terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Pode um Cristão perder a salvação?


A resposta simples é... não. A ideia de poder perder a salvação não faz sentido à luz das Escrituras e do poder de Deus.
Agora, qualquer um que me conheça sabe que não sou Calvinista. Mas eu sou o que pode se chamar de “Molinista Calvinístico” (ou algo assim). Creio que faz mais sentido. Porem, se você chegar a uma conclusão diferente de mim, “sem pobrema”.

Pode um Cristão perder a salvação?


Podemos ter certeza da salvação?


Absolutamente. Isso porque não é trabalho nosso, mas de Cristo. De fato, Deus quer que tenhamos certeza da nossa salvação:

E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho.
Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus.
1 João 5:11-13

E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa.
Atos 16:31

Nossa salvação vem única a exclusivamente de Jesus Cristo. Se nós podemos perder a salvação, então nunca podemos ter certeza dela, pois sempre vamos ficar preocupados com o que fazemos. De fato, se algo que fizermos ou deixarmos de fazer tira a nossa salvação, então nossa garantia de salvação não era por meio de Cristo, mas de obras nossas. Dizer que há um só pecado na vida que pode tirar nossa salvação é dizer que houveram pecados que o sacrifício de Jesus não pagou.

E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.
João 10:28,29

Objeções


Agora, alguns podem objetar contra essa idéia dizendo que existem versículos que dizem que “podemos perder a salvação”. Versos como:

Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo,
E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,
E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.
Hebreus 6:4-6

Mas, essa passagem não fala de perda de salvação. Mas sim daqueles que conhecem a verdade e não vem a Cristo. Como John MacArthur colocou:

“Nessa passagem, o escritor de Hebreus esta falando aos não-salvos que ouviram a verdade e a reconhecerem, mas que hesitaram em abraçar Cristo. O Espírito Santo os alertava, ‘Melhor vocês virem para Cristo agora, pois se vocês caírem será impossível para vocês voltarem ao ponto de arrependimento.’ Eles estavam no melhor ponto para o arrependimento – tinham o conhecimento. Cair dali seria fatal.” [Grace to You, “Hebrews 6 and the Loss of Salvation” (acesso 29 de dezembro de 2015)]

O mesmo vale pro seguinte:

Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados
Hebreus 10:26

E quanto a perseverança? Jesus diz em Mateus:

Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.
Mateus 24:13

Esse verso esta falando da tribulação final, não de justificação. João 10:28 diz que Ele “da vida eterna, e nunca perecerão”.
Alem disso, existe um principio de interpretação Bíblica que diz o seguinte: Se uma passagem pode ser interpretada de duas formas, então deve ser interpretada à luz das passagens que só podem ser interpretadas de uma forma.

Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei.
Hebreus 13:5

Se a salvação fosse “perdível”, então Deus teria que nos deixar e nos desamparar. Mas, claramente o texto diz o contrario.
É claro, isso não é passe livre para pecar. Se você tem uma vida de pecados propositais e constante, então simplesmente nunca foi cristão e salvo. Como João diz:

Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade.
1 João 2:4

Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.
1 João 2:19

A salvação vem por meio de Cristo. A certeza vem dos frutos do Espírito. Como Apostolo Paulo colocou:

Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem;
idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções
e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.
Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade,
mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.
Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos.
Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.
Gálatas 5:19-25

Veja o que Efésios diz:

Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus
Efésios 6:17

A Bíblia de Estudo MacArthur comenta:

“O capacete protegia a cabeça, sempre o principal alvo durante a batalha. Paulo esta falando para aqueles que já são salvos, e, portanto, não está falando aqui a respeito de obter a salvação. Ao contrario, Satanás busca destruir a certeza da salvação do cristão com suas armas da duvida e do desencorajamento. Isso está claro na referencia de Paulo ao ‘capacete da salvação’ (Is 59.17) [...] Porem, apesar dos sentimentos do cristão quanto à sua salvação poderem ser seriamente prejudicados pela duvida lançada por Satanás, a sua salvação em si esta protegida eternamente e ele não deve temer perdê-la. Satanás quer amaldiçoar o cristão com duvidas, porém o cristão pode permanecer firme nas promessas de Deus a respeito da salvação eterna na Escritura. [...] A segurança é um fato; a certeza é um sentimento que sobrevém ao cristão obediente” [Bíblia de Estudo MacArthur, Comentário a Efésios 6:17, “o capacete da salvação”, p. 1612]

Como um molinista vê a predestinação


Molinismo é a combinação perfeita entre a soberania de Deus e o livre-arbitrio humano. Eu diria que a maioria dos críticos (como James White e John Piper) não sabem como ele funciona. Apesar de eu planejar falar disso em mais detalhes depois, acho que esse resumo básico funciona:

Momento 1: Conhecimento Natural – Deus sabe todos os mundos possíveis

Momento 2: Conhecimento Médio – Deus sabe todos os mundos realizáveis que Ele pode criar – Criação do mundo real

Momento 3: Conhecimento Livre – Deus sabe todas as verdades sobre o mundo real.

Kenneth Keathley coloca dessa forma:

“... De um conjunto infinito de mundos possíveis que poderiam acontecer (Conhecimento natural de Deus) há um subconjunto infinito de mundos realizáveis que podem realizar a Sua vontade (conhecimento médio). Deus livremente escolhe um desses mundos realizáveis e Ele perfeitamente sabe o que vai acontecer nesse mundo real (conhecimento livre). Em um modelo Molinista, a soberania de Deus controla todas as coisas, ainda assim humanos possuem real liberdade para que eles possam ser responsabilizados.” [Kenneth Keathley, “Salvation and Sovereignty: A Molinist Account”, Kindle Pos. 385-388]

Então, desde antes da criação Deus já sabia aqueles que livremente escolheriam Cristo e que perseverariam, e esses são os eleitos. Deus quer se relacionar com todos, mas apenas aqueles que querem se relacionar com Ele são eleitos.
E é exatamente isso que a Confissão de fé de Westminter diz:


“Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.” [Confissão de Fé de Westminter, Capitulo III – Dos eternos decretos de Deus]

Isso também é colocado na Bíblia:

Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.
1 Pedro 1:2

Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.
Romanos 8:29,30

Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade
Efésios 1:11

James Beilby explica como o conhecimento médio funciona da seguinte forma:

“Se nós considerarmos que o termo presciência como abrangendo o conhecimento médio, então nós podemos fazer perfeito sentido do controle providencial de Deus sob um mundo de agentes livres. Pois via Seu conhecimento médio, Deus sabia exatamente quais pessoas, se membros do Sinédrio, iriam livremente votar para a condenação de Jesus; quais pessoas, se em Jerusalem, iriam livremente exigir a morte de Cristo, favorecendo que soltassem Barrabás; o que Herodes, o rei, iria livremente fazer em reação a Jesus e ao apelo de Pilatos para Julgar ele por conta própria [...] Deus decretou para a criação apenas aqueles que iriam livremente fazer o que Deus quer que aconteça.” [James Beilby, Divine Foreknowledge, Kindle Pos. 1664]

Deus elege baseado em sua presciência e na livre escolha dos seres. Enquanto o calvinismo tradicional diz que “Deus elege e não sabemos os critérios”, o molinismo traz a resposta: Deus elege o mundo possível onde aqueles que livremente escolherão a Cristo são os eleitos.
A não ser que se va para a opção quase herege do teísmo aberto, não há como escapar dessa alternativa.

Conclusão


Em suma, dizer que podemos perder a salvação implica que:
1- A salvação é por obras
2- Existe algo que o sacrifício de Cristo não paga
3- Deus não sabe o futuro
Nada disso é encontrado na Bíblia. 

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