quinta-feira, 30 de abril de 2015

Por que crer em uma Evolução Guiada?


Esse é um texto inteiramente destinado a ideia de que a evolução não refuta a existência de Deus. Não é pros Criacionistas pensarem em crer na evolução nem nada do tipo. É apenas um texto para dizer que, mesmo se a evolução for verdade, ainda existem motivos para crer que Deus usou esse método. 
Apesar de eu não ser um Teísta Evolucionista, eu não vejo absolutamente nada de errado na ideia. É bem claro que a Evolução não refuta, de forma alguma, a existência de Deus. No máximo, eu diria que seria uma questão de inerrancia bíblica. Mas mesmo isso eu não admito que seja. Então, e se a evolução for verdade? Qual o papel de Deus? 

Por que crer em uma Evolução Guiada?


Teismo Evolucionista e Criacionismo Evolutivo

Eu acho (não tenho certeza) que esses são nomes de visões diferentes. Enquanto os Teistas Evolucionistas (Ex: Michael Behe) crêem em uma evolução guiada por uma Mente Inteligente, os Criacionistas Evolutivos (Ex: Francis Collins) crêem que essa Mente apenas “ligou” o processo evolutivo antes dele começar. Dessas duas visões apenas o Teismo Evolucionista é compatível com o Design Inteligente. Uma idéia similar é um tipo de Criacionismo Progressivo, que di que Deus intervém miraculosamente para criar novas formas de vida (Ex: William Lane Craig).

Motivo n° 1 – O Ajuste Fino do Universo para a vida

Desde as condições iniciais do Big Bang o universo possui um ajuste fino para o surgimento de vida. Por exemplo, se a expansão inicial do universo divergisse em força em uma parte em cem milhões de trilhões, o universo iria expandir rápido demais para formar estrelas. Já que astros e estrelas são necessárias para a vida, sem esse ajuste na expansão inicial o universo não permitiria a evolução de qualquer espécie.
Outro exemplo, se a força nuclear forte fosse diferente em uma parte em 10^40, a formação de átomos seria impossível. Sem átomos = sem vida. Se a força gravitacional fosse um pouco mais forte, o menor ser vivo seria esmagado. E se fosse mais fraca, as coisas iriam flutuar, tornando impossível a vida.
Esses são três exemplos de aproximadamente 100 diferentes itens na lista de constantes do ajuste fino. Sem esse ajuste fino, nem ao menos a evolução das espécies seria possível. O físico Paul Davies diz:

“Para mim, há evidencias bem fortes de que tem algo acontecendo por trás disso tudo [...] É como se alguém tivesse ajustado finamente os números da natureza para fazer o Universo [...] A impressão de design é esmagadora.” [1]







Motivo n° 2 – Evolução Tomista

Tomas de Aquino argumentava que, se alguma coisa tinha um objetivo final, mas essa coisa era algo sem consciência, então seu objetivo tinha que ter sido dado por uma Mente Superior. Pense nisso: Frutas tem como objetivo nos alimentar. Mas, não é uma enorme coincidência elas terem esse objetivo, justamente para os seres vivos? Similarmente, a evolução tem como objetivo a Sobrevivência. Porem, por que a sobrevivência da espécie, não do ser, se tornou um objetivo em um processo aparentemente sem sentido?

Motivo n° 3 – Razão e verdade.

De acordo com muitos ateístas, como Daniel Dennet, a religião foi firmada em nossos genes porque ela ajudava nossos ancestrais na sobrevivência. Se o naturalismo é verdade, então a evolução nos contou uma grande mentira para a sobrevivência. Porem, se isso é verdade, então por que crer que qualquer coisa que cremos seja verdade? Como podemos saber se o próprio naturalismo não é uma crença para ajudar a sobrevivência das espécies? Como Charles Darwin escreveu:



“Comigo sempre surge uma duvida horrível se as convicções da mente do homem, as quais têm sido desenvolvidas a partir da mente de animais inferiores, possuem algum valor ou são dignas de confiança”. [2]








E Patricia Churchland concluiu:

“A principal tarefa do [cérebro] é colocar as partes do corpo onde deveriam estar, a fim de que o organismo possa sobreviver. Avanços no controle sensório-motor conferem uma vantagem evolutiva: um estilo mais extravagante que representa [o mundo] é vantajoso, desde que [...] aumente a chance do organismo para a sobrevivência. Verdade, o que quer que isso seja, leva desvantagem” [3]


Motivo n° 4 – Moralidade

Você tem duas opções: Ou algo é errado ou não é. Se não existem certos e errados, então nosso senso de moralidade é apenas baseado em tabus criados pelo processo evolutivo. Porem, mesmo se nós viemos a conhecer a moralidade pelo condicionamento social e cooperação da espécie pelo método evolutivo, isso não diz nada sobre o por que algo é errado. Por exemplo, alguém pode dizer “Matar seis milhões de judeus é errado porque não é bom para a espécie.” Porem, se a sobrevivência e a procriação da espécie são coisas boas, então porque isso elas são coisas boas?

Motivo n° 5 – A informação na forma de vida mais "simples"

Suponha que você chegue na cozinha e tenha uma caixa de cereal de letrinhas derrubada em cima da mesa. As letras que caíram formam a mensagem “LEVE O LIXO PRA FORA – MÃE”. O que você pensaria: Que sua mãe escreveu a mensagem ou que o vento bateu na caixa e as letras por acaso formaram a frase? Obviamente pensaria que sua mãe escreveu a mensagem, já que mensagens vem apenas de mentes.
Nosso DNA contem mensagens também. É dito na biologia naturalista que todos os seres vivos evoluíram de uma ameba, uma forma de vida “simples”, que se originou por “acaso”. O grande problema para os naturalistas é explicar como a primeira vida surgiu.
Em 1953, James Watson e Francis Crick descobriram o DNA, que tem uma estrutura em forma de hélice, parecida com uma “escada torcida”. Os “degraus” dessa escada são formados por quatro bases de nitrogênio: A (adenina), T (ti mina), C (citosina) e G (guanina). Essas letras do chamado “alfabeto genético”, ficam em uma ordem especifica, assim como as letras do alfabeto ocidental devem ficar em uma ordem para formar uma frase. A ordem especifica dessas letras não é apenas uma ordem complexa formada por acaso, mas contem uma mensagem especifica.
O biólogo Richard Dawkins (o famoso “Papa dos ateus”), disse que a mensagem encontrada apenas no núcleo de uma pequena ameba é maior do que 30 volumes da Enciclopédia Britânica juntos! [4] E uma ameba inteira tem tanta informação no DNA quanto mil dessas enciclopédias. Essas informações têm que conter suas letras em uma ordem especifica. O microbiologista Michael Denton diz:

''A complexidade do tipo mais simples de célula é tão grande que é impossível aceitar que tal objeto possa ter sido reunido repentinamente por algum tipo de acontecimento caprichoso ou altamente improvável. Tal ocorrência seria indistinguível de um milagre." [5]





Conclusão

Temos cinco motivos para crer que o processo evolutivo foi guiado. O ajuste fino do universo para a vida, a objetividade do mecanismo em preservar as espécies, nossa capacidade de raciocinar e descobrir a verdade, a existência de uma Lei Moral e a informação na forma de vida mais simples do qual todos supostamente evoluímos. Mas mesmo se não tivéssemos esses motivos, a evolução de forma alguma refutaria o Deus Bíblico. Se Deus tem Conhecimento Médio (quer dizer, Deus sabe o que aconteceria com as pessoas em determinadas circunstancias), Ele pode muito bem saber como os organismos se comportariam em determinados ambientes para passar a informação de sobrevivência para a próxima geração.

Fontes

[1] – Paul Davies, “The Cosmic Blueprint”, p. 203
[2] – Charles Darwin, em carta para William Graham, 3 de julho de 1881
[3] – Patricia Churchland, “Epistemology in the Age of Neuroscience”
[4] – Dawkins, “The Blind Watchmaker”, p. 17-8, 116.
[5] – Michael Danton, “Evolution: A Theory in Crisis”, p. 264.

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