sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A Existência de Deus #9 - O Argumento Teleológico do Ajuste Fino


Um dos argumentos que eu considero mais fortes para a existência de Deus é o Argumento do Ajuste Fino (ou Sintonia Fina). De acordo com a física e a cosmologia moderna, existem constantes no universo que são perfeitamente balanceadas para manter a estrutura do universo, e para permitir o eventual aparecimento de vida inteligente e interativa.

O Argumento Teleológico do Ajuste Fino


Silogismo


Premissa 1 – O Ajuste Fino do universo se deve a: necessidade física, acaso ou Design

Premissa 2 – Não é por necessidade física ou por acaso

Conclusão – Portanto, é por Design

Premissa 1 – O Ajuste Fino do universo se deve a necessidade física, acaso ou Design


Que o universo possui um ajuste fino é praticamente unanime entre os físicos modernos. Essa foi uma das grandes descobertas do século XX, juntamente com a descoberta de que o universo teve um inicio absoluto. Esse ajuste fino se divide em diversas categorias:
1-      As condições iniciais do Big Bang
2-      As constantes da física
3-      As leis da natureza
4-      A descoberabilidade do universo
5-      Nossa galáxia
6-      Nosso sistema solar
7-      Nosso planeta
Vejamos alguns exemplos desse ajuste fino extraordinário: Se a taxa de expansão inicial do Big Bang divergisse em força um mínimo possível (pra mais forte ou mais fraco), o universo expandiria rápido demais, ou devagar demais, de forma que não seria capaz de produzir astros, e entraria em colapso. Se a precisão da densidade critica inicial do universo tivesse sido diferente em apenas uma parte em 10^15, o universo não permitiria a evolução de matéria que permita a vida. Para entender melhor do que se trata esse ajuste fino nas constantes iniciais do universo, veja a analogia que o filosofo Rice Broocks:

"Imagine que você chega a um quarto de hotel e que todas as suas coisas favoritas ja estejam la: suas roupas, suas comidas favoritas, fotos da sua família. Seria seguro dizer que alguem sabia que você estava vindo para o quarto e o preparou para você. [...] É isso que sugere [esse ajuste fino]. O universo foi feito com os seres humanos em mente." (Rice Broocks, "Deus não esta morto", p. 89)

Se a força nuclear fraca e a força da gravidade fossem alteradas em uma parte de 10^100, a vida seria impossível no universo. A mesma conclusão viria de uma pequena alteração na constante cosmológica, que impulsiona a expansão do universo, que se divergisse em uma parte de 10^120, tornaria a vida impossível.
Considere também a força nuclear forte, responsável por manter os nucleons juntos no núcleo de um átomo. Sem essa força, os nucleons não se manteriam juntos. Então, não existiriam átomos e, portanto, não existiria vida. Outro exemplo é o eletromagnetismo. Sem eletromagnetismo, não haveriam átomos, já que não teria nada para manter os elétrons em órbita. Com isso, não haveriam meios de transmitir energia de estrelas para a existência de vida nos planetas.
O universo possui um ajuste fino para descobertas, com nossa habilidade de descobrir os maiores domínios da realidade variando alguns dos parâmetros fundamentais da física. Domínios como: Cosmologia, microbiologia e a história passada da Terra. Mark Steiner disse que o mundo “parece ‘amigável ao usuário’. Isso é um desafio ao naturalismo” (Mark Steiner, “Mathematics as a Philosophical Problem”, p. 176)
Outro exemplo é a radiação de fundo cósmica. Por ter sua fonte no Big Bang, a RFC nos da informações importantes sobre a estrutura do universo. Físicos John Barrow e Frank Tipler, dizem:

“A radiação de fundo cósmica se tornou a ‘pedra Rosetta’ em que esta escrito o registro da história passada do universo no espaço e tempo” (John Barrow e Frank Tipler, “The Anthropic Cosmológical Principle”, p. 380)

Outras constantes devem se manter precisas para que grandes coisas sejam descobertas, como a da datação radioativa, que tem papel crucial na geologia, arqueologia e paleontologia, dependem da densidade dos elementos radioativos na crosta do planeta onde observadores apareceriam. Se a força da gravidade fosse diminuída, a densidade dos elementos radioativos iria diminuir para impedir o numero de vulcões de uma área aumentando, o que diminuiria a possibilidade de vida.
Dr. Dennis Sciama, ex-diretor dos observatórios da Universidade de Cambridge diz:

“Se você mudar um pouco as leis da natureza, ou as constantes da natureza [...] é bem provável que a vida inteligente não poderia ser capaz de se desenvolver.” (No especial da BBC, “The Anthropic Principle”)

Stephen Hawking declara:

“O fato marcante é que o valor desses números parece ser ajustado finamente para tornar o desenvolvimento de vida possível.” (Stephen Hawking, “ A Brief History of Time”, p.125)

O físico Paul Davies diz:

“Pra mim, há evidencias bem fortes de que tem algo acontecendo por trás disso tudo [...] É como se alguém tivesse ajustado finamente os números da natureza para fazer o Universo [...] A impressão de design é esmagadora.” (Paul Davies, “The Cosmic Blueprint”, p. 203)


Astrônomo Fred Hoyle:

“Uma interpretação pelo senso comum dos fatos sugere que um superintelecto se intrometeu com a física [...] e que não há forças cegas na natureza que merecem ser mencionadas.” (Fred Hoyle, "The Universe: Past and Present Reflections", pp. 8–12)

E Robert Jastrow, fundador do instituto Goddard para Estudos Espaciais da NASA se refere a essas descobertas como “a evidencia mais poderosa da existência de Deus que já veio da ciência.” (Robert Jastrow, “The Astronomer and God”, em The Intellectuals Speak Out About God, p. 22)
A evolução biológica depende desse ajuste fino. Sem esse ajuste fino, a química e a vida em carbono se torna impossível. Sem o ajuste fino do universo não seria possível que átomos, elétrons e outros elementos fundamentais se formassem. Sem o ajuste fino, estrelas não se formariam. Sem estrelas, não da pra se ter a química necessária para a criação de vida. Planetas como o nosso tem um ajuste adicional que só é possível por causa do ajuste completo do universo. Astrofísico Luke Barnes conclui:

“Quando dizemos que a vida se adaptou ao universo, sim, ela o fez! Mas apenas porque as condições estão certas. Mude essas condições e a vida simplesmente não é possível.” (Does evolution explain fine-tuning? – Luke Barnes, https://www.youtube.com/watch?v=Y1WwqSpGPb4 [1:40])

A vida em outro planeta não é tão provável quanto as pessoas pensam. Não é apenas ter um planeta com água. É necessário um planeta com as condições certas, com o sol certo, no sistema solar certo, na posição certa, na galáxia certa. O planeta Terra esta entre duas “pernas” de uma galáxia em espiral, o que é algo bem raro, pois se estivesse em outra posição ou galáxia seria alvo fácil de supernovas. Também esta na distancia certa do sol e da lua. Os planetas ao redor protegem de asteroides. Júpiter, por exemplo, tem um campo que “suga” os asteroides. Então, não é tão simples ter um planeta onde a vida poderia evoluir. Não apenas nosso universo é inteiramente ajustado finamente para que a vida possa aparecer, como nossa galáxia tem esse ajuste adicional que favorece a vida.
O tamanho do universo na verdade nos da evidencias de um designer. Se o universo fosse do tamanho do nosso sistema solar, nossa vida não duraria muito mais que alguns meses. Mas por causa do tamanho enorme dele, a vida pode ser suportada. O físico John Barrow, a respeito do tamanho do universo, diz:

“A vida só poderia aparecer no universo grande e antigo, negro e gelado. Com seus planetas e estrelas separados por largas distancias levados pela expansão sem fim. Essas são características necessárias para um universo que da suporte a vida. E eu acredito que reconhecendo isso, mostra como a astronomia tem transformado o pensamento simples de um universo sem sentido dos filósofos céticos do passado, trazendo nova vida a muitas questões religiosas sobre a fascinação de um universo” (Questions of ultimate concern the lawful Universe, John Barrow, 2006 Templeton Prize winner - https://www.youtube.com/watch?v=wDGV9mpfXhM)

Quando uma estrela morre, seus elementos essenciais são dispersados no espaço e usados para dar suporte a vida em planetas. Se não fossem pelas estrelas, o universo não teria os elementos necessários para a vida, teria apenas elementos menos densos, como o hidrogênio, e a química orgânica não seriam possíveis. Se o universo se expandisse muito rápido não seria possível que estrelas se formassem, e se fosse muito lento o universo iria contrair e entrar em colapso de volta a uma singularidade antes que as estrelas se formassem para permitir vida complexa. Se o universo tivesse a massa da Via Láctea, então ele existiria por cerca de 2 meses. Então, a existência de outras galáxias é um componente necessário para a evolução de vida complexa. John Barrow e Frank Tipler concluem:

“No passado essa consideração dava evidencia circunstancial contra o Argumento do Projeto. No entanto, uma imagem moderna do universo em expansão que nós reproduzimos rende a essa linha de argumento, no máximo, como irrelevante para a questão do projeto. [...] Um tempo mínimo é necessário para evoluir astros por caminhos naturais evolucionários e estrelas requerem bilhões de anos para transformar hidrogênio e hélio primordiais em elementos mais pesados os quais astros são principalmente construídos. Então, apenas em um universo suficientemente maturo, e, portanto suficientemente largo, ‘observadores’ podem evoluir. Em resposta a pergunta de Adão nós temos que responder que a vastidão dos ‘Céus’ largos é necessário para sua existência na Terra” (John D. Barrow e Frank J. Tipler, “The Anthropic Cosmological Principle”, pp. 384-385)

É importante notar que esses são apenas alguns exemplos de ajuste fino. Existem vários outros. 
O falecido Victor Stenger, em seu livro The Fallacy of Fine-tuning: How the universe is not designed for us [A Falácia do Ajuste Fino: Como o universo não é projetado para nós], argumentou que existem diversas explicações naturais para o ajuste fino, sem ter que apelar para um Designer ou multiverso. E então, ele conclui, que não há um problema de ajuste fino no universo.
Agora, como notado até aqui, a conclusão de Stenger vai contra o que a maioria dos cientistas acreditam. De fato, em sua resposta a Stenger, o astrofísico Luke Barnes listou alguns dos renomados nomes que creem e defendem a existência de um ajuste fino no universo para a vida ser possível. Dentre estes nomes estão: John Barrow, Paul Davies, Richard Dawkins, George Ellis, Alan Guth, , Stephen Hawking, Andrei Linde, Don Page, Roger Penrose, Martin Rees, Lee Smolin, Leonard Susskind, Frank Tipler, Alexander Vilenkin, dentre outros. (Luke Barnes, The Fine-Tuning of the Universe for Intelligent Life, http://arxiv.org/pdf/1112.4647v2.pdf, p. 6-7)  Note que nessa lista não estão apenas teístas, mas também ateístas, como Richard Dawkins, Stephen Hawking e outros. Já no lado dos teístas, estão Don Page, Paul Davies, Frank Tipler e George Ellis.
Então, Stenger esta em uma minoria extremamente radical. Até mesmo o cosmólogo ateu Sean Carroll admite:

“Se nosso universo começou no Big Bang, parece carregado com uma condição de fronteira finamente ajustada pela qual nós não temos uma boa explicação [...] Se o universo que vemos é realmente tudo o que há com o Big Bang como um inicio em baixa entropia, parece que estamos presos com um problema de ajuste fino desconfortável.” (Sean Carroll, From Eternity to Here, p. 5, 365)

David Heddle também colocou o problema de forma clara. Ele diz:

“É irrefutável que muitos cientistas, muitos deles cientistas ateístas famosos, enxergam a aparência de ajuste fino como um problema sério, um que não deveria ser jogado fora por causa de uma inconveniência ideológica. Não, ele é um problema que esta gritando por uma solução cientifica.” (Faith. Phisics. Rant., Science Denialism: Pot. Kettle. Black., http://heb712.blogspot.com.br/2014/01/science-denialism-pot-kettle-black.html)

Ele prossegue e diz que a tentativa de Stenger é uma grande falha:

“O fato é que Stenger, em uma tentativa de mostrar que o ajuste fino é uma ilusão, apenas fez um trabalho podre, ele não publicou artigos peer-reviewed, e você não encontra esses cientistas que consideram o ajuste fino um problema sério [...] dizendo agora: ‘Meu Deus, nós estivemos preocupados por nada! Stenger resolveu para nos!' Porque Stenger não fez nada além de alguns cálculos por trás do envelope e então escreveu uma popularização em que ele afirma ter resolvido o problema.” (ibid)

Agora, porque Stenger é criticado de forma tão bruta? Vejamos alguns exemplos da falha por parte de Stenger, mencionados por Barnes em seu artigo:

“O problema da aparente baixa entropia no universo é um dos problemas mais antigos da cosmologia. O fato de que a entropia do universo não esta em seu máximo teorético, junto com o fato de que a entropia não pode diminuir, significa que o universo deve ter começado em um estado de baixa entropia bem especial.”
“Stenger admite que o universo é homogêneo e isotrópico. Podemos ver isso nos cálculos de Friedmann que ele usou, que assumem que o espaço-tempo é homogêneo e isotrópico. Não surpreendentemente, uma vez que a homogeneidade e a isotropia foram admitidos, Stenger pensa que a solução para o problema é incrivelmente simples.”
“Nós concluímos que Stenger não apenas falhou em resolver o problema da entropia; ele falhou em compreende-lo. Ele apresentou o próprio problema como sendo sua solução. Expansão homogênea, isotrópica não pode resolver o problema da entropia – ela é o problema da entropia. A asserção de Stenger de que ‘o universo começou com entropia máxima ou desordem completa’ é falsa. Um espaço tempo homogêneo, isotrópico é um estado de entropia incrivelmente baixo. Penrose (1989) alertou precisamente sobre esse tipo de solução falha duas décadas atrás...” (Barnes, The Fine-Tuning of the Universe for Intelligent Life, p. 23. 26)

Sobre a constante cosmológica ele diz:

“O problema da constante cosmológica é descrito no livro de Burgess e Moore (2006) como ‘o problema teorético mais severo na física de alta energia atual, como mensurado por ambos, a diferença entre a observação e as predições teoréticas, e pela falta de ideias teoréticas convincentes para lidar com isso.’ Uma teoria bem entendida e bem testada de física fundamental (Teoria de campo quântico) prevê contribuições à energia do vácuo do universo que são [aproximadamente] 10^120 vezes maior do que o valor total observado. A resposta de Stenger é guiada pelo seguinte principio: ‘Qualquer calculo que discorda com os dados por 50 ou 120 ordens de magnitude esta simplesmente errado e não deveria ser levado a sério. Nós devemos esperar os cálculos corretos’ [FOFT p. 219]’”
Isso parece indistinguível do raciocínio de que os cálculos devem estar errados, caso contrario a constante cosmológica estaria finamente ajustada. Não podemos esperar por um exemplo mais perfeito de petição de principio. Mais importante, há um mal entendido no registro de Stenger do problema da constante cosmológica. O problema não é que os físicos fizeram predições incorretas. Nós podemos usar o termo energia escura para qualquer energia que causa a aceleração da expansão do universo [...] O problema do ajuste fino é que esses contribuidores independentes, incluindo talvez alguns que nós não conhecemos, conseguem cancelar uns aos outros à um grau alarmante para permitir vida.” (ibid, p. 34-35)

Esses são apenas alguns exemplos da falha monstruosa na análise de Stenger. Que não é apenas contrária ao que a gigantesca maioria de cientistas crê, mas também é baseada em mal entendimento e raciocínio circular.
Uma outra possibilidade é a de que descobertas futuras vão mostrar que tal ajuste fino não é problemático, ou talvez que nem exista. Porem, como demonstrado o consenso atual da maioria dos cientistas é a de que o ajuste fino é real e problemático. Como conclui Ernan McMullin, filosofo da ciência:

“Parece seguro dizer que teorias posteriores, não importa o quão diferente sejam, vão tornar [os números] aproximadamente os mesmos. E as restrições numerosas que devem ser impostas nesses números [...] parecem ser muito específicas e muito numerosas para evaporar completamente [...] Uma dúzia ou mais dessas restrições já foram apontadas [...] Podem todas elas ser trocadas? [...] Claramente isso parece ser um grande chute.” (Ernan McMullin, “Anthropic Explanation in Cosmology,” em “God and Physical Cosmology,” conferencia na Universidade de Notre Dame, 2003.)

Então, concluímos que há um ajuste fino real no universo para permitir a vida. Mas, a pergunta que devemos fazer agora é: Qual é a melhor explicação para esse fenômeno? Existem três possíveis explicações: Necessidade física, acaso ou Design.
Por necessidade física, queremos dizer que deve haver uma lei fundamental que torna necessário o ajuste fino. Quer dizer, o universo necessariamente e fisicamente deve possuir as constantes com os valores que possui. As alternativas seguintes, acaso e Design, são autoexplicativas.

Premissa 2 – Não é por necessidade física ou por acaso


Necessidade física?

Essa alternativa é extremamente improvável. De acordo com essa hipótese, um universo que não permite vida é impossível. Mas não há motivos para se crer nisso. Alem disso, as constantes da física são independentes das leis da natureza. A teoria-M, que requer onze dimensões, unifica as forças da gravidade, nuclear fraca, nuclear forte e eletromagnetismo em uma única força, mas ela requer a existência de onze dimensões e não consegue explicar o porque de existirem essas onze dimensões. Na verdade, ela prevê um numero de 10^500 universos hipotéticos governados pelas mesmas leis da natureza, mas com diferentes constantes. Outro problema é que essa lei não explicaria as condições iniciais do Big Bang. O físico Paul Davis diz:

“Mesmo que as leis da física fossem singulares, disso não procede que o universo físico seja singular em si mesmo [...] às leis da física devemos acrescentar as condições cósmicas iniciais [...] Não há nada nos atuais conceitos de 'leis das condições iniciais' sugerindo, mesmo remotamente, que sua consistência com as leis da física implique singularidade. Pelo contrário [...] parece, portanto, que não há necessidade de o universo ser do jeito que é; poderia ter sido diferente” [Paul Davies, The Mind of God, p. 169]

Não só isso, mas tal lei faz a improbabilidade do ajuste fino das leis e das constantes subirem em um nível. Se tal lei existisse, seria uma grande coincidência que essa lei implicasse tais valores para as leis e constantes para permitir vida. Como astrofísicos Bernard Carr e Martin Rees colocaram:

“Mesmo se todas as aparentes coincidências antrópicas pudessem ser explicaras [em termos de alguma lei fundamental], ainda seria incrível que o relacionamento ditado pela teoria física aconteceu também de ser esses propícios a vida.” [Bernard Carr e Martin Rees, “The Anthropic Cosmological Principle and the Structure of the Physical World”, p. 612]

Portanto, necessidade física não é uma opção que explica o ajuste fino, e o torna algo mais improvável. Até mesmo Richard Dawkins concorda que tal explicação falha. Quanto a essa primeira alternativa, após destacar que Sir Martin Rees rejeita tal explicação, Dawkins diz: “Eu acho que concordo”. (Richard Dawkins, The God Delusion, p. 144)

Acaso?


Termos tido tal sorte é mais improvável ainda. Eu já comentei nos textos anteriores, sobre algo do tipo, mas vamos la de novo para mostrar tal improbabilidade.
Se você quer saber o quão improvável é de nosso universo ter começado com o ajuste fino que começou, então saiba que, segundo Roger Penrose, a probabilidade do universo ter começado com a baixa entropia (nível de desordem, ou seja, ele começou ordenado) que começou por acaso é de uma parte em 10^10^123!
Para entender melhor, o físico John Barrow fez uma analogia:
Pegue uma folha de papel e faça um ponto vermelho. Este ponto representa nosso universo. Agora, mude só um pouco o valor de uma ou outra das constantes do nosso universo. Como consequencia, temos um novo universo, que pode ser representado por um ponto proximo ao primeiro. Se esse universo permitir vida, faça-o de vermelho, se não, faça-o de azul. Agora, repita esse procedimento até encher a folha de pontos. No final, teremos uma folha completamente azul com alguns poucos pontos vermelhos.
Algumas pessoas argumentam que não deveríamos ficar surpresos com o ajuste fino. A lógica é a seguinte: “Porque nós existimos, é claro que o universo tem um ajuste preciso! Caso contrario, não estaríamos aqui para observa-lo. Portanto as chances de estarmos em um universo permitindo vida é de 1 em 1”. Essa objeção é chamada de “Principio Antropico Fraco”. O filosofo John Leslie responde a essa objeção com uma analogia:
Imagine que você está em viagem no exterior e de repente é preso por um policial que lhe acusa de porte de drogas. Sem qualquer explicação, o oficial o conduz para ser executado diante de 10 atiradores treinados, todos apontando armas para o seu coração. Alguém grita a ordem: ‘Preparar! Apontar! Fogo!’; você ouve o barulho ensurdecedor dos disparos e momentos depois percebe que continua vivo e sem nenhum arranhão, pois todos os atiradores erraram! Qual seria sua conclusão? Será que pensaria: “Não devo ficar surpreso. Afinal, se não tivessem errado eu não estaria aqui para ficar surpreso. Como ainda estou vivo, era de esperar que todos errassem. É claro que não pensaria isso e buscaria uma explicação do por que todos erraram.
Alguns também dizem que eventos improváveis acontecem sempre, como pegar certas cartas de um baralho. As chances de você pegar uma mão com quatro determinadas cartas é de 1 em 7 trilhões. No entanto, não estamos falando apenas sobre alta improbabilidade, mas também o que se resulta disso. Quando você pega uma mão de cartas em um baralho, nada acontece. Não há complexidade, ordem, criação de átomos.
Essas tentativas de “explicar” o ajuste fino são irracionais, pois não buscam o por que e nos sugere ficar sentados na ignorância sem buscar por uma explicação.
Para resgatar a hipótese do acaso, foi postulado um numero potencialmente infinito de universos, o qual nós, por sorte, estaríamos em um dos universos com vida e, portanto, não deveríamos nos surpreender com o ajuste fino. Existem diversos problemas com tal hipótese.
George Ellis, chamado pelo cosmólogo Tony Rothman de “o cara que mais conhece sobre a cosmologia do que qualquer outro homem vivo”, diz que não existe evidencia nenhuma para essa teoria. (George F. R. Ellis, “Does the Multiverse Really Exist?” Scientific American 305, Agosto de 2011, pp. 38-43.)
O multiverso enfraquece o método cientifico apenas para favorecer uma possível explicação. Existem dois princípios na ciência que o multiverso viola: testabilidade e poder explicativo.  As vezes, na cosmologia, esses dois entram em conflito. E em casos “extremos”, o multiverso é proposto, sem nenhum teste observacional sendo possível. Os outros universos estão fora do alcance de observação e sua física não pode ser testada. O que isso significa, não é meramente que não temos evidencia, mas que nunca teremos. (Ellis, “The multiverse, ultimate causation and God”, http://www.reasonsforgod.org/wp-content/uploads/Ellis-Faraday.pdf)
Uma analogia também pode nos servir de exemplo para vermos o absurdo de tal hipótese: Suponha que você encontre um osso de dinossauro. Isso seria uma forte evidencia de que dinossauros existiam, não? Agora imagine que um “cético de dinossauros” venha a você e diga que pode explicar os ossos se postular uma “área de produção de ossos de dinossauro” que apenas materializa os ossos. Agora, para desviar de qualquer objeção que diga que não existem leis da física que possam permitir esse mecanismo, o cético diga que nós simplesmente ainda não descobrimos essas leis ou detectamos essas regiões. Obviamente nenhum ser humano racional iria levar essa hipótese a serio, e iria achar mais provável (e obvio) a existência de dinossauros no passado. Apesar de não termos experiências com dinossauros, nós temos a experiência comum de outros animais que deixaram ossos fossilizados. Então, tal mecanismo seria uma extrapolação não natural de nossa experiência.
No caso do ajuste fino, nós sabemos por experiência comum que apenas mentes podem produzir maquinas finamente ajustadas. Postular Deus, uma mente, para explicar o ajuste fino é muito mais “natural” do que imaginar um grande mecanismo gerador de universos.
Tal teoria comete também a falácia do apostador. Quer dizer, o multiverso pode ser usado para qualquer coisa. O físico James Sinclair explica exemplificando:

“O promotor dos Muitos Mundos esta engajado com um problema chamado de Falácia do Apostador. Suponha que eu jogue uma moeda repentinamente. Cara, você me para um dólar. Coroa, eu te pago um dólar. Eu ganho 10,000 vezes seguidas. Você deveria ficar irritado? Não se preocupe. Eu te garanto de que existem Muitos Mundos suficientes la fora onde o jogo da moeda esta acontecendo, e essas copias de você mesmo devem com certeza estar ganhando não importam as chances. Se sente melhor?” (James Sinclair, “At Home in the Multiverse? Critiquing the Atheist Many-Worlds Scenario”, em Paul Copan e William Lane Craig, Contending with Christianity’s Critics: Answering New Atheists & Other Objections, kindle pos. 222)

Outro problema é a violação do principio da Navalha de Ockham, que diz que não devemos postular mais causas do que o necessário para explicar algo. Postular um numero infinito de universos certamente faz isso. Filosofo Richard Swinburne diz:

"É o ápice da irracionalidade postular um infinito numero de universos nunca conectados casualmente um com o outro, apenas para desviar da hipótese do Teismo. [...] é muito mais simples postular um Deus do que um numero infinito de universos, cada um diferente um do outro com uma formula, não causados por qualquer coisa." (Richard Swinburne, "The Existence of God", p. 185)

O cosmólogos, membro da NASA e da “Royal Astronomical Society”,  Edward R. Harrison disse:

“O ajuste fino do universo nos da evidencia prima facie de um projeto divino. Faça sua escolha: Chance cega que requer multidões de universos ou o projeto que requer apenas um [...] Muitos cientistas, quando eles admitem suas visões, se inclinam ao argumento teleológico ou do projeto” (Masks of the Universe, pp. 252, 263)

A única maneira de desviar da Navalha de Ockham, é se o mecanismo for simples. Mas esse não aprece ser o caso. Todas as propostas para produzir os universos vem de um big bang oscilante e de flutuações no vácuo. Dentre tais hipóteses, surge a cosmologia da inflação junto a teoria das cordas. Nessa hipótese, a expansão causou a diminuição da temperatura do espaço, causando a formação de “universos bolha”. Nós seriamos apenas uma dessas bolhas. Mas esses mecanismos teriam que ser governados por leis da física bem complexas para produzir universos. Se essas leis não fossem um pouco diferentes, o gerador não poderia produzir um universo para sustentar vida. Pense nisso: Até mesmo uma maquina de fazer pães requer um ajuste fino para a produção de pães, que dirá um gerador de universos!
No caso de um multiverso inflacionário, o problema do ajuste fino se mantem de forma grandiosa. Físico e filósofo Robin Collins explica:

"...considere o tipo de gerador inflacionário do multiverso. Para que ele explique o ajuste fino das constantes, ele deve teorizar um ou mais 'mecanismos' ou leis que farão as seguintes cinco coisas: (i) causar a expansão de uma região pequena de espaço em uma região bem grande; (ii) gerar uma grande quantidade de massa e energia necessária para essa região conter a matéria ao invés de meramente espaço vazio; (iii) converter a massa e energia do espaço inflado em um tipo de massa e energia que encontramos em nosso universo; e (iv) causar variações suficientes entre as constantes da física para explicar o ajuste fino. [...] Alem disso, as leis físicas fundamentais do gerador do multiverso [...] devem ser precisamente certas para produzir universos que permitem vida, ao invés de meramente universos mortos.“ (Robin Collins, “The Teleological Argument”, em W. L. Craig e J. P. Moreland, The Blackwell Companion to Natural Theology)

Apesar de algumas leis poderem variar de universo para universo, existem essas leis fundamentais e princípios que não podem ser explicadas pela seleção do multiverso. Por exemplo, sem o principio da quantização, todos os elétrons seriam sugados para o nucleico atômico, tornando elétrons impossíveis. Sem o principio da exclusão-Paulim elétrons ocupariam uma órbita atômica menor, tornando átomos variados e complexos impossíveis.
Uma outra analogia: Suponha que exista um macaco que esteja digitando em uma maquina de escrever há um tempo enorme. Eventualmente, ele pode digitar uma obra de Shakespeare. Porem, se o teclado da maquina de escrever tiver apenas vogais, o macaco nunca vai produzir algo que possa ser lido, não importa quanto tempo ele esteja ali.
Para um universo ser observável, ele não precisa ter o tamanho que tem. Uma forma de vida mais simples poderia existir em um universo menor, embora ela não pudesse viver por muito tempo nem ser um agente moral e interativo como nós.
Roger Penrose calculou que as chances de um universo do tamanho do nosso sistema solar por uma colisão de partículas é de 10^10^60. Esse numero é gigante, mas ainda assim é muito menor do que a probabilidade de existir um universo ajustado finamente como o nosso. De acordo com Penrose, a probabilidade de existir um universo como o nosso é de 10^10^123. (Penrose, “Time-asymmetry and quantum gravity” em Quantum Gravity 2, p. 249) Ele diz:

“O universo particular que nós realmente observamos é selecionado dentre todos os universos possíveis pelo fato de que nós o observamos! [...] Porem, o argumento não nos leva a lugar algum perto da figura necessária de 10(10^123), para a ‘espacionalidade’ do big bang [...] De acordo com o calculo, todo o sistema solar junto com seus habitantes poderia ser criado simplesmente a partir de uma colisão aleatória de partículas muito mais ‘barato’ do que isso, quer dizer, com uma ‘improbabilidade’ de ‘apenas’ uma parte em muito menos do que 10(10^60). (Penrose, Emperor’s New Mind, p 354)

Agora vem o ponto forte: O universo mais provável é aquele em que um único cérebro aparece por uma colisão de partículas e observa o resto do espaço vazio. Então, se nós fossemos apenas um membro aleatório de um grande conjunto de mundos, seria inconcebivelmente mais provável que tivéssemos observações como essa. Não se pode apelar para “nós observamos um universo ajustado pois esse universo é o único que um observador pode observar”, pois é gigantescamente mais provável fossemos cérebros observando espaços vazios. Esse é o universo observável mais provável. Não importa o quanto o cérebro viva, ele precisa apenas de uma observação. Como Robin Collins colocou:

“É vastamente mais provável para um observador genérico se encontrar na menor e menos estruturada comunidade requerida para ser um observador do que em uma grande e altamente estruturada comunidade de observadores, como a raça humana” (Collins, “The Fine-Tuning of the Cosmos: A Fresh Look at Its Implications”, em The Blackwell Companion to Science and Christianity, p. 212)

Com isso em mente, vemos por que o efeito de observador auto seletivo não funciona. Pois o opositor não pode dizer “apenas universos ajustados finamente são observáveis”. O que deve ser explicado não é apenas a existência de vida inteligente, mas sim agentes incorporados, morais e interativos.
Como uma ilustração, imagine que exista um macaco escrevendo em uma maquina de escrever a um numero infinito de anos. Ele eventualmente pode escrever uma obra de Sheakespeare. Agora, podem argumentar “bom, essa é a única obra do macaco que é legível, então é a única que pode ser lida.” Porem, é muito mais provável que ele tenha escrito um enorme numero de paginas ilegíveis, mas com uma ou outra frase legíveis. Então, nessa vastidão de obras do macaco, é gigantescamente mais provável que você pegue uma obra dele ilegível, com uma frase legível, do que a obra de Sheakespeare. Então, a afirmação “é claro que eu consigo ler essa obra, pois é a única legível”, é falsa, pois poderia ser pega qualquer outra obra com apenas uma frase legível.
Paul Davies também faz um argumento interessante, o qual ele conclui que, se vivemos em um universo no meio de vários, então é provável que vivamos em um universo falso, com física falsa. E, portanto, não podemos confiar em nossa física para prever se existe um multiverso, já que esta física é falsa. Ele argumenta da seguinte forma:

“Se você levar a sério a teoria de todos os universos possíveis, incluindo todas as variações possíveis, pelo menos alguns deles devem possuir civilizações inteligentes com poder computacional suficiente para simular mundos falsos. Universos simulados são muito mais baratos de fazer do que a coisa real, e assim o numero de universos falsos seria proliferado e ser vastamente maior do que os reais. E, assumindo que somos apenas observadores típicos, então é incrivelmente provável que nós nos encontramos em um universo falso, não em um real. [...] Nós não podemos usar o argumento de que a física em nosso universo nos leva a universos múltiplos, porque ela também nos leva a um universo falso com uma física falsa. [...] Enquanto universos múltiplos parecem quase inevitáveis dado o nosso entendimento do Big Bang, usando eles para explicar toda a existência é perigoso, escorregadio, levando à conclusões aparentemente absurdas.” (Paul Davies, entrevistado por Robert Lawrence Kuhn, em “Is Our Universe a Fake?” em Space.com, http://www.space.com/30124-is-our-universe-a-fake.html)

Uma outra coisa que deve ser adicionada, é que o multiverso inflacionário iria necessitar de um inicio absoluto também. Em 2003, Arvind Borde, Alan Guth e Alexander Vilenkin demonstraram que qualquer espaço inflacionário (ou em expansão) deve ter tido um inicio. (Inflationary spacetimes are not past-complete, http://arxiv.org/pdf/gr-qc/0110012.pdf)
Como astrofísico Jeff Zweerink colocou:

“O multiverso argumenta que a criação existiu antes do big bang. Embora os detalhes sejam muito específicos para colocar aqui, todos os modelos viáveis de multiverso ainda requerem um inicio! Apesar desses modelos tornarem o problema mais complexo, a doutrina central Cristã de criação ex nihilo ainda se mantem firme. De fato, a busca por alternativas do multiverso para um único universo tornou o caso para um inicio ainda mais robusto do que a cosmologia do big bang sozinha.” (Reasons to Believe, “Multiverse Musings - The Beginning”, http://www.reasons.org/articles/multiverse-musings---the-beginning)

Alexander Vilenkin também concluiu em seu livro Many Worlds in One:

“Dizem que um argumento convence os homens racionais, e a prova convence até mesmo os irracionais. Agora que temos a prova, cosmólogos não podem mais se esconder atrás da possibilidade de um passado eterno. Não há escapatória. Eles tem que encarar o problema de um nascimento cósmico.” (Alexander Vilenkin, Many Worlds in One, p. 176)

Por fim, mesmo se o multiverso pudesse explicar a o por que observamos um universo com ajuste fino para permitir vida, ele não explicaria o ajuste fino para descobertas mencionado acima. Se nosso mundo é governado por elementos que nos permitem predizer aspectos não-observáveis por meio de matemática e experimentos, então uma predição do multiverso apenas aumentaria a incompreensividade do ajuste fino que permite que descobertas sejam preditas. Por essas razões que o físico Roger Penrose chama o multiverso de “uma desculpa para não se pensar em uma boa teoria.” (Hawking co-scientist Roger Penrose debunks M-theory on Christian Radio, https://www.youtube.com/watch?v=Dg_95wZZFr4 [2:55]) 
Similarmente, o físico Paul Steinhardt diz que, “teorias cientificas deveriam ser simples, explicativas, preditivas. O multiverso inflacionário como compreendido atualmente parece não ter nenhuma dessas propriedades.” (Paul Steinhardt, “Physicist Slams Cosmic Theory He Helped Conceive”, entrevistado na Scientific American, http://blogs.scientificamerican.com/cross-check/physicist-slams-cosmic-theory-he-helped-conceive/)
Vimos então que nem a necessidade física, nem o acaso e nem o multiverso podem explicar o ajuste fino do universo. Mas e quanto ao Design? Seria essa uma boa explicação?

Conclusão – Portanto é por Design


A hipótese do Design pode ser inferida como a melhor explicação do fenômeno da alta complexidade do nosso universo. O filósofo William Dembski argumenta que se um fenômeno altamente complexo não puder ser explicado por uma lei ou pelo acaso, então estamos justificados em inferir Design como a melhor explicação.
Tomemos como exemplo o Monte Rushmore e o Grand Canyon. A complexidade do Monte Rushmore nos mostra logo de cara que ele foi projetado e criado por um projetista. Enquanto o Grand Canyon é facilmente e obviamente explicado por forças naturais. Veja outro exemplo similar: Se encontrássemos uma base espacial no lado oposto da Lua, nós estaríamos justificados em argumentar que (a) nenhuma lei da natureza a criou; e (b) ela não pode ter sido formada pelo acaso. Sua complexidade e engenhosidade nos levam à conclusão de que ela foi projetada por vida inteligente.
Richard Dawkins objeta perguntando “Quem projetou o Projetista?”. Porem isso vem da falta de conhecimento de Dawkins sobre o que e quem é Ele. Deus, sendo apenas espírito, é uma entidade extremamente simples, portanto, ele não é complexo para necessitar um designer. Como filosofo William Lane Craig diz:

“Como uma mente pura, sem um corpo, Deus é um ente notavelmente simples. Uma mente (ou alma) não é um objeto físico composto de partes. Em contraste com um universo contingente e diversificado, com todas as suas inexplicáveis constantes e quantidades, uma mente divina é algo surpreendentemente simples. Por certo que tal mente pode ter ideias complexas — pode estar pensando, por exemplo, em um cálculo infinitesimal — mas essa mente em si é um ente espiritual incrivelmente simples. Dawkins evidentemente confundiu as ideias de uma mente, que podem na verdade ser complexas, com a própria mente em si, que é um ente incrivelmente simples.” (William Lane Craig, “Em Guarda: Defenda a fé cristã com razão e precisão”, p. 135)

De fato, mesmo se a objeção de Dawkins estivesse certa, ela não invalidaria o argumento. Pois, para se admitir uma explicação como a melhor, não precisamos achar uma explicação para a explicação. Isso nos levaria à um regresso infinito de explicações e causas, o que acabaria com a própria ciência. Se o argumento de Dawkins fosse válido, poderíamos de forma similar dizer que ele é invalido, pois Richard Dawkins o fez, mas não sabemos que fez Richard Dawkins.
Outra possível objeção é a de que Deus não precisa de Ajuste Fino, ela pode criar o universo do jeito que quiser. Essa objeção diz que Deus teve seu poder limitado por restrições externas, pois teve que obedecer essas restrições para ajustar o universo.
Só porque Deus fez o universo de uma forma, não significa que tinha restrições externas. Talvez Deus tenha um motivo pra fazer este ajuste fino. Pode ser por motivos pessoais ou preferencias pessoais. Talvez ele deixe deste jeito para demonstrar Sua existência. A objeção diz que ajustar dessa forma tão delicada seria uma demonstração de falta de eficiência. No entanto, eficiência é algo importante apenas pra quem tem limites de tempo e/ou recursos limitados. Mas Deus não é limitado em nenhum dos dois. Ou como diz Craig, talvez Deus seja como um artista, que adora desfrutar do ato de criação.
Um problema ainda pior para tal objeção é que ela adiciona uma alternativa teísta à lista de explicações possíveis. Quer dizer, ela adiciona a hipótese do milagre. De que Deus poderia criar um universo que não permitisse vida, mas, ainda assim, com vida! Então, essa objeção não ajuda no caso do ateísta.
Uma outra objeção que pode ser feita, é a da psicologia divina. Quer dizer, ela se refere à racionalidade quanto ao que Deus provavelmente faria em certa situação. Dessa forma, mesmo o universo possuindo um ajuste fino altamente improvável no ateísmo, nós não temos base pra dizer qual a probabilidade de Deus criar um universo finamente ajustado. Em outras palavras, é possível que o ajuste fino no ateísmo ainda seja mais provável do que Deus ter criado o universo finamente ajustado. Então, como podemos dizer que é provável que Deus tenha criado o universo dessa forma?
O problema com tal objeção é que ainda assim a probabilidade do ajuste fino no ateísmo é menor do que no teísmo. Note que, no ateísmo, não há razão justificável para o ajuste fino. Mas, no teísmo, Deus pode ter razões morais o bastante para criar um universo ajustado finamente. Como William Lane Craig colocou:

“A improbabilidade de Vida dado o ateísmo e as leis da natureza é inconcebivelmente alta; [...] nós estamos falando de números incompreensíveis. Por contraste, se Deus existe, eu não vejo qualquer razão para pensar que seria improvável que Ele deveria criar Vida, muito menos que seria mais improvável que a Vida no ateísmo e leis da natureza. [...] Deus pode muito bem ter razões boas para criar um universo com agentes conscientes e corpóreos – por exemplo, de que eles podem vir a conhecer o grande bem de um relacionamento com Deus. A bola esta agora na corte do ateu: ele deve nos dar alguma boa razão para pensar que isso é altamente improvável.” (Reasonable Faith, Divine Psychology, http://www.reasonablefaith.org/divine-psychology)

De fato, dado o Cristianismo, onde a natureza de Deus é essencialmente relacional (quer dizer, a Trindade), não é totalmente absurdo dizer que Deus queira criar seres vivos para interagirem e se relacionarem com Ele. Então, como Craig disse, o ônus da prova esta com o ateu, que deve mostrar que Deus não tem razões para criar um universo com vida.
Por fim, alguns podem acusar esse argumento de ser Deus das Lacunas. Quer dizer, apenas estamos colocando Deus como explicação para preencher a lacuna em nosso conhecimento cientifico, mas que, no futuro, cientistas encontrarão explicações naturais para o ajuste fino. Há, pelo menos três problemas com essa objeção: Primeiro, como demonstrado acima, estamos argumentando de efeito para causa. Dizendo que a melhor explicação para o ajuste fino do universo é a de um Designer Cósmico. Quando vemos alta complexidade, logo assumimos a existência de vida inteligente por trás do fenômeno. Não há motivo pra ser diferente com o ajuste fino. Segundo, a objeção é em si baseada em raciocínio circular. Quer dizer, ela pressupõe que exista uma explicação natural para mostrar que a sobrenatural é falsa. O que nos leva ao terceiro problema, que é meramente um “cientistas-do-futuro das lacunas”. Quer dizer, ela preenche a lacuna em nosso conhecimento atual com o conhecimento hipotético e injustificável dos cientistas do futuro.
Agora, podem tentar dizer que, já que cientistas descobriram causas naturais para fenômenos do passado que eram atribuídos a deuses, isso pode acontecer com o ajuste fino e outras evidências usadas pelo teísta. Porem, essas claras atribuições à deuses no passado não eram justificadas. Eram puramente baseadas em ignorância. Ao passo que, no caso do ajuste fino, estamos nos baseando no que conhecemos e inferindo a melhor explicação para o fenômeno. Dizer que a ciência encontrará uma causa natural, é como dizer que, só porque um detetive achou a resposta para cem casos, portanto ele achará a resposta para o centésimo primeiro. O que é puramente especulativo.
Unido ao Argumento Cosmológico Kalam, o Argumento Teleológico do Ajuste Fino nos da base para crer em um Criador e Designer do cosmos, que ajustou finamente o universo para que sua estrutura se mantenha, para que vida seja possível e para que descobertas possam ser feitas.

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