terça-feira, 29 de março de 2016

A Ressurreição de Jesus #3 - A Evidência das Aparições Pós-Morte


Talvez surpreenda o leitor saber que as aparições pós-morte de Jesus são aceitas pela gigantesca maioria dos historiadores e críticos do Novo Testamento. De fato, de acordo com Gary Habermas, 99% dos historiadores concordam que os discípulos tiveram experiências com Cristo vivo após a sua morte (Habermas, The Risen Jesus and Future Hope).

A Evidência das Aparições Pós-Morte


Critério de historicidade #1 – Fonte antiga e próxima do evento


Temos uma das fontes mais antigas sobre a ressurreição de Jesus no credo citado pelo Apostolo Paulo em 1 Coríntios 15:

Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,
E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze.
Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também.
Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos.
E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo.
1 Coríntios 15:3-8

O fato de Paulo usar palavras rabínicas como “entreguei” e “recebi” demonstra que ele esta passando adiante uma tradição que recebeu muito antes. Provavelmente em sua visita a Jerusalém ou em Damasco. Isso data de no máximo cinco anos após a morte de Jesus. Essa tradição é uma tradição oral dos primeiros cristãos, em um formato judaico. Isso pode ser visto, não apenas pelas palavras “entreguei” e “recebi”, mas também pelas palavras aramaicas (como “Cephas”) e pelo paralelismo (E que... E que... Depois... Depois...)
Não é o bastante o cético dizer, “ah, mas você esta usando a Bíblia pra provar a Bíblia. Eu não creio nela”. Porem, não estou assumindo a Bíblia como divinamente inspirada. De fato, como historiadores Mike Licona e Gary Habermas argumentam, “[n]ós não estamos assumindo inspiração e nem ao menos a credibilidade geral do Novo Testamento em nossa defesa da ressurreição de Jesus. [...] nós estamos apenas tratando o Novo Testamento como um volume antigo de literatura contendo vinte e sete livros e cartas separadas. Então, estamos entretendo com esses dados que são bem evidenciados e aceitos praticamente por todo estudioso que estudou esse assunto, até mesmo os céticos.” (The Case for the Resurrection of Jesus, kindle pos. 410, 420)
Eles vão adiante para dizer que, “muito estudiosos críticos crêem que Paulo recebeu isso dos discípulos Pedro e Tiago enquanto visitava eles em Jerusalém três anos após sua conversão. Se for assim, Paulo aprendeu isso dentro de cinco anos após a crucificação de Jesus e dos próprios discípulos.” (ibid, kindle pos 429)
A razão de muitos crerem que ele conseguiu esse conhecimento de Pedro, é que quando descreve sua visita a ele, Paulo usa o termo grego historesai, que significa “para ganhar uma informação histórica”.
Dean John Rodgers comenta que “esse é o tipo de informação que deixa os historiadores da antiguidade com água na boca” (Citado por Richard N. Ostling, Who was Jesus?, p. 41)

Critério de historicidade #2 – Testemunhas oculares


Note que Paulo não lista apenas os Doze, Tiago e ele mesmo como testemunhas oculares. Ele da uma indicação de que quinhentas pessoas viram o Jesus ressurreto. Isso é importante, pois Paulo esta dizendo que se alguém não crê no que ele diz, pode confirmar com aqueles que ainda estão vivos. Esse numero grande de pessoas não seria uma dificuldade de se encontrar. Como William Lillie argumenta:

“O que concede uma autoridade especial à lista como evidência histórica é a referência ao fato de a maioria dos 500 irmãos ainda estarem vivos. Com efeito, S. Paulo diz: ‘Se você não acredita em mim, pergunte a eles’. Tal declaração, numa carta comprovadamente genuína, escrita cerca de 30 anos depois do acontecimento, é praticamente uma evidência tão conclusiva quanto alguém poderia esperar obter de algo que aconteceu cerca de 2 mil anos atrás” (Historicity and Chronology in the New Testament, p. 125)

C. H. Dodd também diz:

“Dificilmente poderia haver qualquer propósito em mencionar o fato de que grande parte dos quinhentos ainda está viva, a menos que Paulo esteja querendo dizer ‘As testemunhas estão aqui para ser questionadas’” (More New Testament Studies, p. 128)

E William Lane Craig afirma que dentre os acadêmicos da área, “é praticamente indiscutível que essa aparição tenha ocorrido.” (The Son Rises, p. 94, 95) E por isso, historiador Hans Von Campenhausen afirma:

“[Esse texto] satisfaz todas as exigências de confiabilidade histórica que pudessem ser feitas desse tipo de texto” (Tradition and Life in the Early Church, p. 44)

Alem disso, Paulo também inclui o próprio irmão de Jesus, Tiago. Sabemos por meio de João 7:5 e Marcos 3:21-35 que nenhum dos irmãos de Jesus cria nele. Isso é certo por causa do critério da múltipla atestação e do critério do embaraço, já que seria embaraçoso que os discípulos, proclamando a ressurreição do Filho de Deus, inventassem que seus próprios irmãos, sendo um deles um dos maiores lideres do movimento Cristão primitivo, o achavam louco. É confirmado por Joséfo, Hegésipo e Clemente de Alexandria que Tiago foi um dos maiores lideres Cristãos e que morreu martirizado. (Joséfo, Antiguidades 20.200, e Hegésipo e Clemente são citados por Eusébio em História Eclesiástica 2.23) Agora, pense nisso por um segundo: O irmão descrente de Jesus subitamente se transforma em um dos principais lideres do Cristianismo primitivo. A maioria dos críticos do Novo Testamento considera esse um fato, pois (recapitulando):

Tiago não cria em seu irmão
Evento principal
Tiago morre como líder Cristão
Critério do embaraço

Múltipla atestação
Múltipla atestação



Que outra explicação pode haver se não a da aparição de Jesus a Tiago? O critico cético do Novo Testamento Hans Grass admite que “a conversão de Tiago é uma das provas mais certas das aparições de Jesus Cristo.” (Hans Grass, Ostergeschhen und Osterberichte, p. 80)
Também há as aparições listadas a Pedro e aos Doze. Tanto eles como Tiago eram fáceis de serem encontrados e, se fosse mentira, eles poderiam desmentir a qualquer momento. Alem disso, a aparição aos Doze também possui a seu favor o critério de historicidade da múltipla atestação, já que é atestado em Lucas 24:36-42 e João 20:19-20. William Lane Craig comenta:

“Sem duvida, a característica mais notável dessas histórias de aparições é a demonstração física de Jesus mostrando seus machucados e comendo com os discípulos. O propósito dessas demonstrações físicas é mostrar duas coisas: primeiro, que Jesus ressuscitou fisicamente, e segundo, que ele era o mesmo Jesus que havia sido crucificado. Existe muito pouca duvida de que essas aparições aconteceram, já que é atestada na tradição Cristã antiga, citada por Paulo, que teve contato pessoal com os Doze, e é descrita independentemente por tanto Lucas quanto João” (W. L. Craig, On Guard for Students, kindle pos. 3141)

Também temos a transformação radical de Saulo de Tarso em Apostolo Paulo. De acordo com Lucas e com o próprio Paulo, Paulo era um perseguidor de Cristãos que estava disposto a matar qualquer um que professasse Jesus como Deus e Messias. Mas, o que explicaria tal transformação de Saulo em Paulo? O critério de embaraçamento também pode estabelecer esse fato, já que seria estranho dizer que um dos lideres do Cristianismo era um perseguidor de Cristãos. Alem disso, a forma como a perseguição de Paulo é descrita faz parecer que ele era famoso, e qualquer um poderia desmentir se fosse uma invenção. Sua mudança radical é atribuída por ele e por Lucas como resultado de uma experiência pessoal com uma aparição do Cristo ressurreto. Agora, isso é muito bem atestado, e mantido como certo pela vasta maioria de críticos do Novo Testamento. Ele também esteve disposto a morrer pela verdade do evangelho. Historiadores Mike Licona e Gary Habermas dizem:

“...A ressurreição de Jesus é testificada por amigos e também por inimigos. Sua crença [de Paulo] de que ele testemunhou o Cristo ressurreto era tão forte que ele, como os discípulos originais, estava disposto a sofrer continuamente, pelo bem do evangelho, mesmo ao ponto de serem martirizados. Esse ponto é bem documentado, reportado pelo próprio Paulo, assim como por Lucas, Clemente de Roma, Policarpo, Tertuliano, Dionísio de Corinto, e Orígenes. Portanto, nós temos testemunho múltiplo, antigo e de primeira mão de que Paulo se converteu de um grande oponente do Cristianismo para um dos seus grandes proponentes.” (M. Licona e G. Habermas, The Case for the Resurrection of Jesus, kindle pos. 571)

Então, a melhor explicação para a conversão radical de Paulo é que ele teve alguma experiência com Jesus vivo, após sua morte.
Peter Carnley diz

“Parece claro o bastante que, com base nessas experiencias alegadas, os discipulos estavam convictos de que eles viram o Cristo ressurreto.” (Peter Carnley, “The Structure of Resurrection Belief”, p. 64)

O critico do Novo Testamento E.P. Sanders diz:

“Que os seguidores de Jesus (e depois Paulo) tiveram experiências com a ressurreição é, em meu julgamento, um fato. Qual foi a realidade que deu origem a essas experiência seu não sei[…] Finalmente nós sabemos que após sua morte, seus seguidores experimentaram o que eles descreveram como a ‘ressurreição’: a aparição de uma pessoa viva,mas transformada, que na verdade havia morrido. Eles creram nisso, viveram isso, e eles morreram por isso.” (E.P. Sanders, “The Historical Figure of Jesus”, pp. 279, 280)

O estudioso agnóstico do Novo Testamento, Bart D. Ehrman, escreveu:

“É um fato histórico de que alguns dos seguidores de Jesus vieram a crer que ele havia sido ressuscitado dos mortos logo após sua execução.” (Bart D. Ehrman, “The New Testament: A Historical Introduction to the Early Christian Writings”, p. 276)

As aparições pós-morte são tão bem estabelecidas como fato histórico, que até mesmo o critico ateu do Novo Testamento, Gerd Lüdemann, diz:

“Pode-se considerar historicamente certo de que Pedro e os discípulos tiveram experiências após a morte de Jesus, onde este apareceu como o Cristo ressurreto” (Gerd Lüdemann, “What Really Happened to Jesus?”, p. 8.)

Historiador N. T. Wright, ao final de sua obra de mil páginas concluiu que a tumba vazia e as aparições pós-morte de Jesus estão “no mesmo tipo de categoria que a morte de Augusto em 14 d.C. ou a queda de Jerusalém em 70 d.C., isto é, no de uma probabilidade histórica tão alta que é praticamente certa.” (N. T. Wright, A Ressurreição do Filho de Deus, p. 975)

Conclusão


A vasta maioria dos historiadores e críticos do Novo Testamento concordam que houve um grande numero de aparições de Jesus após a sua morte. Isso se deve a evidências como a credibilidade da aparição aos quinhentos, a Pedro, Tiago e Paulo. Tais aparições são atestadas em fontes antigas (o credo citado por Paulo em 1 Coríntios 15) e por fontes múltiplas. Alem de terem apoio secundário de evidências que tem apoio dos critérios de atestação múltipla e extra-bíblica, de testemunhas oculares, atestação embaraçosa.

Bibliografia


N. T. Wright, "A Ressurreição do Filho de Deus"
Michael Licona e Gary Habermas, "The Case for the Resurrection of Jesus"
William Lane Craig, "Apologética Contemporânea"
Craig, "On Guard for Students"
Josh e Sean McDowell, "Evidências da Ressurreição" 

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