sábado, 27 de fevereiro de 2016

O Propósito, os Limites e a Suficiência dos Argumentos da Teologia Natural


Uma das principais acusações contra o método tradicional de se fazer apologética é a de que os argumentos da teologia natural (cosmológico, teleológico, ontológico, etc) são insuficientes para demonstrar a verdade do Deus da Bíblia. No texto a seguir, vou demonstrar como essa afirmação esta equivocada.

O Propósito, os Limites e a Suficiência dos Argumentos da Teologia Natural


O Propósito dos argumentos


Cada argumento feito na defesa da existência de Deus tem um propósito especifico. Considere por exemplo o argumento cosmológico: Ele nos leva a conclusão de que existe uma causa transcendente e pessoal do universo. O argumento teleológico nos leva a conclusão de que há um Designer do universo. O argumento moral nos leva a conclusão de que existe um Legislador moralmente perfeito da Lei Moral.
Nenhum desses argumentos pressupõe que Deus existe. Se as premissas deles forem verdadeiras, então a conclusão necessariamente se segue. Você gostando ou não. Você sendo ateu ou não.
Um erro que já vi alguns cometendo é o de dizer que esses argumentos sempre são válidos para o teísta, mas o ateísta pode levantar uma explicação satisfatória para a visão de mundo dele. Porem, o propósito do argumento é justamente derrubar essas explicações naturalistas.
Veja como exemplo o argumento cosmológico. Se o universo (tempo, espaço e matéria) tiveram um inicio, então, necessariamente, sua causa tem que transcender esses três. A única alternativa para o ateu é dizer que, ou o universo é eterno ou que ele simplesmente brotou do nada. Nós temos evidências hoje em dia de que o universo teve um inicio absoluto em um evento conhecido como Big Bang e zero evidência de que ele é eterno.
Então, o argumento cosmológico é um exemplo bom: Ninguém pressupõe que Deus exista e que Ele causou o universo. Mas sim usa o argumento para mostrar que o efeito (tempo, espaço, matéria e natureza em geral) tiveram uma causa (atemporal, não-espacial, imaterial e sobrenatural). É um argumento, assim como todos os outros, que raciocina de efeito para causa.

Os Limites dos argumentos


Claro que todo argumento tem seu limite. Mas isso acontece em todo e qualquer tipo de apologética. Suponha que você faça apologética arqueológica e por meio de evidências demonstra que o Rei Davi, Saul, Samuel e as cidades citadas na Bíblia existiram. Isso mostra que os livros de 1 e 2 Samuel são verdadeiros? Não, pois podem ser lendas criadas em cima desses personagens. Mas o que essas evidências arqueológicas nos levam a concluir? Que tais eventos são mais prováveis de terem acontecido do que se não tivéssemos essas evidências. Para mostrar que os eventos realmente aconteceram você teria que dar alguma razão para, pelo menos, a existência de Deus.

A Suficiência dos argumentos


O argumento cosmológico nos leva a conclusão de que existe:
Um Criador (Gênesis 1:1; João 1:1)
Que transcende o espaço (Salmos 145:3; Isaías 57:15)
Que transcende o tempo (Salmos 90:2; Apocalipse 1:8)
Que transcende a matéria (João 4:24; Hebreus 12:9; Colossenses 1:15)
Todo poderoso, pra criar a partir do nada (Gênesis 18:14; Zacarias 8:6; Mateus 3:9)

O argumento teleológico nos leva a um:
Designer Inteligente do cosmos (Romanos 1:20; 11:33; Efésios 1:11; 1 Coríntios 1:30)

O argumento moral nos leva a um:
Legislador moralmente perfeito (João 3:16; 2 Timóteo 4:8; Romanos 2:6-10; Salmos 33:5; Lucas 18:18-19; 1 João 4:7)

Cada argumento tem seus propósitos. Se suas premissas forem verdadeiras, então a conclusão é inegável. Você sendo teísta, ateísta, deísta, politeísta, panteísta, ou o que quer que seja.

Conclusão


O que os argumentos da teologia natural demonstram e o que eles negam? Eles demonstram o Teísmo compatível com o Monoteísmo Cristão. E negam o Panteísmo (Se Deus fosse o universo, como teria o inicio?), o Ateísmo (Dã), o Deísmo (Um Deus que interage moralmente não pode ser deísta), o Politeísmo (Aplicando-se a Navalha de Ockham, não há necessidade de multiplicar os deuses alem de um) e qualquer tipo de “deus energia” (Um Criador Pessoal, Inteligente e Moralmente Perfeito não pode ser mera energia).
Os argumentos da teologia natural são suficientes em seu propósito. Eles abrem a porta intelectual para o Cristianismo, mesmo que a pessoa comece como uma simples teísta.

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