sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Resposta aos “argumentos” do Wikihow


Tem esse artigo no site Wikihow que se chama “Como Argumentar que Deus Não Existe”. Quando eu li, pensei que teria ao menos um argumento bom. Pra minha decepção, nenhum dos argumentos consegue fazer aquilo que propõem.

Resposta aos “argumentos” do Wikihow


Primeiro: “O criacionismo é geralmente a raiz da estrutura de fé do oponente.”


Com a opulência da evidência razoável a sua disposição no que diz repeito a inviabilidade, podem-se usar argumentos relativos à evolução, datação de radiocarbono - pode parecer ridículo, mas muitos crêem que a terra tem 5.000-6.000 anos - e pedir um pouco de ponderação onde o o criacionismo tenha algum valor teórico, além da Bíblia e outros textos religiosos.

Já que eu sou um Teísta Evolucionista, isso é irrelevante. Mas note que o argumento dele não demonstra em nada que Deus não existe. A conclusão não segue das premissas:

1.       Se o criacionismo for mentira, então a base da fé de alguém é falsa.
2.       O criacionismo é um mentira.
3.       Portanto, Deus não existe.

A conclusão não segue. O que se segue é, “Portanto, a base da fé individual de alguém é falsa.” Então, esse argumento é pateticamente idiota. Deus não vai deixar de existir se você fizer uma ou outra pessoa desacreditar por que a base da fé dela era falsa. Ataques individuais não invalidam a verdade de uma crença.

Segundo: “Desafie a crença de que há alguma ‘ciência’ na religião.”


Mas saiba que há algumas poucas teorias científicas que explicam que o paranormal não é impossível (escritas por cientistas verdadeiros, não por fanáticos) e que os cientistas só entendem cerca de 4% do universo. A diferença entre ciência e religião é que a primeira está sempre disposta a reconsiderar qualquer uma de suas teorias, leis e regras. O negócio é que quanto mais tempo uma teoria for fundamentada pela evidência, mais forte a evidência precisará ser para desacreditá-la. Pergunte a qualquer religioso se ele aceitaria qualquer evidência que comprovasse que o Deus dele não existe. A resposta será sempre "Não". É por isso que a religião nunca poderá ser classificada como "ciência", independente de nome que dê.

Como eles entendem somente 4%, se não tem ideia do que é o 100%? Isso é absurdo.
“Pergunte a qualquer religioso se ele aceitaria qualquer evidencia que refute Deus”, isso é idiota. É impossível a ciência dizer com certeza se Deus existe ou não. O que ela pode fazer é dar evidencia para uma premissa em um argumento filosófico que leva a uma conclusão que tenha algum significado teológico. Como o Argumento Cosmológico Kalam e o Argumento Teleológico. Mas você não pode fazer o mesmo pra refutar Deus. Considere o seguinte argumento ateísta:

1.       Se o universo nunca começou a existir, então ele não teve um criador.
2.       O universo é eterno.
3.       Portanto, Deus não existe.

Novamente, a conclusão não seguiria das premissas. Deus ainda pode existir como um Sustentador do universo mesmo este sendo eterno. Ou Ele pode simplesmente existir e só.

Terceiro: “Ressalte que algumas crenças religiosas podem exigir que a pessoa "emburreça" para poder ter fé.”


O inimigo mortal da fé é o conhecimento, um fato cientifico que foi demonstrado por pesquisadores na Universidade de British Columbia. A base de qualquer religião é a necessidade de crer em algo que alguém lhe diz como sendo verdade, embora sua mente lhe diga que aquilo é mentira e que não faz sentido algum. Há um nome para isso: fideísmo. Sem o fideísmo, o conceito de religião não existiria.

Isso pode ser verdade para algumas religiões, mas certamente não funciona com o Cristianismo. Jesus disse para amarmos Deus de todo o coração e entendimento:

E ele replicou: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e com toda a tua capacidade intelectual’ e ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’” - Lucas 10:27 (KJA)

Além disso, o argumento é auto refutável. Teria o ateísta fé de que isso é verdade? Ele crê nisso com base no que alguém disse?
De novo, as premissas não levam a conclusão:

1.       Se algumas crenças religiosas requerem o fideísmo, então Deus não existe.
2.       Algumas crenças religiosas podem exigir fideísmo (Fé cega)
3.       Portanto, Deus não existe.

Esse argumento incorre de petição de principio. Quer dizer, o único motivo pra se crer na conclusão, é por já se crer na premissa 1 sem qualquer justificativa. E além disso, é falsa. Mesmo se todas as religiões exigissem um salto enorme de fé cega, isso não iria significar que Deus não existe. Ataques individuais não invalidam a verdade de uma crença.

Quarto: “Mostre a eles que moralidade não requer nenhuma crença religiosa.”


Muitas pessoas crêem que sem religião o planeta cairia em um caos imoral. A realidade é que a maioria dos crimes hediondos cometidos contra as pessoas de nosso planeta ao longo da história, tiveram raiz em crenças religiosas. A habilidade de distinguir o certo e o errado não exige crença religiosa. Além disso, animais incapazes de entender nosso conceito humano de religião, mostram evidências claras de entendimento do comportamento moral e conseguem distinguir entre o certo e o errado.

 Quanto a primeira parte, é falso. As “maiores atrocidades” não foram causadas por pessoas com ideias religiosas. E você pode ler estes textos para ver porque essa ideia é falsa:



Já a segunda, e dai? A questão não é se alguém tem que acreditar em Deus para ser boa. O que queremos saber é, se um Deus Legislados e Padrão Moral objetivo não existe, então como podemos ter o conhecimento de uma Lei Moral, do certo e errado, do bem e do mal? E você não pode negar a existência dessas coisas, já que no próprio texto é afirmado que “a maioria dos crimes cometidos contra as pessoas ao longo da história tiveram raiz religiosa”.

Quinto: “Desafie as raízes religiosas dessas pessoas.”


Exemplos disso (se desafiado por um Cristão): o diabo não estava presente em textos religiosos até que os monoteístas nômades encontraram politeístas e pegaram a ideia emprestada.

Mesmo se isso fosse verdade (o que não é), estaria cometendo a falácia post hoc ergo propter hoc. Quer dizer, só por que X aconteceu antes de Y, então X é a causa de Y. Alem disso, essa argumentação de que a a Bíblia foi manipulada ou influenciada foi demonstrada monstruosamente falsa por John  Oswalt em seu livro “The Bible Among Other Myths” e outros como J. P. Holding. O simples fato é que Judeus monoteístas extremos jamais se deixariam influenciar por algo considerado Pagão.

Sexto: “Mostre que a religião, através da história, tem sido usada para controlar as massas, em vez de esclarecê-las.”


Um exemplo disso são as Cruzadas Cristãs e, atualmente, os atentados suicidas dos Muçulmanos. A fé (insira qualquer fé aqui) é mesmo tão diferente?

Isso é bem idiota. Seria como se eu dissesse que o ateísmo é igual ao islamismo por causa dos assassinatos causados por Stalin e Mao. Alem disso, Cristo nos diz pra não usarmos armas para defende-lo, e qualquer um que o fizer não estará seguindo-o.
De qualquer forma, a conclusão também não segue das premissas:

1.       Pessoas de fé cometeram atrocidades
2.       Isso é ruim
3.       Portanto, Deus não existe.

A conclusão não segue. O que se segue é que existem pessoas imorais.

Sétimo: “Foque nos textos religiosos.”


No caso da Bíblia, pelo bem da argumentação, em geral versículos inteiros, histórias e parábolas foram falsificados. Mesmo o conceito da "Santíssima Trindade" foi fabricado não por deus algum, mas por um fanático chamado Inácio de Antioquia, por razões políticas em 412 AD. Explore os furos na trama, inconsistências e coisas ilógicas e impossíveis.

Isso também já foi demonstrado monstruosamente falso. Temos cópias do Novo Testamento do segundo século e a tradição Paulina de 35 d.C. que citam a Trindade. Alem disso o Credo Niceno, composto pelo Concilio de Nicéia em 325 d.C. já nos falava da Trindade:

Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, o Criador do céu e da terra, das coisas visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Unigênito de Deus o Pai, o Unigênito, que é da essência do Pai. Deus de Deus, Luz de Deus, Luz verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado e não feito; da natureza mesma do Pai, por quem todas as coisas vieram a existir, no céu e na terra, visíveis e invisíveis. Quem de nós a humanidade e para nossa salvação desceu dos céus, se encarnou, foi feito humano, nasceu perfeitamente da Santíssima Virgem Maria pelo Espírito Santo.

Também temos a citação de Plínio, O Jovem, de 110 d.C:

“Eles tinham o hábito de se juntarem num dia fixo antes que o sol raiasse, quando cantavam hinos a Cristo como sendo Deus, e jurando entre todos solenemente que não cometeriam qualquer ato perverso.” [Plinio, o Jovem, Cartas 10.96, ap. Josh MCDOWELL, Evidência, p. 106.]

Oitavo: “Refira-se a seu oponente no debate.”


Pergunte a ele um motivo pelo qual crê tão veementemente em sua fé embora tenha sido criado em um ambiente dogmático. Conheça as "Centenas de Provas da existência de Deus" que eles talvez usem.

Esse argumento comete a falácia genética: Tentar invalidar uma crença ou posição atacando como ela se originou. O que não funciona. Só por que a pessoa crê no que crê por ter sido criada em uma família religiosa, não significa que a crença dela seja falsa. Nem isso invalida todos os argumentos que ela tenha. E, de novo, ataques individuais não invalidam a verdade de uma crença.

Nono: “Demonstre que as pessoas acreditam em qualquer coisa que lhes dizem para acreditar.”


Pergunte a seu oponente no debate se ele acredita em uma crença específica de outra religião - por exemplo, se ele for Judeu, você pode perguntar se acredita que Jesus era filho de Deus. Considerando que ele responderia negativamente, pergunte então se ele acha que acreditaria nisso se ele tivesse sido criado por Cristãos.

De novo, falácia genética. E, de novo, ataques individuais não invalidam a verdade de uma crença.

Decimo: “A religião tem sido muito usada para explicar o que é inexplicável.”


Os gregos usaram Poseidon para explicar os terremotos, que agora sabemos serem causados pelo movimento das placas tectônicas para liberar pressão. O que acontece quando podemos provar, e não se pode negar, a teoria do Big Bang e da Evolução, que são ambas baseadas em muita lógica e são difíceis de negar que são verdadeiras. Esse fator é chamado de "O Deus dos Furos".

Na Teologia Natural, não usamos de argumentos “Deus das Lacunas” (ou “Deus dos Furos”). Os antigos politeístas podiam argumentar que “raios, portanto deuses”, mas não é assim que fazemos. O que fazemos é argumentar de efeito para causa, em busca da melhor explicação para o que sabemos. Se fosse um “Deus das Lacunas”, seria argumentação a partir do que não sabemos. Veja a forma simples do Argumento Cosmológico Kalam:

1.       Tudo o que começa a existir tem uma causa
2.       O universo começou a existir
3.       Portanto, o universo teve uma causa

Depois da conclusão, devemos avaliar quais propriedades essa causa tem que ter. No caso do universo, como causa do espaço, tempo e matéria, a causa tem que transcender estes. Além disso, tem que ser um agente pessoal, já que se não tivesse a capacidade de escolher criar o universo em um determinado momento, jamais o criaria. Então, os novos ateus tem que começar a querer entender como a teologia natural funciona antes de falar asneira. Além disso, mesmo se isso fosse verdade, Deus ainda poderia existir. Podemos até conseguir explicar tudo de forma natural, mas Deus ainda pode existir.

Decimo Primeiro: “O que acontece após a morte?”


Muitos Cristãos tentam usar este argumento para convencer as pessoas de que elas têm que ir para o céu. No entanto, experimente relacionar isso a algo que já aconteceu. O que aconteceu antes de você nascer? Não há nada a respeito disso na Bíblia. Peça para que expliquem as experiências de quase-morte que têm sido relatadas por muitas pessoas. Pergunte também o motivo dessas pessoas nunca relatarem que viram "céu", "deus", "anjos" ou qualquer coisa parecida.

Eu não entendi. Antes de nascer nós não existíamos. Mesmo se nosso espirito ou alma for criado no momento da criação do corpo físico, isso não invalida suas existências. Eu também encorajaria o opositor a pesquisar mais sobre a experiências de quase-morte.

Decimo Segundo: “Use a lógica simples.”


- Os Cristãos crêem que o Deus deles é onisciente e sabe de tudo, incluindo tudo que aconteceu e o que acontecerá, bem como conhece todo e qualquer pensamento que nossa mente cria antes mesmo de pensarmos. Se esse for o caso, não há "livre arbítrio".


- Também crêem que Deus é onipotente e pode tudo. O problema é que, se Deus pode fazer qualquer coisa mas não levanta sequer um dedo para evitar os desastres, os massacres e as guerras que aconteceram, estão acontecendo agora e acontecerão no futuro, o Deus deles é também um psicopata que se diverte em assistir nossa desgraça.
- No entanto, se o Deus Cristão não for onisciente ou onipotente... bem, nesse caso o Deus deles não é um "deus" e não existe.


Conclusão


O resto do texto segue a mesma “lógica” – Argumentação vazia e qualquer um que tenha lido o Em Guarda (livro básico de Apologética) poderia responder. Ja que o site recomenda o livro "Deus, um delírio" de Richard Dawkins, eu recomendo "O Delírio de Dawkins", de Alister McGrath. Eu encorajaria o leitor a ler a serie "Os Piores Argumentos contra o Teísmo" e "Respostas".

Tudo o que esses argumentos nos mostram é que os Novos Ateus não estão interessados em ir atrás da verdade, mas sim de “vencerem” discussões contra pessoas menos preparadas. Eles simplesmente querem acabar com a fé individual de algumas pessoas para poderem “se achar superiores”. Mas, de novo, ataques individuais não invalidam a verdade de uma crença.

2 comentários:

  1. Texto totalmente falacioso. Primeiro, Stalin e Mao não cometeram crimes em nome do ateismo. Segundo, você faz uma defesa apaixonada do cristianismo, inferiorizando outras formas de crenças. Além disso, você repete a mesma ladainha de que ataques pessoais não invalidam uma crença. Por acaso, fé pessoal torna algo válido? Acho que não.

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  2. E mesmo que alguns religiosos fizeram atrocidades em nome do cristianismo isso não é culpa do cristianismo verdadeiro,os que seguem Jesus que nunca aprovou isso.

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