segunda-feira, 2 de março de 2015

A Existência de Deus #10 - O Argumento do Mal (?!)


O mal moral refuta Deus? Uma objeção comum contra a existência de Deus, é a de que "Se Deus existe, por que tem tanto mal no mundo?". Mas, quando avaliamos bem a existência do mal, vemos que o fato de algo mal existir aponta para uma Lei Moral, que aponta para a existência de Deus.

O Argumento do Mal


Premissa 1 – Se Deus não existe, valores e deveres morais objetivos não existem

Um dever moral tem relação com uma obrigação moral, o que devemos ou não fazer. Mas não somos moralmente obrigado a fazer alguma coisa apenas porque ela será boa para nós. Por exemplo, seria bom para você se tornar um doutor, mas você não está moralmente obrigado a se tornar um doutor. Também seria bom você se tornar um bombeiro ou uma dona de casa ou um diplomata, mas você não pode ser todas estas coisas. Então, existe uma diferença entre bem/mal e certo/errado. Bem/mal tem a ver com valer a pena, enquanto certo/errado tem a ver com obrigação.
Quando digo “valores e deveres objetivos”, quero dizer valores e deveres que independem da opinião das pessoas. Por exemplo, mesmo se os nazistas tivessem ganhado a segunda guerra, eles ainda estariam errados. Mesmo com os idealizadores do holocausto acreditando que era algo certo, continuaria sendo errado.
Valores morais então nos dizem se algo tem valor ou não. Por que pessoas têm valor? Se no fim somos apenas pedaços de carne que interagem e tem reações químicas no corpo, o que nos torna especiais?
Podemos ser bons sem Deus? Note que a pergunta não é “podemos ser bons sem acreditar em Deus?”. Mas sim, podemos ser bons se Deus não existir? Se não existe um Legislador Moral, então não existe uma Lei Moral. Esse Legislador tem que ser:
Pessoal, pois a moralidade é prescritiva e um comando, e essas coisas só vêm de mentes. Alem disso, já que a moralidade tem um propósito, a fonte dela deve ter um propósito também.
Transcendente, já que a moralidade transcende o tempo, a cultura e a sociedade, a fonte dela deve vir de algo que transcenda essas coisas também.
Já que a moralidade é autoritativa, deve vir de uma autoridade maior que a humanidade, e poderosa o bastante para colocar essa moralidade no coração de todos.
É essa autoridade que chamamos de Deus.
J. L. Mackie, da Universidade de Oxford, um dos mais influentes ateístas do século XX, admite:

“Se […] existem […] valores morais objetivos, eles tornam mais provável a existência de Deus do que se não existissem” [1]









E o filosofo Richard Taylor também escreveu:

“Dizer que algo é errado porque [...] é proibido por Deus, é [...] perfeitamente compreensível para quem crê num Deus legislador. Mas dizer que algo é errado [...] embora não exista Deus para proibi-lo, não dá para entender [...]”. “O conceito de obrigação moral [é] ininteligível sem a ideia de Deus. As palavras permanecem, mas o seu sentido se foi” [2]







Leia também:

Premissa 2 – O mal existe.

O mal não pode existir sozinho. Como C. S. Lewis demonstrou, é impossível alguém ser mal apenas por ser mal. O mais próximo seria alguém sendo cruel, no entanto, pessoas só são cruéis para conseguir poder, prazer ou segurança. Mas essas coisas não são ruins de ter, são coisas boas. O mal vem em tentar alcança-los do modo errado. No entanto, diferente do mal, você pode ser bom apenas por ser bom. Você pode fazer um ato de bondade sem esperar nada em troca. Portanto, o mal é apenas a corrupção do bem, tentando alcançar coisas boas pelo método errado. As sombras provam a luz do sol. Pode haver luz sem sombras, mas não sombras sem luz. Um mal objetivo pressupõe que exista um bem objetivo e não existe um bem objetivo sem que tenha um padrão de bom fora de nós mesmos. C. S. Lewis entendeu que o mal apontava para Deus e escreveu:

“Meu argumento contra Deus era que o universo parecia tão cruel e injusto. Mas de onde tirei a noção de justo e injusto? Um homem não chama uma linha de torta a menos que tenha alguma ideia de uma linha reta. Com o que eu estava comparando esse universo quando eu o chamei de injusto?” [3]







O mal moral aponta para uma moralidade objetiva, o que aponta para Deus. Se você apóia qualquer teoria ética naturalista, não pode culpar Deus por não lidar com o mal, pois se qualquer dessas teorias éticas for verdade, então o mal é mera invenção social e Deus não tem nada com isso. Porem, se você for argumentar contra Deus usando o mal, tem que pressupor que exista uma moral objetiva e, portanto...

Premissa 3 – Portanto, valores e deveres morais objetivos existem

Você tem que escolher: Ou a moralidade é objetiva (e se for, ela vem de um Legislador Absoluto), ou ela é relativa. Tenha em mente que se escolher a segunda opção, você encara os seguintes problemas:
- Hitler não estava errado
- Machismo não é errado
- Homofobia não é errado
- Impor uma religião não é errado
- Impor uma visão moral não é errado
- Religiosos que fizeram e fazem atos ruins não estão errados
- Torturar pequenos bebes por diversão não é errado
Dentre vários outros problemas.
Alguns podem argumentar, “mas então, por que Deus não fez seres livres que sempre fazem o certo?”. A resposta é simples: Isso é logicamente impossível e Deus não pode fazer o que é logicamente impossível. (Mais aprofundado nesse outro texto.)

Conclusão – Portanto, Deus existe.

Repetindo, se há uma Lei Moral objetiva, então deve haver um Legislador. Sem um padrão moral, não há nenhum sentido em dizermos que algo é certo ou errado, bom ou mal. Então, com uma olhada superficial, o mal pode parecer refutar Deus, mas com uma olhada mais aprofundada, ele na verdade aponta para a existência do bem, que aponta para a existência de Deus.
É importante notar também que negar a existência de Deus não elimina o mal. Apenas elimina a unica esperança de eliminar o mal.
(Veja também a serie sobre o Problema do Mal clicando aqui

Fontes

[1] – J. L. Mackie, “The Miracle of Theism”, pp. 115-16.
[2] – Richard Taylor, "Ethics, Faith, and Reason", pp, 90, 84.
[3] – C. S. Lewis, “Cristianismo puro e simples”, p. 51

Nenhum comentário:

Postar um comentário