quarta-feira, 30 de março de 2016

A Ressurreição de Jesus #4 - Alucinações podem explicar os fatos?


Então, o que temos até aqui? Existem três fatos que são reconhecidos pela gigantesca maioria de críticos e historiadores do Novo Testamento sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus: Ele foi crucificado, sua tumba foi encontrada vazia no terceiro dia e os discípulos tiveram experiências com Jesus vivo após a sua morte. No texto de hoje, vamos lidar com uma das explicações naturalistas para tentar explicar estes três fatos. A chamada hipótese das alucinações. Quer dizer, os discípulos tiveram alucinações de Jesus vivo, e criam tê-lo visto ressurreto.

Alucinações podem explicar os fatos?


Primeiro problema – Falta poder explicativo


Alucinações não conseguem explicar os fatos estabelecidos, pois não explicam a tumba vazia de Jesus. Se os discípulos tiveram alucinações e proclamaram que Jesus havia ressuscitado, os seus inimigos simplesmente apontariam para o corpo na tumba.
De fato, tal hipótese não pode sobreviver sem um numero exagerado de tentativas ad hoc. Por exemplo, alem das alucinações, seria necessário criar outra explicação para a tumba vazia. Se você postular que foram os apóstolos, teria que explicar por que eles proclamaram a ressurreição, sabendo que eles mesmos roubaram o corpo e por que eles alucinariam sobre isso. Ai você tem que postular que eles perderam a memória por algum motivo depois de roubar o corpo. E seguir assim, criando hipóteses adicionais, o que é completamente ad hoc.
Ou dizer que os romanos, por algum motivo totalmente não-romano iriam roubar o corpo, na esperança de que algum judeu desiludido com o Messias morto fosse até lá visitá-lo, ver a tumba vazia e torcer para que eles tivessem alucinações com Jesus vivo, que, por motivos desconhecidos, foi a mesma alucinação para todos.
Tal teoria não pode apenas não explicar o sepulcro vazio, como também não explica a teoria que os inimigos dos cristãos criaram nem a rocha removida da tumba.

Segundo problema – alucinações em conjunto


Aproveitando o gancho do fim do ultimo tópico, isso nos leva a um problema ainda maior. Como que quinhentas pessoas teriam tido a mesma alucinação, no exato mesmo momento e lugar? Como Mike Licona apontou:

“As alucinações são como sonhos. Elas são ocorrências particulares [...] Você não poderia compartilhar com outra pessoa uma alucinação que estivesse tendo, da mesma maneira como não poderia despertar o seu cônjuge no meio da noite e pedir que ele participasse do sonho que você esta tendo” (Michael Licona, Cross Examined, p. 90)

Psicólogo Gary Collins também explicou:

“As alucinações são ocorrências individuais. Pela própria natureza das alucinações, uma pessoa pode ter apenas uma alucinação por vez. Certamente, as alucinações não são algo que possa ser visto por um grupo de pessoas [...] Uma vê que a alucinação só existe no sentido subjetivo e pessoal, é obvio que outras pessoas não podem testemunhá-la” (Gary Collins, em correspondência pessoal com Gary Habermas, registrado em “The Recent Revival of Hallucinations Theories”, em The Christian Research Journal, p. 48)

Ele conclui que as evidências contra as alucinações são muito convincentes, e que os céticos “teriam de ir contra grande parte dos dados atuais psiquiátricos e psicológicos sobre a natureza das alucinações” (ibid)
Dale Allison também diz:

“Uma pessoa pode alucinar, mas doze ao mesmo tempo? E dezenas em um período extenso de tempo? [...] Essas são questões legitimas, e sacudir a varinha mágica da ‘histeria em massa’ não vai fazê-las desaparecer” (Resurrecting Jesus, p. 269)

Psicólogo Gary Sibcy diz:

“Eu pesquisei a literatura profissional (artigos de jornais avaliados e livros) escrita por psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da saúde relevantes durante as duas ultimas décadas e ainda não encontrei um único caso documentado de alucinações em grupo, um evento em que mais de uma pessoa alegadamente compartilhou em alguma percepção sensorial ou visual onde claramente não houvesse referente.” (Gary Sibcy, em contato pessoal com Michael Licona, registrado em “The Resurrection of Jesus”, p. 484)

Terceiro problema – Nem todos estão propícios a alucinações


Nem todo tipo de pessoa tem a inclinação (se é que podemos usar esta palavra) a ter alucinações. Seria um milagre juntar mais de quinhentas pessoas propicias a terem alucinações no mesmo lugar e *booom*, todas elas terem a mesma alucinação no mesmo momento. Alem disso, há o fato de que as aparições foram feitas em momentos diferentes: Primeiro os discípulos, depois os quinhentos, depois Paulo. Como Gary Habermas colocou, “o fato de que esses indivíduos diferentes, nessas variadas circunstancias, fossem todos candidatos a alucinações realmente força os limites da credibilidade.” (Gary Habermas e J. P. Moreland, Beyond Death, p. 120)
De fato, pessoas como Paulo, que perseguia cristãos, e Tiago, que cria que seu irmão Jesus era uma farsa, estavam totalmente na contra-mão para terem começado a ter alucinações. Como historiadores Mike Licona e Gary Habermas colocaram:

“...alucinações não explicam a conversa do perseguidor da igreja Paulo. Mesmo se as alucinações pudessem explicar as aparições aos discípulos, como nós explicaríamos a aparição que mudou a vida de Paulo? Ele não aparentava estar no estado mental de experimentar uma alucinação, já que ele parecia odiar Jesus e seus seguidores e cria que era a vontade de Deus pará-los. [...] Como discutido antes, durante a vida de Jesus, Tiago não cria que seu irmão fosse o Messias. De fato, parece que ele estava entre aqueles que pensava que Jesus estava iludido. É improvável que um descrente Judeu – que teria visto seu irmão crucificado como o Messias falso que estava sob a maldição de Deus – estivesse em um estado mental para experimentar uma alucinação do Jesus ressurreto que mudasse sua vida, uma alucinação tão poderosa que o motivaria a alterar suas crenças religiosas em uma área que ele cresse que teria o custo de sua alma eterna se fosse um erro.” (M. Licona e G. Habermas, “The Case for the Resurrection of Jesus, kindle pos. 995)

Paulo não tinha motivo algum para querer abandonar seu estilo de vida judaico. Ele simplesmente não poderia nem ter remorso do que fazia com os cristãos, pois cria estar cumprindo a vontade de Deus. Não há sinais em suas cartas de que ele teria qualquer motivo psicológico para isso. Como Krister Stendahl diz:

“Contraste Paulo, um Judeu de sucesso e muito feliz, alguém que pode, mesmo quando pensa sobre isso de sua perspectiva Cristã, dizer em sua Epistola aos Filipenses ‘segundo a justiça que há na lei, [eu fui] irrepreensível’ (3:6). É isso que ele diz. Ele não experimentou problemas, nenhuma tontura de consciência, nenhum sentimento de lacuna. Ele era um pupilo estrela, o estudante que ganhou a graduação de mil dólares, graduado no seminário de Gamaliel [...] Em nenhum lugar dos escritos de Paulo existe qualquer indicação de que ele tenha tido qualquer dificuldade em cumprir o que um Judeu entendia que fosse um requerimento da lei” (Paul Among Jews and Gentiles, p. 12-13)

Quarto problema – Eles não tinham expectativa


Todos os envolvidos nas aparições de Jesus eram judeus. Eles haviam seguido Jesus por três anos na expectativa de que ele fosse o Messias. No fim, ele acabou morto na cruz, de forma humilhante e que, na visão judaica, colocava a pessoa sob a maldição de Deus. Eles estavam tristes, decepcionados e desiludidos. Alem disso, não tinham nenhuma predisposição para crer que o Messias morreria e ressuscitaria. Isso não faria sentido em um contexto judaico. E mais, não apenas o Messias, mas ressurreições individuais para a vida eterna eram totalmente desconhecidas. Porem, alucinações só ocorrem em pessoas com alguma antecipação para isso. Por forte vontade de ter tal visão, isso estimula a ilusão. O teólogo Paul Little, já falecido, notou:

“Maria veio ao sepulcro, na manhã do domingo da primeira Páscoa, com especiarias nas mãos. Por quê? Para ungir o corpo do Senhor que ela amava. Obviamente, ela não esperava vê-lo ressuscitado. Na verdade, quando o Senhor finalmente apareceu aos discípulos, eles se assustaram e pensaram que estavam vendo um fantasma.” (Paul Little, Know Why You Believe, p. 68, 69)

Quinto problema – Judeus não concluiriam que Jesus havia ressuscitado


Mesmo se os discípulos tivessem alucinado, eles jamais viriam a crer que Jesus havia ressuscitado. Como William Lane Craig explicou, eles “nunca teriam concluído que Ele havia ressuscitado, uma idéia que era contrária às noções judaicas da ressurreição; em vez disso, eles teriam concluído que Deus o havia transladado ao céu, de onde Ele aparecia a eles, e por isso o sepulcro estava vazio. O fato de que os discípulos não proclamaram o traslado de Jesus, como havia acontecido com Enoque e Elias, mas – contrariamente a todos os conceitos judaicos – a ressurreição de Jesus, prova que a origem da crença dos discípulos na ressurreição não pode ser explicada como algo que eles tivessem concluído com base no sepulcro vazio e em visões.” (W. L. Craig, The Son Rises, p. 133)
De fato, por que eles concluíram que Jesus havia ressuscitado? Por que não apenas uma visão de alguém do alem? Como James Dunn observa:

“Por que eles concluíram que era Jesus ressuscitado dos mortos? – Por que não simplesmente uma visão do homem morto? – Por que não visões ‘recheadas’ com o aparado da expectativa apocalíptica, vindo sobre as nuvens em glória e assim por diante [...]? Por que tirar a surpreendente conclusão de que a ressurreição escatológica já havia acontecido no caso de um único individuo em forma distinta e anterior à ressurreição geral?” (James Dunn, Jesus and the Spirit, p. 132)

Craig também explica que, “dada sua estrutura judaica de pensamento, os discípulos, se fossem ficar alucinados, teriam projetado visões de Jesus glorificado no seio de Abraão, local em que os justos mortos de Israel habitam até a ressurreição escatológica. Assim, alucinações não teriam causado crença na ressurreição de Jesus, uma idéia que solidamente batia de frente com o modo judaico de pensamento” (Reasonable Faith, “A erudição contemporânea e as evidências históricas para a ressurreição de Jesus Cristo”, http://www.reasonablefaith.org/portuguese/a-erudicaeo-contemporanea-e-as-evidencias-historicas-para-a-ressurreicaeo [acesso 30 de março de 2016])

Sexto problema – Não explica a fisicalidade das aparições


Tais aparições provavelmente não foram meras ilusões. Os discípulos tocaram e comeram com Jesus. Como Dr. Craig argumenta:

“O testemunho unânime dos Evangelhos quanto a isso é impressionante. Se nenhuma das aparições foi originalmente corpórea, é muito estranho que tenhamos um testemunho unânime nos Evangelhos de que todas elas foram físicas, sem nenhum traço de supostas aparições não físicas. Corrupção tão profunda e ampla na tradição oral em tão pouco tempo, enquanto havia testemunhas oculares, é muito improvável.”
“...se todas as aparições foram originalmente visões não físicas, então não temos idéia de como explicar o surgimento dos relatos nos Evangelhos. Pois aparições físicas,corpóreas teriam sido uma tolice para o gentio e uma pedra de tropeço para o judeu, visto que nenhum dos dois aceitaria a ressurreição física, mas teria satisfação em aceitar aparições visionárias dos falecidos” (William Lane Craig, Apologética Contemporânea, p. 367)

Dale Allison também concorda:

“Se não houvesse razão para crer que o seu corpo sólido havia retornado À vida, ninguém teria imaginado que ele, contra as expectativas, tivesse ressuscitado. Certamente visões de um Jesus pós-morte ou encontros percebidos com ele não teriam, por si só, suprido tal razão” (Resurrecting Jesus, p. 324-325)

Conclusão



A teoria da alucinação tem sérios problemas. Ela não consegue explicar todos os fatos sem um conjunto de teorias ad hoc. É extremamente improvável que ocorram alucinações iguais em grupos, especialmente em grupos e pessoas sem expectativa e alguns até inimigos. Alem disso, nenhum dos discípulos que registraram algo deixaram qualquer sinal de estado mental propicio a alucinações. Alucinações também não fariam os judeus proclamarem a ressurreição de Jesus, pois eles não teriam como projetar isso mentalmente de seu prévio conhecimento judaico. E por fim, elas não explicam o fato das aparições serem físicas, não meras visões.

Bibliografia


Gary Habermas e Michael Licona, "The Case for the Resurrection of Jesus"
Josh e Sean McDowell, "Evidências da Ressurreição"
William Lane Craig, "Apologética Contemporânea"
Inspiring Philosophy, "The Resurrection of Jesus (The Histórical Evidence), https://www.youtube.com/watch?v=A0iDNLxmWVM
IP, "The Resurrection of Jesus (Advanced Theories)", https://www.youtube.com/watch?v=UWbShiINl4s

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