sexta-feira, 3 de julho de 2015

O Jesus Histórico #11 - Jesus realizou “obras maravilhosas”?



Seriam os milagres de Jesus lendas? Será que essas histórias foram sendo desenvolvidas com o tempo? Historiadores vão dizer que não, isso é bem improvável. No texto a seguir, vou mostrar por que críticos do Novo Testamento sabem que Jesus foi alguém que fez “feitos maravilhosos”. Note que, historiadores não dizem que Jesus realizou obras milagrosas, mas sim que Ele fez obras que foram interpretadas como milagres.


Jesus realizou “obras maravilhosas”?


Os milagres estão em toda parte dos evangelhos


Em praticamente cada capitulo dos Evangelhos, nos vemos que Jesus fez algum milagre, exorcismo ou cura. Isso torna bastante improvável eles terem sido adições tardias, pois se tirarmos esses feitos de Jesus os evangelhos perdem muito da biografia dele. Marcus Borg diz:

“Jesus era conhecido por fazer ‘feitos poderosos’, de acordo com Josefo, o historiador romano que escreveu sobre Jesus perto do final do primeiro século. Os evangelhos concordam. Eles não apenas registram varias histórias de feitos espetaculares por Jesus, mas também as multidões se reuniram para ver ele por causa de sua reputação como um curandeiro” [Marcus Borg, “The Mighty Deeds of Jesus”]

E também:

“[É] praticamente indiscutível que Jesus foi um curandeiro e exorcista” [Marcus Borg, “Jesus, A New Vision: Spirit, Curture and The Life of Discipleship”]

O estudioso alemão Wolfgang Trilling escreve:

“Estamos convictos e consideramos historicamente correto que Jesus de fato realizou milagres […]. Os relatos de milagres ocupam tanto espaço nos evangelhos que é impossível que tudo isso pudesse ter sido subseqüentemente inventado ou transferido para Jesus” [Paul Copan & Ronald T. Acelli, “Jesus’ Resurrection, Fact or Figment? A Debate Between William Lane Craig and Gerd Lüdemann”. Downers Grove, IIl.: InterVarsity Press, 2000, p. 181.]

Os milagres são altamente atestados em múltiplas fontes


Não só eles estão em toda parte, como também estão em fontes múltiplas e independentes. Eles são atestados por Marcos, Mateus, Lucas, João, Paulo e Flavio Josefo, de forma independente. Como Craig Keener colocou, “em termos de obras de Jesus como alguém que faz milagres – quero dizer, toda fonte Cristã próxima dos eventos que nós temos o colocam dessa form, e também fontes não-Cristãs o colocam dessa forma.” [Craig Keener entrevistado em Apologetics 315, “Interview on Miracles: Transcript”]
Bart Ehrman também diz:

“O que quer que você pense sobre a possibilidade filosófica de milagres de cura, esta claro que Jesus foi bastante conhecido por ter os feito” [Bart Ehrman, “The New Testament: A Historical Introduction to the Early Christian Writings”]

Os milagres são atestados de forma independente em fontes antigas.


Todos os evangelhos foram escritos no primeiro século. Não há duvida quanto a isso. A data ainda é debatida, mas a data padrão para Marcos é 60 d.C. e João 90 d.C. Apenas 30-60 anos depois dos eventos. Isso é um tempo muito curto para o surgimento de lendas e mitos, já que ainda existiam pessoas da primeira geração a partir dos eventos, que teriam testemunhado ou ouvido falar dos eventos. Leva-se no mínimo duas gerações para que um mito ou lenda seja desenvolvido.
Também estão na fonte pré-Marcos que foi fonte para o Evangelho de Marcos, o evangelho mais antigo. Também estão nas fontes usadas de forma independente por Mateus e Lucas, conhecida como Q, em outra fonte especial de Mateus, chamada de M, e na fonte privilegiada de Lucas, chamada de L.
Christopher Price diz:

“Cara fonte do evangelho canônico, Marcos, Q, M, L e João, afirmam as atividades de Jesus como alguém que fazia milagres. Fontes menos amigáveis, como Josefo e o Talmude Babilônico, também atestam Jesus como alguém que faz milagres.” [Christopher Price, “The Miracles of Jesus: A Historical Inquiry”]

Craig Blomberg diz:

“Jesus é representado como um fazedor de milagres em todo nível da tradição do Novo Testamento. Isso inclui não apenas os quatro Evangelhos, mas também a hipotética fonte de dizeres, chamada Q, que pode ter sido escrita apenas alguns anos após a morte de Jesus. Muitas testemunhas oculares de Cristo ainda estariam vivas na época que esses documentos foram compostas. Essas testemunhas foram as fontes da tradição oral a respeito da vida de Jesus, e à luz do seu ministério muito público, uma forte tradição oral estaria presente em Israel por muitos anos após sua morte” [Craig Blomberg, “The credibility of Jesus’ miracles”]

David Graham diz:

“Os trabalhos mais recentes nos Evangelhos e comparações com materiais extra-bíblicos, até mesmo por estudiosos críticos, concluíram que os milagres dos Evangelhos são uma parte integral do ministério do Jesus histórico” [David Graham, “Jesus As Miracle Worker”]

Luke Johnson diz:

“Até mesmo o historiador mais crítico pode confiantemente afirmar que um judeu chamado Jesus trabalhou como professor e fazedor de milagres na Palestina durante o reinado de Tibério, foi executado por crucificação sob o prefeito Pôncio Pilatos e continuou a ter seguidores após sua morte” [Luke Timothy Johnson, “The Real Jesus”]

E o teólogo Dr. William Lane Craig conclui:


“O fato de que a obra miraculosa pertence ao Jesus histórico não é mais discutido” [Paul Copan & Ronald T. Acelli, Idem.]

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