sexta-feira, 1 de maio de 2015

Refutando as “doze provas da inexistência Deus” do site Deuses e Homens


Tem esse texto do site “Deuses e Homens” que diz ter doze provas (não evidencias, nem argumentos, apesar deles chamarem de argumentos ao longo do texto) de que Deus não existe. Qualquer teólogo ou filosofo da religião responderia eles sem problema algum. Mas, até eu que não sou nenhum dos dois pode tentar responde-los.

Refutando as “doze provas da inexistência Deus” do site Deuses e Homens


Argumento N° 1 e 2 – “Nada é criado, tudo é construído, fabricado, impresso, etc” / “Como pode uma causa imaterial criar um universo material?”

1 - Criar é tirar qualquer coisa do nada; é, com nada, fazer qualquer coisa do todo; é formar o existente do não existente. Ora, eu imagino que é impossível encontrar uma única pessoa dotada de razão que conceba e admita que do nada se possa tirar e fazer qualquer coisa. [...]  É por isso que o famoso aforismo de Lucrécio nada surge do nada (Ex nihilo nihil) é de uma certeza e de uma evidência manifesta. O gesto criador é um gesto impossível de admitir, é um absurdo. Criar na realidade é uma expressão místico-religiosa, que pode ter algum valor aos olhos das pessoas que gostam de crer naquilo que não compreendem. Mas devemos convir que a palavra criar é uma expressão vazia de sentido para todos os homens cultos e sensatos, para quem uma palavra só tem valor quando representa uma realidade ou uma possibilidade. Consequentemente, a hipótese de um ser verdadeiramente criador é uma hipótese que a razão repudia. Portanto o ser criador não existe, não pode existir.

2 - O Deus deles é puro espírito. Portanto, é inteiramente impossível sustentar-se que o puro espírito, o imaterial, tenha podido determinar o Universo, o Material. [...] De duas, uma: ou a matéria estava fora de Deus, ou era o próprio Deus (a não ser que lhe queiram dar um terceiro lugar). No primeiro caso, se a matéria estava fora de Deus, Deus não teve necessidade de criá-la, visto que ela já existia; e, se ela coexistia com Deus, estava concomitantemente com ele, do que se conclui que Deus não é o criador. No segundo caso, se a matéria não estava fora de Deus, encontrava-se no próprio Deus. E, daqui, tiro a conclusão seguinte: (1º) Que Deus não era puro espírito, porque encerrava em si uma partícula de matéria — e que partícula! A totalidade dos mundos materiais! (2º) Que Deus, encerrando em si próprio a matéria, não teve a necessidade de criá-la, porque ela já existia. Assim, existindo a matéria, Deus não fez mais do que retirá-la de onde estava; e, neste caso, a criação deixa de ser um ato de verdadeira criação para se reduzir a um ato de exteriorização. Nos dois casos não existe, pois, criação.

Note que a segunda pergunta é basicamente a mesma da primeira, porem com outras palavras. A primeira diz:

“Como pode a matéria surgir do nada?”

E a segunda diz:

“Como pode a matéria surgir do imaterial?”

Não dizendo que o “imaterial” é “nada”, mas que ambos os argumentos dizem que o material não poderia ser criado por uma causa que é imaterial.

Respostas:

Causa eficiente e causa material

Quando teistas dizem que se algo começa a existir, então teve uma causa, estamos nos referindo a causa eficiente. Aristóteles distinguia entre causa eficiente e causa material. A causa material é aquilo que compõe o objeto. Já a causa eficiente, é aquilo ou aquele que usa a matéria para criar o objeto. Por exemplo, a estatua Davi, de Michelangelo, tem como causa material o gesso de que é feito. E Michelangelo é a causa eficiente.
Quando falamos que o universo foi criado, dizemos que ele tem que ter tido uma causa eficiente. Ora, se não existia “material” antes da singularidade, como a Cosmologia do Big Bang sugere, então estamos justificados em postular pelo menos uma causa eficiente. Sem isso, somos forçados a crer que o Universo surgiu sem causa material nem causa eficiente. O que é mais absurdo ainda.

Nada começa a existir?

De acordo com o site, quando algo é “criado” significa que “começa a existir”. Logo, se nada é criado, nada começa a existir. Tudo é rearranjo de matéria. Mas, se esse é o caso, então nada do que existe, de fato, existe. Porque se nada começa a existir, então não tem como esse algo existir, pois nunca começou. De fato, o próprio ateísta fazendo o argumento não existe, já que nunca começou a existir. Então, eu deveria estar me perguntando por que responde-lo... Mas de qualquer forma, se eu nunca comecei a existir, onde eu estava quando meu prédio foi construído? Onde eu estava na era jurássica?

“Exemplos” de algo que vem do nada

Quando nós imaginamos algo, estamos criando imagens no “nada”. Se eu penso em um elefante rosa, você pode abrir meu cérebro e pesquisar o quando quiser, não vai achar o elefante rosa. Similarmente, a expansão do Universo cria espaço o tempo inteiro no nada.
Um outro exemplo, muito usado por ateus, são as partículas subatômicas que vem do vácuo quântico, repleto de energia e governado por leis da natureza, que eles chamam de “nada”.

Idealismo / Pananteismo Fraco (não confundir com Panteísmo)

Existe uma posição no meio cristão que crê que tudo é a mente de Deus. Então, nós não fomos criados a partir do nada nessa visão, mas sim somos uma grande “matrix” criada em uma Mente Superior.

Argumento N°3 – “O Perfeito não pode produzir o imperfeito.”

Estou plenamente convencido de que se eu fizer a um religioso a pergunta: “Pode o imperfeito produzir o perfeito?”, ele responderia sem vacilar: — Não, o imperfeito não pode produzir o perfeito! Pelas mesmas razões, e com a mesma força de exatidão, eu posso afirmar — O perfeito não pode produzir o imperfeito! [...] o Universo é uma obra imperfeita. Consequentemente, digo: há sempre, entre uma obra e seu autor, uma relação rigorosa, íntima, matemática. Ora, se o Universo é uma obra imperfeita, o autor desta obra não pode ser senão imperfeito. Esse silogismo leva-me a admitir a imperfeição de Deus, e por consequência a negá-lo. Mas eu posso ainda raciocinar assim: ou não é Deus o autor do Universo (exprimo desta forma a minha convicção), ou o é, na suposição dos religiosos. Neste caso, sendo o universo uma obra imperfeita, vosso Deus, ó crente, é também imperfeito. Silogismo ou dilema, a conclusão do raciocínio é esta: o perfeito não pode determinar o imperfeito.

O argumento é basicamente o seguinte:

Premissa 1 – Um autor perfeito somente cria obras perfeitas

Premissa 2 – O universo é imperfeito

Conclusão – Portanto, o autor do universo ou é imperfeito ou não existe.

Resposta

O problema com esse argumento é que a premissa 1 é falsa. Um autor perfeito pode criar obras imperfeitas. Isso só depende da vontade do autor e do propósito do autor. No caso do Cristianismo, se admitirmos que Deus tem Conhecimento Médio, Ele já saberia que os seres humanos se desviariam dEle na circunstancia do Éden e, assim, criou um universo temporário e imperfeito para eles simplesmente viverem.
Alem disso, pense um pouco: O perfeito pode viver sem o imperfeito, mas o imperfeito não existe sem o perfeito. Então admitir que o imperfeito existe tem que pressupor que o perfeito exista antes.

Argumento N° 4 – “O ser eterno, ativo, necessário, não pode, em nenhum momento, ter estado inativo ou ter estado inútil”

...eu pretendo e vou demonstrar que se Deus é eterno, ativo e necessário, também deve ser eternamente ativo, e eternamente necessário. E que, por consequência, ele não pôde, em nenhum momento, ter sido inativo ou inútil, e que enfim, ele jamais criou. Negar que Deus seja eternamente ativo equivale a dizer que ele nem sempre o foi, que chegou a sê-lo, que começou a ser ativo, que antes de o ser não o era. Dizer que foi pela criação que ele manifestou a sua atividade é admitir, ao mesmo tempo, que por milhares e milhares de séculos que antecederam a ação criadora, Deus esteve inativo. Negar que Deus seja eternamente necessário equivale a admitir que ele nem sempre o foi, que chegou a sê-lo, que começou a ser necessário e que antes de o ser não o era.

Resposta

Eu não sei se ele esta falando do conceito de Necessidade da lógica modal, mas se estiver, ele esta completamente errado. Necessidade significa algo auto-existente, não que seja necessário pra algo. Mas enfim, pelo bem do argumento, vamos supor que esse seja o caso. Deus é inútil? Bom, não no Cristianismo.
No Cristianismo, cremos em um Deus, que é três Pessoas. Um “O que” com três “Quems”. Então, Deus, antes da criação viveu em constante estado de amar um ao outro. Uma pessoa da Trindade amando a outra. Quando isso é entendido, a idéia de “inutilidade eterna” desaparece.

Argumento N° 5 – “O imutável não pode criar, pois, se criar, mudou”

Deus criou, dizeis vós, crentes. Então modificou-se duas vezes: a primeiro, quando se determinou a criar; a segunda, quando resolveu pôr em prática sua determinação, completando o gesto criador. Se ele se modificou duas vezes, não é imutável. E, se não é imutável, não é Deus — não existe. O ser imutável não criou.

Resposta

Esse argumento é terrível. A definição de Deus não é de alguém completamente imutável, mas sim de alguém que tem personalidade e natureza moral imutáveis. Alem disso, perde totalmente o ponto do que era Deus antes da criação. Deus vivia em um estado atemporal. Ele não estava ali sozinho e pensou “acho que amanha vou criar um universo... E preparar uns biscoitos!” Ele simplesmente era atemporal e imutável. Mas para haver uma mudança, uma escolha tem que ser feita. Então, depois dessa escolha, Deus mudou para um estado temporal para interagir com Sua criação.

Argumento N° 6 – “Não há motivo para Deus criar!”

Porque motivo tomou Deus a resolução de criar? Que motivo o impulsionaria a isto? Que desejo germinaria em seu cérebro? Qual seria o seu intuito? Que ideia o perseguiria? Que fim perseguiria ele? Multiplicais, nesta ordem de ideias, as perguntas; gravito, conforme quiserdes, em torno deste problema; examinai-o em todos os seus aspectos e em todos os sentidos, e eu desafio seja quem for a que o resolve em outro sentido que não seja o das incoerências. Por exemplo: Eis uma criança educada na religião cristã. O seu catecismo afirmou-lhe, e os seus mestres confirmam, que foi Deus que a criou e a colocou no mundo. Suponhamos que a criança faz a si própria a pergunta: porque é que Deus me criou e me lançou no mundo? Ela que quer obter uma resposta judiciosa, racional. Nunca obterá.

Resposta pra criança

Como dito acima, Deus viveu em seu estado atemporal em uma relação de amor entre as três pessoas da Trindade: O Pai, o Filho e o Espírito Santo. Então se a Sua essência é o amor, o propósito da Sua criação é para que ela tenha um profundo relacionamento com Ele. Deus nos criou para nos amar a para amarmos Ele de volta.

Argumento N° 7 – “Um Criador torna um Gerenciador inutil” (???????)

Se o Universo criado por Deus tivesse sido uma obra perfeita; se, no seu conjunto, como nos seus pormenores, esta obra não apresentasse nenhum defeito; se o mecanismo desta criação gigantesca fosse irrepreensível; se a sua perfeição fosse de modo que a ninguém despertasse a menor suspeita de qualquer desarranjo ou de qualquer avaria; se, enfim, a obra fosse digna deste operário genial, deste artista incomparável, desse construtor fantástico a que chamam Deus, a necessidade de um governador nunca teria sentido. É lógico supor que, uma vez a formidável máquina fosse posta em movimento, nada mais haveria a fazer do que abandoná-la a si própria, visto que os acidentes seriam impossíveis. Não seria preciso este engenheiro, este mecânico, para vigiar a máquina, para a dirigir, para a reparar, para a afinar, enfim. Não, este engenheiro seria inútil, este mecânico não teria razão de ser.

Resposta

Apesar desse argumento não fazer sentido algum, o exemplo dele pode levar ao engano, então vou dar outro exemplo: Se eu crio um jogo de videogame online, com varias pessoas ao redor do mundo jogando, eu preciso estar presente nele para gerenciá-lo contra hackers, trapaceiros, erros de jogo, etc. Com isso em mente, vemos que um gerenciador é tão importante quanto o criador.

Argumento N°8 – “A multiplicidade dos deuses prova que não há nenhum deles”

Segundo os cálculos mais bem fundados, há, presentemente, oitocentas religiões, que se disputam o império das 7 bilhões de consciências que povoam o nosso planeta. Ninguém pode duvidar que cada uma destas religiões reclama para si privilégio de que só o seu Deus é que é o verdadeiro [...] Se fosse poderoso teria podido falar a todos os indivíduos com a mesma facilidade com que falou isoladamente a alguns. [...] Mas Deus não fez assim, visto que uns o negam, outros o ignoram, e outros, enfim, opõe tal Deus escolhendo outros dos seus concorrentes. Nestas condições não será mais sensato pensar que ele não falou a ninguém, e que as múltiplas revelações que são atribuídos a ele, não são, senão, múltiplas imposturas, que se ele falou a uns poucos, é porque era incapaz de falar com todos? Sendo assim, eu acuso-o de impotência. E se não quiserdes que o acuse de impotência, acuso-o de injustiça. Que pensar, com efeito, de um Deus que se mostra a um reduzido número e que se esconde das outras? Que pensar de um Deus que fala para uns e que, para outros, guarda o mais profundo silêncio? [...] A multiplicidade de religiões proclama que a Deus faltou poder ou justiça. Ora, Deus deve ser infinitamente poderoso e infinitamente justo (são os religiosos que o afirmam). E se lhe falta um destes dois atributos (poder ou justiça) não é perfeito: não sendo perfeito, não tem razão de ser, não existe. A multiplicidade dos Deuses e das religiões demonstra que não existe nenhum deles.

Resposta

Deus realizou Seus milagres no passado, em tempos separados, em ocasiões raras, para mostrar que existe. Se parar pra pensar, os milagres são raros até mesmo na Bíblia. Mas, deixando isso de lado, Deus não vai aparecer ou mandar recadinho pro mundo inteiro crer nEle simplesmente porque há uma enorme diferente em crer que Deus existe e crer em Deus. Aquele que crê que Deus existe simplesmente crê em Sua existência. Mas aquele que crê em Deus, esta preocupado em manter um relacionamento pessoal com Ele. Então, se Deus simplesmente aparecesse, você não estaria crendo nEle para ter um relacionamento com Ele, mas sim por medo do inferno.
Já que Deus criou seres livres, Ele não pode garantir que todas as pessoas se mantenham na religião verdadeira. Então, se as pessoas criam religiões confortáveis apenas para poder fazer o que querem e satisfazer suas vontades individuais, Deus não pode se responsabilizar. Se Ele interferisse, estaria interferindo na liberdade das pessoas, e isso não seria amoroso.

Argumento N° 9 – “O inferno prova que Deus não pode ser infinitamente bondoso”

Pois bem, o Deus dos cristãos, esse Deus que dizem cheio de piedade, de perdão, de indulgência, de bondade e de misericórdia, precipita para todo o sempre, uma parte dos seus filhos, num antro de torturas as mais cruéis, e de suplicias as mais horrendas. Oh! Como ele é bom! Como ele é misericordioso! Vós conheceis certamente estas palavras das escrituras: “Muitos serão os chamados, mas poucos os eleitos”. Estas palavras significam que o número de salvos será ínfimo, enquanto que o número de condenados há de ser considerável.

Respostas:

O que diz a doutrina do Inferno

A doutrina do Inferno nos diz que se você esta separado de Deus na vida terrena, você esta caminhando para um lugar sem relacionamento com Ele. Esse é o inferno. Um lugar onde você escolheu estar: Não quer estar com Deus durante a vida, não vai querer pela eternidade. E essa não é a vontade de Deus, mas você a escolheu.
“Mas por que Deus puniria pessoas eternamente por pecados curtos?”, simplesmente porque uma pessoa no inferno pode pecar pela eternidade. Ela vai estar la, achando que era boa e não merecia estar la, culpando Deus por não enviar sinais, blasfemando, etc. Como C. S. Lewis disse, as portas do inferno são trancadas por dentro.
Aquele que diz que o inferno torna Deus mal se esquece que Ele é justo. Um Deus completamente bom e justo não poderia mandar Hitler para o céu pra tomar chá com Madre Teresa.

A doutrina da Aniquilação

Outra visão entre cristãos é a da aniquilação. Simplesmente os ímpios serão aniquilados e deixarão de existir, sem tormento eterno.

Argumento N° 10 – O Problema do Mal

Eu já respondi em outros textos:





Argumento N° 11 – “Deus determina onde nascemos e nosso futuro, portanto, não somos responsáveis e não podemos ser punidos”

...foi Deus que nos deu os sentidos, as faculdades de compreensão, a sensibilidade, os meios de perceber, de sentir, de raciocinar, de agir. Ele previu, quis determinar as nossas condições de vida; coordenou as nossas necessidades, os nossos desejos, as nossas paixões, as nossas crenças, as nossas esperanças, os nossos ódios, as nossas ternuras, as nossas aspirações. Toda a máquina humana corresponde àquilo que ele quis. Ele arranjou e concebeu todas as peças do meio em que vivemos, preparando todas as circunstâncias que, a cada momento, dão um assalto a nossa vontade, determinando as nossas ações. Perante este Deus formidavelmente munido, o homem é, portanto, irresponsável. [...] Se Deus existe, é nesta última postura (a do escravo) que o homem se encontra em relação a Deus; e sua escravidão é tanto maior quanto maior for o espaço entre o Senhor e ele. Se Deus existe, só ele é que sabe, pode, quer, só ele é livre. O homem nada sabe, nada pode, nada quer, a sua dependência é completa. Se Deus existe, ele é tudo e o homem, nada. O homem, submetido a esta escravidão, aniquilado sob a dependência, plena e inteira de Deus, não pode ter nenhuma responsabilidade. E, se o homem é irresponsável, não pode ser julgado.

Resposta

Deus simplesmente nos cria e recebemos os genes dos nossos pais. O que faremos a seguir é nossa responsabilidade. Agora, o opositor pode estar dizendo que “como Deus sabe o futuro, não somos livres pois este já esta predeterminado”. Mas quanto a isso, eu já respondi neste texto e neste outro.

Argumento N° 12 – Deus viola as regras fundamentais de equidade

Admitamos por um instante que o homem é responsável, e veremos como, dentro desta hipótese, a justiça divina viola constantemente as regras mais elementares da equidade. Se admitimos que a prática de justiça não pode ser exercida sem uma sanção; que o magistrado tem, por mandato, fixá-la; e que há uma regra, segundo o qual o sentimento deve pronunciar-se unanimemente, é evidente que, da mesma forma, tem de haver uma escala de mérito e culpabilidade, assim como uma escala de recompensas e de castigos. [...] Pois bem, Deus, distribuindo o Céu e o Inferno, finge conhecer esta regra e viola-a. Qualquer que seja o mérito do homem, esse mérito é limitado (como o próprio homem); e, no entanto, a sanção da recompensa não o é: o Céu não tem limites, ainda que não seja senão pelo seu caráter de perpetuidade. Qualquer que seja a culpabilidade do homem, esta culpabilidade é limitada (como o próprio homem); e, no entanto, o castigo não o é: o Inferno é ilimitado, ainda que não seja senão pelo seu caráter de perpetuidade. Há, pois, uma grande desproporção entre o mérito e a recompensa, entre a falta e a punição: o mérito e a falta são limitados, enquanto que a recompensa e o castigo são ilimitados. Deus viola, pois, as regras fundamentais da equidade.

Resposta

Se haverão níveis de castigo e recompensa no céu e inferno ainda é discutido entre teólogos. Mas de qualquer forma, a Bíblia nos diz que todos merecemos o inferno e que nenhum de nós pode ganhar a salvação por obras próprias. Todos precisamos de Cristo. Sem Ele, não vamos ao céu.

Agora, essa idéia é muito mais complexa do que você ateu esta imaginando. O convido a estudar sobre isso, caso queira deixar a ignorância.

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