segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Como a apologética funciona

(Nota: Aqui falo de "apologética ofensiva", que não tem nada a ver com ofender, mas de "atacar" com argumentos. Dar razões para crer.)
O numero de ateus que não entendem como a apologética funciona é simplesmente admirável. Por um lado, eles dizem ser os “reis da razão”, por outro, demonstram uma completa ignorância daquilo que criticam.

Como a apologética funciona


Raciocínio circular do ateu


Enquanto o teísta coloca o argumento de forma dedutiva, apresentando evidências pras suas premissas, tudo o que o ateu faz é dizer que “ainda não sabemos, mas um dia a ciência explicará”. Porem, isso é raciocínio circular: Esta pressupondo que um dia a ciência vai conseguir uma causa natural pra um determinado fenômeno. Como sabe que não foi realmente Deus? Você tem que apresentar um contra-argumento. Simplesmente afirmar algo é extremamente falacioso.

Naturalismo das lacunas


Quando o ateu diz que há uma causa natural ainda desconhecida para um fenômeno, ele esta simplesmente apelando pro “naturalismo das lacunas”. Mesmo se fosse o caso dos apologistas colocarem Deus para preencher as lacunas de nosso conhecimento, não se pode afirmar algo como “vamos encontrar uma causa natural ainda desconhecida”.

Posição auto-refutável


Se o ateu disser “eu não sei a resposta, mas sei que o teísta esta errado”, ele esta entrando em contradição. Ora, se ele não sabe a resposta, como sabe que a resposta do teísta não é a certa?

Mas no passado...


A afirmação de que no passado os povos diziam que as causas de fenômenos eram deuses e agora sabemos a verdade também não é valida. Primeiro, quem fazia isso eram as pessoas de religiões politeístas. Por isso eles tem “deus do raio”, “deus do fogo”, etc. Segundo, mesmo se isso fosse verdade, isso não implica que exista uma causa natural pra tudo. Só por que um detetive resolve 100 crimes com perfeição, não significa que ele resolverá o centésimo primeiro.
Apelar para o futuro ou cientistas do futuro não melhora a situação. Isso simplesmente nos deixa sem conclusão. E eu também poderia dizer que no futuro cientistas vão encontrar prova irrefutável de Deus, e o ateu não poderia contra-argumentar.

Como os apologistas realmente argumentam


Veja um exemplo clássico do argumento moral:

P1. Toda a lei tem um legislador

P2. Uma lei moral existe

Conclusão: Portanto, existe um Legislador da Lei Moral

É um raciocínio de efeito para causa. Ninguém esta pegando algo desconhecido e argumentando “aha! Foi Deus!”. Estamos argumentando a partir do que sabemos, não do que não sabemos.
Outro exemplo seria o argumento teleológico:

P1. Todo projeto tem um projetista

P2. O universo possui uma estrutura complexa de projeto

Conclusão: Portanto, existe um Projetista do universo.

É claro que, ninguém simplesmente joga os argumentos e as premissas assim. Temos que avaliar as premissas e ver qual a veracidade delas. Pode ser com argumentos filosóficos ou evidências cientificas.
No caso do argumento teleológico, pode-se falar o ajuste fino do universo para a existência de vida inteligente. Esse extraordinário ajuste fino é extremamente complexo e não há lei da natureza que o explique, e a opção do “acaso” é altamente improvável. Então, estamos justificados em inferir design/projeto como a melhor explicação.
Repetindo: Como apologistas, nós vemos os fenômenos do universo e tentamos mostrar que a melhor explicação é a de que Deus existe. Fenômenos como:

- A origem do universo
- A estrutura matemática do universo
- O ajuste fino do universo
- O comportamento quântico do universo
- A existência de consciência
- A existência de uma lei moral
Etc.


Todos os argumentos que usam os fenômenos acima raciocinam de forma dedutiva de efeito para causa. Não de ignorância para desculpa. 

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