segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A Existência de Deus #5 - O Argumento Moral Kantiano


O Argumento Moral é provavelmente um dos argumentos mais poderosos para a existência de Deus. Naturalistas inventam todos os tipos de teorias para explicar a existência de deveres morais e valores morais (éticas de virtude, egoísmo, ética darwinista etc). Mas nenhuma dessas teorias tem tanto sucesso quanto a teoria do comando divino.
A versão que vou mostrar aqui é a versão de Immanuel Kant. Diferente das outras versões, esta não é baseada na natureza da moralidade, mas sim na racionalidade do comportamento moral.

O Argumento Moral Kantiano


Premissa 1 – Comportamento moral é algo racional.

Kant diz que nós temos bons motivos para sermos agentes morais. De fato, não faria sentido dizer “eu deveria doar para a caridade, mas não tenho nenhuma razão para isso”. Se nós deveríamos agir de certa maneira, então nós temos alguma razão para isso. Razões morais são sempre mais importantes do que as outras. Então, se há uma razão para fazer o dever moral e outra para não faze-lo, o comportamento moral é algo racional.

Premissa 2 – Comportamento moral só é racional se a justiça for feita.

Comportamento moral não seria algo racional se, no final, não fosse recompensado. Se o comportamento “pecador” compensa mais que o comportamento correto, então com toda a certeza o pecaminoso seria mais racional do que o que é certo. Se nos encontramos em uma situação em que o errado traz mais benefícios a nós do que o certo, então, se não há recompensa como a imortalidade, é mais racional fazer o que é errado e nos beneficia mais. Seria apenas racional ser moral se houvesse uma recompensa, uma razão para ter este comportamento.

Premissa 3 – Justiça só será feita se Deus existe.

Quantas pessoas não agiram de forma moral, mas foram “compensadas” nessa vida? E quantas coisas ruins acontecem a pessoas boas? Pessoas nem sempre conseguem aquilo que merecem. A vida não é justa.
Se não houver recompensa, então por que lutar pela igualdade dos sexos? Ou pelo fim do preconceito? Essas coisas são injustas e não houve justiça no final para quem foi machista e/ou preconceituoso.
Se só temos esta vida, então a justiça não será feita, e o comportamento moral não é racional, já que não teríamos razão nenhuma para agir dessa forma. Mas, nós sabemos, no fundo, que há uma razão para ter o comportamento moral. Nós temos a necessidade de obedecer esses comandos morais. Portanto, deve haver algo alem desta vida.

Conclusão – Portanto, Deus existe.

Na visão cristã, os pecadores serão punidos se não se arrependerem e mudarem de vida. Se esta, ou qualquer outra visão parecida, for a verdade, então remos razões racionais para agir de forma moral. Se não, então não existe qualquer motivo para agir de forma moral.
Mas não estou dizendo que devemos acreditar em Deus para sermos morais, mas sim que se Ele não existe, então não há nenhum motivo para ser moral. Podem dizer que "devemos ser morais para fazer o bem aos outros", mas por que devemos fazer o bem aos outros? Não seria muito mais prazeroso sermos grandes egoístas?

Retirado de: Philosophy of Religion

Um comentário:

  1. É interessante dilatar esses argumentos da razão para o comportamento moral comparando-os com o comportamento dito moral pelos ateus e qual a razão que o sustenta. Por exemplo o suicídio e suas consequências para o suicida e a sociedade, a seu próximo. Qual a razão da negação de Deus, do próximo e de si mesmo que o leva ao suicídio?

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