quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O Jesus Histórico #7 - Refutando O Código da Vinci


Eu não deveria dar atenção a uma história de ficção. Mas, como tem gente por ai que usa ela de argumento e a leva a serio, então eu achei melhor dar uma ”lavada” nela. Então, o texto de hoje será intencionado a refutar as idéias do famoso “O Código da Vinci”, de Dan Brown.

Antes de Continuar

Já tem texto nos seguintes tópicos sobre o Jesus Histórico:







Refutando O Código da Vinci

Pergaminhos do Mar Morto

Bom, na primeira pagina do prefacio, se lê a seguinte afirmação:

“Todas as descrições das obras de arte, arquitetura, documentos, e rituais secretos neste romance são precisas.”

Bom... não é bem assim. Pra começar, a data da descoberta dos pergaminhos do Mar Morto esta errada. Brown diz:

“Alguns dos evangelhos que Constantino tentou erradicar conseguiram sobreviver. Os Pergaminhos do Mar Morto foram encontrados na década de 1950 escondida em uma caverna próxima a Qumran no deserto da Judéia.” [1]

Esta errado. Esses documentos foram encontrados por acidente em 1947 em uma caverna no lado noroeste do Mar Morto. [2]
Mas esse não é o único erro relacionado aos Pergaminhos do Mar Morto. Logo depois esta escrito:

“’Essas são fotocópias do Nag Hammadi e dos Pergaminhos do Mar Morto, que eu mencionei antes,’ disse Teabing. ‘Os primeiros registros Cristãos. Perturbadoramente, eles não estão de acordo com os evangelhos na Bíblia.’” [3]

Um dos primeiros problemas a serem vistos aqui é que o pouco que se tem de escrito Cristão dentre esses manuscritos esta de acordo com a Bíblia. Existem discussões sobre nove fragmentos antigos que aparentam ser partes do Novo Testamento. Eles são datados do período entre 50 e 70 d.C. Nesses fragmentos, acredita-se que estão partes de Marcos, Atos, Romanos, 1 Timóteo, 2Pedro e Tiago. Fora isso, o resto são escritos Judaicos, considerados por estudiosos Bíblicos como boas evidencias da verdade Bíblica. Como Eric Lyons colocou:

“Os Pergaminhos do Mar Morto foram algumas das maiores descobertas arqueológicas de todos os tempos. Judeus e Cristãos apontam para estes pergaminhos como evidencias da integridade do Antigo Testamento. Antes de 1947, o manuscritos mais antigo conhecido do Antigo Testamento era de 1000 d.C. Com essa descoberta dos Pergaminhos do Mar Morto, estudiosos da Bíblia tem sido capazes de comparar o texto dos dias atuais com um texto de mais de 2000 anos. O que eles encontraram são copias dos livros do Antigo Testamento separadas em tempo por mais de um milênio que são incrivelmente similares.” [4]

Mais de 80 evangelhos?

É verdade que existiram outros evangelhos, mas eles foram escritos aproximadamente 1 século depois dos evangelhos canônicos e foram excluídos do cânon por não passarem cumprirem os requisitos necessários da igreja primitiva. (Leia mais aqui)
Norman Geisler e William Nix dizem:

“A literatura extra-canônica, como um todo, apresenta uma pobreza surpreendente. A maior parte dela é uma fabula, e carrega a marca clara da falsificação. Somente aqui e acolá, em meio a uma massa de bobagens inúteis, é que nós nos deparamos com uma jóia inestimável” [5]






Incontáveis traduções e mudança com o tempo?

No livro ele diz:

“A Bíblia não foi enviada via fax do céu... a Bíblia é o produto do homem minha querida, não de Deus. A Bíblia não caiu magicamente das nuvens. O homem a criou como um registro histórico de tempos tumultuados, e ela evoluiu através de incontáveis traduções, adições e revisões. A história nunca teve uma versão definitiva do livro” [6]

Com relação a primeira parte da afirmação (a Bíblia não veio via fax do céu e etc.), é cometida a falácia do espantalho. Essa falácia é cometida quando se ignora a posição da outra pessoa em uma discussão e a distorce.
O que nós Cristãos acreditamos é que Deus enviou o Espírito Santo para guiar aqueles homens que escreveram os livros que compõem a Bíblia. Sendo assim, um livro inspirado por Deus.
Quanto a segunda parte, isso já foi refutado em outro texto. Mas deixe-me colocar aqui uma citação de J.P. Holding sobre o assunto:

“É verdade que existem problemas discutíveis em termos de tradução da Bíblia do hebraico e grego antigos para qualquer língua moderna, mas isto é uma função natural de todos os processos de tradução, e de forma alguma se acredita que isto desmerece o oferecimento de uma explicação razoável, “final”, do que foi escrito. Na verdade, a transmissão dos textos antigos, a volumosa qualidade de cópias de manuscritos, a ciência da crítica textual, e a arte da tradução, asseguram que qualquer tradução moderna respeitável da Bíblia é fiel ao que foi originalmente dito. Este assunto tem sido explicado tão compreensivelmente e tão bem por tantos estudiosos, que a má interpretação dos fatos por parte de Brown não tem desculpa.” [7]

Constantino escolheu os livros?

Constantino nunca teve nada a ver com a escolha do cânon bíblico. Alem disso, o cânon foi escrito bem antes de Constantino. Como Ron Rhodes colocou:

“A história é bem clara quanto as atividades de Constantino, e uma coisa que ele não teve praticamente nada a ver foi com o cânon das escrituras.”
“Eu acho altamente revelador que um numero de livros do Novo Testamento foram reconhecidos como sendo do cânon logo na época do Novo Testamento, muito antes de Constantino mesmo nascer. Por exemplo, em 1Timoteo 5:18, o apostolo Paulo juntou uma referencia do Antigo Testamento e uma referencia do Novo Testamento e chamou ambas (corretamente) de ‘Escrituras’ (Deuteronômio 25:4 e Lucas 10:7). Isso não seria estranho em um contexto do Judaísmo do primeiro século para uma passagem do Antigo Testamento ser chamada de ‘Escritura’. Mas para um livro do Novo Testamento ser chamado de ‘Escritura’ tão cedo logo após ele ter sido escrito diz muito sobre a visão de Paulo sobre a autoridade dos livros do Novo Testamento contemporâneos.” [8]

Jesus e Maria Madalena?

De acordo com o livro, Jesus foi casado com Maria Madalena. Lamento, mas não há a menor evidencia histórica desse fato.
Ah, os escritos que dizem que eles se casaram que foram descobertos recentemente? Foram escritos 500 anos depois, enquanto os evangelhos foram escritos no primeiro século.
Se não acredita em mim, veja o que Dr. Darrell L. Bock diz:



“Se você me perguntar qual é a evidencia de que Jesus foi casado, há uma resposta bem curta. Não existe nenhuma.” [9]







Dan Brown tenta apelar para o Evangelho de Filipe. No entanto, este foi escrito cerca de 200 anos depois de Jesus (e o próprio Filipe!) ter morrido. Outro Evangelho apócrifo usado é o Evangelho de Maria Madalena. Mas este também não é datado de antes de 180 d.C. Isso tudo enquanto o Novo Testamento inteirinho foi escrito no primeiro século. E não existe absolutamente nenhum historiador que duvide disso. Sobre este apócrifo (de Maria Madalena), o historiador Craig Evans diz:

“Ninguém com toda a seriedade que é um estudioso e é competente diria que Maria Madalena compôs este evangelho que agora carrega seu nome. [...] provavelmente [é datado] entre os anos 150 e 200 [...] e, francamente, isso não é muito controverso. Estudiosos são praticamente unânimes sobre isso.” [10]







Há também um problema que afeta os dois evangelhos apócrifos que é o fato de ambos terem ensinamentos gnósticos. Por isso, eles não poderiam refletir a realidade dos Judeus palestinos do século I. Jesus ensinando gnosticismo nesse cenário teria sido completamente ignorado, e não teria influenciado ninguém.

O Concilio de Niceia declarou a divindade de Cristo?

É verdade que algo sobre Jesus foi debatido no Concilio de Nicéia, mas não a divindade de Cristo. O debate acerca de Jesus no concilio era sobre a eternidade dEle. Como J. P. Holding colocou:

“O Concílio de Nicéia realmente considerou visões alternativas de Jesus, não no nível de “mortal” versus “Deus”, mas sim como “eterno” versus “criado”. Houve este debate porque hereges eram contrários à visão já estabelecida de que Jesus era divino. A visão herética, defendida pelo presbítero Arius, acreditava que Jesus não era divino por natureza, mas já tinha sido criado por Deus há muito tempo atrás. Desta forma, nem mesmo os hereges argumentavam sobre Jesus ter sido um mortal ou um apenas um homem grandioso.” [11]

Não apenas isso, mas no próprio Novo Testamento, que foi escrito bem antes do Concilio de Nicéia acontecer, há evidencias de que Jesus declara sua divindade. Os títulos de Filho do Homem, Filho de Deus, o cumprimento de profecias do Messias com atos e milagres, aceitar adoração, perdoar pecados e suas parábolas mostram que Jesus acreditava sinceramente ser Deus e teria confirmado isso ressuscitando dos mortos. (Isso será tópico de outros textos.)
Alem disso, há fontes extra bíblicas do segundo século dizendo que Jesus era adorado como Deus. Plínio, O Jovem, escreveu em 110 d.C.:

“Eles tinham o hábito de se juntarem num dia fixo antes que o sol raiasse, quando cantavam hinos a Cristo como sendo Deus, e jurando entre todos solenemente que não cometeriam qualquer ato perverso.” [12]








Conclusão

O livro é uma ficção baseada em teorias ou abandonadas a decadas ou imaginadas por Dan Brown ou imaginadas por algum escritor popular de anos atras. Não tem nenhuma informação histórica relevante nele. Mas, como esta escrito que tem dados "precisos" na primeira pagina, e pessoas usam alguns desses dados como argumentos, resolvi escrever algo a respeito.
Como não quero me alongar muito, esses são os pontos do livro que quis falar. No próximo texto, falarei mais sobre a divindade de Cristo e os critérios de historicidade para avaliar se suas afirmações e feitos são históricos mesmo.

Fontes

[1] – Dan Brown, “The Da Vinci Code”, p. 234 (tradução livre)
[2] – Encyclopedia, Dead Sea Scrolls”, http://www.encyclopedia.com/topic/Dead_Sea_Scrolls.aspx#2
[3] – Dan Brown, Idem, p. 244
[4] – Apologetics Press, “The Da Vinci Code and the Dead Sea Scrolls”, http://www.apologeticspress.org/apcontent.aspx?category=10&article=798
[5] – Norman Geisler e William Nix, “A General Introduction to the Bible”, p. 311
[6] – Dan Brown, Idem, p. 231
[7] – Tektonics, “O Códico da Vinci Desbancado”, http://www.tektonics.org/af/davport.htm
[8] – Ron Rhodes, “Crash Góes The Da Vinci Code”, http://www.leaderu.com/theology/crashdavincicode.html
[9] – Darrell L. Bock, “Was Jesus Married?”, http://www.leaderu.com/theology/wasjesusmarried.html
[10] – Lee Strobel, “The Case for the Real Jesus”, pp. 46-47
[11] – Tektonics, Idem, http://www.tektonics.org/af/davport.htm
[12] – Plinio, o Jovem, Cartas 10.96, ap. Josh MCDOWELL, Evidência, p. 106.


2 comentários:

  1. Eu estava lendo os artigos do blog "porque não creio" eu achei que havia perdido a fé mas ao achar esses artigos de seu blog no mesmo dia (Deus me respondeu rápido) vi os argumentos do outro blog todos refutados.

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