sexta-feira, 15 de abril de 2016

A Ressurreição de Jesus #6 - Objeção: Os evangelhos são mitos?


Uma objeção comum no meio leigo é o de que os evangelhos são apenas mitos. Se possuírem algum valor histórico, então essa história foi corrompida durante os séculos. O principal alvo disso é, além de todo o resto, a história da ressurreição de Cristo. Pode tal hipótese ter qualquer valor diante da critica moderna?

Objeção: Os evangelhos são mitos?


Não há sinal lendário


Mesmo pegando a data mais tardia do historiador mais cético, seria improvável que as histórias tivessem sido corrompidas por lendas. Por exemplo, o evangelho de Marcos não contem nenhum sinal de história fantasiosa (isso, obviamente, descartando o final que foi adicionado séculos depois). O descobrimento da tumba vazia pelas mulheres não tem sinal algum de embelezamento. Compare isso com o fantasioso evangelho de Pedro, escrito séculos depois, onde, na história da tumba vazia, dois homens que batem a cabeça nos céus aparecem, e uma grande voz sai do sepulcro, seguido de uma cruz voadora. Por outro lado, no evangelho de Marcos, que é datado como o primeiro evangelho escrito, a história é simples, narrando apenas mulheres que foram na tumba, encontraram um homem vestido de branco e a tumba vazia. Como Dr. Craig explica:

“...O relato de Marcos de uma tumba vazia é muito simples e sem embelezamento por motivos teológicos prováveis de caracterizar relatos lendários tardios. Por exemplo, a ressurreição em si não é presenciada ou descrita, e não há reflexão sobre o triunfo de Jesus sobre os pecados e a morte, nenhum uso de títulos divinos, nem citação de profecia cumprida, nem descrição do Senhor Ressurreto. É bem diferente de criações fictícias Cristãs.”
“...você precisa apenas ler o relato do apócrifo Evangelho de Pedro, que descreve a saída triunfante de Jesus da tumba como uma figura gigante, o qual a cabeça chega acima das nuvens, suportada por anjos gigantes, seguidas de uma cruz falante, com uma voz que vem dos céus, e tudo presenciado por um guarda Romano, os lideres Judeus, e uma multidão de espectadores! É assim que uma lenda parece: Eles são coloridos com desenvolvimento teológico e apologético. Por contraste, o relato de Marcos é marcante em sua simplicidade” (W. L. Craig, On Guard for Students, kindle pos. 3056)

Os critérios de historicidade invalidam a teoria dos mitos


Como estabelecido em outros textos da série, esses fatos não podem ser jogados fora como mitos. A crucificação, a tumba vazia, as aparições pós-morte e suas evidências passam por vários critérios de historicidade:

- O critério do embaraçamento
Mulheres descobrindo a tumba, servindo de testemunha em uma cultura que não aceitava isso.
O irmão de Jesus, Tiago, ser taxado de descrente e depois morrer por sua crença.
Saulo de Tarso ser colocado como perseguidor de Cristãos, mas acabar se convertendo. Nenhum “inventor” de histórias colocaria nos textos a ideia de que um de seus principais lideres foi seu inimigo mortal.

- O critério da múltipla-atestação
Atestado independentemente nos quatro evangelhos, nas epistolas e em fontes extra-bíblicas.

- O critério das fontes antigas e próximas dos eventos
Nenhum documento do Novo Testamento foi escrito mais do que sessenta anos depois. Os mais tardios são o evangelho de João e Apocalipse. Compare com a biografia de Alexandre, o Grande, que foi escrita quinhentos anos depois.
A tradição antiga citada por Paulo torna impossível adulteração da história.

- O critério do testemunho ocular
Existe múltipla-atestação de que os discípulos presenciaram o Jesus ressurreto, além do testemunho das mulheres da tumba vazia.
As testemunhas citadas por Paulo em 1 Coríntios 15 eram famosas, além do numero enorme de quinhentas testemunhas, que poderiam facilmente ser entrevistadas.

O detetive de homicídios, J. Warner Wallace, antes ateu, após avaliar a evidência acabou se convertendo. Com os olhares de um detetive, ele conclui:

“Para a Ressurreição de Jesus ser uma lenda tardia, ela teria que ser tanto tardia quando uma lenda. Não é nenhuma. Os documentos do Novo Testamento são próximos dos eventos e incluem a história da Ressurreição, e o registro dos primeiros pais da Igreja demostram que a história não foi alterada com o tempo. A verdade do relato dos Evangelhos e da Ressurreição de Jesus ainda é a inferência mais racional para a evidência.” (J. Warner Wallace, Investigating Easter: Is The Resurrection A Late Legend?, http://coldcasechristianity.com/2016/investigating-easter-is-the-resurrection-a-late-legend/ acesso 15 de abril de 2016)

Pode o texto ter sido embelezado com o tempo?


É aceito pela gigantesca maioria de historiadores que o texto que temos hoje do Novo Testamento é o mesmo que o original. Isso se deve a dois fatores importantes: Primeiro, o numero de aproximadamente seis mil cópias antigas permite que o original seja remontado. A única obra antiga que chega mais perto disso é a Ilíada, com seiscentas cópias. Segundo, mesmo se não existisse nenhuma cópia, os Pais da Igreja citaram quase todo o Novo Testamento, permitindo assim que tenhamos confiança que ele não foi alterado. Historiadores Michael Licona e Gary Habermas dizem:

“A pureza textual do Novo Testamento raramente é questionada no meio acadêmico. É bem estabilizado e aceito dentre praticamente todos que estudaram seriamente os textos antigos que o texto é praticamente o mesmo que estava escrito originalmente. Até estudiosos críticos questionam as poucas palavras no Novo Testamento, e essas palavras em questão não afetam questões doutrinárias.” (M. Licona e G. Habermas, The Case for the Resurrection of Jesus, kindle pos. 749)

A improbabilidade da aceitação na cultura


Note o que os primeiros cristãos pregavam: Eles diziam para os Gentios do mundo romano adorarem um Judeu, que havia sido crucificado vergonhosamente em uma cruz, que era um carpinteiro, que havia ressuscitado fisicamente e que exigia mudança moral extrema, sem prostituição e relações fora do casamento. Isso era extremo para o mundo romano, já que Judeus eram vistos como inferiores, a posição de carpinteiro era vista quase como a de um escravo, a ressurreição física era algo que ia contra todas as crenças pagãs e os a moral cristã era extremamente oposta ao que os romanos aceitavam. Agora, por que criar um mito assim? A história com toda a certeza não iria pra frente. Como David deSilva diz:

“A mensagem sobre esse Cristo é incompatível com a ideologia religiosa profunda enraizada no mundo Gentio, assim como a mensagem mais recente propagada na ideologia imperial Romana.” (Honor, Patronage, Kinship and Purity, p. 46)

Também seria difícil pregar a Judeus, já que, na história, o suposto Messias havia sido pregado em uma cruz pelos inimigos Romanos, além de ser da Galileia (João 1:46; 7:41) e ter um histórico familiar desconhecido (Mateus 1:20; João 8:41). Historiador N. T. Wright argumenta sobre a improbabilidade dessa história ser um mito ou conspiração dizendo que o “Cristianismo nasceu em um mundo onde a sua afirmação central era conhecida como falsa.” (The Resurrection of the Son of God, p. 35)
E o historiador Michael Grant conclui:

“Resumindo, os métodos críticos modernos não apoiam a teoria de Cristo como mito. Repetidas vezes ela foi refutada e aniquilada por acadêmicos de nível elevado” (Jesus: An Historian's Review of the Gospels, p. 200)

Conclusão


Os sinais de linguagem histórica, e falta de linguagem mítica nos evangelhos e nas fontes mais antigas são fatores fortes contra a hipótese de que tudo seja um mito. Alem disso, os critérios de historicidade, junto com a impossibilidade de alteração textual e a mensagem contra a cultura da época tornam impossível que as histórias dos evangelhos sejam mitos ou lendas desenvolvidas com o passar do tempo. 

Fontes 


William Lane Craig, "On Guard for Students: A Thinker's Guide to the Christian Faith"
Michael Licona e Gary Habermas, "The Case for the Resurrection of Jesus"
Norman Geisler e Frank Turek, "Não tenho fé suficiente para ser ateu"
Inspiring Philosophy, "The Resurrection of Jesus (The Historical Case)", https://www.youtube.com/watch?v=A0iDNLxmWVM 
Cold-Case Christianity with J. Warner Wallace, http://coldcasechristianity.com/ 
Sean e Josh McDowell, "Evidências da Ressurreição"

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