sábado, 13 de junho de 2015

Sobre moralidade #9 - Uma (Mini) Critica ao Niilismo


Niilismo é a visão de mundo de que não existe certo e errado, bom e mal/ruim. Um Niilista que for ateísta também crê que não há valor ou sentido na vida. Alem disso, o Niilismo é a afirmação “positiva” de que valores e deveres morais objetivos não existem.


Uma (Mini) Critica ao Niilismo


É contrario a nossa experiência.

Em experiência moral, a cada momento de interação com outras pessoas nós fazemos julgamentos morais. No momento em que alguém fala de uma ação, nós pensamos sobre o sentido moral dessa ação. Atos como homofobia, machismo, pedofilia imediatamente ativam nosso sendo moral. Até mesmo o filosofo da biologia, Michael Ruse, admite:

"O homem que acredita que estuprar criancinhas seja algo moralmente aceitável está tão errado quanto quem afirma que 2+2=5" [Michael Ruse, “Darwinism Defended”, p. 275]

O comentário de Ruse pode muito bem ser aplicado ao Niilismo: O homem que diz que estuprar criancinhas não é errado nem certo e que tanto faz, esta tão errado quanto quem afirma que 2+2=795.

Não há motivo para ser Niilista

Fora a razão “poética” e “trágica” por trás do Niilismo, não há razão nenhuma para se crer que ele seja, de fato, verdade. Já que não existem razões para se crer no Niilismo, e nossa experiência moral nos diz que a moralidade existe, então qualquer argumento contra essa realidade moral não será tão poderoso quanto nossa experiência. Como filosofa ateísta Louis Antony disse:

“Qualquer argumento para o ceticismo moral será baseado em premissas que são menos obvias do que a realidade dos próprios valores e deveres morais, e portanto nunca poderá ser racional aceito o ceticismo moral” [Comentário feito durante do debate entre William Lane Craig e Louise Antony na Universidade de Massachusetts. Citado em Reasonable Faith Podcast, “Those Who Deny Objective Moral Values” (10:04)]

Nossa crença moral é uma crença básica adequada. Quer dizer, nossa experiência torna mais racional crer na realidade moral do que o contrario. Argumentos a favor do ceticismo moral têm a mesma força de argumentos a favor da crença de que somos um cérebro em um vidro sendo iludido ou que o passado foi criado a cinco minutos com aparência de idade. Simplesmente é algo desfavorecido pela nossa experiência.

Um Niilista deve provar que outras teorias éticas são falsas

Um Niilista deve provar que toda e qualquer teoria ética objetivista como Utilitarismo, Consequencialismo, Ética de Virtude, Egoísmo e até mesmo a Teoria do Comando Divino são falsas. Nessa ultima em especial, o Niilista deve provar que Deus não existe ou que, se existe, Ele não colocou nenhuma Lei Moral em nossa consciência. (Se pensou no Dilema de Eutifron, aqui tem uma resposta.)

Crer no Niilismo ou é auto-refutavel ou incoerente

Considere o seguinte argumento:

Premissa 1 – Se algo for verdade, então devemos crer nisso.

Isso é meio que evidente. Crer em algo se isso for verdade é o mais honesto a se fazer, sendo, portanto, o mais correto.

Premissa 2 – Niilismo é verdade.

Supondo que o Niilismo seja verdade, então não existem certos e errados, bem e mal.

Premissa 3 – Se o Niilismo for verdade, então devemos crer nisso.

Premissa 4 – Mas, se o Niilismo for verdade, não devemos crer nele.

Se crer na verdade é algo correto, e o Niilismo for verdade, então nós deveríamos crer nele, pois isso seria o mais honesto a se fazer. Mas, mesmo se soubermos que ele é verdade não deveríamos crer nele, pois isso não seria certo nem errado. No Niilismo, não existe um "deveriamos" ou "devemos", pois não somos moralmente obrigados a nada.

Conclusão – Portanto, o Niilismo não é verdade.

Alguém poderia contra-argumentar dizendo “bom,você não precisa crer, mesmo sabendo que ele é verdade”. Mas isso tornaria a crença no Niilismo algo incoerente.

Niilismo leva ao relativismo. Relativismo é contraditório.

Se o Niilismo for verdade, então opiniões morais são subjetivas. Quer dizer “o que é certo pra mim é certo pra mim. Mas o que é certo pra você é certo pra você.” Se não existem valores e deveres morais objetivos, então isso é tudo o que a moral é.
Porem, relativismo moral é contraditório de três formas:
Primeiro, o relativista vai afirmar que “você não deve impor sua moralidade nas pessoas”. Mas, isso por si só é uma afirmação moral. (“Você não deve...”)
Segundo, considerando o relativismo cultural, se uma cultura decide em sua lei que outra cultura esta moralmente errada, ambas a outra não teria como contra argumentar, pois essa seria a lei cultural de outro lugar. Então, relativismo moral é auto-refutável.
Terceiro e por fim, opiniões subjetivas se forem diferentes contradizem uma a outra. Pra um, matar pode ser correto, mas pra outro, incorreto. A lei da não-contradição nos diz que a verdade não pode ser contraditória de dois pontos. Portanto, o relativismo é falso.

Conclusão


Eu coloquei alguns pensamentos sobre o Niilismo. Ao meu ver, nossa experiência nos mostra que valores e deveres morais objetivos existem, enquanto não há razão pra se crer que o Niilismo seja verdade. Alem disso, o Niilismo não pode ser honestamente aceito e é incoerente, também levando ao relativismo contraditório.

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