segunda-feira, 3 de agosto de 2015

"Se um Deus Amoroso e Poderoso existe, por que o mal existe?" - Uma Resposta


O problema do mal é talvez um dos argumentos mais usados e mais poderosos contra o Teísmo. Se um Deus todo poderoso e todo amoroso existe, então por que o mal existe? No texto a seguir, vou escrever uma longa resposta ao problema do mal e do sofrimento. (Então, prepare-se, será meio longo.)

"Se um Deus Amoroso e Poderoso existe, por que o mal existe?"


Um problema para todas as visões de mundo


Não é apenas o Cristão que deve responder ao problema do mal. Todas as visões de mundo, inclusive o ateísmo, devem, de alguma forma, explicar por que existe o mal.

Explicando o argumento lógico dedutivo


A versão lógica do argumento do mal também é conhecida no meio acadêmico como Dilema de Epicúro. Ele é colocado dessa forma:

  1. Se Deus é Todo Bondoso, então Ele quer acabar com o mal.
  2. Se Deus é Todo Poderoso, então Ele pode acabar com o mal.
  3. O mal existe.
  4. Portanto, Deus não existe.

Esse argumento é usado para mostrar que é impossível Deus existir. É logicamente impossível que Deus e o mal co-existam.

Respostas


A conclusão não segue


A conclusão, “Portanto, Deus não existe”, não segue das premissas. A conclusão que se segue é a seguinte:

4b. Portanto, ou Deus não é Todo Poderoso ou não é Todo Bondoso.

Mas, ainda assim poderia ser o caso de Deus existir. De qualquer forma, mesmo se esse argumento tivesse sucesso (o que eu não acho que seja o caso), Deus ainda poderia existir e o ateísmo ainda seria falso. Como Mikel Del Rosário colocou:

“Veja, se Deus existir, ateísmo é falso. Então, se Deus existir, mas for muito fraco pra parar o mal, ateísmo é falso. E se Deus existir, mas não se importa com o mal, ateísmo ainda é falso!” [Apologetics Guy, “What Everyone Should Know About The Problem of Evil” (acesso em 2 de agosto de 2015)]

Então, esse realmente não é um argumento em favor do ateísmo. Ele pode levar em duvida os atributos do Deus Judaico-Cristão. Mas não impossibilita a existência de Deus.
De qualquer modo, ainda existem mais problemas com o argumento do mal.

O Problema do Mal Moral


O problema do mal moral tem a ver com o mal causado por pessoas. Pessoas agem de forma errada e causam guerras, fome e sofrimento.
A defesa comum do Cristão contra esse argumento, é a de que somos seres livres, criados com livre arbítrio, e por isso podemos dizer que, a responsabilidade é da pessoa. Filosofo J. L. Mackie responde argumentando que Deus poderia ter criado seres livres, mas que sempre fazem o bem, já que Ele é onipotente. [Mackie, “The Philosophy of Religion”, p. 100.] Porem, como Alvin Plantinga apontou, criar seres livres sem a capacidade de fazer escolhas é logicamente impossível. É logicamente impossível fazer alguém fazer algo livremente. Plantinga diz:

“Segundo a defesa do livre-arbítrio, é possível que Deus seja onipotente e ao mesmo tempo incapaz de criar um mundo com bem moral sem criar um mundo com mal moral.” [Plantinga, “Deus, a liberdade e o mal”, p. 50]

Mackie responde a esse argumento dizendo que não é logicamente impossível criar um mundo com mais bem do que mal ou totalmente sem mal e, portanto, Deus poderia ter criado tal mundo. Porem, mesmo que seja logicamente possível existir um mundo com mais bem do que mal, dada a liberdade humana, Deus não pode garantir que eles façam sempre o certo. Alem disso, liberdade é um bem maior. Como Stewart Goetz disse, “nós sabemos que a existência do mal é compatível com pessoas possuidoras de liberdade significativa [...] e que o fato de possuírem essa liberdade pode ser a justificação de Deus para permitir o mal.” [Stewart Goetz, “The Argument From Evil” em W. L. Craig e J. P. Moreland, “The Blackwell Companion to Natural Theology”, p. 455]
De fato, para Deus demonstrar amor, Ele deve permitir que sejamos livres. Amor, por definição, tem que ser dado livremente. Se o amor não fosse dado livremente, então a liberdade seria mais importante do que o amor. Mas sabemos, que o amor é o maior bem.
Agora, o ateísta (e alguns teístas) podem estar pensando que dizer que Deus não pode fazer o que é logicamente impossível é uma diminuição do poder de Deus. Porem, isso não é verdade, já que até mesmo a Bíblia diz que existem coisas que Deus não pode fazer. Por exemplo, Deus não pode mentir (Tito 1:2) ou Deus não pode mudar (Tiago 1:17). São Tomas de Aquino, 800 anos atrás, já dizia que onipotência era a habilidade de fazer apenas o que é logicamente possível. O único filosofo que dizia que Deus podia fazer o logicamente impossível era René Descartes.
“Oni” significa “tudo”, e “potencia” significa a habilidade de fazer algo potencial, uma possibilidade real. “Potencia” vem da palavra grega “dunamis”. Então, “onipotência” literalmente significa a habilidade de realizar qualquer possibilidade.
Mas se Deus sabe o futuro, e não pode errar, então como podemos ser livres? Simples: Deus saber que X acontecerá não causa X a acontecer. Se ao invés de X, Y fosse acontecer, então Deus saberia que Y iria acontecer. É como um termômetro: Ele sempre esta certo quanto a temperatura, mas não é ele que determina a temperatura. Se a temperatura fosse diferente, o termômetro mediria outra temperatura.
Alguns podem tentar argumentar para o determinismo, dizendo que livre arbítrio não existe. Porém, o determinismo se mostrou como uma ideia auto-refutável. Se todas as nossas ações e pensamentos são determinadas, então qualquer argumento a favor e a própria crença no determinismo é determinado. Mas, se esse é o caso, então não há qualquer razão lógica para crermos nele, ja que toda a razão não foi pensada, mas sim determinada. Como H. P. Owen argumentou:

“O determinismo é autodesmentível. Se os meus processos mentais são totalmente determinados, eu sou totalmente determinado a aceitar ou a rejeitar o determinismo. Mas, se a única razão para eu acreditar ou não acreditar em X é o fato de eu ser causalmente determinado a acreditar nele, eu não tenho nenhum fundamento para afirmar que o meu julgamento seja verdadeiro ou falso.” [H. P. Owen, “Christian theism”, p. 118]

De todo modo, mesmo se o livre arbítrio não existir, a mera possíbilidade de livre arbítrio ja mostra que Deus não pode criar qualquer mundo que quiser. Se o livre arbítrio for meramente possível, então há mundos possíveis que os seres humanos são livres e não fazem tudo o que Deus quer. Como diz William Lane Craig:

“… essa afirmação de que ‘se Deus é todo poderoso ele pode criar qualquer mundo que ele queira’ não é necessariamente verdadeira porque se for ao menos possível que os seres humanos tenham liberdade de vontade então devem existir mundos em que neles e deles mesmos são logicamente possíveis, mas não são realizáveis para Deus criá-los porque pessoas não fariam livremente o que Deus quer que elas façam. É logicamente impossível fazer alguém livremente fazer algo. Se houver liberdade de vontade (ou se esta possibilidade existir) se segue que não é necessariamente verdade que Deus possa criar qualquer mundo velho que ele queira criar. Nesta base apenas o argumento do ateu colapsa e é falacioso.” [Defenders Class 3, “Excursus on Natural Theology (Part 31)”, http://www.reasonablefaith.org/defenders-3-podcast/transcript/excursus-on-natural-theology-part-31

Moralidade não existe sem Deus


Se Deus não existir, então valores e deveres morais objetivos não existem. O mal não pode existir sozinho. Como C. S. Lewis demonstrou, é impossível alguém ser mal apenas por ser mal. O mais próximo seria alguém sendo cruel, no entanto, pessoas só são cruéis para conseguir poder, prazer ou segurança. Mas essas coisas não são ruins de ter, são coisas boas. O mal vem em tentar alcança-los do modo errado. No entanto, diferente do mal, você pode ser bom apenas por ser bom. Você pode fazer um ato de bondade sem esperar nada em troca. Portanto, o mal é apenas a corrupção do bem, tentando alcançar coisas boas pelo método errado. As sombras provam a luz do sol. Pode haver luz sem sombras, mas não sombras sem luz. Um mal objetivo pressupõe que exista um bem objetivo e não existe um bem objetivo sem que tenha um padrão de bom fora de nós mesmos. C. S. Lewis entendeu que o mal apontava para Deus e escreveu:

“Meu argumento contra Deus era que o universo parecia tão cruel e injusto. Mas de onde tirei a noção de justo e injusto? Um homem não chama uma linha de torta a menos que tenha alguma ideia de uma linha reta. Com o que eu estava comparando esse universo quando eu o chamei de injusto?” [C. S. Lewis, “Cristianismo puro e simples”, p. 51]

Se pessoas agem de forma errada, então existe uma forma como as coisas deveriam ser. Se há um jeito como as coisas deveriam ser, então deve haver uma Lei Moral que nos diz o que é certo e o que é errado. E se existe uma Lei Moral, então existe um Legislador.
Podemos argumentar então:

  1. Se Deus não existe, então valores morais objetivos não existem.
  2. O mal existe.
  3. Se o mal existe, então valores morais objetivos existem.
  4. Portanto, Deus existe.

Pode até mesmo ser proposta uma teoria moral para explicar a moralidade humana sem Deus. Porém, nesse caso a moralidade seria apenas um instrumento do desenvolvimento humano, e Deus não teria responsabilidade nenhuma na questão.

Mal absoluto ou relativismo?


Aqui o ateu encontra-se em um dilema: Por um lado, ele afirma que existe mal no mundo. Por outro, ele favorece o relativismo moral para não admitir um Legislador Moral. Porem, a existência do mal é o maior argumento contra o relativismo moral. Como Gregory Koukl diz, a existência do mal é o melhor argumento contra o relativismo. Ele diz:

“Esse é o grande problema com o relativismo moral como um ponto de vista moral quando falamos sobre o problema do mal. Se a moralidade no final é apenas uma questão de gosto pessoal – isso é o que a maioria das pessoas crê hoje em dia – então é apenas a sua opinião o que é bom ou mau, mas pode não ser a minha opinião.” [BeThinking, “Bosnia, Rape and the Problem of Evil” (acesso em 2 de agosto de 2015)]

Razões morais para permitir o mal?


Não devemos apenas responder ao mal moral, mas também ao mal natural. Quer dizer, epidemias, catástrofes, etc. 
Nesse caso, o que podemos dizer é que talvez Deus tenha razões morais o suficiente para permitir o mal e o sofrimento. Como William Lane Craig e J. P. Moreland argumentam:

“Por causa de nossas limitações cognitivas, ações aparentemente desastrosas a curto prazo podem redundar num bem maior, enquanto algumas boas ações podem redundar em desastre total. Uma vez que contemplemos a providencia divina sobre toda a história, então se torna evidente quão inútil é para observadores limitados especular sobre a probabilidade de Deus ter razões moralmente suficientes para os males vistos. Simplesmente não estamos em posição para avaliar tais possibilidades com qualquer grau de confiança.” [William Lane Craig e J. P. Moreland, “Filosofia e Cosmovisão Cristã”, p. 660]

Willian Alston listou seis limitações cognitivas que faz de nós incapazes de julgar se Deus tem ou não razões morais o bastante para permitir mal no mundo. Que são:

1. Falta de informação. Nossa ignorância quanto ao futuro distante, ou o passado distante. Um sofrimento parece sem sentido agora, mas terá sentido no futuro. Talvez um sofrimento agora possa servir de exemplo pra outra pessoa, talvez em outro pais.

2. Complexidade maior do que podemos suportar. Por exemplo, tentar entender diferentes sistemas de leis naturais – as quais diferentes leis da natureza podem operar – nós não temos como saber quais sistemas são possíveis para Deus.

3. A dificuldade de saber o que é metafisicamente possível. Como nós sabemos quais mundos logicamente imagináveis são metafisicamente possíveis?

4. Nossa ignorância quanto a todas as possibilidades.

5. Nossa ignorância quanto a todos os possíveis valores. Quero dizer, tem “bens” desconhecidos, que Deus traz que nós nem sabemos.

6. Os limites de nossa capacidade de fazer julgamentos. Quer dizer, ser capaz de comparar diferentes mundos possíveis com a visão para determinar qual deles seria o melhor.

Somos muito limitados para saber se Deus tem ou não alguma razão para o sofrimento. Como Peter Kreeft diz:

“Como pode um simples ser humano finito estar certo de que a sabedoria infinita não toleraria certos males de curta duração a fim de alcançar bens de maior amplitude que não poderíamos prever?” [Peter Kreeft, entrevistado por Lee Strobel em “Em Defesa da Fé”, p. 40]

Kreeft vai em frente e da uma analogia:

“...imagine um urso preso em uma armadilha e um caçador que, movido pela simpatia, quer libertá-lo. Tenta conquistar a confiança do urso, em vão, e em conseqüência tem de dar um tido de tranqüilizante no urso. O urso, no entanto, pensa que isso é um ataque e que o caçador esta tentando matá-lo. Não compreende que isso está sendo feito por compaixão. A fim de tirar o urso da armadilha, o caçador tem de empurrá-lo mais para dentro da armadilha de modo a liberar a pressão da mola. Se o urso nesse momento estivesse semiconsciente, ficaria ainda mais convencido que o caçador era seu inimigo e estava querendo causar-lhe sofrimento e dor. Porem, o urso estaria errado. Chega a essa conclusão incorreta porque não é um ser humano.”
“Agora [...] como pode alguém estar certo de que essa não é uma analogia entre nós e Deus? Eu creio que Deus faz o mesmo conosco às vezes, e nós não podemos compreender por que ele o faz, mais que o urso pode compreender as motivações do caçador. Do mesmo modo que o urso poderia ter confiado no caçador, nós podemos confiar em Deus.” [Idem, p. 41]

Se Deus é todo-amoroso, Ele iria preferir um mundo com menos mal. Mas, talvez não seja realizável para Deus criar um mundo com a mesma quantidade de Bem, só que com menos Mal. Apenas em um mundo com algum sofrimento pode haver alguns bens únicos:

1- Apenas em um mundo com uma determinada quantidade de mal que um numero de pessoas venham a conhecer Deus e alcançar a salvação eterna.

2- Apenas com sofrimento as pessoas desenvolvem virtudes morais. Virtudes como compaixão, perdão e misericórdia.

3- Sem sofrimento nós não apreciaríamos os momentos bons da vida.

4- Muitas vezes, algum bem maior vem do sofrimento. Nós mesmos temos momentos onde deixamos coisas ruins acontecerem para que um bem maior apareça. Muitas vezes deixamos nossos amigos fazerem bobagens para que aprendam uma lição.

5- Apenas com o sofrimento nós podemos ser caridosos e amáveis com os outros.

Peter Van Inwagen diz:

“Costumava ser muito dito que o mal era incompatível com a existência de Deus. Que nenhum mundo possível poderia conter tanto Deus quanto o mal. Até onde posso dizer, essa tese não é mais defendida.” [Peter Van Inwagen, “The Problem of Evil, the Problem of Air, and the Problem of Silence”, em Philosophical Perspectives, vol. 5: Philosophy of Religion, p. 135.]

O filósofo agnóstico, Paul Draper:


“Argumentos lógicos do mal são de uma espécie que esta morrendo (ou já morta?) [...] Pelo que sabemos, até mesmo um ser onipotente e onisciente pode ser forçado a permitir o Mal pelo bem de se obter algum bem importante. Nosso conhecimento de bens e males e da relação lógica entre eles é muito limitado para provar que esse não seja o caso.” [Paul Draper, “The Skeptical Theist” em The Evidential Argument from Evil, ed. Daniel Howard Synder, p. 176-177]

E William Alston que foi um professor emérito de filosofia da Universidade de Syracuse, conclui:

“O esforço para demonstrar que o mal refuta Deus é agora reconhecido em quase todas as áreas da filosofia como completamente falido” [William Alston, “The Inductive Argument from Evil and the Human Cognitive Condition”, em Philosophical Perspectives, vol. 5: Philosophy of Religion, p. 29]

Sofrimento inútil VS a existência de Deus


Talvez o ateu diga aqui que, dado o sofrimento aparentemente inútil no mundo, então deve ser o caso de Deus não existir. Ele argumenta:

  1. Se Deus existe, então sofrimento inútil não existe.
  2. Sofrimento inútil existe
  3. Portanto, Deus não existe.

Porem, esse argumento falha em vários pontos. Primeiro, imagine se cada vez que você batesse o dedão na quina da mesa Deus viesse a seu ouvido e dissesse “ei, aqui esta o motivo para eu permitir isso...” Segundo, como dito acima, nós não estamos em posição de dizer que Deus não tenha razões morais para permitir tal sofrimento. William Craig gosta de usar o exemplo do filme De Caso com o Acaso, onde a personagem principal tem se futuro dividido em duas linhas do tempo. Em uma delas, uma garotinha interrompe o caminho da mulher a caminho do trabalho e ela acaba perdendo o emprego. Na outra, ela consegue desviar da garotinha e chega a tempo no trabalho e conquista uma carreira de sucesso. Agora, aqui vai o ponto chave: Na primeira linha do tempo, onde ela é demitida, ela acaba encontrando um amor e vivendo mais tempo. Na segunda, onde ela tem uma carreira de sucesso, ela acaba morrendo por causa de um acidente.
Terceiro e ultimo, o Cristão pode responder da seguinte forma:

  1. Se Deus existe, então sofrimento inútil não existe
  2. Deus existe
  3. Portanto, sofrimento inútil não existe.

Deixe-me dar três razões para a existência de Deus:

O Argumento Cosmológico Kalam


Hoje em dia nós sabemos que o universo não é finito no passado, mas teve um inicio absoluto a um tempo finito. Esse inicio é conhecido como “big bang”, um evento de expansão caótica que marcou o inicio do universo. Mas, se o universo teve um inicio, então ele tem que ter tido uma causa. Ele não pode ter simplesmente brotado do nada. Podemos argumentar então:

  1. Se o universo começou a existir, então o universo teve uma causa.
  2. O universo começou a existir.
  3. Portanto, o universo teve uma causa.

Como causa do tempo, espaço e matéria, a causa do universo tem que ser atemporal, não-espacial e imaterial. Como é uma causa atemporal e também é a primeira causa, ela não tem um começo e não pode ter causa. Não apenas isso, mas essa causa também tem que ser um agente pessoal, já que se essa causa nunca tivesse escolhido criar o universo, ele nunca teria começado a existir. (Para entender melhor, veja esse exemplo: um homem sentado pela eternidade pode livremente escolher se levantar.)

O Argumento da Aplicabilidade da Matemática


Como pode um físico se sentar em uma mesa e simplesmente escrever algumas equações e prever a existência de uma partícula que será descoberta apenas algumas décadas depois? Esse é o caso de Peter Higgs e o Bóson de Higgs. A beleza do mundo que pode ser descrito por equações matemáticas requer uma explicação.
O ateu não possui explicação para esse fenômeno. Como Mary Leng colocou, isso é apenas uma “feliz coincidência.” Mas o teísta tem a resposta melhor: Quando Deus projetou o universo Ele usou a estrutura matemática que possuía em mente.
Podemos argumentar então:

  1. Se Deus não existe, então a aplicabilidade da matemática é apenas uma feliz coincidência.
  2. A aplicabilidade da matemática não é uma feliz coincidência.
  3. Portanto, Deus existe.

O Argumento Teleológico do Ajuste Fino


Não apenas foi descoberto o inicio do universo, mas também que o evento da criação foi perfeitamente balanceado para a estrutura do universo se manter e para o aparecimento de vida. Físico Paul Davies diz que a “impressão de um design é impressionante.” E Robert Jastrow, fundador do institudo Goddart de Estudos Espaciais da NASA diz que essa descoberta é a evidencia mais poderosa da existência de Deus que já veio da ciência. Esse extraordinário ajuste fino não pode ser explicado por uma Lei natural, já que ele é independente das leis da natureza. De acordo com Roger Penrose, as chances de um universo surgir com tamanha precisão são de uma em 10 elevado a 10 elevado a 123. Um numero inacreditavelmente improvável.
Podemos argumentar então:

  1. O ajuste fino do universo se deve a alguma lei, ao acaso ou ao design.
  2. Não é por alguma lei nem ao acaso
  3. Portanto, é por design.

Esses três argumentos, juntos com o argumento moral citado acima formam uma defesa cumulativa em favor da existência de Deus.
Se nós formos contar os argumentos mais poderosos para a existência de Deus, contra os argumentos para o ateísmo, teríamos uma tabela assim:

Argumentos em favor da existência de Deus
Argumentos contra a existência de Deus
Origem do universo
Existência do mal
Matemática do universo

Ajuste fino do universo

Consciência

Moralidade


Em balanceamento, a existência de Deus se torna muito mais provável do que a não-existencia. (Na serie “A Existência de Deus” aqui do blog tenho 21 argumentos para a existência de Deus. )


O teísmo Cristão torna a coexistência de Deus com o mal mais provável.


Existem doutrinas cristãs que tornam a probabilidade de Deus existir junto com o mal maior:

O Sentido da Vida


No Cristianismo, o sentido da vida não é a felicidade nessa vida, mas sim o conhecimento e o relacionamento com Deus. Deus não tem obrigação nenhuma de nos dar uma vida feliz e confortável. Isso não quer dizer, de forma nenhuma, que Ele não se importe conosco. Porem, o grande objetivo de Deus com a humanidade é que conheçamos Ele e tenhamos um relacionamento de amor.

A Vida Eterna com Deus


No Cristianismo, cremos que aqueles que se relacionaram com Deus e perseveraram até o fim vão atingir vida eterna com Ele. Uma vida eterna de amor infinito na presença de Deus. Dada a eternidade da vida de amor, nós chegaríamos a um ponto de dizer “eu passaria por aquela vida um milhão de vezes, apenas para ter essa alegria.”

Um dia o mal acabará


O livro do Apocalipse diz que um dia o mal será eliminado: "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas." (Apocalipse 21:4)


Deus sofreu e nos entende no sofrimento


No Cristianismo, o próprio Deus, Jesus Cristo, veio ao mundo e sofreu como todos nós. Como Dorothy Sayers bem colocou:

“Por qualquer que seja a razão de Deus escolher fazer o homem como ele é – limitado e sofrendo e sujeito às tristezas e morte – Ele teve a honestidade e a coragem de tomar o próprio remédio. Qualquer jogo que ele esteja jogando com Sua criação, Ele manteve suas próprias regras e jogou limpo. Ele não pode exigir do homem nada que Ele não tenha exigido de Si mesmo. Ele mesmo foi adiante por toda a experiência humana, de irritações triviais da vida familiar e das restrições dolorosas do trabalho duro e da falta de dinheiro até os piores horrores de dor e humilhação, derrota, desespero e morte. Quando Ele era um homem, Ele fez papel de homem. Ele nasceu na pobreza e morreu na desgraça e pensou que tudo valeu a pena.” [Dorothy Sayers, “Creed or Chaos?”, p. 4]

Deus não acaba com o mal agora por amor


Se Deus acabasse com o mal agora, Ele começaria por você e por mim. Segundo a Bíblia, nenhum ser humano é bom. Somos todos pecadores. E por isso, Deus veio ao mundo para pagar por nossos pecador. Deus nos ama de tal forma, que manda Seu Filho para sofrer por nós. Você conseguiria olhar para Cristo na Cruz e dizer “por que você permite que eu sofra?” Ironicamente, aqueles que zombaram dEle fizeram uma pergunta semelhante. Eles perguntaram por que Ele não parava com Seu sofrimento. A resposta é que não foram os pregos que prenderam Cristo na cruz. Foi Seu amor infinito e Sua vontade de nos salvar de um sofrimento pior. Aqueles que reclamam do inferno e dizem que é incompatível com um Deus de amor estão enganados. Deus nos mostra Seu amor de tal forma que enviou Seu Filho para nos salvar do inferno.
O filósofo e teólogo Dr. William Lane Craig diz:

“O propósito principal da vida não é a felicidade, mas o conhecimento de Deus. Uma das razões por que o problema do mal parece tão enigmático é nossa tendência a pensar que, se Deus existe, o seu objetivo para a vida humana é a felicidade neste mundo. O papel de Deus é proporcionar ambiente confortável para seus seres humanos de estimação. Mas na visão cristã isso é falso. Não somos os animais de estimação de Deus, e o fim principal do homem não é a felicidade neste mundo, mas o conhecimento de Deus; esse conhecimento finalmente tornará verdadeira e eterna a plenitude humana. Na vida, acontecem muitos males que podem ser absolutamente inúteis quanto à meta de produzir a felicidade humana no mundo, mas não podem ser injustificados quanto a produzir o conhecimento de Deus. O sofrimento de seres humanos inocentes proporciona a oportunidade para dependência e confiança mais profundas em Deus, seja da parte de quem sofre ou daqueles que o circundam. Obviamente, se o propósito de Deus é ou não alcançado por meio do nosso sofrimento dependerá da nossa reação. Reagimos com rancor e amargura contra Deus ou nos voltamos a ele em fé, buscando força para suportar? [...] O conhecimento de Deus é um bem imensurável. Conhecer a Deus, a fonte de bondade e amor infinitos, é bem incomparável, é a plenitude da existência humana. Os sofrimentos desta vida não podem sequer ser comparados a ele. Assim, a pessoa que conhece a Deus, não importa o quanto sofra, não importa quão dolorosa seja a sua dor, ainda pode dizer “Deus é bom para mim”, simplesmente pelo fato de que ela conhece a Deus, um bem incomparável.” [Reasonable Faith, “O problema do mal” (acesso em 2 de agosto de 2015)]

A doutrina basica do Cristianismo envolve sofrimento. Nós somos humanos caídos que merecem punição, mas, para nos perdoar, Deus se tornou o único humano inocente e se permitiu ser torturado até a morte por nós. Isso nos da purificação espiritual e a vida eterna. Aron Wall argumenta:

“Independente de você gostar ou não dessa idéia, mesmo se acha-la implausível ou incompreensível, você tem que admitir que é uma idéia sobre como Deus se relaciona com o mal, e o usa pelo bem. Se não houvesse algo como o sofrimento do inocente, Cristianismo não seria possível. Se o Cristianismo é a verdade, então Deus arranjou as coisas de forma que a coisa mais importante que já aconteceu foi um mal horrível porem redentor. Todos os outros males, nós vemos a luz da Cruz.” [Undivided Looking, “God and Evil” (acesso em 2 de agosto de 2015)

De fato, se o Cristianismo for verdade, então todo o mal causado a Jesus, todo o sofrimento que Ele passou, teve um proposito de bem infinito: Salvar a humanidade.

Conclusão – Cristianismo é a única solução


Nós vimos neste texto que:
- O mal não refuta Deus
- Deus criou seres livres pois nos ama
- O mal moral é evidencia da existência de Deus
- Não estamos em posição de dizer que Deus não tem razões morais o suficiente para permitir o mal.
- Em balanceamento com os argumentos para Deus, o mal não pesa o bastante.
- As doutrinas Cristãs tornam a coexistência de Deus com o mal mais provável.

Para concluir, eu gosto dessa citação de Peter Kreeft:

“Desse modo, a resposta ao sofrimento [...] simplesmente não é uma resposta. [...] É Aquele que responde. É o próprio Jesus. Não é um punhado de palavras; é a Palavra. Não é um argumento filosófico bem costurado; é uma pessoa. A pessoa. A resposta ao sofrimento não pode ser simplesmente uma idéia abstrata, porque essa não é uma questão abstrata; é uma questão pessoal. Ela requer uma resposta pessoal. A resposta deve ser alguém; não apenas algo, porque a questão envolve alguém: “Deus, onde está você?” [...] Jesus esta la, sentado ao nosso lado nos lugares mais humildes. [...] Estamos partidos? Ele foi partido, como pão, por nós. Somos desprezados? Ele foi desprezado e rejeitado pelos homens. Bradamos que não agüentamos mais? Ele foi um homem de dores e experimentado no sofrimento. As pessoas nos traem? Ele mesmo foi vendido pelo traidor. Nossos relacionamentos mais caros estão partidos Ele também amou e foi rejeitado. As pessoas se afastam de nós? Esconderam o rosto dele como o de um leproso. Desceria a todos os nossos infernos? Sim, ele o fez. [...] Ele não somente ressurgiu dentre os mortos, mas mudou o significado da morte e, portanto, de todas as pequenas mortes – os sofrimentos que nos antecipam a morte e fazem parte dela [..] É aquele que gostamos de odiar e que escolheu nos devolver amor. [...] Sabia que Jesus era mais que uma explicação. [...]  Ele é o que realmente necessitamos. Se o seu amigo esta doente e à morte, a coisa mais importante que ele quer não é uma explicação; quer que você se sente ao seu lado. Mais que qualquer coisa, ele está apavorado de ficar só. Deus não nos deixou sós. [...] E por isso eu o amo.” [Peter Kreeft, entrevistado por Lee Strobel, “Em Defesa da Fé”, p. 67-68]

No final, dizer que Deus não existe não acaba com o mal no mundo. Apenas acaba com a única esperança.

2 comentários:

  1. Gostei da parte matemática.
    Quanto à felicidade, essa são momentos. Mas o conhecimento de Deus é soberano e a felicidade consequência.
    Obrigado por este texto.

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