sexta-feira, 15 de maio de 2015

Multiverso, Seleção de Observador e Cérebros de Boltzmann (Com Macacos!)


A principal alternativa para a opção de um Designer Cósmico para explicar o Ajuste Fino do universo, é a alternativa do Multiverso. Quer dizer, existe um enorme numero de universos e nós simplesmente estamos no universo que suporta observadores. Um dos problemas da hipótese do Multiverso é o problema dos Cérebros de Boltzmann. Apesar de eu já ter explicado em outro texto, vou tentar explicar melhor aqui.


O Problema dos Cérebros de Boltzmann do Multiverso


O Argumento do Multiverso

Proponentes do Multiverso vão dizer o seguinte: Já que observadores só podem existir em universos ajustados finamente, é claro que nós observamos um universo finamente ajustado! Os universos que não possuem o ajuste fino não podem ter observadores, então não podem ser observados. Então, observarmos um universo ajustado finamente não é surpresa alguma, já que se não fosse ajustado, não estaríamos aqui.
Esse argumento usa não apenas a hipótese do Multiverso, mas também o principio de seleção de observadores.

O Problema dos Cérebros de Boltzmann com Observadores

Agora, o efeito de seleção de observadores não funciona, pois encara o problema dos Cérebros de Boltzmann. Para um universo ser observável, ele não precisa ter o tamanho que tem. Uma forma de vida mais simples poderia existir em um universo menor, embora ela não pudesse viver por muito tempo nem ser um agente moral e interativo como nós.
Roger Penrose calculou que as chances de um universo do tamanho do nosso sistema solar por uma colisão de partículas é de 10^10^60. Esse numero é gigante, mas ainda assim é muito menor do que a probabilidade de existir um universo ajustado finamente como o nosso. (De acordo com Penrose, a probabilidade de existir um universo como o nosso é de 10^10^123.) [1]
Agora vem o ponto forte: O universo mais provável é aquele em que um único cérebro aparece por uma colisão de partículas e observa o resto do espaço vazio. Então, se nós fossemos apenas um membro aleatório de um grande conjunto de mundos, seria inconcebivelmente mais provável que tivéssemos observações como essa. Não se pode apelar para “nós observamos um universo ajustado pois esse universo é o único que um observador pode observar”, pois é gigantescamente mais provável fossemos cérebros observando espaços vazios. Esse é o universo observável mais provável. Não importa o quanto o cérebro viva, ele precisa apenas de uma observação. Como Robin Collins colocou:

“É vastamente mais provável para um observador genérico se encontrar na menor e menos estruturada comunidade requerida para ser um observador do que em uma grande e altamente estruturada comunidade de observadores, como a raça humana” [2]





Com isso em mente, vemos por que o efeito de observador auto seletivo não funciona. Por o opositor não pode dizer “apenas universos ajustados finamente são observáveis”. O que deve ser explicado não é apenas a existência de vida inteligente, mas sim agentes incorporados, morais e interativos.

Ilustrando com Macacos


Como uma ilustração, imagine que exista um macaco escrevendo em uma maquina de escrever a um numero infinito de anos. Ele eventualmente pode escrever uma obra de Sheakespeare. Agora, podem argumentar “bom, essa é a única obra do macaco que é legível, então é a única que pode ser lida.” Porem, é muito mais provável que ele tenha escrito um enorme numero de paginas ilegíveis, mas com uma ou outra frase legíveis. Então, nessa vastidão de obras do macaco, é gigantescamente mais provável que você pegue uma obra dele ilegível, com uma frase legível, do que a obra de Sheakespeare. Então, a afirmação “é claro que eu consigo ler essa obra, pois é a única legível”, é falsa, pois poderia ser pega qualquer outra obra com apenas uma frase legível.

Conclusão

Nomeado a partir do físico Ludwig Boltzmann, o problema dos Cérebros de Boltzmann é algo que invalida fortemente a objeção do Multiverso contra o Argumento do Ajuste Fino. Apelar para a seleção de observadores não explica porque observamos um universo finamente ajustado, pois seria inconcebivelmente mais provável que nós estivéssemos observando um universo vazio, a partir de um único cérebro como observador.

Fontes

[1] – Roger Penrose, “Time-asymmetry and quantum gravity” em “Quantum Gravity 2”, p. 249
[2] – Robin Collins, “The Fine-Tuning of the Cosmos: A Fresh Look at Its Implications”, p. 212

Nenhum comentário:

Postar um comentário