quarta-feira, 3 de junho de 2015

A Existência de Deus #14 - O Argumento da Introspectiva


[Nota: Apesar de eu discordar em partes do Inspiring Philosophy, eu achei interessante compartilhar esse argumento. Enjoy.]
Estudos recentes da física quântica nos mostram que a matéria não pode existir sem um observador. Diversos estudos comprovam isso. Porem, nós podíamos ver as implicações da mecânica quântica na nossa frente o tempo todo.

O Argumento da Introspectiva


Premissa 1 – A Mente Existe

Ninguém com uma mente poderia negar isso [Dã]. Você pensando que a mente é uma propriedade que emerge do cérebro ou uma substancia fundamental, não há como negar que uma mente existe. Como ateísta Sam Harris colocou:

“O que eu quero dizer com ‘consciência’ é que a consciência é a única coisa nesse universo que não pode ser uma ilusão. A consciência é o fato de experiência. O fato de que algo esta acontecendo” [Sam Harris on “Free Will” (56:20)]

Premissa 2 – As propriedades da mente não são as que a matéria pode ter

Isso pode ser visto na diferença entre Propriedades Mentais e Propriedades Físicas. Considere essas duas coisas: (1) Sentir dor e (2) um sinal elétrico no cérebro. Elas são a mesma coisa? Claro que não, pois um sinal elétrico no cérebro pode acontecer sem a sensação de dor. O que nós sentimos é uma correlação entre o sinal elétrico e a sensação de dor. Mas pode muito bem existir um mundo possível onde alguém sente dor, sem ter o sinal elétrico. O filosofo ateísta Thomas Nagel diz:

“... se um evento mental realmente é um evento físico nesse sentido, e nada mais, então o evento físico por si só, assim que suas propriedades físicas são compreendidas, deveria também ser suficiente para o gosto de açúcar, a sensação de dor, ou qualquer coisa que deveria ser supostamente idêntica. Mas, não parece ser isso. Parece concebível, para qualquer evento físico, deveria existir outro evento físico sem qualquer experiência. A experiência de saborear parece ser algo extra, contingentemente relacionado ao estado cerebral – algo produzido ao invés de constituído pelo estado mental. Então, ela não pode ser idêntica ao estado cerebral da forma que a água é idêntica a H2O” [Thomas Nagel, “Mind and Cosmos”, p. 41]

O ponto é que coisas como a Qualia não são substancias físicas. O que nós experimentamos são substancias mentais, como a qualia, e então assumimos que elas vem de substancias físicas nelas mesmas. Mas uma substancia mental como o sabor do açúcar não existe sem a substancia física. Elas não são nada mais do que uma experiência mental, e então nós assumimos que elas vem de propriedades físicas. Portanto, sob exame, propriedades mentais e físicas são destacadas. Nenhuma quantidade de introspectiva pode reduzir à química do cérebro. Harris diz:

“Não há nada sobre a introspectiva que o leva a sentir que sua subjetividade é na verdade dependente, ou até mesmo relacionada a variações de tenção e interações químicas dentro de sua cabeça. Mas você pode sentir, pode derramar acido, pode meditar por um ano, pode fazer o que quiser para perturbar seu sistema nervoso, pode sentir que é um só com o universo, e em nenhum ponto dessa transformação você tem um vislumbre de que há uma centena de trilhão de neurons na sua cabeça. Ou sinapse em sua cabeça que esteja fazendo qualquer coisa.” [Sam Harris VS Deepak Chopra (debate): Consciousness and the Brain (3:20)]

Mas ja que nós sabemos que a experiência mental não é uma propriedade necessária de substancia física, então elas não podem ser a mesma coisa. A substancia mental é algo separado e tudo o que nós verdadeiramente experimentamos.

Conclusão 1 – A mente não é reduzível a matéria.

Premissa 3 – Dualismo substancial é falso.

De acordo com o Dualismo substancial, existem dois tipos de substancias fundamentais: a Matéria e a Mente. Porem, essa visão leva a problemas relacionados a interação da matéria com a mente.
As contradições internas do interacionismo demonstram que dois tipos fundamentais de substancias não podem interagir. Se pudessem, eles teriam que interagir com propriedade compartilhada. Porem, se elas compartilham propriedades, então elas não são substancias separadas. Ou a mente compartilha uma propriedade física com a matéria, ou a matéria compartilha uma propriedade mental com a mente. Portanto, o dualismo substancial se torna incoerente quando inspecionado de perto, e deve ser rejeitado.
Então, embora obvio para muitos, essas três premissas levam a uma conclusão que muitos acham inaceitável. Porem, com uma simples dedução a conclusão é inevitável.
Se a mente existe e não pode ser reduzida a matéria, e o dualismo substancial é falso, então nenhuma outra substancia existe então nós concluímos...

Conclusão – Tudo é Mente - O universo é uma construção mental.

Sem surpreender ao Idealista, isso é o que os resultados experimentais da mecânica quântica nos dizem. [An experimental test of non-local realism] A matéria não é fundamental em si mesma, mas não pode existir antes da observação. O que foi demonstrado no ultimo texto [O Argumento da Física Digital], e as propriedades da matéria não tem existência independente alem de como alguém escolhe observá-la.

“Não há realidade objetiva alem do que observamos” [SSE Talks - Quantum Mechanics and Consciousness 3/4 (1:54)]

“O que nós percebemos como a realidade agora depende de nossa decisão anterior do que observar” [From Einstein To Quantum Information: An Interview With Anton Zeilinger (12:50)]

Então, o argumento não é apenas uma possibilidade a priori ou apenas uma idéia interessante. Mas de fato, prevê as implicações filosóficas da mecânica quântica. A evidencia sugere que o universo é fundamentalmente mental.
Isso não seria surpresa a muitos dos pioneiros da teoria quântica. Max Planck disse:

“Não existe matéria como tal. Toda a matéria origina e existe apenas por virtude de uma força [...] Nós devemos assumir por trás dessa força a existência de uma mente consciente e inteligente. Essa mente é a matrix de toda a matéria.” [Das Wesen der Materie [A Natureza da Matéria]. Discurso em Florença, Itália (1944)]

Sir Rudolf Peierls disse:

O momento em que você pode jogar fora uma possibilidade e ficar apenas com a outra é quando você finalmente se torna consciente do fato de que o experimento deu algum resultado [...] Veja vem, a descrição da mecânica quântica é em termos de conhecimento, e conhecimento requer alguém que sabe.” [Citado em: Paul Davies e Julian Brown, “The Ghost in the Atom,” PP 73-74]

Mas e que tal dualismo de propriedade? Alguém poderia usar Premissa 1 e Premissa 2 para chegar a conclusão de que o Dualismo de Propriedade é verdade? Que o mundo mental é apenas uma propriedade de substancias físicas e portanto não reduz a si mesmo a própria substancia, mas apenas separa a propriedade da matéria? Porem, isso não é parcimonioso ou verificável, já que nós apenas interagimos via qualia em um nível mental. Se existem propriedades físicas e mentais e uma substancia, não é parcimonioso colocar propriedades separadas que nós não interagimos, apenas para salvar uma realidade independente. Porem, mais importante é que a mente não pode ser reduzida a apenas uma propriedade. Isso pode ser demonstrado em uma simples dedução:

Premissa 1 – Se solipsismo é concebível, então um mundo possível poderia existir onde apenas a mente existe.

Solipsismo é a visão de que apenas a sua mente existe e que tudo mais é uma ilusão dela.

Premissa 2 – Solipsismo é concebível.

Conclusão 1 – Portanto, um mundo possível existe com apenas a mente nele. 

Premissa 3 – Mundos possíveis não podem consistir de propriedades ou processos, mas devem incluir também entidades.

Premissa 4 – Não há diferença entre a mente existindo em um mundo solupsista e o mundo real.

Isso vem da lei de Indiscernibilidade dos Idênticos de Leibniz: Se existem duas coisas e elas são idênticas uma a outra, então o que é verdade para uma será verdade para a outra.

Conclusão – Então a mente não pode ser uma propriedade ou um processo, mas em vez disso deve ser uma entidade.

Então, o dualismo de propriedade física não escapa do argumento, como alguns poderiam ficar assustados pelo argumento porque eles assumem que ele leva ao solipsismo. Porem, como Richard Conn Henry e Stephen R. Palmquist apontaram:

“[...] uma visão teista de nossa existência se torna a única alternativa racional ao solipsismo.” [http://henry.pha.jhu.edu/aspect.html]

Ninguém precisa ir a visão de idealismo extremo de que apenas a sua mente existe. Mas pode manter a visão de que o mundo mental cria a construção do mundo físico.
Muitos filósofos notaram também, que nós não temos controle sobre como o mundo se comporta. [David Deutsch on Solupsism] Portanto, não é racional assumir que tudo é uma criação em sua própria mente. Mas, se tudo é Mente, então devemos deduzir que tudo é dependente de uma Mente muito maior. E é por isso que o Teísmo é a única alternativa racional ao solipsismo.
Apesar dessa conclusão poder ser rejeitada por muitos como inaceitável, de que existe uma Mente independente da realidade, a conclusão ainda segue da lógica. De fato, nós nem poderíamos conceber uma mente independente da realidade sem uma mente. Como Max Planck disse:

“Eu considero a consciência fundamental. Eu considero a matéria como derivada da consciência. Nós não podemos ficar pra trás da consciência. Tudo que falamos, tudo o que consideramos existente, postula a consciência.” [The Observer (25 de Janeiro de 1931)]

Então, como disse, esse argumento não é apenas uma idéia interessante, mas prediz as implicações filosóficas da mecânica quântica.
Mas e quanto aqueles que ainda rejeitam a mecânica quântica? Bom, Euan Squires disse:

“Provavelmente é justo dizer que a maioria dos membros da comunidade da física rejeitariam [essas] idéias [...] [Porem], suas razões seriam baseadas mais em preconceitos do que em argumentos sólidos, e a proporção desses que rejeitam isso seria muito menor se nós considerássemos apenas aqueles que realmente pensaram cuidadosamente sobre os problemas da teoria quantica.” [Euan Squires, “Conscious Mind in the Physics World”, p. 192]

“Acredito que a física moderna decidiu definitivamente em favor de Platão. De fato, as menores unidades de matéria não são objetos físicos em um sentido ordinário; elas são formas, idéias que podem ser apenas expressadas inequivocadamente na linguagem matemática” – Werner Heisenberg


Traduzido de: Inspiring Philosophy – “The Introspective Argument

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