segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O Ajuste Fino do Universo para permitir vida


O argumento do projeto é provavelmente o argumento mais antigo para a existência de Deus. Passando por Platão, Tomas de Aquilo e William Palley, o argumento do design foi revisado e melhorado diversas vezes, trazendo novas perspectivas sobre o mundo, o universo e os seres vivos.

O Ajuste Fino do Universo


O que eu vou falar nesse texto é sobre o ajuste fino do universo, a descoberta do ultimo século que mostra que o universo se comporta como uma biosfera. Se qualquer uma de suas constantes for alterada em uma parte mínima, a vida inteligente e interativa já não poderia existir. Mesmo se nós formos produtos de um processo evolucionário, sem esse ajuste fino, não seria possível que a evolução ocorresse.

O Ajuste Fino das Leis da Natureza

Se as leis da natureza não fossem ajustadas finamente, o universo não teria o necessário para que a vida pudesse existir. Por exemplo, se não houvesse gravidade, não existiriam estrelas, já que a força da gravidade é o que mantêm a matéria da estrela junta contra as forças externas causadas pela alta temperatura interna de dentro da estrela. Isso significa que não existiria energia para sustentar a evolução ou formas de vida altamente complexas. Também não existiriam planetas e, portanto, não haveria vida.
Considere também a força nuclear forte, responsável por manter os nucleons juntos no núcleo de um átomo. Sem essa força, os nucleons não se manteriam juntos. Então, não existiriam átomos e, portanto, não existiria vida.
Um ultimo exemplo que vou dar (de muitos outros) é o eletromagnetismo. Sem eletromagnetismo, não haveriam átomos, já que não teria nada para manter os elétrons em órbita. Com isso, não haveriam meios de transmitir energia de estrelas para a existência de vida nos planetas.

O Ajuste Fino das Constantes da Física

O que são as constantes da física? São os números fundamentais que ocorrem nas leis da natureza. Quando esses números são ligados as leis da física, determinam a estrutura básica do universo.
Considere primeiro a constante gravitacional. A força da gravidade é a força mais fraca. O que aconteceria se fosse um pouco diferente? Se fosse mais fraca, as coisas iriam “flutuar” por ai, o que tornaria difícil para qualquer tipo de estrutura complicada no universo de existir. Se fosse mais forte? Sir Martin Rees responde:

“O que aconteceria se a gravidade não fosse tão fraca? Imagine um universo onde a gravidade fosse ‘apenas’ 10^30, ao invés de 10^36 vezes mais fraca que as forças elétricas. Átomos e moléculas se comportariam como em nosso universo real, mas objetos não precisariam ser tão grandes antes da gravidade se tornar competitiva com as outras forças. O numero de átomos precisos para fazer uma estrela seria um bilhão de vezes menor nesse universo imaginado. As massas de planetas também seriam reduzidas em um bilhão. Independentemente do fato de estes planetas poderem manter órbitas estáveis, a força da gravidade iria impedir o potencial para evoluir deles.” [1]

Essas e outras conseqüências viriam, impossibilitando a vida, se a força da gravidade fosse mais fraca ou mais forte em apenas uma parte de 10^60.
Outra constante que precisa ser finamente ajustada é a constante cosmológica. A constante cosmológica é a que impulsiona a inflação do universo e ela é fixada em uma parte para 10^120.
Dr. Dennis Sciama, ex-diretor dos observatórios da Universidade de Cambridge diz:

“Se você mudar um pouco as leis da natureza, ou as constantes da natureza [...] é bem provável que a vida inteligente não poderia ser capaz de se desenvolver.” [2]




E Stephen Hawking declara:

“O fato marcante é que o valor desses números parece ser ajustado finamente para tornar o desenvolvimento de vida possível.” [3]




O Ajuste Fino das Condições iniciais do Big Bang

Stephen Hawking calculou que, se a taxa de expansão do universo na era Planck (10^-43 segundos depois do Big Bang) tivesse sido menor em uma parte de cem mil trilhões, o universo teria entrado em colapso, e não chegaria a seu estado atual.
As condições iniciais do universo relacionadas a entropia foram perfeitamente ajustadas. Roger Penrose, físico que ajudou Stephen Hawking com os teoremas da singularidade, calculou que as chances de outro universo com baixa entropia (baixa desordem) no inicio como o nosso venham a existir em um possível Multiverso são de 10^10^123. Ele diz:

"Não me lembro de ter visto em lugar algum no campo da fisica algo cuja precisão se aproximasse, ainda que remotamente, de um numero como esse." [4]





Para entender melhor do que se trata esse ajuste fino nas constantes iniciais do universo, veja a analogia que o filosofo Rice Broocks:

"Imagine que você chega a um quarto de horel e que todas as suas coisas favoritas ja estejam la: suas roupas, suas comidas favoritas, fotos da sua família. Seria seguro dizer que alguem sabia que você estava vindo para o quarto e o preparou para você. [...] É isso que sugere [esse ajuste fino]. O universo foi feito com os seres humanos em mente." [5]





O físico Paul Davies diz:

“Pra mim, há evidencias bem fortes de que tem algo acontecendo por trás disso tudo [...] É como se alguém tivesse ajustado finamente os números da natureza para fazer o Universo [...] A impressão de design é esmagadora.” [6]


Astrônomo Fred Hoyle:

“Uma interpretação pelo senso comum dos fatos sugere que um superintelecto se intrometeu com a física [...] e que não há forças cegas na natureza que merecem ser mencionadas.” [7]





Arno Penzias, ganhador do premio Nobel em física, diz:

“A astronomia nos leva a um acontecimento único, um Universo que foi criado do nada e cuidadosamente equilibrado para prover com exatidão as condições requeridas para a existência da vida. Na ausência de um acidente absurdamente improvável, as observações da ciência moderna parecem sugerir um plano por trás de tudo ou, como alguém poderia dizer, algo sobrenatural” [8]






E Robert Jastrow, fundador do instituto Goddard para Estudos Espaciais da NASA se refere a essas descobertas como “a evidencia mais poderosa da existência de Deus que já veio da ciência” [9]

Conclusão

As descobertas do ajuste fino do universo nos mostram que a chance de haver um projeto por trás de tudo, de o Teismo ser verdade, é maior do que do Naturalismo. Note que apenas algumas constantes foram apresentadas, de uma lista de aproximadamente cem constantes que precisam ser precisamente balanceadas para o surgimento de vida.
Eu ainda vou falar da hipótese da necessidade física, acaso e da teoria do Multiverso. Alem de objeções ao Argumento Teleológico do Ajuste Fino. Mas a resposta mais racional é a de que um designer projetou nosso universo.

Fontes

[1] – Martin Rees, “Just Six Numbers: the deep forces that shape the universe”,  pp. 33-34
[2] – No especial da BBC, “The Anthropic Principle”
[3] – Stephen Hawking, “ A Brief History of Time”, p.125
[4] – Roger Penrose, "Time-asymmetry and quantum gravity", p. 249
[5] – Rice Broocks, "Deus não esta morto", p. 89
[6] – Paul Davies, “The Cosmic Blueprint”, p. 203
[7] – Fred Hoyle, "The Universe: Past and Present Reflections", pp. 8–12
[8] – Citado em Walter Bradley, ”The ‘Just-so’ Universe: The Fine-Tuning of Constants and Conditions in the Cosmos”, em William Dembski & James Kushiner, “Signs of Intelligence”, p. 168
[9] – Robert Jastrow, “The Astronomer and God”, em “The Intellectuals Speak Out About God”, p. 22.

3 comentários:

  1. pode fazer uma postagem sobre as objeções de victor stenger ( autor do livro : a falacia do ajuste fino ) ? luke barnes refuta suas objeções mas não há nenhum artigo com relação a isso em portugues , nem debates .

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    1. Eu comentei as objeções de Victor Stenger no texto sobre o argumento teleológico http://olharunificado.blogspot.com.br/2015/02/a-existencia-de-deus-9-o-argumento.html

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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