quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A Existência de Deus #1 - O Argumento Cosmológico Tomista


São Tomas de Aquino desenvolveu o que ele chamou de “Cinco Provas da Existência de Deus”. Particularmente, eu acho que essas não são “provas” como ele pensava. Mas acho que são bons pensamentos.

O Argumento Cosmológico Tomista


Para Aquino, Deus era a Causa que é a Primeira. Não no sentido cronológico, mas sim em um sentido de ranking. O argumento tem 3 premissas que levam a uma conclusão:

Premissa 1 – O que observamos neste universo é contingente

Essa premissa se baseia na “contingência”. Quer dizer, alguma coisa tem sua existência dependente de alguma outra coisa. Tudo o que conhecemos existe em função de outros fatores em uma corrente causal.

Premissa 2 – Uma seqüência de coisas contingentes causalmente relacionadas não pode ser infinita

Aquino usa uma analogia de uma mão segurando um graveto que esta movendo uma bola. Uma seqüência infinita dessa corrente causal não pode existir.
Talvez um exemplo mais moderno seja o de um trem: Os vagões são guiados por outros vagões até chegar a um primeiro.

Premissa 3 – A seqüência de coisas contingentes causalmente dependentes deve ser finita

Se uma seqüência não pode ser infinita, deve ser finita (Dã). Poderia haver um numero infinito de vagões se ele não se movesse, mas não poderia ter um trem com vagões infinitos sem se mover. Similarmente, podem haver infinitas coisas, mas não um conjunto infinito de coisas contingentes causalmente conectadas.

Conclusão – Deve haver uma primeira causa na seqüência de causas contingentes.

Se a seqüência de causas é finita, então deve haver uma primeira causa. Sendo assim, essa causa não precisa e nem tem uma causa. Alem disso, é diferente das outras causas, que são contingentes. Ela não passa a causalidade que recebeu, mas sim inicia a causalidade. Sendo a própria não-causada.
A explicação para a corrente de vagões é que, em algum canto, há uma locomotiva poderosa o bastante para puxar todo o trem.

Por que Deus? - Quais propriedades deve ter essa primeira causa?

Exclusividade

Por que apenas uma primeira causa? Bom, imagine que há duas primeira causa não-causadas. O que diferenciaria as duas? O que determinaria que são duas, e não uma? Se a “segunda primeira causa” fosse diferente da primeira, então a “primeira primeira” teria alguma característica faltando. Mas se uma delas não tem algo, já que o outro tem, então é limitado ou causado para não ter isso. Mas isso é impossível, já que a “primeira primeira” não é causada. Portanto, há apenas uma primeira causa.

Simplicidade

Deus é simples. Sabemos disso porque
- Deus não tem partes, sendo assim algo imaterial.
- Deus é imutável. Quer dizer, não se pode adicionar nem retirar do que Ele é.
- Deus é o que é.

Perfeição

Uma primeira causa não causada deve ser perfeita. Se essa causa não é limitada, então é ilimitada. (Dã²)

Personalidade

Já que o universo tem pessoas racionais, sociais, morais e livres, então como pode a primeira causa de todas as coisas ser menos que uma pessoa? Se a primeira causa é não causada e auto-explicativa, então deve ser livre, não determinado.
O “motor imóvel”, a causa de todos os movimentos contingentes do universo, é Deus.

Conclusão

Apesar de eu não ser Tomista (por pura falta de estudo mesmo), eu vi que alguns filósofos tem defendido o Tomismo. Então, decidi postar esse texto por pura curiosidade. Qualquer erro é só comentar ai =P

Traduzido e Resumido de – W. David Beck – The Thomistic Cosmological Argument

Nenhum comentário:

Postar um comentário