segunda-feira, 22 de junho de 2015

Refutando Objeções “de igreja” contra o uso da apologética



Eu estava no grupo Christian Apologetics Alliance certo dia, discutindo sobre o uso de apologética em igrejas e tal. E então, nós começamos a bater papo sobre pessoas de igreja que são contra o uso da razão e a apresentação de evidencias para o Cristianismo. O consenso que chegamos é que a maioria dessas pessoas não sabe o que é a apologética.


Refutando Objeções “de igreja” contra o uso da apologética


“Apologética é contra a fé sozinha”


Esse argumento é auto-refutavel. Simplesmente porque a pessoa esta tentando defender a fé sozinha contra a defesa da fé. Ou seja, defende a fé contra a defesa da fé, o que refuta a si mesmo.

“Não devemos provar que Deus existe, mas crer nele por fé.”


Isso é um mal entendido. Apologética nunca é usada pra “provar” que Deus existe. Mas sim pra mostrar evidencias de que a crença em Deus é algo racional. Se a pessoa ve que essa visão de mundo é mais racional do que seu oposto (ateísmo, a crença de que não existe Deus ou deuses), então ela poderia vir a crer que Deus existe e ser salva.

“Crer tem a ver com emoção, não com razão.”


Isso é terrível. Se crer tem a ver com emoção, então assim que a emoção acabar a pessoa vai perder todos os motivos pra crer em Deus e, assim, indo pro ateísmo ou outra religião de “emoção”.
Frank Turek nos conta a história de um pai que entrou em contato com ele:

“Eu recebi um e-mail não muito tempo atrás de um Marinho dos Estados Unidos aposentado. Então, eu sabia que esse homem não era uma mariquinha. Mas ele não estava me escrevendo como um cara machão – ele estava escrevendo como um pai perturbado.
Ele disse que sua filha era uma estudante Cristã top no colegial. Ela ajudava a liderar o grupo jovem na igreja e ganhou várias bolsas de estudo de organizações Cristãs para usar na faculdade que ela escolhesse. Ela decidiu ir a Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill para ganhar o campus para Cristo.
‘Ela estava no primeiro semestre’, o pai dela escreveu. ‘E eu recebi uma ligação dela depois de quatro semanas. Suas palavras me devastaram. Ela disse: ‘Pai, eu não acredito mais em Deus’’.
O que? Como pode isso ter acontecido?
Ele disse, ‘eu entrei no meu carro e dirigi quatro horas naquele final de semana até chegar em Chapal Hill. Eu sentei com ela mas não chegamos a lugar nenhum.’
Após apenas quatro semanas ouvindo seu professor ateísta religioso (sim, ateístas ensinam ‘religião’ em varias universidades), ela abandonou sua crença Cristã de longa data e adotou as crenças ateístas.
Uma exceção? Infelizmente não. A maioria dos jovens – estudos mostram que em torno de 75% - deixam a igreja depois do colegial, parcialmente porque o ateísmo é religiosamente promovido na faculdade e na cultura. De fato, professores de faculdade são cinco vezes mais prováveis de serem ateístas do que o publico geral, e mais da metade dos professores das faculdades tem visões não favoráveis a estudantes religiosos.
Mas como culpas os professores? Eles estão corretamente não impressionados com a inabilidade da maioria dos estudantes Cristãos de defenderem suas crenças. Em outras palavras, não é que a maioria das mentes Cristãs são perdidas na faculdade – é que as mentes Cristãs raramente chegam a faculdade. Elas raramente chegam a faculdade porque muitos pais  e igrejas enfatizam emoção e ignoram o comando bíblico de desenvolver a mente, o que significa que a maioria das crianças pulam pra faculdade equipadas com nada mais do que emoções para se sentirem bem. Se bandas, pizza e Pepsi pudessem equipar os jovens da igreja com o poder de fogo intelectual para defender o Cristianismo, nós não teríamos tantas crianças deixando a igreja.
Se você ganha crianças com algo, você as ganha para esse algo. Se você as ganha com emoções, você as ganha para emoções. Infelizmente, emoções não são páreas para os professores ateístas de faculdades que tem a intenção de minar suas crenças. Fatos são necessários. Emoções vêm e vão, mas fatos nunca mudam.” [Frank Turek, “Stealing from God: Why Atheists need God to make their case”, pp. XXV, XXVI]

“Apenas creio por fé”


Muitos Cristãos respondem a pergunta “como você sabe que o Cristianismo é verdade?” com “é verdade porque eu tenho fé”. Eu sou bem feliz em admitir que nós podemos ter certeza da fé baseado em experiência pessoal. Porem, essa resposta não traz muçulmanos, mórmons e outros pra fé em Cristo.

“1 Pedro 3:15 é usado fora de contexto histórico”


Agora, eu tenho minhas duvidas quanto a isso, mas normalmente quem usa esse argumento contra o uso da “razão para a esperança que há em nós” aponta que, no contexto histórico, os Cristãos estavam sendo perseguidos e que deveriam mostrar sua fé nas atitudes, sendo felizes e mostrando que creem em Cristo acima de tudo. E eu tenho duas respostas pra isso: Primeiro, é irrelevante. Se mostrar sua fe em atitudes serve de evidencias para a fé cristã, então ainda assim esta apresentando evidencias. Segundo, se uma pesso estiver em um meio acadêmico, então ela vai ser atacada e precisará usar a razão para mostrar sua fé. A aplicação é a mesma: Pedro diz para os Cristãos mostrarem sua fé nas atitudes. Naquele contexto: Perseguição física aos Cristãos. No contexto atual: Perseguição intelectual (e física em alguns lugares) aos Cristãos.
Agora, eu tenho minhas duvidas quanto a essa interpretação do texto. Quem usa esse argumento também diz que apologian naquela época era usado de outra forma. Porem, ela não é usada apenas em 1 Pedro 3:15. Apostolo Paulo nos diz:

Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa [apologian] do evangelho. - Filipenses 1:16,17

Paulo defendeu o Evangelho usando a filosofia pra mostrar a Verdade. Esse é exatamente a mesma forma que pessoas como William Lane Craig, Frank Turek, Ravi Zacharias, John Lennox fazem: Usam fatos da natureza pra mostrar que Deus existe e depois mostram a racionalidade do Cristianismo.
De acordo com o website Teknia:

Dicionário: ἀπολογία, ας, ἡ
Transliteração Grega: apologia
Transliteração simplificada: apologia
Numero Strong: 627
Numero GK: 665
Frequência no Novo Testamento: 8
Morfologia no Grego Bíblico: n-1ª
Comentário: defesa; responder (de razão)
Definição: defesa verbal:

Homens, irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós - Atos 22:1

Aos quais respondi não ser costume dos romanos entregar algum homem à morte, sem que o acusado tenha presentes os seus acusadores, e possa defender-se da acusação. - Atos 25:16

Então, é meio que irrelevante a forma como é pedida a defesa da fé na Bíblia. O simples fato é que ela ordena que defendamos o Evangelho. Foi isso que os Apóstolos fizeram, foi isso que Paulo fez (aqui também) e foi isso que Jesus fez. (Quando Tomé não creu no Cristo Ressurreto, o que foi que Cristo fez? Deu evidencias de que havia ressuscitado em carne e osso!)

Conclusão


Deixe-me fechar com uma citação de William Lane Craig:

“Se os pais não estão intelectualmente engajados com sua fé e não têm bons argumentos a favor do teísmo cristão e boas respostas para as perguntas de seus filhos, então estamos num verdadeiro perigo de perder nossa juventude. Não basta ensinar nossas crianças histórias simples da bíblia; eles precisam de doutrina e apologética. É difícil entender como as pessoas hoje podem arriscar ser pais sem ter estudado apologética.
Infelizmente, nossas igrejas jogaram a toalha nessa área. Não é suficiente focar em entretenimento e pensamentos devocionais bobos nos grupos de jovens e escolas bíblicas. Temos que treinar nossos filhos para a guerra. Não podemos enviá-los para o ensino médio e para a universidade armados de espadas de borracha e armaduras de plástico. O tempo de brincar já passou.” [Reasonable Faith, “Quem precisa de apologética cristã?”] 

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