terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Entendendo o Sacrifício de Isaque


Isaque ainda era uma criança, e Deus estava ordenando que Abraão o matasse. Logo depois, Deus parou Abraão para que o sacrifício não fosse feito, e disse que estava testando sua fé. Essa é uma história bíblica normalmente utilizada por céticos  para mostrar que a “fé cega” pode ser perigosa. No entanto, será mesmo que Deus ordenaria algo desse nível? Falando a alguma pessoa para matar seu filho como sacrifício?

O Sacrifício de Isaque

Estudiosos da Bíblia notaram que o tema central entre Gênesis e Deuteronômio é a Fé. Abraão representa a parte positiva, Moises a negativa. Abraão tinha fé sem a lei de Moises e, por causa de sua confiança na promessa de Deus, foi declarado “correto” por Deus. Moises falhou em sua fé, mesmo vivendo sob a lei.
É significante destacar que Abraão foi declarado correto por Deus por sua fé, antes da lei. Mesmo sem a lei, Abraão manteve a intenção da lei porque vivia pela fé. Moises tinha a lei mas falhou na fé, isso fez com que ele não pudesse entrar na terra pelo Jordão.
O tema importante da confiança profunda que Abraão tinha em Deus e sua grande fé ajudaram a moldar a identidade e o entendimento próprio de Israel. Em Êxodo 20:20, Moises diz: “Não tenham medo! Deus veio prová-los (nasah), para que o temor (yir’ah) de Deus esteja em vocês e os livre de pecar.”. Essas duas palavras fazem uma ligação com Gênesis 22. Abraão foi testado e por essa ordem mostrou que temia a Deus. Sara, esposa de Abraão não podia ter filhos, por isso Abraão teve um filho com outra mulher, chamado Ismael. Deus, porem tinha outros planos e prometeu a Abraão e a Sara que ambos teriam um filho que viria de seus dois corpos, não apenas de Abraão. Por causa da intervenção miraculosa de Deus, Isaque nasceu.
Ismael não agüentou seu pai agora ter um filho legitimo, e Sara queria que Ismael e sua mãe fossem embora. Isso deixou Abraão em um dilema. Por um lado, Sara ficaria calma, por outro, Ismael e sua mãe correriam sérios riscos de vida abandonados. Mas Deus acalmou os medos de Abraão, garantindo a ele que Ismael não iria morrer e que iria multiplicar os descendentes de sua mãe. Sem essa garantia de Deus, Abraão não teria enviado Ismael e sua mãe. Todas as provações de Abraão foram suportadas por sua fé, ele tinha fé de que Deus deixaria tudo bem: Seu filho com Sara (ela, que não podia ter filhos), abandonar Ismael (foi garantido que ele não morreria) e sua mãe (garantido que teria vários descendentes). Paul Copan observa:

“Aparecem quatro coisas sobre Deus em Seu trabalho por Gênesis 22. Primeiro, nós percebemos imediatamente o fato de que Deus esta testando Abraão. Deus não pretendia que Isaque fosse sacrificado. [...] Segundo, mesmo o comando difícil para Abraão é acalmado pela ternura de Deus. As diretrizes de Deus são incomuns: ‘Por favor, toma o teu filho.’ – ou em outras traduções ‘Toma, eu lhe imploro, o teu filho’. Deus é gentil enquanto da uma ordem difícil. Esse tipo de comando divino é raro. [...] Deus entende a magnitude desta tarefa difícil. [...] Uma terceira indicação do bom caráter de Deus aparece em Sua fidelidade. Deus lembra Abraão de ‘seu filho, seu único filho, que você ama, Isaque’. O reconhecimento da aliança de Deus é aparente: A promessa divina para Abraão não poderia ser cumprida sem Isaque. Abraaão deve manter suas coisas em mente: seu amor profundo por Isaque é bom e correto, e as circunstancias a respeito do nascimento de Isaque claramente mostram que Deus estava cumprindo sua promessa de aliança a Abraão. [...] Um quarto lembrete da fidelidade de Deus é Deus mandando Abraão para a montanha na região de Moriah – deriva da palavra hebraica ra’ah, ‘ver, mostrar’. [...] o local ‘onde eu vou te dizer’ esta ligado ao chamado inicial de Deus a Abraão para ‘ir’ para ‘a terra que eu vou mostrar a você’. Abraão também sabia das provisões de Deus para Ismael e Agar quando eles saíram pela primeira vez. Agar disse (usando a mesma palavra hebraica ra’ah), ‘Você é um Deus que vê’. Então na própria palavra Moriah (‘provisão’) nós temos uma dica de salvação e libertação. Em tudo isso vemos a ternura da fidelidade de Deus acalmando a dureza de Seu comando. Como se Deus estivesse dizendo para Abraão ‘Eu estou testando sua obediência e fidelidade. Você não entende, mas à luz de tudo o que eu lhe disse, confie em mim. Nem mesmo a morte vai anular a promessa que eu lhe fiz’[...] Nós não podemos separar a promessa de Deus em Gênesis 12 e 17 do comando de Deus em Gênesis 22” [4]

Copan observa mais uma coisa:

“A história de Abraão e seu ‘único filho’ Isaque na verdade pronuncia Deus Pai oferecendo Seu sacrifício redentor como ‘segundo Isaque’ – Seu único Filho (João 3:16) [...] Deus envia seu Filho ao mundo para carregar a maldição e alienação de Israel e da humanidade na cruz” [5]

Conclusão

O sacrifício de Isaque foi um teste a Abraão e deve ser entendido como um teste de fé em Deus. Também deve ser avaliado em todo o contexto da história de Abraão, Isaque, Sara e Agar.

Fontes

[4] – Paul Copan, “Is God a Moral Monster?”, pp. 47 – 48
[5] – Idem., p. 51 

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