sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Sobre moralidade #4 - A evolução explica a moralidade?


Alguns darwinistas propõem que nossa moralidade veio da evolução biológica. Grupos que desenvolveram moralidade sobreviveram. Então, qual o problema dessa hipótese? Veremos.

Evolução explica a moralidade?


Lei da causalidade

O primeiro problema é que essa hipótese viola a lei básica de toda a ciência: a lei da causalidade. Ela coloca mais no efeito do que na causa, dizendo que moralidade veio de não-moralidade. Biologia não explica nada sobre como ou porque a mente funciona apenas o que acontece no funcionamento. Se os elementos materiais fossem os únicos responsáveis pela moralidade, Hitler não teve verdadeira responsabilidade moral pelo que fez – ele apenas tinha moléculas. Se a moralidade foi produto da evolução e condição social, então algo como o estupro não é moralmente errado. Apenas se tornou tabu durante a história, mas não há nada realmente errado em estuprar alguem.

Pressupõe valores morais

Ela também pressupõe que a sobrevivência seja uma coisa “boa”, mas não há nada bom nem nada mal se não existe uma lei moral.

Epistemologia vs ontologia

Há também uma confusão entre a maneira pela qual alguém conhece a lei moral com a existência da lei moral. Mesmo que nós tenhamos descoberto com o tempo nossos valores e deveres morais, isso não significa que não existe uma lei fora de nós. Para algo ser descoberto, ele tem que existir antes.

Por que ser moral?

Alem disso, não explica por que alguém deveria obedecer a qualquer lei moral. A história esta cheia de criminosos e ditadores que estenderam sua própria vida exatamente porque desobedeceram a todas as leis morais quando foram repreender e eliminar seus oponentes.

A Lei Moral é um instinto?

Esse instinto certamente existe, mas quando falamos de Lei Moral estamos falando de outra coisa. Como o próprio C.S Lewis disse:

“Suponhamos que você ouça o grito de socorro de um homem em perigo. Provavelmente sentirá dois desejos: o de prestar socorro (que se deve ao instinto gregário) e o de fugir do perigo (que se deve ao instinto de auto-preservação). Mas você encontrará dentro de si, além desses dois impulsos, um terceiro elemento, que lhe mandará seguir o impulso da ajuda e suprimir o impulso da fuga. Esse elemento, que põe na balança os dois instintos e decide qual deles deve ser seguido, não pode ser nenhum dos dois. Você poderia pensar também que a partitura musical, que lhe manda, num determinado momento, tocar tal nota no piano e não outra, é equivalente a uma das notas no teclado. A Lei Moral nos informa da melodia a ser tocada; nossos instintos são meras teclas.” [1]

Outra forma de perceber que essa Lei Moral não é apenas um instinto é vendo quais instintos reagem nessa situação: O seu desejo de sobrevivência é provavelmente mais forte do que o de ajudar o outro homem. Mas, se em nossa mente só há esses instintos, o instinto mais forte deveria ganhar sempre, não? A Lei Moral nos ajuda a decidir qual a coisa certa a se fazer.

Falacia Genética

Alguém poderia dizer que só acreditamos na existência de valores e deveres morais por causa de uma ilusão causada pelo progresso da evolução. Mas essa é uma forma de falacia genética. A Falacia genética é tentar invalidar uma crença ou posição atacando como ela se originou. O que não funciona. Por exemplo: Só porque eu vim a acreditar que a Dilma é a presidente do Brasil porque li em um biscoito da sorte, isso não significa que essa crença seja falsa.

Pressupõe o ateísmo

Se Deus não existe, então nossos valores e deveres morais vieram da evolução. Dessa forma, não existe motivo nenhum pra obedecer a lei moral. Agora, se Deus existe, ele pode ter guiado a evolução para termos essas crenças morais, já que Ele quer que sejamos pessoas morais.

Refuta a si mesma

Se o naturalismo for verdade, então não só nossas crenças morais são produto dela para a sobrevivência, mas todas as nossas crenças são produtos de condição social. Dessa forma, se nossas crenças são produtos da evolução para a sobrevivência, elas podem ou não ser verdade. Comportamento paranoico, mesmo podendo ser  baseado em mentiras, se mostra muitas vezes melhor pra sobrevivência individual do que a verdade. Então, se a explicação naturalista for verdade, todas as nossas crenças surgiram para a sobrevivência, não para nos dizer a verdade. Mas, se esse é o caso, quanta confiança podemos ter no naturalismo, se essa pode ser uma crença apenas para a sobrevivência?

Conclusão

Evolução não pode explicar valores morais. No maximo, explica como viemos a conhecer os deveres morais, mas não diz nada sobre a verdade da lei moral. Alem disso, a idéia de que a evolução explica a moralidade comete a falácia genética a refuta a si mesma.

Fontes

[1] – C. S. Lewis, "Cristianismo Puro e Simples", p. 14

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