sábado, 26 de março de 2016

A Ressurreição de Jesus #2 - A Evidência da Tumba Vazia


Outra evidência que deve ser considerada quando falamos da ressurreição, é a tumba vazia de Jesus. De acordo com os evangelhos, Jesus foi sepultado pelo empréstimo de uma tumba por parte de um membro do Sinédrio Judeu chamado José de Arimatéia. Essa tumba foi encontrada vazia por um grupo de mulheres que eram suas seguidoras.

A Evidência da Tumba Vazia


O Sepultamento por José de Arimatéia


Pouco é discutido sobre esse fato. Historiadores geralmente estão de acordo que José de Arimatéia cedeu uma tumba para que Jesus fosse sepultado. De fato, John A. T. Robinson, já falecido estudioso do Novo Testamento diz que o sepultamento de Jesus é “um dos fatos mais antigos e bem atestados sobre Jesus.” (The Human Face of God, p. 131)
A razão para essa aceitação unanime vem de cinco evidências: Primeiro, é multiplamente atestado nos quatro evangelhos. Segundo, faz parte do material antigo usado por Marcos, o qual historiadores chamam de Q. Terceiro, é dito na tradição antiga citada por Paulo em 1 Coríntios 15:3-5, que data de no máximo cinco anos após a morte de Jesus, o que é muito pouco tempo para o surgimento de lendas. Quarto, não existe nenhuma história para competir com essa, o que significa que, se fosse um mito criado, era de se esperar que tivessem registros da história verdadeira. Por fim, a história passa pelo critério do embaraçamento, já que seria vergonhoso para os discípulos inventarem a história de que um membro dos inimigos de Jesus emprestou uma tumba. Imagine colocar o nome de um dos membros do Sinédrio Judaico que não existe e nenhum dos membros, inimigos de Jesus, reportar tal feito.
John Dominic Crossan, do Seminário Jesus, duvida da veracidade do sepultamento. Ele diz que é mais provável que Jesus tenha sido deixado na cruz e depois comigo por cães. Porem, isso vai contra a opinião da maioria dos historiadores, e não tem suporte de nenhuma evidência. Teólogo especializado nos estudos da ressurreição, William Lane Craig, comenta:

“Estou perfeitamente ciente de que a grande maioria dos críticos do Novo Testamento afirma a historicidade da afirmação do Evangelho de que o cadáver de Jesus foi enterrado em um sepulcro de um membro do Sinédrio judeu, José de Arimatéia. Por isso, pergunto-me, desconcertado, por que um proeminente estudioso como Crossan confrontaria o consenso dos acadêmicos com respeito a essa questão [...] Você pode imaginar o meu desapontamento quanto, consultando as obras de Crossan, descobri que ele não tinha nenhuma evidência particular, e muito menos convincente para essa alegação; na verdade, era apenas um palpite seu sobre o que aconteceu com o corpo de Jesus.” (William Lane Craig, “Did Jesus Rise from the Dead?”, Jesus Under Fire, p. 142)

Raymond Brown diz:

“O fato de que Jesus foi sepultado é historicamente certo [...] o fato de que esse sepultamento foi feito por José de Arimateia é muito provável” (The Death of the Messiah, v. 2, p. 1240)

O sepultamento de Jesus é um fato bem estabelecido historicamente. Isso é de extrema importância, pois mostra que as pessoas da época, tanto as autoridades quanto os discípulos sabiam onde Jesus havia sido sepultado. Com isso, eliminamos a teoria de que as mulheres foram à tumba errada.

A tumba vazia – Critério de historicidade #1 – A história é embaraçosa


Para um judeu, seria extremamente embaraçoso reportar que mulheres foram as primeiras descobridoras da tumba vazia. Esse fato é importante, pois demonstra que não foi algo inventado. Se fosse, qualquer um teria colocado Pedro, João ou qualquer outro discípulo homem como testemunha. De fato, Celso, em 177 d.C. usou esse fato para tentar refutar o cristianismo. (Origen: Contra Celsim 2.55) Flávio Joséfo, no primeiro século escreveu:

“Mas não deixe o testemunho de mulheres ser admitido, por causa da leviandade e ousadia de seu sexo” (Antiguidades, 4.8.15)

O Talmude também diz:

“Qualquer evidência que uma mulher [der] não é valido” (Talmude, Rosh Hashana 1.8c)

Rabbi Eleazar também:

“Que as palavras da Lei sejam queimadas antes de serem dadas à uma mulher”

De fato, isso era tão embaraçoso, que até mesmo a tradição citada por Paulo e os sermões em Atos tentam esconder esse fato (1 Corintios 15; Atos 2:22-36; 10:28-47; 17:22-35; 26:2-23). Mas, nos Evangelhos, como biografias de Jesus, tal fato não poderia ser pulado. Richard Bauckham diz;

“Nessas histórias às mulheres são dadas a prioridade por Deus como recipientes da revelação e, portanto o papel de mediadoras nessa revelação aos homens” (Gospel Women, p. 275)

Historiador N. T. Wright diz:

“Como historiadores, nós somos obrigados a comentar que se essas histórias tivessem sido inventadas cinco anos depois, imagine trinta, quarenta ou cinquenta anos depois, eles nunca teriam colocado Maria Madalena nesse papel. Colocar Maria quer dizer, do ponto de vista do apologista Cristão querendo explicar a uma audiência cética que Jesus realmente ressuscitou dos mortos, é a mesma coisa que atirar nos próprios pés. Mas para nós historiadores esse tipo de coisa é poeira de ouro. Os primeiros Cristãos nunca, jamais teriam inventado isso” (There is a God, p. 207)

Mike Licona diz:

“... mesmo que os discípulos tivessem fugido de Jerusalem, José de Arimateia ou Nicodemus teriam sido candidatos melhores do que mulheres para descobrir a tumba vazia.” (The Resurrection of Jesus, p. 354)

Pode ser respondido que as histórias do sepulcro vazio são contraditórias à respeito das mulheres que o encontram. Porem, isso é irrelevante, já que historiadores se preocupam com o principal da história, não com os detalhes secundários, como quais mulheres ou quantas mulheres. Historiador Michael Grant comenta:

“É verdade que a descoberta da tumba vazia é descrita de forma diferente pelos vários Evangelhos. Mas, se nós aplicarmos os mesmos critérios que nós aplicaríamos a qualquer outra fonte de literatura antiga, então a evidência é firme e plausível o bastante para implicar a conclusão de que a tumba foi de fato encontrada vazia” (Jesus: Na Historian’s Review of the Gospels, p. 176)

Critério de historicidade #2 – Fonte antiga


Quanto mais próxima do evento, mais provável a fonte é de estar contando a verdade. Considere a tradição citada por Paulo em 1 Coríntios 15:

Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,
E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze.
Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também.
Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos.
1 Coríntios 15:3-7

Note que a formula utilizada por Paulo pressupõe que a tumba estivesse vazia:

- e que foi sepultado
- e que ressuscitou

Ninguém iria clamar uma ressurreição se o sepulcro ainda estivesse ocupado. Historiadores estão certos também de que essa tradição citada por Paulo remonta aos primeiros anos do Cristianismo. Paulo deve ter recebido essa tradição em Jerusalém em 36 d.C. (Gálatas 1:18) ou possivelmente em sua visita a Damasco, logo depois de sua conversão. Isso por causa das palavras rabínicas que ele utilizou, como “entreguei” e “recebi”. Além disso, ele usa o aramaico “Cephas” para falar de Pedro (v. 5) e toda a tradição, no grego, possui menos de 50 palavras. Esse credo não foi escrito assim por assim por acaso. Era uma formula rápida, com paralelismo, usada naquele tempo para a catequização dos novos Cristãos.
É importante pensar também: Como a história da ressurreição iria se espalhar se a tumba ainda estivesse ocupada? Como dito acima, os discípulos sabiam onde Jesus estava sepultado, pois foi em um sepulcro de um dos membros do Sinédrio Judaico. Como Dr. Craig explica:

“... os discípulos não teriam crido na ressurreição de Jesus se seu corpo ainda estivesse na tumba. Isso seria totalmente não-Judaico, pra não dizer estupido, crer que um homem foi ressuscitado dos mortos quando seu corpo ainda estava no tumulo. [...] mesmo se os discípulos tivessem pregado a ressurreição de Jesus com a tumba ocupada, assustadoramente ninguém mais teria crido neles. Um dos fatos mais marcantes sobre a crença primitiva Cristã na ressurreição foi que ela floresceu na exata cidade em que Jesus foi publicamente crucificado. Enquanto as pessoas em Jerusalém pensassem que o corpo de Jesus ainda estava na tumba, poucos estariam preparados para crer em algo tão sem sentido quanto Jesus ter ressuscitado dos mortos. E terceiro, mesmo se eles tivessem crido, as autoridades Judaicas teriam exposto tudo simplesmente apontando para a tumba de Jesus ou exumando o corpo como prova decisiva de que Jesus não havia ressuscitado.” (W. L. Craig, “On Guard for Students: A Thinker’s Guide to the Christian Faith”, kindle pos. 2916)

Dr. Paul Maier também argumenta:

“Onde começou o cristianismo? A esta pergunta, a resposta deve ser: ‘Um único lugar na terra – a cidade de Jerusalém’. Mas este é o ultimo lugar onde ele poderia ter começado, se o sepulcro de Jesus tivesse permanecido ocupado, uma vez que alguém que apresentasse um Jesus morto teria atravessado com uma estaca de madeira o coração de um cristianismo incipiente, inflamado pela sua suposta ressurreição. O que aconteceu em Jerusalém, sete semanas depois da primeira Páscoa, só poderia ter acontecido se o corpo de Jesus, de alguma maneira, tivesse desaparecido do sepulcro de José, pois caso contrário o estabelecimento do Tempo, em seu imbróglio com os apóstolos, teria simplesmente abortado o movimento, fazendo uma curta jornada ao sepulcro de José de Arimateia e revelado a Prova A. Isso não acontece, porque eles sabiam que o sepulcro estava vazio” (The Empty Tomb as History, v. 19, p. 5)

Stephen Davis também observa:

“A proclamação cristã antiga da ressurreição de Jesus em Jerusalém teria sido psicologicamente e apologeticamente impossível, sem uma certeza segura de um sepulcro vazio.” (Risen Indeed, p. 79)

Critério de historicidade #3 – Múltipla atestação


A história da tumba vazia é atestada multiplamente pelos quatro Evangelhos e pelo credo antigo citado por Paulo. Também esta provavelmente nas fontes usadas pelos evangelistas, nomeadas de Q, L  e M. Historiador Gary Habermas comenta que “a tumba vazia é reportada em pelo menos três, se não quatro, dessas fontes do Evangelho. Isso ajuda a entender por que esses itens são levados tão a sério pela critica acadêmica contemporânea.” (Habermas, Recent Perspectives on the Reliability of the Gospels, http://www.garyhabermas.com/articles/crj_recentperspectives/crj_recentperspectives.htm)
Mas deixando isso de lado, também existe a evidência de Justino Mártir, escrevendo em 130 d.C. Josh e Sean McDowell expõem o escrito de Mártir dizendo que ele “narra que as autoridades de Jerusalém enviaram representantes especiais por todo o mundo mediterrâneo, a fim de refutar a história do sepulcro vazio com a explicação de que os seus seguidores haviam roubado o corpo.” (Dialogue with Trypho, citado em “Evidências da Ressurreição”, kindle pos. 2765). Também é atestado por Tertuliano (On Spectacles, 30)
Isso vem de fontes extra-bíblicas, que afirmam a mesma história de Mateus:

E, quando iam, eis que alguns da guarda, chegando à cidade, anunciaram aos príncipes dos sacerdotes todas as coisas que haviam acontecido.
E, congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados,
Dizendo: Dizei: Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram.
E, se isto chegar a ser ouvido pelo presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança.
E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado este dito entre os judeus, até ao dia de hoje.
Mateus 28:11-15

Mas, por que inventar tal história se, de fato, a tumba não estava vazia?
Alguns podem protestar dizendo que a história dos guardas é atestada apenas em Mateus, e contem alguns sinais de embelezamento com a história dos anjos, o que a torna provavelmente em uma invenção de Mateus para sua apologética da tumba vazia. Porem, John Wenham argumenta que tal história não pode ser uma invenção, pois ela “apresenta abundância de improbabilidade em todos os lados: a visita ao governador no sábado, o grande terremoto, o anjo como um relâmpago rolando a pedra, a narrativa aos principais dos sacerdotes, o suborno aos soldados para contar a história de que haviam dormido em serviço – tudo convida não à crença, mas a incredulidade. E como é estupido, tendo introduzido a útil ideia apologética de um sepulcro fortemente guardado, dar um pretexto à oposição, sugerindo que os guardas não haviam feito o seu trabalho! É uma apologética cristã inútil, qualquer que seja a data em que foi escrita, a menos que seja inegavelmente verdade.”
De fato, por que Mateus citaria a teoria rival, que poderia gerar duvida nas pessoas, e faze-las pensar que essa hipótese era mais plausível do que a ressurreição? Também há uma outra evidência, da Inscrição de Nazaré por volta de 41 d.C., que é um decreto Imperial, que diz:

Decreto de César: É meu prazer que tumbas e sepulturas permaneçam perpetuamente imperturbadas por aqueles que as construíram para o culto aos seus ancestrais, aos filhos ou aos membros de sua casa. Se, porém, qualquer um fizer acusação de que outro as destruiu ou que, de alguma maneira, tenha extraído o sepultado, ou o tenha maliciosamente transferido para outro lugar com o objetivo de fazer-lhe mal, ou que tenha substituído o selo por um outro, contra este ordeno que seja constituído um tribunal, tanto com relação aos deuses, como em relação ao culto aos mortais. Pois é muito mais obrigatório honrar os sepultados. Que seja absolutamente proibido a qualquer um perturbá-los. Em caso de violação, desejo que o ofensor seja sentenciado à pena capital ou considerado culpado de violação de sepulcro.

Note que a punição para o saqueamento de uma tumba é a morte. O que é muito além do que os romanos fariam em caso de um roubo. Suetônio disse na época:

“Já que Judeus constantemente fazem motins na instigação de Crestos*, ele [Cláudio] expulsou-os de Roma” (Life of Claudius 25.4)

Não haveria motivo algum para o decreto imperial sobre o tumulo roubado, se os Judeus estivessem em Roma pregando a ressurreição e a tumba estivesse com o corpo. Mas como então o corpo sumiu? Não podem ter sido os Romanos, pois eles nem ligariam pra isso. Os Judeus muito menos, pois queriam que Jesus fosse esquecido. Os Cristãos? Improvavel, já que eles estavam envergonhados e sem esperança, após ver seu líder morto vergonhosamente. Além disso, por que espalhar a teoria dos seus rivais, acusando-os de roubo do corpo do Messias?
De acordo com Jakob Kremer, especialista austríaco na ressurreição, diz:

“de longe, a maioria dos exegetas sustentam firmemente a confiabilidade das afirmações bíblicas a respeito do túmulo vazio” (Jakob Kremer, “Die Osterevangelien–Geschichten um Geschichte”, pp. 49-50)

Por essas e outras que William Ward, da Universidade de Oxford, disse:

“Todas as evidências estritamente históricas que temos são a favor [da tumba vazia], aqueles estudiosos que a rejeitam deveriam reconhecer que eles o fazem com outra base que não é a da história cientifica.” (William Ward, “Christianity: A Historical Religion?”, p. 93-94)

Historiador agnóstico Bart Ehrman também admite:

“Os relatos mais antigos que temos são unanimes em dizer que Jesus foi de fato sepultado por esse sujeito, José de Arimateia, e assim é relativamente seguro que isso foi o que de fato aconteceu. Também temos tradições sólidas para indicar que as mulheres encontraram esse túmulo vazio três dias depois.” (From Jesus to Constantine: a history of early Christianity, Lecture 4: “Oral and written traditions about Jesus”)

D. H. Van Daalen diz:

“É extremamente difícil refutar com base histórica que a tumba estava vazia; aqueles que negam, o fazem com base em pressuposições filosóficas ou teológicas” (The real ressurrection, p. 41)

Conclusão


A tumba vazia tem suporte histórico de evidências como o conhecimento da população de onde Jesus havia sido sepultado, do testemunho embaraçoso das mulheres, da impossibilidade de se proclamar uma ressurreição com o corpo ainda na tumba, do credo antigo citado por Paulo em 1 Coríntios 15, da múltipla atestação no Novo Testamento e da antiga controvérsia judaica, que dizia que os discípulos haviam roubado o corpo.

Bibliografia


William Lane Craig, “On Guard for Students”
Craig, “Apologética Contemporânea: A Veracidade da Fé Cristã”
Sean McDowell e Josh McDowell, “Evidências da Ressurreição”
Norman Geisler e Frank Turek, “Não tenho fé suficiente para ser ateu”


*Crestos era uma pronuncia errada de Cristo dos Romanos.


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