sexta-feira, 1 de maio de 2015

Refutando o "Guia passo a passo para o Problema do Mal"



Tem essa imagem que eu achei na internet a pouco tempo. Embora eu já tenha feito uma serie de textos sobre oproblema do mal, achei importante escrever sobre essa imagem mostrando os erros “passo a passo”.


Refutando o “Guia passo a passo para o Problema do Mal”


O Mal existe

Sim

Deus sabe que o mal existe?

Obvio, ninguém seria jumento o bastante pra dizer que não. Importante notar que nós também sabemos que o mal existe.

Deus pode acabar com o mal?

Sim, pode. Mas ele começaria por mim e por você. Como Frank Turek bem colocou:

“... nós somos maus todos os dias. Por que nós sempre pensamos em outras pessoas fazendo o mal e nunca em nós mesmos? Para Deus eliminar o mal do mundo, Ele teria que eliminar nossa liberdade. Mas, se Ele tirar nossa liberdade, então Ele tira nossa habilidade de amar também. Deus não quer robôs.” [1]

Se tudo o que acontecesse em nossa vida fosse pro nosso bem, seriamos egocêntricos, egoístas. É muito mais fácil ser mal do que ser bom. Se tudo fosse bom, nós iríamos sempre querer mais e mais bem, seriamos egoístas e, no fim, seriamos maus. Porque a essência de ser bom é ser autruista e sofrer pelos outros.
No Cristianismo, cremos que todos merecemos o inferno. E qual a solução de Deus para que sejamos salvos? Ele envia Seu Filho, para sofrer e morrer em nosso lugar. O propósito da vida no Cristianismo não é a “felicidade”. Mas sim conhecer a Deus e fazer Ele conhecido. Não é apenas saber que Ele existe, mas confiar nEle.
O irônico é que ateus dizem que Deus “é mal no Antigo Testamento”. Bom, Ele estava eliminando o mal da Terra! Mas não importa o que Ele faça, sempre vão reclamar.
Mas e quanto ao mal natural? Para responder a isso, eu vou te levar a esse outro texto. Mas de qualquer forma, no Cristianismo, cremos que este mundo tem um propósito temporário. No Novo Mundo, após o retorno de Cristo, todo o Mal será eliminado.
Nós não temos capacidade de dizer que Deus não tenha razões morais para permitir o mal. Talvez um mal que pareça inútil agora tenha significado no futuro, talvez até mesmo em outro pais. Talvez apenas em um mundo com determinada quantidade de mal que mais pessoas possam vir a conhecer Deus.
E se você pensar bem, sem os nossos sofrimentos particulares, nós nunca amadureceríamos. Seriamos beber chorões que sempre que algo da errado a “mamãe” vem arrumar. Mas Deus não é a “mamãe” nem o nosso “chapa”. Ele é o Pai que nos educa e nos ajuda a perceber nossa dependência nEle.
O que o ateu tem que provar aqui é que é logicamente impossível que Deus crie um mundo com pelo menos a mesma quantidade de bem, mas com menos mal. Mas como fazer isso? Pode muito bem ser o caso de Deus ter razões morais para permitir o mal. E se essa possibilidade existir, então o argumento do mal não tem a força imaginada. É apenas um problema emocional, mas não intelectual.

Deus quer acabar com o mal?

Sim, e Ele irá um dia:

“Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” – Apocalipse 21:4

Então, por que o mal existe? – “para nos testar”

Na imagem “Se ele é onisciente ele a sabe o resultado e não precisa nos testar”

Esse argumento comete uma falácia na lógica modal. Ele é mais ou menos assim:

1- Se Deus necessariamente sabe X, então X acontecerá.

2- Deus necessariamente sabe X

3- Portanto, necessariamente X acontecerá.

Porem, a conclusão não se segue das duas premissas. O que se segue não é que “X necessariamente acontecerá”, mas que “X acontecerá”, não necessariamente. Porem, X pode falhar em acontecer. Mas, se fosse acontecer de outra forma, então Deus teria previsto outra coisa. É como um termômetro: Ele esta sempre certo quanto a temperatura, mas o termômetro não determina a temperatura. Se a temperatura estivesse diferente, então o termômetro estaria diferente.
O que nós fazemos é logicamente anterior ao que Deus sabe, mas a presciência de Deus é cronologicamente anterior ao que fazemos.

Então, por que o mal existe? – “Satã”

Na imagem: “Se ele é onisciente e onipotente e bondoso, poderia ter destruído Satã”

De novo, um dia irá:

“O diabo, que as enganava, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta. Eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre.” - Apocalipse 20:10

Deus podia ter criado um universo com livre arbítrio mas sem o mal?

Não, mas isso não significa que Ele não seja onipotente. “Onipotência” significa poder fazer o que é logicamente possível. E criar pessoas livres, só que sem a capacidade de fazerem escolhas, é logicamente impossível. E isso não é uma diminuição do poder de Deus, como vimos nesse outro texto.

Lembre-se: Nós sabemos o que é o mal

O simples fato de sabermos o que é o mal nos mostra que Deus existe. Por que? Bom, se o mal existe, então ele é a corrupção do bem. Quer dizer, é o resultado de pessoas que tentam adquirir algo da forma errada. Porem, se existe um jeito errado de se agir, então existe um jeito certo. Esse jeito certo é a maneira como as coisas deveriam ser. E se existe um jeito certo e errado, então existe uma Lei Moral. Agora, se até as regras de um esporte, como o futebol, precisam de uma pessoa para criá-las, então por que a Lei Moral seria diferente?
No final, somos forçados a admitir: A existência do Mal aponta para a existência de uma Lei Moral. E a Lei Moral aponta para um Legislador que teve que criá-la.

Conclusão

O argumento do Problema do Mal pressupõe que Deus não tenha razões morais para permitir o mal e da tratamento especial para a pessoa que usa o argumento para dizer que ela “não é má”. Como vimos, Deus vai acabar com o mal e com satanás. Também vimos que é lógicamente impossível criar seres livres que não possam fazer escolhas. E por fim, vimos que o mal aponta para uma Lei Moral, que aponta para um Legislador. Portanto, a existência do mal prova que Deus existe.

Fontes


[1] – TUREK, Frank, “Stealing from God” (NavPress 2014), p. 129

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