sexta-feira, 20 de março de 2015

O Jesus Histórico #10 - Jesus acreditava ser apenas humano?


Tanto Allan Kardec quanto outros pensadores anti-Trindade vão argumentar que existem passagens no Novo Testamento no qual Jesus aparentemente “desmentiu” a crença de que Ele era Deus.
Eu já apontei as inúmeras evidencias de que Cristo acreditava ser Deus (aqui). Agora é hora de refutar os ditos argumentos anti-divindade de Cristo.

Refutando Objeções Quanto a Divindade de Cristo


Objeções já respondidas

Antes de começar, é bom você ler esses textos aqui no blog que já refutam alguns desses argumentos:


“O que Jesus quis dizer quando disse que ‘apenas Deus é bom’?” (Esse foi respondido no final do texto linkado)

João 14:28 – “O Pai é maior que eu”

“Ouvistes que eu vos disse: Vou, e venho para vós. Se me amásseis, certamente exultaríeis porque eu disse: Vou para o Pai; porque meu Pai é maior do que eu.” - João 14:28

Essa objeção diz que, se Jesus fosse de fato Deus, Ele não teria dito que “o Pai é maior que Ele”, já que ambos seriam iguais. No entanto, eu não acho essa objeção convincente. E aqui vai o por que: Quando falamos da Trindade, não falamos de Três Deuses, ou Três formas de Deus, mas sim de Três pessoas que tem a mesma essência Divina. Jesus é uma dessas três pessoas. Ele tem a natureza divina e adquiriu a natureza humana quando se tornou homem. Então, quando Ele disse que o Pai era maior do que Ele, ele estava dizendo em questão de função, não de superioridade. Suas essências são iguais, mas a função é diferente. Jesus estava dizendo que estava submetido a vontade do Pai, mas não que era submetido.

João 8:42 – “Eu vim de Deus”

“Disse-lhes, pois, Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. - João 8:42

Os “Anti-Divindade de Cristo” dirão que, se Jesus fosse realmente Deus, não teria como Ele ter vindo de Deus. No entanto, o que essa objeção prova é justamente o contrario. O fato de Jesus dizer que vem de Deus significa que Ele tem a mesma natureza que Deus.
A palavra usada aqui é “exerchomai” (grego), que significa “sair” no sentido espacial. Quer dizer, Cristo saiu da realidade Divina e veio para a Terra, em Sua forma encarnada. Alem disso, no mesmo capitulo Jesus diz que “antes de Abraão, Eu Sou (Ego Eimi)”, claramente se referindo a Sua natureza divina.

João 17:3 – Apenas o Pai é Deus?

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” - João 17:3

O cético da Divindade vai dizer que esse verso diz que Jesus disse que apenas o Pai é Deus. No entanto, em nenhuma parte Jesus diz “eu não sou Deus”. O Pai é o único Deus verdadeiro, assim como o Filho e o Espírito Santo são o único Deus verdadeiro. De fato, Jesus esta dizendo que a vida eterna vem por Deus e por Ele, tornando-o igual ao Pai.
Pouco depois, Jesus diz:

“E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.” - João 17:5

O que mostra que Ele disse que antes da criação do mundo, Ele estava na mesma Glória do Pai.

Mateus 12:32 – Blasfêmia contra Jesus ≠ Blasfêmia contra o Espírito Santo?

“E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.” - Mateus 12:32

O argumento é que, se Jesus é igual ao Espírito Santo, então por que a blasfêmia contra Ele não é igual? Mas, na verdade, o que Jesus esta dizendo aqui é que o único pecado imperdoável é a descrença.
O Espírito Santo é o agente ativo de Deus no mundo (João 14:16-17; Atos 15:28). O que quer dizer que, Ele é aquele que move as pessoas para a redenção. Porem, se uma pessoa resiste ao Espírito Santo, ela nunca chegará a redenção. Então, você estará proibindo Aquele que pode te levar a Salvação.

1 Timóteo 2:5 – Jesus é apenas o “Mediador”?

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” - 1 Timóteo 2:5

Como pode Jesus ser Deus, se nessa passagem diz que Ele é o homem mediador entre Deus e os homens? Porem, nós temos que ver o que esse versículo realmente quer dizer. Aqui não é dito que Jesus não é Deus. Se Ele não pode estar no “grupo” de Deus, então Ele também não pode estar no “grupo” de homens também. Dizer que Ele é o Mediador não é uma afirmação existencial de alguém, mas sim da tarefa de alguém. O fato de Jesus ser o Mediador é que Ele é tanto inteiramente Deus quanto inteiramente homem.

1 João 4:12 – “Ninguém viu a Deus, mas viram Jesus!”

“Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor.” - 1 João 4:12

A objeção diz que, se ninguém viu Deus, então Jesus não é Deus pois muitos o viram enquanto estava na Terra. No entanto, isso só funciona com o versículo fora de contexto. O verso apenas diz que Deus O Pai, nunca foi visto. Verso 14 diz:

“E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.” - 1 João 4:14

A mesma idéia é passada em João 1:18:

“Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.” - João 1:18

Alem disso, muitas vezes Jesus é referido como “Senhor” (Kurios – Mateus 7:21; João 14:8; Atos 7:59; 1 Corintios 1:9; Tiago 1:1; Romanos 15:6; entre outros), e o Pai como “Deus” (Theos – João 6:27; Colossenses 1:2; Tiago 1:27; 2 Pedro 1:17. entre outros). Mas varias vezes esses nomes são trocados: Jesus é chamado de Theos (João 1:1, 1:18, 20:28; Romanos 9:5; Tito 2:13; Hebreus 1:8) e o Pai é chamado de Kurios (Mateus 11:25; Lucas 10:21; Tiago 3:9).

Apocalipse 3:14 – Jesus foi o primeiro criado?

“Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.” - Apocalipse 3:14

Alguns vão dizer que esse verso claramente diz que Cristo foi o principio da Criação de Deus. No entanto, não é bem esse o caso.
A palavra em grego para “principio” é “arche”, que pode se referir ao ato de causar a criação. Então, esse verso não diz que Ele foi o primeiro criado, mas sim o que primeiro causou a criação.

Filho do homem – Filho de humanos?

Allan Kardec cita passagens em Ezequiel onde “filho do homem” também é usado. Porem, em Ezequiel é usada a expressão hebraica “ben adam”. Significa literalmente, “filho do homem”, ou “filho da raça humana”, ou “filho de Adão”. Mas o que Jesus disse foi “ho huiós ho antrophos”, que traduzido para Aramaico (língua “prima” de hebraico, e a língua que Jesus falava) é “bar enasha”, que no hebraico seria "ben hadam". Essas palavras significam "O Filho do Homem", não são o mesmo de Ezequiel que significam "um filho do homem".
Essas são as mesmas palavras da visão profética de Daniel 7:13-14, onde o Filho do Homem aparece voando nas nuvens do céu, o que é um ato apenas de Deus (Isaias 19:1; Salmos 68:4; 68:33; 104:3; Deuteronômio 33:26).

Seria a Divindade de Cristo apenas a opinião dos discípulos?

Allan Kardec também diz que quando Jesus diz coisas que remetem a Sua divindade, isso é apenas a opinião dos discípulos. Porem, é altamente improvável que os membros de uma religião extremamente monoteísta fossem criar essa idéia por mal entendido. Os Judeus antigos não tinham idéia do que seria uma Trindade, então eles não poderiam simplesmente dizer “acho que é isso que Jesus quis dizer!”. Alem disso, seria altamente improvavel os autores das quatro biografias de Jesus e os autores das cartas do NT, entenderem errado.
Jesus também não poderia vir a dizer “Sou Deus” diretamente. Se Ele fizesse isso, todos interpretariam como se Ele fosse o Pai, o que seria blasfêmia (E é o que acontece quando Ele diz ser “Eu Sou”). O propósito de Cristo era mostrar o amor de Deus. O Pai sacrifica o Filho pela humanidade pecadora. Se ele apenas dissesse “Sou Deus”, eles não teriam compreendido o conceito de Trindade e, portanto, não entenderiam a missão de Cristo.

E é por isso que Ele disse ser Deus de outra forma: Por parábolas, milagres, profecias, “Filho do Homem”, etc. Quando os discípulos juntaram todas essas “pistas”, eles perceberam que Cristo era Deus, a Segunda Pessoa da Trindade, que teve algumas limitações por causa da natureza humana, e que tinha um propósito.

Conclusão

Esses argumentos falham em não entender o que é a Trindade, falham por problemas de tradução e por falta de conhecimento histórico. No próximo texto, vou me concentrar nos milagres de Jesus e em sua historicidade.

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