domingo, 17 de janeiro de 2016

O Evangelho segundo Mateus – Notas pessoais do primeiro capitulo


O Evangelho segundo Mateus – Notas pessoais do primeiro capitulo

A genealogia mostrada aqui é da parte de José. Ela é diferente da mostrada em Lucas pois esta era da parte de Maria.
“Filho de Abraão” - Leva de volta ao inicio da aliança abraamica. Isso mostra o tema judaico por trás do evangelho de Mateus.
Não era comum colocarem mulheres nas genealogias. Mas Mateus coloca Tamar (Cananéia que se disfarçou de prostituta para enganar Judá em Gênesis 38:13-30), Raabe (gentia e prostituta em Josué 2:1), Rute (adoradora de ídolos em Rute 1:3) e Bete-Seba (traiu Urias com Davi em 1 Samuel 11).
Também pode-se perceber lacunas na genealogia. No versículo 8, diz que Jorão gerou Uzias. Mas sabemos de 1 Crônicas 3:10-12 que Mateus esta pulando Acazias, Joas e Amazias. No versículo 17, aparece que Josias gerou Jeconias. Mas também sabemos por 1 Crônicas 3:14-16 que uma geração foi pulada.
A menção de Jeconias é interessante. Em Jeremias 22:30, lemos que Jeconias foi amaldiçoado:

Assim diz o Senhor: Escrevei que este homem está privado de filhos, homem que não prosperará nos seus dias; porque nenhum da sua geração prosperará, para se assentar no trono de Davi, e reinar ainda em Judá.
Jeremias 22:30

Jeconias não poderia ter descendentes que iriam se assentar no trono de Davi. Porem, José não é o pai biológico de Jesus. Assim, Jesus é o herdeiro da linhagem real, mas não filho de José.
Mateus parece dar importância para o numero 14:

De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para a babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para a babilônia até Cristo, catorze gerações.
Mateus 1:17

Isso porque na numerologia hebraica 42 (14+14+14) significava “O Plano de Deus se Desdobrando”.
Depois disso nós vemos que Maria ficou grávida e José queria acabar com o casamento antes e sem ninguém saber. O motivo disso é que naquela época a gravidez antes do casamento não era comum. Se ficassem sabendo que Maria estava grávida, e o pai não era José, ela não seria apenas mal vista, mas seria apedrejada (Deuteronômio 22:23-24). Isso mostra o quanto José amava Maria, e não queria que a julgassem dessa forma.
Depois, lemos o seguinte:

Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco.
E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher;
E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus.
Mateus 1:23-25

O contexto fala da profecia da virgem que ficaria grávida. Judeus modernos vão dizer que na profecia de Isaías 7:14 não traz a palavra “virgem”, mas sim a palavra “almah”, que, apesar de poder significar “virgem”, é mais comum para “jovem”. A palavra pra “virgem” seria “b’tulah”.
“B’tulah” aparece 51 vezes no Antigo Testamento, e é traduzida na Septuaginta 44 vezes como “parthenos”, que significa “virgem”. Já “almah”, aparece 9 vezes, e em duas dessas nove é traduzida como “parthenos” na Septuaginta. Essas duas são Gênesis 24:16 e precisamente Isaías 7:14, onde aparece a profecia.
Como a Septuaginta foi escrita antes de Jesus, isso indica que toda essa história é coisa nova, usada por judeus para negarem que Jesus cumpriu a profecia de Isaías.
Então, Mateus esta falando da profecia da virgem que daria a luz ao Messias. Como o contexto fala inteiramente da virgindade de Maria, e logo depois diz que José não a conheceu até que deu a luz a Jesus, isso implica que José e Maria tiveram relações após o nascimento de Jesus.
“Conhecer” é um eufemismo para “relações sexuais”, usado bastante na Bíblia (Gênesis 4:1; 17:25; 35:25 e Juízes 11:39). Embora alguns outros textos usem “até que” sem que haja uma mudança de estado, existem vários outros que usam e mostram uma mudança (Atos 20:11; 23:12 e Apocalipse 7:3, por exemplo). Então, eu não vejo razão alguma pare pensar que os dois não tiveram relações depois de Jesus nascer.
Não creio que a perpetua virgindade de Maria seja importante. Nem que a evidência das Escrituras seja conclusiva. Mas uma leitura comum da Bíblia parece indicar que sim.
O nome “Emanuel” significa “Deus conosco”, e “Jesus” significa “O Senhor Salvador”. Adeptos ao nome “Yehoshua” vão dizer que “Iesus” é um nome pagão, que vem do “deus-cavalo”, onde ye = Deus e sus = cavalo.
Essa interpretação é impossível, pois “Iesus” é um nome grego, mas eles usam o significado hebraico. Alem disso, “cavalo” em grego é “hyppos”, não “sus”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário