior a credibilidade do testemunho. A pergunta não é “qual a religião deles?” Mas sim “por que eles se converteram?”. Como Norman Geisler e Frank Turek argumentam:

“Os autores do NT certamente não tiveram razão para inventar uma nova religião. Devemos nos lembrar de que todos eles (com a possível exceção de Lucas) eram judeus que acreditavam firmemente já possuírem uma religião verdadeira. Aquela religião de quase 2 mil anos afirmava que eles, os judeus, eram o povo escolhido de Deus. Por que os judeus que se converteram ao cristianismo se arriscariam a sofrer perseguição, morte e, talvez, condenação eterna para começar alguma coisa que 1) não era verdadeira e 2) elevou os não-judeus ao mesmo relacionamento exclusivo que eles afirmavam ter com o Criador do Universo? A não ser que a ressurreição realmente tivesse acontecido, por que deixariam, de maneira quase imediata, de observar o sabá, a circuncisão, a lei de Moisés, a centralidade do templo, o sistema sacerdotal e outros ensinamentos do AT? Os autores do NT precisavam ter testemunhado alguma evidência muito forte para abandonar as crenças e as práticas antigas que haviam definido quem eles e seus ancestrais eram por cerca de 2 mil anos.” (Norman Geisler e Frank Turek, Não tenho fé suficiente para ser ateu, p. 174)

Conclusão


Claramente a acusação é replete de falácias e falta com qualquer evidência. De fato, não apenas é falaciosa, mas também ignora o fato de não haver qualquer motivo para os discípulos tenderem a ir para um lado “mentiroso”. Alem disso, a objeção, se tivesse qualquer poder, seria em si só questionável. Sendo assim autodestruída.  

Fontes


J. Warner Wallace, Cold-Case Christianity: A Homicide Detective Investigates the Claims of the Gospels.
Sean e Josh McDowell, Evidências da Ressurreição.
Michael Licona e Gary Habermas, The Case for the Resurrection of Jesus.
Norman Geisler e Frank Turek, Não tenho fé suficiente para ser ateu

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