quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Uma humanidade de pedaços de bolo


Você olha pra ele, é atraente. Você o quer, de qualquer forma. Seu corpo não aguenta mais olhar para aquele pedaço de bolo encima da mesa. Você vai la, pega ele, come com todo o gosto e... parte pra outro, pois não aguenta ficar só com um.
Talvez esse texto deixe as pessoas irritadas. Mas antes de lê-lo, por favor, abra sua mente (não pense nos Mamonas Assassinas). Ao final desse texto, você se sentira ou com raiva, ou com culpa, ou concordará comigo.
Antes de começar, saiba que estou pressupondo que exista algo como moralidade, e que é moralmente errado a) ferir os outros, e b) ferir a si mesmo. No caso de (b), é errado, pois ferir a si mesmo é igual a ferir um ser humano. E também porque um vicio sempre te levará a ferir os outros. Mesmo que “você não se importe”, é bem provável que você não perceba as conseqüências, e, com isso, você pode recomendar um ato maldoso sem perceber que esse ato é prejudicial. Com isso em mente, vamos começar.
Desde minha juventude (com isso, me refiro a pré-adolescência), pessoas me dizem que “ficar” ou “sexo casual” (o primeiro era mais comum na época, claro) são atos que não fazem mal a ninguém. Mais recentemente, tenho ouvido pessoas falarem que se fizerem essas coisas, mesmo em relacionamentos, são “livres”. Dizem elas, “somos livres porque fazemos o que quisermos se isso não machucar ninguém”. Quero argumentar que isso c) não é liberdade, e d) é prejudicial a pessoa e a sociedade.
Com relação a (c), isso não é liberdade, pois você vai, aos poucos, perdendo seu autocontrole. É como em uma dieta: você engordou a vida inteira e agora não consegue se desfazer dos “pedaços de bolo” do dia-a-dia. Mas quando tem relação com o sexo é pior. Bem pior – Envolve humanos.
Você vai sempre obedecer mais e mais ao seu corpo. Qualquer estimulo sexual vai te atrair, assim deixando-o mais próximo de uma prisão pessoal. Você vai mais e mais se prendendo ao seu corpo. Pequenos atos sexuais (sozinho ou com mais pessoas) que não tenham sentido vão sempre ficar mais “doces” pra você. No final, não será você dizendo “meu corpo minhas regras”, mas seu corpo dizendo “minha mente, minhas regras”.
Uma pergunta então aparece: "Mas e se a pessoa quiser ficar se satisfazendo e ser 'escrava de si mesma'?" Então ela não é uma pessoa ética. Por fazer mal a si mesma e por causa de (d). Alimentar a carne sempre vai te fazer querer mais carne. Você vai “ficando e ficando” apenas por prazer. Pessoas se tornam “pedaços de bolo”: Você pega, come e parte pra outra. Você desumaniza o ser humano para prazer próprio.
Mesmo que não perceba, esta tratando o ser humano como um objeto de prazer. E ao mesmo tempo, esta sendo tratado como um objeto de prazer por outra pessoa. As duas partes tratam-se exatamente como o niilismo diz: objetos sem sentido, sem valor. Com isso, alimentando isso, as pessoas vão se preocupando mais e mais com seu prazer pessoal. “É meu”, elas pensam. Seu subconsciente as diz “este é meu, para meu prazer”. E isso as torna mais egoístas. Quanto mais se alimenta a si mesmo, menos se preocupa com as conseqüências que isso pode trazer aos outros. Pensando sempre em seu próprio prazer, elas nunca se perguntam “será que estou fazendo mal a alguém?”. Sua prisão não as deixa fazer essa pergunta. É sempre “é só um momento sem sentido”. A verdade, é que, apesar de não ter sentido emocional entre os dois naquele momento, pode ter grande significância em seus futuros e no de outras pessoas, mesmo que elas não se lembrem desses momentos. Seus corpos lembrarão.
Você também não pode “ficar” ou ter uma relação sexual casual com alguém que não conhece e dizer que isso não vai prejudicar outras pessoas. É bem possível que a outra pessoa esteja em um relacionamento amoroso. Também é possível que ela seja menor de idade e/ou seus pais não aprovem esse comportamento. Então, existe a possibilidade de, tanto essa pessoa estar traindo alguém, quanto ela estar trazendo desgosto à família. Não adianta dizer “mas é o que ela quer”. Uma pessoa que ama sua família jamais fará coisas desaprovadas, que trariam sofrimento a elas, pelas costas.
Note também que o consenso entre os participantes não é o bastante pra isso se tornar algo “justificável”. Muitas vezes as pessoas aceitam coisas erradas sem perceber as conseqüências (Ou percebendo, como no caso do cigarro). Percebendo ou não, muita gente não esta nem ai pro que vai acontecer. Principalmente se ela já estiver escravizada pelo próprio corpo.
Tenha em mente também, que dizer “mas um dia pode dar em algo mais serio”, não é uma boa resposta. Até dar em algo serio, existem vários “pedaços de bolo” que serviram apenas pra prazer. Alem disso, quanto mais você alimenta seu corpo, mais fácil será você trair seu companheiro. Pois seu corpo, acostumado ao prazer e a troca de “doces”, irá te dar mais vontade de querer “pular a cerca” quando tiver um estimulo sexual muito forte.
Há outro problema com a “normalização do sexo”: Ela afeta crianças. Ficamos sempre horrorizados quando aparece um vídeo de uma garotinha dançando funk com letras pesadas, ou quando um garotinho canta essas musicas repletas de palavrões. Essas crianças já estão sendo escravizadas pelos seus corpos desde pequenas. Alguns podem responder dizendo que isso é responsabilidade dos pais, mas isso provem de uma visão limitada das influencias que a criança vai ter. Mesmo que de 30 alunos 29 sejam educados da forma correta, terá sempre aquele que foi mal educado e “faz o que quer”. Então, as outras crianças, sendo crianças como são, sempre irão querer aquilo que as da prazer. Crianças não podem ver conseqüências, então serão sempre vão dizer “eu também quero”, pois a outra passa uma imagem de felicidade maior.
Esses atos trazem uma prisão pessoal, desumanizam o ser humano, podem prejudicar outras pessoas, podem prejudicar a si mesmo, tornam as pessoas mais aptas a traição e fazem mal pras crianças. Com isso em mente, algumas pessoas vão dizer que um “relacionamento aberto” soluciona alguns desses problemas. Na verdade, ele traz outros problemas.
Conheço gente que teve grande sofrimento por causa desse comportamento. Seu parceiro, podendo “ficar” com qualquer outra pessoa, acabou conhecendo outra pessoa e resolveu trocar a que seria a “principal” pela outra, trazendo assim o fim do relacionamento. Não apenas isso, mas essa idéia aumenta ainda mais a prisão pessoal. A idéia de “amor livre” na verdade é a maior prisão que a pessoa pode entrar. Tira a responsabilidade, a fidelidade e torna os “principais” em apenas imagens pra família e amigos. (Se posso me satisfazer com sorvetes de todos os sabores sempre que eu quiser, então o de chocolate ocasional perde a importância.)
Pode ser argumentado que sexo é algo natural, então devemos obedecer a nossa natureza. Mas se pensarmos bem, estupros acontecem todo o tempo no reino animal, e se sexo é algo apenas natural e devemos obedecer a natureza, então não há nada de errado em um estupro – Estaria apenas dançando de acordo com seu DNA. Não apenas isso, mas de acordo a Scientific American, a monogamia foi nossa “arma secreta” no processo evolucionário. (Leia aqui)
A ultima objeção que eu espero, é a de que "todo mundo faz". Note que isso não responde nada, apenas atesta um fato. Deveria ter ficado na mente das pessoas quando nossas mães diziam "Você não é todo mundo.". Alem disso, juntar-se ao problema não o resolve, apenas o piora. Se as pessoas justas evitarem ir no caminho oposto do da maioria, então a humanidade cai toda junta.
Há consequências terríveis pra esses atos. É por causa deles que as DSTs se espalharam tanto, e é por causa deles que existe gravidez indesejada. E é pra continuar em seus egoísmos de "liberdade sem compromisso" que as pessoas querem tanto a legalização do aborto. Porém, legalizar algo não o torna certo. É por isso que o argumento de "mulheres estão morrendo em clinicas clandestinas" não funciona. Porque algo ser legal ou ilegal é completamente diferente de algo ser certo ou errado. Não quer ter o filho, não faça o ato que o gera. (Dã)

Conclusão

Antes de dizer que é livre e não esta fazendo mal a ninguém, tente ver o ato de uma forma mais ampla. Pense nas outras pessoas e no que seus atos podem representar.
Provavelmente terão pessoas me xingando. É de se esperar. Mas quero deixar claro que não tenho nada contra as pessoas que praticam esses atos. Só sou contra a pratica desses atos. Eu também não sou contra o sexo como a igreja antiga era. Mas não acho que seja saudável sexo antes do casamento. Depois, o casal faz “o que bem entender” (Entre aspas por motivos que deveriam ser óbvios)

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