quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Criação e Evolução #5 - Evolucionismo naturalista é racionalmente inaceitável


Muita gente acredita que a evolução é incompatível com o Cristianismo. Como vimos até agora, não há conflitos graves entre a evolução e o Cristianismo. Mas ao que parece, a evolução é incompatível com o naturalismo. Não só isso, mas o materialismo também enfrenta um grande problema.
Se a matéria é tudo o que existe, como pode uma massa física com químicas, como o cérebro, reconhecer que um argumento é valido? Como podem as leis da física guiar o cérebro para racionalmente calcular a probabilidade da evolução? Se tudo é causado pelas leis da ciência (física, química, biologia, etc.) então o que significa quando alguém muda de idéia por causa de um argumento que não ocupa espaço, não depende de tempo e é imaterial? Alguns podem argumentar que a evolução explicaria isso, mas ela gera mais problemas.
Muitos naturalistas como Richard Dawkins e Daniel Dannet argumentam que pessoas só têm crenças religiosas porque essas crenças ajudaram seus ancestrais a sobreviver em tempos difíceis. Religião pode ter dado alegria e felicidade a eles, o que os levou a crer na existência de Deus. Essa informação foi passada geneticamente até nós. Isso significa que, já que somos criaturas de seleção natural, nós não podemos confiar em nossos sentidos, porque a evolução só se preocupou com nossa sobrevivência, mas não em nos dizer o que é a verdade, e não esta interessada em conservar traços que informem às espécies aquilo que é realmente verdadeiro sobre a vida. Então se o naturalismo é verdade, tudo o que nós sabemos visa apenas a sobrevivência, e não o que é verdade. Se todas as nossas crenças só estão aqui para nos ajudar, então como sabemos se qualquer coisa que cremos é verdade? Se naturalismo é verdade, todas as nossas crenças existem apenas para nos ajudar a sobreviver. Leon Wieseltier diz:

“Se nossa razão é produto de seleção natural, então quanta confiança podemos ter em um argumento racional para a seleção natural?” [1]

Patrícia Churchland, renomada filosofa da neurociência,  diz:

“A principal tarefa do [cérebro] é colocar as partes do corpo onde deveriam estar, a fim de que o organismo possa sobreviver. Avanços no controle sensório-motor conferem uma vantagem evolutiva: um estilo mais extravagante que representa [o mundo] é vantajoso, desde que [...] aumente a chance do organismo para a sobrevivência. Verdade, o que quer que isso seja, leva desvantagem” [2]

Até mesmo Charles Darwin tinha essa duvida e escreveu:

“Comigo sempre surge uma horrível duvida se as convicções da mente do homem, as quais têm sido desenvolvidas a partir da mente de animais inferiores, possuem algum valor ou são dignas de confiança”. [3]

E o proeminente filosofo ateísta Thomas Nagel admite:

“Naturalismo evolucionário implica que nós não deveríamos levar qualquer de nossas convicções seriamente, incluindo a imagem do mundo cientifico no qual o proprio naturalismo evolucionário depende.” [4]

Se naturalismo é verdade, então tudo o que acreditamos ser verdade são apenas crenças que nos ajudam na sobrevivência, incluindo crenças sobre o naturalismo. Então nossa crença no naturalismo é apenas algo que cremos porque nos auxilia na sobrevivência. E nós não temos maneiras de saber se o naturalismo é verdadeiro.
Também não podemos confiar naquilo que descobrimos empiricamente. O mundo estudado pela ciência é um mundo que experimentamos através de nossos sentidos. A fim de que possamos experimentar tal mundo, é necessário que nossas mentes processem as informações que obtém através dos sentidos. Mas se o naturalismo é verdadeiro, então nossas mentes processam informações de modo que nos auxilia a sobreviver, ao invés de nos dizer o que realmente estamos sentindo.
Então como alguém pode argumentar que tudo o que experimenta através de seus cinco sentidos é realmente verdade sobre o mundo ao seu redor?
Os cinco sentidos evoluíram a fim de auxiliar na sobrevivência da espécie. Sendo assim, os naturalistas não podem argumentar que a informação que eles conseguem através de seus sentidos significa algo a não ser informação que os auxilia na sobrevivência.
Então a crença no naturalismo derrota a si mesma, porque não se pode crer no naturalismo e acreditar que ele seja verdadeiro ao mesmo tempo. Se nossos sentidos foram aprimorados para nos dizer o que é melhor pra sobrevivência, então como sabemos se o que experimentamos através de nossos sentidos é realmente verdade sobre o mundo ao nosso redor?
No entanto, se o teismo é verdade, então um Designer Inteligente nos deu mentes capazes de nos dizer o que é real e o que é verdade sobre o mundo ao nosso redor. E isso também faz sentido lógico a respeito do motivo pelo qual agimos como se nossa mente estivesse nos dizendo o que é logicamente verdadeiro. [5]
Usando a evolução, poderíamos argumentar contra o naturalismo da seguinte forma então:

Premissa 1 – Seleção natural não favorece a verdade. Apenas favorece o que ajuda o organismo a sobreviver.

Premissa 2 – Crenças falsas são tão efetivas (ou até mais efetivas) do que crenças verdadeiras.

Premissa 3 – Então, na busca pela sobrevivência, faculdades cognitivas que produziram crenças falsas teriam sido selecionadas sempre que o comportamento resultante fosse benéfico.

Premissa 4 – Então, se o Naturalismo é verdade, não podemos confiar na habilidade de raciocinar humana, já que é produto de um processo seletivo que não favorece verdade sobre falsidade.

Conclusão – Portanto, se eu afirmo o Naturalismo, eu coloco duvidas significantes em minhas crenças, incluindo minha crença no naturalismo.

Conclusão

Em suma, evolução é compatível com o Teismo. Mas, se não houve um Designer Inteligente que guiou esse processo, então não podemos ter confiança em nenhum pensamento ou crença, já que eles resultam de processos materiais que evoluíram se preocupando apenas com a sobrevivência, não com a verdade.
A conclusão, de acordo com Alvin Plantinga:

“A conclusão mais obvia, me parece, é que o Naturalismo Evolucionário não pode ser sensivelmente aceito. Os sumo sacerdotes do Naturalismo Evolucionário proclamam em voz alta que o Cristianismo e até mesmo a crença Teista é falida ou tola. O fato, na verdade, é que o sapato esta em outro pé. É o Naturalismo Evolucionário, não a crença Cristã, que não pode ser aceito racionalmente.” [6]

Fontes

[1] – Review de Leon Wieseltier no New York Times do livro “Breaking the spell – Religion as a natural phenomenon” - http://www.nytimes.com/2006/02/19/books/review/19wieseltier.html?pagewanted=print&_r=0
[2] – Patricia Churchland, “Epistemology in the Age of Neuroscience”
[3] – Charles Darwin, em carta para William Graham, 3 de julho de 1881
[4] – Thomas Nagel, “Mind and Cosmos”
[5] – Inspiring Philosophy: Why No One Believes Atheism/Naturalism is True - https://www.youtube.com/watch?v=N4QFsKevTXs
[6] – Alvin Plantinga, citado por David Rogstad em “Reasons to Believe – Is Evolution Rational?” - http://www.reasons.org/articles/is-evolution-rational

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