sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Ajuste Fino do Universo: Necessidade, Acaso ou Design?


Existem apenas três possíveis explicações para o tremendo ajuste fino do nosso universo:
Necessidade Física - quer dizer, o universo não ter essas constantes é fisicamente impossível por causa de alguma lei da natureza
Acaso - estamos aqui por sorte
Design/Projeto - uma Mente Inteligente projetou o universo

Qual a melhor explicação?


Necessidade Física?

Essa alternativa é extremamente improvável. De acordo com essa hipótese, um universo que não permite vida é impossível. Mas não há motivos para se crer nisso. Alem disso, as constantes da física são independentes das leis da natureza. A teoria-M, que requer onze dimensões, unifica as forças da gravidade, nuclear fraca, nuclear forte e eletromagnetismo em uma única força, mas ela requer a existência de onze dimensões e não consegue explicar o porque de existirem essas onze dimensões. Na verdade, ela prevê um numero de 10^500 universos governados pelas mesmas leis da natureza, mas com diferentes constantes. Outro problema é que essa lei não explicaria as condições iniciais do Big Bang. O físico Paul Davis diz:

Mesmo que as leis da física fossem singulares, disso não procede que o universo físico seja singular em si mesmo [...] às leis da física devemos acrescentar as condições cósmicas iniciais [...] Não há nada nos atuais conceitos de 'leis das condições iniciais' sugerindo, mesmo remotamente, que sua consistência com as leis da física implique singularidade. Pelo contrário [...] parece, portanto, que não há necessidade de o universo ser do jeito que é; poderia ter sido diferente” [1]

Não só isso, mas tal lei faz a improbabilidade do ajuste fino das leis e das constantes subirem em um nível. Se tal lei existisse, seria uma grande coincidência que essa lei implicasse tais valores para as leis e constantes para permitir vida. Como astrofísicos Bernard Carr e Martin Rees colocaram:

“Mesmo se todas as aparentes coincidências antrópicas pudessem ser explicaras [em termos de alguma lei fundamental], ainda seria incrível que o relacionamento ditado pela teoria física aconteceu também de ser esses propícios a vida.” [2]








Portanto, necessidade física não é uma opção valida.

Acaso?

Termos tido tal sorte é mais improvável ainda. Eu já comentei nos textos anteriores, sobre algo do tipo, mas vamos la de novo para mostrar tal improbabilidade.
Se você quer saber o quão improvável é de nosso universo ter começado com o ajuste fino que começou, então saiba que, segundo Roger Penrose, a probabilidade do universo ter começado com a baixa entropia (nível de desordem, ou seja, ele começou ordenado) que começou por acaso é de uma parte em 10^10^123!
Para entender melhor, o físico John Barrow fez uma analogia:
Pegue uma folha de papel e faça um ponto vermelho. Este ponto representa nosso universo. Agora, mude só um pouco o valor de uma ou outra das constantes do nosso universo. Como consequencia, temos um novo universo, que pode ser representado por um ponto proximo ao primeiro. Se esse universo permitir vida, faça-o de vermelho, se não, faça-o de azul. Agora, repita esse procedimento até encher a folha de pontos. No final, teremos uma folha completamente azul com alguns poucos pontos vermelhos.
Algumas pessoas argumentam que não deveríamos ficar surpresos com o ajuste fino. A lógica é a seguinte: “Porque nós existimos, é claro que o universo tem um ajuste preciso! Caso contrario, não estariamos aqui para observa-lo. Portanto as chances de estarmos em um universo permitindo vida é de 1 em 1”. Essa objeção é chamada de “Principio Antropico Fraco”. O filosofo John Leslie responde a essa objeção com uma analogia:
Imagine que você está em viagem no exterior e de repente é preso por um policial que lhe acusa de porte de drogas. Sem qualquer explicação, o oficial o conduz para ser executado diante de 10 atiradores treinados, todos apontando armas para o seu coração. Alguém grita a ordem: ‘Preparar! Apontar! Fogo!’; você ouve o barulho ensurdecedor dos disparos e momentos depois percebe que continua vivo e sem nenhum arranhão, pois todos os atiradores erraram! Qual seria sua conclusão? Será que pensaria: “Não devo ficar surpreso. Afinal, se não tivessem errado eu não estaria aqui para ficar surpreso. Como ainda estou vivo, era de esperar que todos errassem. É claro que não pensaria isso e buscaria uma explicação do por que todos erraram.
Alguns também dizem que eventos improvaveis acontecem sempre, como pegar certas cartas de um baralho. As chances de você pegar uma mão com quatro determinadas cartas é de 1 em 7 trilhões. No entanto, não estamos falando apenas sobre alta improbabilidade, mas também o que se resulta disso. Quando você pega uma mão de cartas em um baralho, nada acontece. Não há complexidade, ordem, criação de atomos.
Essas tentativas de “explicar” o ajuste fino são irracionais, pois não buscam o por que e nos sugere ficar sentados na ignorancia sem buscar por uma explicação.
Outra tentativa de tentar argumentar para o acaso é aumentando o numero de chances postulando um Multiverso. No entanto, não existem evidencias de nenhum Multiverso e ele viola o principio da Navalha de Ockham, que é um principio que diz que não devemos postular causas alem da necessidade. Postular uma infinidade de universos ao invés de um Designer faz muito mais suposições. Sobre a hipótese do Multiverso, filosofo Richard Swinburne diz:

"É o ápice da irracionalidade postular um infinito numero de universos nunca conectados casualmente um com o outro, apenas para desviar da hipótese do Teismo. [...] é muito mais simples postular um Deus do que um numero infinito de universos, cada um diferente um do outro com uma formula, não causados por qualquer coisa." [3]


(Vou fazer uma critica maior ao Multiverso em outro texto.)

Design?

Um designer é a melhor explicação para o ajuste fino do universo:
Explica por que o balanceamento perfeito do universo e explica por que “o universo” se importa com nossa vida.
Richard Dawkins objeta perguntando “Quem projetou o Projetista?”. Porem isso vem da falta de conhecimento de Dawkins sobre o que e quem é Ele. Deus, sendo apenas espírito, é uma entidade extremamente simples, portanto, ele não é complexo para necessitar um designer. Como filosofo William Lane Craig diz:

“Como uma mente pura, sem um corpo, Deus é um ente notavelmente simples.Uma mente (ou alma) não é um objeto físico composto de partes. Em contraste com um universo contingente e diversificado, com todas as suas inexplicáveis constantes e quantidades, uma mente divina é algo surpreendentemente simples. Por certo que tal mente pode ter ideias complexas — pode estar pensando, por exemplo, em um cálculo infinitesimal — mas essa mente em si é um ente espiritual incrivelmente simples. Dawkins evidentemente confundiu as ideias de uma mente, que podem na verdade ser complexas, com a própria mente em si, que é um ente incrivelmente simples.” [4]

(Você pode ler mais respostas ao “Quem criou Deus?” aqui)

Outra possível objeção é a de que Deus não precisa de Ajuste Fino, ela pode criar o universo do jeito que quiser. Essa objeção diz que Deus teve seu poder limitado por restrições externas, pois teve que obedecer essas restrições para ajustar o universo.
Só porque Deus fez o universo de uma forma, não significa que tinha restrições externas. Talvez Deus tenha um motivo pra fazer este ajuste fino. Pode ser por motivos pessoais ou preferencias pessoais. Talvez ele deixe deste jeito para demonstrar Sua existência. A objeção diz que ajustar dessa forma tão delicada seria uma demonstração de falta de eficiencia. No entanto, eficiencia é algo importante apenas pra quem tem limites de tempo e/ou recursos limitados. Mas Deus não é limitado em nenhum dos dois. Ou como diz Dr. William Lane Craig, talvez Deus seja como um artista, que adora desfrutar do ato de criação.
  
Conclusão

Portanto, dada a improbabilidade da necessidade física, do acaso e da falta de suporte fisico e racional à hipótese do Multiverso, a melhor explicação para o Ajuste Fino do universo é a de que um Designer Inteligente projetou nosso universo.

Fontes

[1] – Paul Davies, “The Mind of God”, p. 169
[2] – Bernard Carr e Martin Rees, “The Anthropic Cosmological Principle and the Structure of the Physical World”, p. 612.
[3] – Richard Swinburne, "The Existence of God" - p. 185
[4] – William Lane Craig, “Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão”, p. 135

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