quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O Jesus Histórico #4 - E os Evangelhos Apócrifos (ou "perdidos")?


Alem dos evangelhos que estão no Novo Testamento, outros evangelhos foram descobertos. Esses seriam os evangelhos de Filipe, Maria, Tomé, entre outros. Mas eles dizem alguma coisa realmente crível? São validos como os evangelhos reais?

Como foram escolhidos quatro evangelhos? E os Evangelhos Apócrifos?

Os evangelhos apócrifos foram escritos em sua maioria mais de 200 anos depois dos acontecimentos. Quem merece mais confiança: O NT escrito entre 20 a 60 anos após os eventos, onde quase todas as testemunhas ainda estavam vivas e poderiam desmentir qualquer exagero, ou alguns escritos de 100-300 anos depois, onde não haviam mais testemunhas pra falar nada?
Pra escolher quais Evangelhos fariam parte da Biblia, a igreja tinha basicamente tres critérios:

Primeiro – Os livros tinham que ser escritos por apóstolos, ou seja, tinham que fazer parte dos 12. Marcos foi aceito porque era ajudante de Pedro e Lucas companheiro de Paulo.

Segundo – O documento tinha que estar em harmonia com a tradição cristã basica que a igreja reconhecia.

Terceiro – Procurava-se saber se um documento em especial usava de aceitação e uso continuo por toda a igreja.

Dr. Bruce M. Metzger, conclui que os quatro evangelhos não foram escolhidos por “nada”, ele diz:

“Foi, se é que se pode falar assim, como se fosse uma espécie de "sobrevivência do mais apto [...] Podemos estar certos de que nenhum outro livro antigo pode se comparar ao Novo Testamento em termos de importância para a história ou a doutrina cristãs. Quando estudamos a história primitiva do cânon, saímos convencidos de que é no Novo Testamento que encontramos as fontes mais fidedignas para a história de Jesus. Os que fixaram os limites do cânon tinham uma perspectiva clara e equilibrada do evangelho de Cristo. Leia os outros documentos e veja por si mesmo. Eles foram escritos depois dos quatro evangelhos, nos séculos II a VI, muito tempo depois de Jesus, e, em geral, são muito banais. Seus nomes, como o Evangelho de Pedro e o de Maria, não correspondem aos autores verdadeiros. Por outro lado, os quatro evangelhos do Novo Testamento foram prontamente aceitos com notável unanimidade como portadores de conteúdo autêntico.” [1]

O Evangelho de Tomé não é confiável por foi influenciado pelos movimentos gnósticos do seculo II, III e IV. Ele é descartado pelo fato de apresentar um Jesus machista e panteísta, bem diferente dos evangelhos canônicos. Sobre o Evangelho de Tomé, Metzer diz:

"O certo é que o Evangelho de Tome excluiu a si mesmo! Ele não estava de acordo com os outros testemunhos sobre Jesus que os cristãos primitivos consideravam dignos de confiança.” [2]

Seguindo estes critérios, podemos dizer o mesmo dos outros Evangelhos Apócrifos.
E o evangelho de Judas? Ele foi escrito pouco mais de I século depois. Em 180 d.C. o pai da igreja Irineu alertou que essa era uma “história ficticia”. Craig Evans, Ph.D em estudos Biblicos pela Claremont Graduate University diz o seguinte:

"Note, alias, que o documento se chama ‘Evangelho de Judas’, não ‘Evangelho de acordo com Judas’, como nós temos nos evangelhos do Novo Testamento. Então, quem quer que tenha escrito o documento devia estar indicando que Judas não deveria ser indicado como o autor do evangelho, mas na verdade que ele fala sobre Judas. De qualquer forma, foi escrito bem depois de Judas estas vivo. […] Isso (o documento) nos diz algo sobre o Gnosticismo do segundo século e talvez de um grupo chamado ‘Cainites’, que eram um pouco misteriosos. […] Eles eram identificados como os vilões da Biblia. Eles acreditavam que o Deus deste mundo era mal e que qualquer um que ele odiasse seria o heroi. […] Pode ser que o Evangelho de Judas nos de um grande e desenvolvimento não histórico e uma expansão imaginativo deste tema." [3]

Conclusão

A mídia faz muito barulho quanto a esses evangelhos apócrifos. Já passei por capas de revistas que diziam que eles “revelavam o Jesus verdadeiro” e muito mais bobagens. Na verdade, eles são fracos, repletos de contos lendários e histórias fantasiosas. Escritos muito mais tarde com autoria atribuída a pessoas que já haviam morrido na época. Nada a se temer.

Fontes

[1] - Bruce Metzger entrevistado por Lee Strobel, “Em Defesa de Cristo”. p. 60
[2] - Idem. p. 62
[3] - Craig Evans entrevistado por Lee Strobel, “The Case for the Real Jesus”

Nenhum comentário:

Postar um comentário