terça-feira, 30 de setembro de 2014

Crer em Deus é irracional?


Um dos pontos principais trazidos pelos novos ateus da internet, é dizer que a crença em Deus é algo irracional e não-cientifico. Pessoas como Richard Dawkins e Sam Harris gritam para todos que a religião deve ser exterminada para o avanço da humanidade. Essa é a idéia básica dos novos ateus: religião é algo irracional e ilógico.

A estratégia dos Neo Ateus

Se tornou obvio pra mim que os argumentos para o ateísmo não são verdadeiramente bons. E parece que os neo ateus perceberam isso também. Seus únicos argumentos nos últimos anos foram completamente derrubados: O problema do mal acabou se tornando um argumento para o Teismo e a evolução se mostrou irrelevante. Com isso em mente, os neo ateus fazem suas birras, ridicularizando a fé e chamando religiosos de irracionais, inventam que a fé é inimiga da ciência e não permitem que a fé seja professada em publico porque, por algum motivo estranho, a pessoa que a professa esta “impondo” essa fé as pessoas.
Se você entrar em qualquer pagina ateia do facebook, verá essa estratégia explicita em praticamente todos os seus posts. Eles repetem zombarias e mais zombarias, com montagens de imagens que denigrem a fé, personagens bíblicos e Deus.
Note que isso nada disso pode ser considerado como um argumento. Qualquer um pode ridicularizar a crença de outra pessoa. Muitos teistas (erroneamente) zombam da teoria da evolução dizendo coisas como: “tem que ter muita fé mesmo pra crer que o homem veio do macaco!” ou “acharam um fóssil de baleia com pés, mas esses evolucionistas são completamente loucos!”.
Rice Broocks conta a história de quando foi a uma palestra promovida por Dawkins, Daniel Dannett e Sam Harris chamada “Uma celebração da razão”. Ele diz:

“Meu objetivo em participar foi simplesmente ouvir. Pensei que, se os ateus estavam se reunindo de vários lugares do mundo, então seria dito algo de sacudir a terra e eu gostaria de ouvir em primeira mão; talvez uma nova descoberta cientifica demonstrasse (ao ver deles) que Deus não existe. Em vez do ataque intelectual para o qual eu estava me preparando, os palestrantes da noite de abertura foram quatro comediantes profissionais. Suas manifestações profanas talvez fosse uma tentativa de demonstrar o seu desprezo por qualquer indicio de moralidade que pudesse ter sobrado da criação religiosa dada por seus pais.”“No diz seguinte, em vez de oferecer razões cientificas ou filosóficas para a inexistência de Deus, orador após orador protestou contra a religião e continuou o tom estabelecido pelos comediantes na noite de abertura. Novamente, escárnio e ridicularizarão foram as tônicas. Ironicamente, havia muito pouca “razão” presente na sua “celebração da razão”“Deixei a conferencia convencido de que a principal estratégia dos novos ateus é reivindicar a palavra razão, como um homem de negócios tentando garantis o domínio de uma propriedade antes da concorrência. Ao fazer isso, eles podem rotular qualquer um que se oponha a eles como ‘antirrazão’ ou irracional. Com o zelo de um partido político, a sua esperança é que a ciência elimine qualquer fé ou religião, bem como a filosofia” [1]

A fé cega

Dawkins expõe varias vezes o “perigo” de se crer cegamente. Ele diz que pessoas religiosas podem “acreditar que ouviram uma mensagem de Deus e fazer coisas terríveis”. E esse é um problema, de fato. No entanto, qualquer pessoa que conhece a própria religião vai entender o que Deus diria e o que não diria, apenas usando o raciocínio. John Lennox respondeu a Dawkins dizendo:

“Eu entendo, a partir de minha própria percepção do Novo Testamento, que não é isso que a fé cristã é. Isso [que Dawkins descreveu] é perigoso, essa fé cega. Mas nem toda a fé é cega, e assim como você diz ter fé no método cientifico e eu também tenho, também tenho fé em Deus e acredito que ela é baseada em evidencias.” [2]







Deus jamais ordenará que façamos algo contra Sua natureza moralmente perfeita. (Se você pensou nos cananeus e no sacrifício de Isaque, então espere textos respondendo a isso!)

Zombarias não são argumentos

Eu sempre disse e repito: zombar de algo não é um argumento. Os neo ateus gritam pra todo mundo “Somos racionais!” enquanto usam de golpes baixos, apelos emocionais e zombaria.
Em sua analise do livro “A Universo From Nothing”, de Lawrence Krauss, David Albert expõe a raiva irracional contra a religião dos novos ateus:

“... parece uma pena, mas é mais que uma pena e pior que uma pena, quando se tem tudo isso em mente, pensar que tudo o que é oferecido a nós agora, por caras como esse [Krauss], em livros como este, é a acusação nerd, pálida, pequena, boba, de que a religião é, sei la, burra.” [3]








A fé exige pensamento

C. S. Lewis nos disse que a fé só pode ser proveniente de pensamento. A fé envolve raciocínio e estudo. Ele sugeriu:

“Quando eu era ateu, porém, passava por fases em que o cristianismo parecia probabilíssimo. A rebelião dos humores contra o nosso verdadeiro eu virá de um jeito ou de outro. E por isso que a fé é uma virtude tão necessária: se não colocar os humores em eu devido lugar, você não poderá jamais ser um cristão firme ou mesmo um ateu firme; será apenas uma criatura hesitante, cujas crenças dependem, na verdade, da qualidade do clima ou da sua digestão naquele dia.” [4]

Lewis esta nos dizendo que devemos deixar nossos humores de lado. Dessa forma, ele conseguiu concluir racionalmente que o cristianismo é a verdade. Rice Broocks avalia essa citação de Lewis e diz:

“Isso é quase completamente o oposto de como ela [a razão] é representada pelos céticos. Somos chamados a amar a Deus com todo o nosso coração e com toda a nossa mente. É então que nos aplicamos a entender, buscar sabedoria, examinar tudo e reter o que é verdade, é quando discernimos o caminho certo e fazemos as decisões sábias sobre a nossa vida e sobre nosso mundo.” [5]

Se você for no youtube e assistir a qualquer debate de pessoas como William Lane Craig, Frank Turek, Alvin Plantinga e outros, verá como pessoas perfeitamente racionais conseguem defender sua fé com argumentos filosóficos baseados na ciência, na história ou no pensamento humano de forma brilhante.

A fé pode ser uma crença própria adequada

Crenças próprias adequadas são crenças que não dependem de argumentos ou evidencias. Essas crenças são baseadas em experiência e são perfeitamente racionais. Crenças desse tipo seriam crenças na existência do mundo externo ou na existência do passado. Você não tem evidencias de que não é um cérebro sendo estimulado por um cientista nem de que o passado não foi criado a 5 minutos com aparência de idade. Mas essas crenças são perfeitamente racionais de se ter.
Essas crenças não são arbitrarias. Como William L. Craig colocou:

“Essas crenças são baseadas no sentido que elas são formadas no contexto de certa experiência. Por exemplo, no contexto de ouvir e ver e sentir as coisas ao meu redor, eu naturalmente formo a crença de que há certos objetos físicos ao meu redor que eu estou sentindo. Mesmo se isso for uma crença básica que não é provada, isso não significa que seja arbitraria. É baseada em minha experiência. É perfeitamente racional manter uma crença como essa a não ser que você tenha uma boa razão para pensar que você esta iludido. [...] Na ausência de um derrotador, você é perfeitamente racional em manter essas crenças básicas.” [6]

Era assim que as pessoas da Bíblia conheciam a Deus. Como diz professor John Hick:

“As pessoas conheciam a Deus por meio de uma interação dinâmica da vontade divina com as suas, uma realidade absoluta e incontestável, tal qual a chuva e a luz do sol [...] Não pensavam em Deus como uma entidade a ser inferida, mas como uma realidade a ser experimentada. Para eles, Deus não era [...] uma ideia concebida pela mente, mas uma experiência real que conferia significado à vida” [7]




Conclusão

Se você for um desses neo ateus que zombam de religiosos  e da fé alheia, então você não é alguém “racional”. Você não tem argumentos, só não quer ter obrigações nem ser julgado. Alem disso, uma crença que vem de experiências é perfeitamente racional.
O propósito desse texto não foi dizer “somos racionais, vocês não”, mas apenas dizer que muitos pontos dos novos ateus são inválidos e que a crença em Deus pode ser racional mesmo sem evidencias.

Fontes

[1] – Rice Broocks, “Deus não esta morto”, p. 39
[2] – Debate: John Lennox vs Richard Dawkins, “Is God a Delusion?”
[4] – Clive Staples Lewis, “Cristianismo puro e simples”, p. 187-188
[5] – Rice Broocks, idem, p. 46
[6] – Reasonable Faith, “The Existence of God part 26”, http://www.reasonablefaith.org/defenders-2-podcast/transcript/s4-26
[7] – John Hick, "Introduction", The Existence of God, ed. com introdução de John Hick, Problems of Philosophy Series, pp. 13-14.

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