sábado, 26 de março de 2016

A Ressurreição de Jesus #1 - A Evidência da Crucificação


Para começar a investigação histórica da ressurreição de Jesus, a pergunta que devemos fazer a principio é: Jesus foi crucificado? Se Jesus não foi crucificado, isso pode significar duas coisas: Ou o Islamismo é verdadeiro (já que afirma que Jesus não morreu e nem foi crucificado), ou essa história nos evangelhos é falsa.

A Evidência da Crucificação


Critério de historicidade #1 – Múltipla atestação


Existe um numero enorme de fontes antigas que dizem que Jesus foi crucificado. Primeiro, todas as biografias de Jesus concordam que ele foi crucificado a mando de Poncio Pilatos:

E era a hora terceira, e o crucificaram.
Marcos 15:25

E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota,
Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.
João 19:17,18

E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.
Lucas 23:33

E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes.
Mateus 27:35

Também é atestado de forma independente por Paulo ao longo de suas cartas, e por Lucas em Atos:

Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
Atos 2:36

Também é algo confirmado por fontes extra-bíblicas, como Joséfo, Mara-Bar Serapian e outros:

“Quando Pilatos, ouvindo ele ser acusado por homens do mais alto ranking entre nós, o condenou a ser crucificado...” [Flávio Joséfo, Antiguidades, 18.63-64]

“Christos, de quem o nome [Cristãos] se originou, sofreu uma penalidade extrema durante o reinado de Tibério, nas mãos de um de nossos procuradores, Pôncio Pilatos.” [Cornélio Tácito, The Annals 15:44]

“Os Cristãos, você sabe, adoram um homem até o dia de hoje – o personagem distinto que introduziu seus ritos, e foi crucificado nisso” [Luciano de Samósata, The Death of Peregrine 11-13]

“Que vantagem veio aos Judeus em matar seu Rei Sábio*, vendo que à partir disso seu reino foi levado para longe deles?” [Documento no Museu Britânico, Manuscrito Sírio 14,658]

Alguém pode protestar dizendo, “mas Mara não menciona a crucificação”. Porem, historiadores Mike Licona e Garry Habermas comentam que, “apesar de Mara não mencionar a crucificação como o modo da execução de Jesus, ele menciona que ele foi morto.” Alem disso, eles continuam expondo que “[o] Talmude registra que ‘na véspera da Páscoa Yeshu foi suspendido’. Yeshu é Joshua em Hebraico. O equivalente em Grego a Iesous ou Jesus. Ser suspendido em uma arvore era usado para descrever a crucificação na antiguidade. Claramente, a morte de Jesus por crucificação é um fato histórico com suporte de considerável evidência.” (M. Licona, G. Habermas, “The Case for the Resurrection of Jesus”, kindle pos. 386)

Critério de historicidade #2 – Fato Embaraçoso.


Não apenas tal fato tem multiplas fontes independents, tanto Bíblicas quanto extra-bíblicas, como também é confirmado pelo critério de embaraçamento.  Pense nisso: Por que cristãos ou judeus criariam uma história onde seu líder morre de forma vergonhosa. E mais, de forma que os judeus criam ser a de alguém que estava sob a maldição de Deus (Deuteronômio 21:22-23). Até mesmo o historiador agnóstico Bart Ehrman concorda dizendo:

“Aspectos da história de Jesus simplesmente não teriam sido inventados por ninguém querendo inventar um novo Salvador. Os primeiros seguidores de Jesus declararam que ele foi um messias crucificado [...] porque eles criam especificamente que Jesus era o Messias. E eles sabiam muito bem que ele havia sido crucificado.” (Bart Ehrman, “Did Jesus Exist?”, http://www.huffingtonpost.com/bart-d-ehrman/did-jesus-exist_b_1349544.html [acesso 26 de março de 2016])

Critério de historicidade #3 – Coerência


Tal fato esta de acordo com o que sabemos da época e contexto histórico. Ninguém poderia argumentar que Judeus não eram crucificados naquela época também. Temos escrito por Joséfo dizendo que isso, de fato, ocorria:

“Os Judeus são tão cuidadosos em seus ritos funerários que até mesmo malfeitores que haviam sido sentenciados a crucificação eram levados e enterrados antes do por do sol” (Josefo, Jewish War, 4.317)

Historiador John Dickson procede:

“Judeus eram alguns dos mais crucificados na antiguidade. Sabemos de dois mil Judeus crucificados por Varus em 4 a.C. Outros dois, chamados Tiago e Simão crucificados […] e 500 eram crucificados por dia durante a queda de Jerusalém em 70 d.C. Temos até mesmo evidencias de Judeus crucificando Judeus. Alexander Jannaeus, governante e sumo sacerdote de Jerusalém, crucificou 800 fariseus em um dia.” (Jesus Never existed? - https://www.youtube.com/watch?v=5xx4C0w2864 [5:37])

Raymond Brown também diz:

“Quanto à crucificação pelos judeus, uma das mais antigas referências à pratica é a execução no inicio do século I a.C., de 800 prisioneiros por Alexandre Janeu. Quando os exércitos romanos começaram a interferir na Judeus, a crucificação de judeus passou a ser uma questão de procedimento; por exemplo, o governador da Síria crucificou dois mil judeus em 4 a.C. No século I d.C., Jesus é o primeiro judeu que sabemos que foi crucificado. Sem considerar a crucificação de Jesus, Joséfo não registra nenhuma crucificação de judeus durante a primeira parte da jurisdição romana na Judéia (6-40 d.C.), embora haja ampla comprovação da prática da crucificação durante a segunda parte dessa jurisdição (44-66)” (Raymond Brown, “The Death of the Messiah”, v. 2, p. 946)

Historiador Luke Johnson diz:

“A evidência para o modo de sua morte, seus agentes, e talvez coagentes, é esmagadora: Jesus encarou julgamento antes de sua morte, foi condenado e executado por crucificação” (Luke Timothy Johnson, “The Real Jesus”, p. 125)

A historiadora Paula Frederickson diz:

“A crucificação é o fato particular mais forte que temos sobre Jesus” (Paula Frederickson, observação durante uma discussão na sessão “The Historical Jesus” no encontro anual da Society of Biblical Literature, 22 de Novembro de 1999)

Até mesmo o radical John Dominic Crossan diz:

“Que ele [Jesus] foi crucificado é tão certo quanto qualquer coisa histórica pode ser.” (John Dominic Crossan, “Jesus: A Revolutionary Biography”, p. 145)

Poderia Jesus sobreviver?


Teria Jesus sobrevivido? Provavelmente não. A crucificação era brutal em todos os aspectos possíveis e imagináveis. Cícero chamou a crucificação de “a mais cruel e medonha das torturar” (Vin Verrem)
Flávio Joséfo chamava as mortes por crucificação de “as mortes mais infelizes” (De Bello Judaico, v. 7)
O médico Alexander Metherell que também se especializou no assunto diz:

“A dor era completamente insuportável. Na realidade, era impossível descrevê-la com palavras; foi necessário inventar uma nova palavra: excruciante. Literalmente, excruciante quer dizer ‘devido à cruz’. Pense nisso: eles precisaram criar uma palavra nova, porque não havia nada no idioma que pudesse descrever a intensa angústia causada durante a crucificação” (Entrevistado por Lee Strobel, “Em Defesa de Cristo”)

Um artigo do Journal of the American Medical Association [Jornal da Associação Médica Americana] colocou da seguinte forma:

“Como os soldador romanos atingiam repetidas vezes as costas da vitima com muita força, as esferas de ferro podiam causar profundas contusões e as tiras de couro e os ossos pontiagudos cortavam a pele e os tecidos subcutâneos. Então, à medida que continuava o açoitamento as lacerações chegavam aos músculos que sustentam o esqueleto e exibiam tirar trêmulas de carne ensangüentada” (William Edwards, Wesley Gabel e Floyd Hosmer, “On the Physical Death of Jesus Christ”, Journal of the American Medical Association, v. 255, n 11, 21 de março de 1986)

Lemos também em Martírio de Policarpo:

“Pois mesmo quando eles [os cristãos] estavam tão dilacerados pelos açoites que a estrutura interna de sua carne estava visível, as próprias veias e artérias mais internas, suportavam tão pacientemente o açoitamento que até mesmo os espectadores sentiam pena e choravam” (Citado em Michael Holmes, The Apostolic Fathers: Greek Texts and English Translations, p 227)

Dr. Smalhout também comenta sobre a dor que os pregos nos pulsos** poderiam causar:

“Um dos nervos principais, o mediano, passa pela junta do pulso [...] o prego quase sempre entrava em contato com esse nervo. Tocar ou ferir um nervo é algo que causa a máxima dor possível” (The Terrible Easter of A.D 33, p. 4)

Evidência dos ossos encontrados de Yohanan confirmam que aqueles que ainda estavam vivos tinham as pernas quebradas. Suas pernas, diz o Dr. N. Haas, foram quebradas por um golpe de misericórdia. Ele diz que “a percussão, passando pelos ossos já esmagados da panturrilha direita, foi um golpe duro e cruel para a esquerda, por estarem presas à cruz de madeira de extremidades afiadas” (N. Haas, “Anthropological Observations on the Skeletal Remains from Giv’ at há-Mivtar”, Israel Exploration Journal v.20, p.57)
Temos também evidências de Cícero (Orações, Sermão 13, 12:27) e do Evangelho apócrifo de Pedro (4:14).
É impossível sobreviver a tal tortura. E o fato de não terem quebrado suas pernas (para que morresse mais rápido) confirma sua morte na cruz.
Mas, pelo bem do argumento, suponhamos que Jesus tenha sobrevivido e, por algum milagre, conseguido sair de sua tumba. Seus discípulos o veriam com o corpo todo destruído e... diriam que Deus o havia ressuscitado?

Poderia Jesus ter sido substituído na cruz?


Não, pelo simples fato de que sua mãe o reconheceria, seus discípulos o reconheceriam, as autoridades judaicas o reconheceriam e qualquer ser humano com olhos o reconheceria e não teria dito que ele ressuscitou dos mortos depois. Alem disso, essa hipótese é ad hoc, pois postula que houve mais alguém que substitui Jesus enquanto ninguém soube ou percebeu.

Conclusão


Existem evidências sólidas de que Jesus, de fato, foi crucificado. Isso não apenas confirma um dos fatos sobre Jesus que temos nos evangelhos, como também é fatal para o Islamismo. De acordo com o Corão:


“E por terem dito: ‘Matamos o Messias, Jesus, o filho de Maria, o Mensageiro de Deus’, quando na realidade, não o mataram nem o crucificaram: imaginaram apenas tê-lo feito. E aqueles que disputam sobre ele estão na dúvida acerca de sua morte, pois não possuem conhecimento certo, mas apenas conjecturas. Certamente, não o mataram. Antes Deus o elevou até Ele. Deus é poderoso e sábio.” (4:157-158)

A importância de tal fato também confirma os dizeres de Jesus. Por que mais ele iria a julgamento e seria crucificado? Temos múltipla atestação também de que a acusação foi a de ser “REI DOS JUDEUS”. Em suma, Jesus morreu na cruz. O que aconteceu depois é o que é importante para nós.

Fontes


Apologétics Guy, Is Good Friday a Myth?, http://www.apologeticsguy.com/2013/03/good-friday-jesus-myth/ (acesso 26 de Março de 2016)
Mike Licona e Gary Habermas, “The Case for the Resurrection of Jesus”
Lee Strobel, "Em Defesa de Cristo"
Josh McDowell e Sean McDowell, “Evidência da Ressurreição” (CPAD).

Notas


*“Rei sábio” é o nome que Flávio Joséfo também da a Jesus em Antiguidades 18.3.3 63-64
* Na época, a palavra "mão" era mais do que a palma e os dedos, mas englobava o pulso e mais um pouco também. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário