terça-feira, 30 de junho de 2015

A Tática do Papa Léguas - Argumentos que cometem suicídio [Atualizado: 12/10/16]


A tática do Papa-léguas possui esse nome porque é demonstrado, através dela, que uma afirmação ou argumento não pode se sustentar nem em si mesma. É a aplicação de uma afirmação a si mesma. Quando se faz isso, aquele que afirma percebe que sua declaração não pode se manter, independente do argumento usado para chegar a ela. Assim como o Coiote no desenho. Ele achava que estava indo muito bem em sua estratégia para capturar o Papa-Léguas, mas o Papa-Léguas usa a estratégia do Coiote contra ele mesmo. Assim, ele percebe que mesmo fazendo uma grande elaboração, seu resultado falhou. Da mesma forma, existe uma série de argumentos que refutam a si mesmos. Mesmo que se de uma enorme justificativa para eles, a conclusão se volta contra si mesma, provando-se falsa.
A seguir, uma lista de argumentos que refutam a si mesmos:


“Não existe verdade absoluta!”
- Isso é uma verdade absoluta?

"Não há fatos eternos"
- Isso é um fato eterno?

"A verdade é mutável! Ela muda!"
- Essa verdade muda ou é absoluta?

"Não existe opinião verdadeira! Toda opinião é errada."
- Essa é a sua opinião?

“O que é verdade pra você não é verdade pra mim”
- Isso é verdade somente pra você?

"A linguagem não carrega sentido"/"Nenhuma sentença tem sentido"

- Então, qual o sentido do que acabou de falar?/Essa sentença tem sentido?

"A verdade não pode ser transmitida pela linguagem"
- Então, o que você acabou de transmitir pela linguagem?

“Você não deveria impor sua moralidade nos outros!”
- Por que esta impondo essa sua regra moral em mim?

“Só devemos crer no que pode ser cientificamente provado”
- Essa afirmação pode ser cientificamente provada?

“Não podemos conhecer a verdade!”
- Como você conhece essa verdade?

“Não podemos conhecer a verdade sobre a religião!”
- Como você conhece essa verdade sobre a religião?

"Você não pode conhecer o mundo real" (You "Kant" know the real world)
- Então como você conhece isso sobre o mundo real?

"Em um debate existem três lados: O de um, o de outro e a verdade"
- Esse é só o seu lado ou é a verdade?

“Só devemos crer no que é provado pelo método empírico”
- Essa frase pode ser provada pelo método empírico?

“Só acredito no que posso ver”
- Você consegue ver essa crença?

"Apenas a matéria existe!"
- Esse pensamento é material? 

“Ninguém sabe a verdade”
- Como você sabe que essa é a verdade?

“Duvide de tudo!”
- Devo duvidar dessa afirmação?

“Não julgue!”
- Por que me julga por julgar?

"Não existem absolutos!"
- Tem certeza absoluta disso?

"Todas as crenças são reflexo de insegurança"
- Você crê nisso?

“Tudo é relativo!”
- Isso é relativo?

"Toda a verdade é relativa!"
- Isso é verdade pra todo mundo ou é relativa?

"Dois opostos são verdades"
- O oposto dessa afirmação (dois opostos não são verdades) é verdade?

"Eu não creio na lei da não-contradição"
- Então você crê nela? (hue)

“Nada é verdade!”
- Isso é verdade?

"A verdade vem do interior de cada um!"
- E essa verdade? Vem do interior de cada um?

“A Lei da causa e efeito não existe!”
- Então essa afirmação veio do nada?

“Toda regra tem uma exceção!”
- Existe exceção pra essa regra?

"É intolerante dizer que sua visão de mundo é melhor do que a de alguém"

- Essa visão de mundo é melhor que a minha? (Hue) 

"A história é relativa!"

- Essa afirmação, do momento em que você disse pra cá, já é história. Então ela é relativa?
ou
- Um dia essa afirmação será ensinada como histórica. Ela será relativa? 

"Você só esta fazendo um jogo de palavras comigo!"
- E isso é um jogo de palavras? Por que quando eu uso a logica, você diz que é um jogo de palavras, mas quando você usa, você assume que seja verdade?


Uma nota interessante é que algumas vezes as pessoas parecem não perceber que qualquer resposta à afirmação de que suas posições são auto-refutáveis vai ser auto-refutável. Por exemplo, um tempo atrás, tive o seguinte dialogo com um colega meu:


Ele: "Nós não podemos saber a verdade." 

Eu: "Como você sabe essa verdade?". 
Ele: "Eu não a sei!".
Eu: "Então como pode afirma-la?"
Ele: "Mas eu não a estou afirmando!"

Note o ápice da irracionalidade quando tentam defender o relativismo. Ora, se ele não a estivesse afirmando, nem ao menos a conversa teria começado. De fato, esse foi o rumo da conversa:


Ele: "Não podemos afirmar uma verdade!"

Eu: "Mas você esta afirmando essa verdade."
Ele: "Não estou não!"

Logo depois:


Ele: "Não podemos afirmar coisas com certeza!"

Eu: "Tem certeza disso?"
Ele: "Pior que não!"

Viu só? Todo e qualquer argumento para defender o relativismo vai se basear em premissas mais fracas do que argumentos para uma verdade objetiva. Relativismo parece ser baseado apenas no medo de buscar uma verdade. Medo de ter que sair de sua zona de conforto. Medo de não ser seu próprio deus. Medo de estar errado. Se a afirmação, "não podemos saber a verdade" é falsa ("como você sabe essa verdade?") Então, necessariamente, o seu oposto é verdadeiro. Quer dizer, podemos saber a verdade. Dizer que isso é apenas o uso da linguagem ou uma formulação linguística não ajuda no caso. A linguagem nada mais é do que um meio de se traduzir de modo compreensível ao ser humano um pensamento. Esse pensamento pode ser sobre a realidade. E, de fato, como o teólogo Eduardo Feltraco colocou, o paradoxo se mantem, não por causa da linguagem, mas por causa do falso silogismo que há nas afirmações auto-refutáveis.

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