quinta-feira, 11 de junho de 2015

Richard Dawkins vs Richard Dawkins


Quem ganharia um debate entre Richard Dawkins e... Richard Dawkins? Especialmente se o tópico fosse a existência de valores e deveres morais objetivos. Quem teria a razão?

Richard Dawkins vs Richard Dawkins


O que são valores e deveres morais objetivos?

Valor moral tem a ver com algo ser bom ou mal. Por exemplo, amizade e amor são coisas boas. Ódio e inimizade são coisas más.
Dever moral tem a ver com algo ser certo ou errado. Por exemplo, ajudar uma pessoa que esta se afogando seria um dever moral, algo certo a se fazer. Torturar pequenos bebes por diversão serie errado.
Se não existe um padrão de bondade ou alguém que nos impõe a Lei Moral, então não existem valores nem deveres morais. Atos como estupro, homofobia e pedofilia não são moralmente errados, mas são apenas são contrários a preferencia pessoal da maioria.
Em uma visão naturalista, a moralidade é ilusória, produto de nosso condicionamento social adaptado pela evolução. Mas claro, isso não torna a moralidade objetiva. Atos como “mutilação genital feminina” se tornou apenas um tabu, sendo socialmente desvantajoso. Mas, se o naturalismo for verdade, isso não é moralmente errado.
Dawkins parece reconhecer que a ausência de Deus leva ao Niilismo, a destruição de tudo o que tem valor na vida. Mas ainda, ele mesmo parece ser um moralista.

Que o debate comece

Richard Dawkins diz:

“No fundo não existe o bem, nem o mal, nem propósito, nenhum projeto, nada, exceto indiferença sem sentido. [...] Somos máquinas para a propagação de DNA [...] Cada objeto vivo é a razão exclusiva de ser” [Richard Dawkins, “River out of Eden: A Darwinian View of Life”, p. 133, e Richard Dawkins, “The Ultraviolet Garden”, Palestra 4 de 7, Royal Institution Christmas Lectures (1992)]

Parece que Dawkins sabe que, na ausência de um padrão objetivo para a moralidade, nós somos deixados apenas com a indiferença, sendo apenas rearranjos de partículas e pedaços de carne animados. Porem, Dawkins tem uma opinião forte sobre outras coisas.
No programa “The Root of All Evil?” [A Raiz de Todo o Mal?], Dawkins tenta argumentar que as três religiões Abraamicas (Judaismo, Cristianismo e Islamismo) são a fonte de “todo o mal” na história humana. Ele diz isso como evidencia de que “a guerra entre o bem e o mal é na realidade apenas a guerra entre dois males” [Programa “The Root of All Evil”, 9 de Janeiro de 2006]
Dawkins condena abusos de homossexuais, doutrinação religiosa a crianças, sacrificio humano e imposição de diversidade cultural contra a comunidade amish. Ele ainda apresenta a sua versão dos Dez Mandamentos como guia de comportamento moral. [Richard Dawkins, "The God Delusion", pp. 23, 264, 313–317, 326, 328, 330]
De acordo com ele, “o Deus do Antigo Testamento é sem dúvida o personagem mais desagradável da ficção: ciumento e orgulhoso disso; mesquinho, injusto, maníaco controlador implacável; um limpador étnico vingativo sanguinário; um misógino, homofóbico, racista, infanticida, genocida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, intimidação caprichosamente malévolo". [Dawkins, Idem, p.31]
(Eu vou fazer uma serie sobre problemas éticos do Antigo Testamento em breve.) 

Conclusão

Richard Dawkins entra na maior contradição que poderia entrar: Ele afirma que nem o bem e nem o mal existem, enquanto afirma que a religião é algo ruim. O que nos faz pensar: Se Dawkins sabe que sem Deus não existem valores e deveres morais objetivos, mas ainda assim afirma a existência do mal, então, sendo essa uma razão para se crer em Deus, seria sua descrença puramente emocional, e não racional?

2 comentários:

  1. Sim, puramente emocional. Daí o medo de ser confrontado em público pelo WLC, pois duvido que com tamanhas contradições ele consiga em particular acreditar naquilo que ele mesmo defende.

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  2. Nunca vi uma interpretação tão maldosamente corrompida de uma frase. Triste.
    Quando ele fala que o mal não existe é em relação a natureza ter intenções más. A natureza é totalmente indiferente. Já atitudes más, ou ruins, claro que existe.

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