segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sobre moralidade #2 - Os problemas do relativismo moral


No primeiro texto da serie, eu disse que a Lei Moral é inegável e dei quatro exemplos que mostram claramente que essa Lei não pode ser negada por qualquer pessoa etica. Nesse texto, falarei dos vários problemas do relativismo moral.

Problemas do Relativismo Moral

Não existem certos e errados

Se a moral é relativa, então não há como fazer julgamentos morais. Pessoas como Hitler não estavam erradas, estavam apenas agindo como achavam ser certo. Similarmente, não há nada de errado em torturar pequenos bebes por diversão. Você pode não gostar disso, mas isso não significa que seja algo moralmente errado.
Nessa visão, coisas que nós normalmente diríamos que são erradas na verdade são apenas a opinião da “maioria”. Quem é você pra dizer que é moralmente errado atropelar um grupo de homossexuais propositalmente? Dizer que algo é certo ou errado se torna apenas uma questão de gosto, como sabores de sorvetes.

Um exemplo

Me lembra a história do estudante que escreveu um trabalho enorme, bem montado, com uma bela capa azul, onde ele argumentava que não existiam certos e errados, justiça e injustiça, etc. Ele entregou seu trabalho ao professor, era um otimo trabalho. No dia seguinte, o professor entregou o trabalho ao aluno com um Zero bem grande e escrito em baixo “não gosto de capa azul”. O aluno então foi a sala do diretor reclamar “Como assim não gosta de capa azul?? Isso não é justo! Isso esta errado!”. Então o professor disse “O que? Não é esse o trabalho que diz que não existe essa coisa de certo e errado, justiça e injustiça?”. Imediatamente o aluno percebeu que estava errado, e o professor mudou a nota pra 10, já que, apesar de errado, era um excelente trabalho de filosofia.

Relativismo nos impede de avançar

Se a moral é relativa, então a sociedade nunca avança. Nós podemos mudar as regras pra algo que as pessoas achem melhor pra elas, mas nunca mudamos realmente para o melhor.

Revolução é imoral

Se a moral apenas varia de sociedade pra sociedade, então ser contra o que determinada sociedade, contra sua lei civil, então ir contra essa lei seria imoral. Se as leis determinam o que é moralmente certo e errado, significa que qualquer pessoa que proteste contra as leis é moralmente errada. Se alguma lei mudasse, não mudaria para uma lei melhor ou mais justa, seria apenas uma mudança de regras. Isso significa que pessoas como Jesus, Ghandi ou William Wilberforce são os maiores imorais que já houve.

Não há resposta certa

Só por que México, EUA e China não concordam em como o aborto deva ser tratado, por exemplo, não significa que não tenha uma resposta certa para o aborto.

Você não tem direitos

Tenho visto muitas pessoas gritando aos quatro ventos que querem seus direitos e dizendo que não existem certos e errados absolutos. O que eles não percebem são as consequencias de suas crenças relativistas: Se não há certos e errados absolutos, então você não tem direito e pedir seus direitos. Você não pode valorizar seu direito de crer que não há valores morais.

Julgamentos morais são impossíveis

Outro problema seria que os relativistas não podem classificar nada como justo ou injusto. Ele também não pode aceitar elogios nem rejeitar ofensas. Não podem culpar os outros por nada. Richard Dawkins cai nesse problema. Ele diz:

“no fundo não existe nenhum projeto, nem propósito, mal, nem bem, nada, exceto indiferença sem sentido. […] Somos máquinas para a propagação de DNA.” [1]

E ainda ele chama a religião de “a fonte de todo o mal”, quando ao mesmo tempo ele nega a existência do mal!

Relativismo moral refuta a si mesmo

A idéia do relativismo diz que é moralmente errado impor nossa moralidade aos outros ou que é moralmente errado impor a moralidade de uma cultura sobre outra. Mas como algo pode ser moralmente errado sem existir uma lei moral? É normal ouvir: “esse é o problema com Cristãos, sempre julgando a moral dos outros”. O que ele não percebe é que nessa frase, ele esta fazendo um julgamento moral também. Toda a ideia se resume a regra de que "é moralmente errado ir contra o relativismo moral".

Conclusão

Relativismo moral é absurdo. As pessoas só crêem nisso pra conseguir fazer o que querem. Mas as conseqüências nem sempre são levadas em conta.
No próximo texto vou falar do Dilema de Eutifron, que tenta mostrar que Deus não pode ser a base para a moralidade.

Fontes


[1] – Richard Dawkins, “River out of Eden: A Darwinian View of Life”, p. 133

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