segunda-feira, 2 de março de 2015

Refutando "refutações" da Ateus.net


O site ateus.net tem um texto de resposta a alguns argumentos em favor da existência de Deus. Me pediram pra responder a essas objeções, então vou fazer o possível. O texto que será respondido é esse: Refutação de alguns argumentos a favor da existência de deus.

Refutando "refutações" da Ateus.net


Introdução

O texto diz:

“Os teístas afirmam que existe um deus; os ateus não. Pessoas religiosas desafiam frequentemente ateus a provarem que não há deus; mas isso revela um equívoco. Os ateus afirmam que a existência de deus não está provada, não afirmam que está provada a inexistência de deus. Em qualquer argumento, o ônus da prova está do lado daquele que faz a afirmação.”

Mesmo se isso fosse verdade, no maximo isso levaria ao agnosticismo, não ao ateísmo. O significado de a-theos é o de que “não há Deus”, não “ausência de crença em Deus”. (Tenho um texto falando sobre isso, leia aqui)
Seguindo, eles dizem:

“há muitas linhas de raciocínio teísta e têm sido escritos livros sobre cada uma delas. As seções seguintes resumem brevemente os argumentos e as refutações. O ateísmo é a posição base que permanece quando todas as alegações teístas são rejeitadas.”

Novamente, isso só levaria ao agnosticismo. Mesmo se todos os argumentos em favor da existência de Deus fossem refutados, isso não significaria que Ele não existe. Como filosofo ateu Kai Nielson colocou:

“Mostrar que um argumento é invalido ou que não é convincente não é o mesmo que mostrar que a conclusão do argumento é falsa [...] Todas as provas da existência de Deus podem falhar, mas ainda pode ser o caso de Deus existir. Em suma, mostrar que as provas não funcionam não é o bastante. Ainda pode vir a ser o caso de Deus existir.” [1]






Design

O site diz:

“Este argumento limita-se a pressupor que é verdade aquilo que quer provar.”

Bom, não! Quando dizemos que um Designer é a melhor explicação para o fenômeno, é porque o fenômeno apresenta uma complexidade que a natureza sozinha não poderia criar.
Em seu livro “The Design Inference” [A Inferência do Projeto], o matemático e filosofo William Dembski nos mostra quando e como podemos inferir o Design como a melhor explicação de um fenômeno. Por exemplo, se acharmos uma biosfera na lua, poderíamos inferir o design como a explicação para aquele fenômeno. Similarmente, o ajuste fino do universo nos diz que algo ou alguém estava preocupado com o eventual aparecimento de vida. Dembski define Design, não como um produto de inteligência, mas sim como “não regular nem por acaso”. Então, de acordo com Dembski, se algo não pode ser explicado por uma lei natural ou por acaso, por definição esse algo é causado por design.
Continuando:

“A mente de um deus seria pelo menos tão complexa e ordenada quanto o resto da natureza e estaria sujeita à mesma pergunta: Quem fez deus? Se um deus pode ser encarado como eterno, então o universo também pode ser encarado como eterno.”

Esse é o mesmo argumento que Dawkins usa em seu livro “Deus, um delírio”. Isso vem da falta de conhecimento sobre o que e quem Deus é. Deus, sendo apenas espírito, é uma entidade extremamente simples. Como filosofo William Lane Craig diz, respondendo a Dawkins:

“Como uma mente pura, sem um corpo, Deus é um ente notavelmente simples.Uma mente (ou alma) não é um objeto físico composto de partes. Em contraste com um universo contingente e diversificado, com todas as suas inexplicáveis constantes e quantidades, uma mente divina é algo surpreendentemente simples. Por certo que tal mente pode ter ideias complexas — pode estar pensando, por exemplo, em um cálculo infinitesimal — mas essa mente em si é um ente espiritual incrivelmente simples. Dawkins evidentemente confundiu as ideias de uma mente, que podem na verdade ser complexas, com a própria mente em si, que é um ente incrivelmente simples.” [2]

Em seguida, eles acusam o argumento do ajuste fino de ser um argumento Deus das Lacunas. No entanto, como dito acima, apenas usamos a evidencia do ajuste fino, em um universo que não precisa se preocupar com a vida, para inferir que a complexidade dessas constantes nos leva a conclusão lógica de um designer. É assim que a teologia natural funciona: Pegamos um fenômeno e, se não houver explicação natural boa o bastante para explicar, e esse fenômeno mostra certa complexidade, estamos justificados em apresentar um designer como explicação.
Esse ajuste fino se encontra desde o Big Bang, apenas para a possibilidade eventual de existir vida. Já que coisas naturais não se preocupam com a vida e a complexidade de todas as constantes não podem ter sido atingidas por acaso, estamos justificado em inferir um designer.
(O resto dessa parte fala sobre o design na biologia. Mas, como eu, apesar de ser um Criacionista Progressista, não vejo problemas com a evolução, deixarei isto de lado. Mas eles têm razão quando falam que a segunda lei da termodinâmica não refuta a evolução.)

Experiência pessoal

O site diz:

“A maioria dos teístas afirma que o seu deus particular pode ser conhecido através de meditação e oração, mas essas experiências não apontam para algo exterior à mente. O misticismo pode ser explicado psicologicamente; não é necessário complicar a nossa compreensão do universo com suposições fantasiosas. Sabemos que muitos humanos habitualmente inventam mitos, ouvem vozes, têm alucinações e falam com amigos imaginários. Não sabemos que existe um deus.”

Primeiro, dizer que a psicologia pode explicar uma crença não diz nada quanto a verdade daquela crença. Só por que o ser humano pode vir a acreditar em Deus por motivos psicológicos, isso não significa que Deus não exista. Esse é mais um exemplo de falácia genética. Segundo, novamente, “não sabemos que existe um Deus” não leva ao ateísmo, mas sim ao agnosticismo.
Terceiro, mesmo se dissermos que todas as pessoas religiosas têm experiências pessoais, mesmo sendo de outras religiões, isso não invalida a verdade dessas experiências. Não podem ser todas verdadeiras, mas isso não significa que todas são falsas.

Moralidade

O site diz:

“Aqui está outro argumento baseado na ignorância. Os sistemas éticos baseiam-se no valor que os humanos atribuíram à vida: “bem” é aquilo que melhora a vida, e “mal” é aquilo que a ameaça. Não precisamos de uma divindade para nos dizer que é errado matar, mentir ou roubar. Os humanos sempre tiveram o potencial para usar as suas mentes para determinar o que é bondoso e razoável.”

Quanto a afirmação que “bem” é aquilo que melhora a vida, se isso fosse verdade, não haveria nada de errado em ser um grande ditador. Afinal, sua vida estaria melhorando. Por que se importar com os outros? Essa objeção também pressupõe que exista algo como valor moral (o “bem”) e não explica nada sobre dever moral. Se um estuprador conseguir sair ileso de cada crime cometido, pela lógica, não existe nada de errado. Afinal, ele fez o “bem prazeroso” a si mesmo. Sem uma Lei Moral que nos diga que o altruísmo é correto e que o egoísmo é errado, não há nenhuma necessidade de ser uma pessoa moralmente boa. (A próxima parte fala sobre relativismo cultural, o qual eu já respondi nesse outro texto.)
O site diz:

“É contraditório chamar a deus 'ser não-físico'. Um ser tem de existir como alguma forma de massa no espaço e no tempo. Os valores residem no interior dos cérebros físicos, portanto se a moralidade aponta para “deus”, então nós somos deus: o conceito de deus é simplesmente uma projeção de ideais humanos.”

Dizer que um “ser tem que existir como alguma forma de massa no espaço e no tempo” é pressupor o ateísmo, então é um raciocínio circular. Também, dizer que “os valores residem no interior dos cérebros físicos” não é o que os Teistas dizem, mas sim que esses valores são conhecidos por nós. Então, mesmo que usemos o cérebro para acessar essa informação, onde ela esta não tem nada a ver com sua realidade. A conclusão do parágrafo é confusa, “se moralidade aponta para Deus, então nós somos Deus” é inteiramente falso. Não podem todas as pessoas do mundo ter esse conceito de moralidade por acaso. A Lei Moral tem que vir de uma autoridade que seja maior que a humanidade e poderosa o bastante para colocar no coração de cada ser humano. Isso é o que chamamos de Deus.
Logo em seguida o site diz:

“Este é um argumento a favor da crença num deus, não é um argumento a favor da existência de um deus. A exigência de uma moralidade “absoluta” só vem de religiosos inseguros. (Voltaire ironizou: 'Se deus não existisse, seria preciso inventá-lo'.) Pessoas maduras sentem-se confortáveis com o caráter relativo do humanismo, visto que este fornece um quadro de referência consistente, racional e flexível para o comportamento humano ético — sem uma divindade.”

Essa é a falácia genética novamente. Dizer que as pessoas “inventam” a moralidade por serem inseguras não diz nada quanto à verdade dessa crença ou não. Logo em seguida ele acusa crentes de serem inseguros por dependerem de uma divindade para dizer o que é certo ou errado. Primeiro, sem um Legislador, porque você deve respeitar essa moral humanista? Não tem motivo algum para isso. Segundo, é o contrario. Uma pessoa madura consegue ser altruísta o bastante para se entregar ao próximo. Mas o imaturo egoísta tem um problema em querer o bem só para si, e também não consegue respeitar uma autoridade cósmica.
Depois, o site diz:

“As leis americanas baseiam-se numa constituição secular, não se baseiam na Bíblia. Quaisquer textos bíblicos que apoiem uma boa lei só fazem isso porque passaram no teste dos valores humanos, que são muito anteriores aos ineficazes Dez Mandamentos.Não há evidência de que os teístas são mais morais que os ateus. De fato, o contrário parece ser verdadeiro, conforme evidenciado por séculos de violência religiosa. Em sua maioria, os ateus são pessoas felizes, produtivas e morais.Mesmo que este argumento fosse verdadeiro, seria de pouco valor prático. Cristãos devotos e crentes na Bíblia não conseguem concordar entre si quanto ao que a Bíblia diz sobre muitas questões morais cruciais. Crentes comumente adotam posições opostas em assuntos tais como pena de morte, aborto, pacifismo, controle de natalidade, suicídio medicalmente assistido, direitos dos animais, ambiente, separação entre igreja e estado, direitos dos homossexuais e direitos das mulheres. Disso pode concluir-se que ou há uma multiplicidade de deuses distribuindo conselhos morais contraditórios, ou um único deus que está irremediavelmente confuso.”

O argumento moral não diz que a moralidade vem da Bíblia, mas sim de um Legislador. Esse argumento é usado tanto para o monoteísmo Cristão quanto para o Judaico e Islâmico.
Depois, ele diz que “não há evidencia de que ateus são menos morais que religiosos”. Mas nenhuma parte do argumento moral diz o contrario. (Ele também acusa os religiosos de terem sido a causa da maior parte da violência do mundo, mas isso é falso. E eu já respondi a isso em outros dois textos aqui e aqui.)
Outro problema é que esse parte refuta todo o resto da resposta do site. Faça sua escolha: Ou a moral é relativa, ou existiram religiosos que fizeram mal e agiram de forma errada.
A próxima parte diz que Cristãos não concordam entre si e isso prova o relativismo. Bom, isso é... falso! Na verdade, não teria sentido um debate de opiniões se não houvesse uma moral absoluta. Qualquer pensamento “eu acho” é algo que tenta chegar ao padrão. O fato de pessoas discordarem sobre algo ser certo ou errado, não diz nada quanto se é de fato certo ou errado. E, de novo, ninguém diz que precisa acreditar em Deus para ser moral, mas sim que, se Deus não existe, não há motivo algum para fazer o certo.
Também vale mencionar, que todas as religiões cristãs (tirando o espiritismo, mormonismo e outras) concordam com as crenças fundamentais do Cristianismo: Deus existe e se revelou através de Jesus Cristo, que morreu para pagar por nossos pecados e ressuscitou para nos das a esperança da vida eterna.
(De uma olhada na minha serie "Sobre moralidade" aqui

Primeira causa

O site diz:

“A premissa maior deste argumento, ‘tudo teve uma causa’, é contrariada pela conclusão de que ‘Deus não teve uma causa’. As duas afirmações não podem ser simultaneamente verdadeiras. Se tudo teve uma causa, então não pode ter havido uma primeira causa. Se é possível pensar num deus sem causa, então é possível pensar o mesmo do universo.”

Primeiro, o argumento não diz que tudo tem uma causa. Diz que tudo o que COMEÇA a existir tem uma causa. Um ciclo infinito de causas e efeitos não pode ter o passado eterno, então deve ter havido uma primeira causa. (Quando teistas argumentam para essa primeira causa, mostramos que não havia tempo, portanto, não existiam “momentos” de tempo para um regresso infinito.)
Em seguida, diz que se um Deus sem causa é possível, o mesmo pode ser dito do universo. No entanto, todas as evidencias cientificas e o raciocínio filosófico nos mostram que o universo teve um inicio.
(Não falarei sobre a aposta de Pascal por concordar em partes. Sobre o argumento ontológico, as objeções estão respondidas em meu texto sobre o argumento.)

Revelação

O site diz:

“A Bíblia reflete a cultura do seu tempo. Embora boa parte do seu enredo seja histórico, também há uma boa parte que não é. Por exemplo, não há apoio contemporâneo para a história de Jesus fora dos evangelhos, que foram escritos por desconhecidos entre 30 a 80 anos depois da alegada crucificação (dependendo do perito que consultarmos). Muitos relatos, como as histórias da criação, entram em conflito com a ciência. As histórias da Bíblia são apenas isto: histórias.”

A primeira parte, que diz que não há apoio contemporâneo para a história de Jesus pode ser respondida de duas formas: Primeiro, muitos dos documentos da época foram queimados juntos com a destruição de Jerusalém. Segundo, isso seria pressupor que os documentos não são historicamente criveis. Os evangelhos foram escritos no estilo literário que esta de acordo com biografias antigas. Ter quatro biografias de uma pessoa antiga é algo extremamente difícil. Mesmo eles tendo sido escritos mais de 30 anos depois, esse espaço de tempo é muito curto para a criação de lendas. R. T. France, estudioso do Novo Testamento coloca dessa forma:

“Em seu nível literário e personagens históricos nós temos bons motivos para tratar os evangelhos seriamente como fonte de informação da vida e dos ensinamentos de Jesus, e então da origem histórica do Cristianismo. Historiadores antigos algumas vezes têm comentado que o nível de ceticismo em que os estudiosos do Novo Testamento tratam suas fontes é muito maior do que seria através de qualquer outra área da história antiga. De fato, muitos historiadores antigos teriam se chamado de sortudos em ter quatro contos responsáveis, escritos de uma ou duas gerações após os eventos, e preservados de forma tão boa como um manuscrito antigo [...] Alem disso, a decisão de como o estudioso esta disposto a aceitar o registro que eles oferecem provavelmente vai ser influenciada mais por sua abertura a visão de mundo ‘sobrenaturalista’ do que por considerações estritamente históricas.” [3]

Negar que Jesus tenha existido não é algo que esta entre historiadores contemporâneos. É uma gigantesca minoria que nega a existência de Jesus e eles não são levados a serio. Como historiador ateu Bart Ehrman colocou:

“Existem muitas evidencias de que Jesus existiu. Eu sei que é comum pensarem na multidão ateísta que Jesus nunca existiu. Deixe-me dizer, assim que vocês saírem desses grupinhos, vocês vão ver que isso não é nem ao menos discutido entre estudiosos da antiguidade. Não existe nenhum estudioso em nenhuma universidade do mundo ocidental que ensine história antiga, Novo Testamento, Cristianismo primitivo ou qualquer área relacionada que duvide que Jesus tenha existido. [...] A razão para acreditar nisso é que ele é retratado abundantemente em fontes próximas aos eventos. Fontes antigas e independentes indicam que Jesus certamente existiu. Um dos autores que conhecemos conheceu o irmão de Jesus e também conhecia o discípulo mais próximo de Jesus, Pedro. Ele é uma testemunha ocular tanto dos discípulos mais próximos de Jesus quanto de seu irmão. Então, me desculpem, eu respeito a descrença de vocês, mas se quiser seguir a evidencia onde ela leva, eu acho que os ateus causaram um prejuízo a si mesmos pulando no miticismo. Porque, francamente, faz vocês parecerem burros para o mundo de fora. Se você for crer que Jesus foi um mito, então você apenas vai parecer burro.” [4]

O site diz:

“A Bíblia é contraditória. Um bom exemplo é a discrepância entre as genealogias de Jesus dadas por Mateus e Lucas. A história da ressurreição de Jesus, contada por pelo menos 5 escritores diferentes, é irremediavelmente irreconciliável. Peritos descobriram centenas de erros bíblicos que não têm sido satisfatoriamente explicados por apologistas.”

O motivo para as discrepâncias nas genealogias são um pouco “complexos”, porem fáceis de entender. Primeiro, vale lembrar que era extremamente comum no mundo antigo criar lacunas de importância nas genealogias. Dessa forma, não era algo direto de “pai pra filho”, mas sim de “importante para o próximo importante”. Alem disso, Mateus estava preocupado com a numerologia hebraica. Mateus tendo cortado algumas gerações e repetido outras, é feito de propósito. Ele usa a numerologia para passar uma mensagem importante. Para nós, números são apenas coisas quantitativas, mas no mundo antigo, elas poderiam ser usadas para passar uma mensagem significante.
Considere como exemplo o numero de 7 dias em Gênesis.  O numero 7 era o numero da perfeição, e simbolizava a criação perfeita de Deus. Similarmente, o homem e a besta estão no dia 6 porque é o numero do homem e da besta.
As genealogias em Mateus tem 42 nomes de propósito, pois esse numero significava “O Plano de Deus se Desdobrando”.
Outras explicações são as de que Mateus fala da genealogia de José, enquanto a de Lucas fala da de Maria. E ainda outra opção seria a de que ambas as genealogias são de José, mas Lucas fala da linhagem humana e Mateus da linhagem legal.
E que tal o relato da ressurreição de Jesus? É verdade que existem detalhes divergentes quanto as mulheres que foram ao tumulo, mas isso é um detalhe secundário. O simples fato de narrarem mulheres como descobridoras da tumba já é evidencia de que é um relato histórico, já que mulheres não eram aceitas como testemunhas pra nada naquela época, especialmente na cultura judaica. Como Michael Grant, professor no Trinity College em Cambridge e na Universidade de Edimburgo, argumenta:

"É verdade que a descoberta do túmulo vazio é descrita de modo diferente pelos vários evangelhos, mas, se aplicarmos o mesmo tipo de critérios que se aplicam a qualquer outra fonte literária antiga, as evidências são suficientemente fortes e plausíveis para levar-nos a concluir que o túmulo foi, realmente, encontrado vazio" [5]







(Quanto a afirmação de que o cristianismo vem mitos pagãos, eu já escrevi um texto sobre isso aqui)
Quanto a citação de João 20:31, se você ler de forma superficial (e bem distraído sem entender nada sobre o Cristianismo e o evangelho) pode parecer uma propaganda, mas o significado da passagem é mais profundo. João queria espalhar o evangelho. É extremamente improvável que ele tenha vindo com uma idéia de Trindade, sendo um judeu. Alem disso, por que os autores dos evangelhos fariam isso? Eles já acreditavam ser o povo escolhido de Deus. Não havia motivo algum para inventar um Messias.
Por fim, o site diz:

“Alegações extraordinárias requerem provas extraordinárias. Um critério da história crítica é a suposição de regularidade natural ao longo do tempo. Isso exclui milagres, que por definição 'passam por cima' das leis naturais. Se admitirmos a existência de milagres, então todos os documentos, incluindo a Bíblia, tornam-se inúteis enquanto história.”

Isso vem da alegação do filosofo David Hume. Apesar de eu ainda não ter escrito sobre isso, pretendo escrever, mas já foi demonstrado varias vezes que essa afirmação é monstruosamente falaciosa. Quando historiadores olham para o Novo Testamento, eles concluem alguns fatos que podem levar a conclusão de um milagre se não houver nenhuma explicação natural.
Em seu livro “The Risen Jesus and Future Hope”, o historiador Gary Habermas avalia os trabalhos de mais de 1400 historiadores, dos mais céticos aos mais crentes, e conclui a gigantesca maioria dos estudiosos acreditam nesses 12 fatos:

1. A morte de Jesus deu-se por meio da crucificação romana.
2. Ele foi sepultado, muito provavelmente, num túmulo particular.
3. Pouco tempo depois, os discípulos ficaram desanimados, desolados e desacorçoados, tendo perdido a esperança.
4. O túmulo de Jesus foi encontrado vazio pouco tempo depois de seu sepultamento. 
5. Os discípulos tiveram experiências que acreditaram ser aparições reais do Jesus ressurreto.
6. Devido a essas experiências, a vida dos discípulos foi totalmente transformada. Depois disso, até mesmo se dispuseram a morrer por sua crença.
7. A proclamação da ressurreição aconteceu logo de início, desde o começo da história da igreja.
8. O testemunho público e a pregação dos discípulos sobre a ressurreição de Jesus aconteceram na cidade de Jerusalém, onde Jesus fora crucificado e sepultado pouco tempo antes.
9. A mensagem do evangelho concentrava-se na pregação da morte e da ressurreição de Jesus.
10. O domingo passou a ser o principal dia de reunião e adoração.
11. Tiago, irmão de Jesus e cético antes desse evento, converteu-se quando acreditou que também vira o Jesus ressurreto.
12. Poucos anos depois, Saulo de Tarso (Paulo) tornou-se cristão devido a uma experiência que ele também acreditou ter sido uma aparição do Jesus ressurreto. [6]

Se essas evidencias apontam para um milagre, então é razoável crer que um milagre aconteceu. O erro do argumento é que o seguinte deveria ser pensado: Se a ressurreição não aconteceu, qual a probabilidade de termos esses doze fatos?
Outra coisa que deve ser dita é que dizer que milagres são impossíveis é pressupor que Deus não exista, então é um raciocínio em círculos.

Conclusão

A maior parte do resto do texto eu acho irrelevante e concordo em partes. Por esse motivo, não vou perder tempo respondendo. Porem, essa parte dos argumentos eu achei bom responder. Se ainda sobra duvida, veja a minha serie “A Existência de Deus” e a serie “Os PioresArgumentos Contra o Teísmo”.

Fontes

[1] – Kai Nielsen, “Reason and Practice”, pp. 143-4.
[2] – William Lane Craig, “Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão”, p. 135
[3] – R. T. France, “The Gospels as Historical Sources for Jesus, the Founder of Christianity”, p. 86.
[4] – Did the historical Jesus exist –Bart Ehrman, https://www.youtube.com/watch?v=o4q3WlM9rCI
[5] – Michael Grant, “Jesus: a historian’s review of the gospels”, p. 176.
[6] – Gary Habermas, “Risen Jesus and Future Hope”, p. 9-10.

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