sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Criação e Evolução #3 - A evidencia genética para a evolução

A evidencia vinda do genoma nos diz, quase conclusivamente, de que houve um ancestral comum entre humanos e outros seres vivos. Essa evidencia não prova conclusivamente que houve uma evolução, há a interpretação criacionista de que isso se deve a um Designer, mas o estudo do genoma nos diz que essa interpretação é inviável.

A evidencia da genética da evolução

Comparando os genes dos seres vivos, podemos ver que seus genes foram passados e modificados de uma geração a próxima. Comparando esse DNA, pode-se mapear a relação entre uma espécie e a outra. De forma incrível, esse mapa esta de acordo com as previsões de Darwin. [1]
O genoma do ser humano e o do camundongo são determinados com muita precisão, ambos têm uma semelhança incrível. A ordem dos genes pelos cromossomos do ser humano e do camundongo mantem extensões de DNA. Francis Collins diz:

“Assim, se eu encontrar genes humanos A, B e C, nessa ordem, é provável que eu ache no camundongo correspondentes de A, B e C também colocados na mesma ordem, apesar de o espaçamento entre os genes poder sofrer alguma variação. Em alguns exemplos, essa correlação estende-se por longas distancias; virtualmente todos os genes no cromossomo 17 do ser humano, por exemplo, são encontrados no cromossomo 11 do camundongo.” [2]

Outra evidencia ainda mais forte de um ancestral comum vem dos Elementos Repetitivos Antigos (ERA). Eles vem de ”genes saltadores”, que mostram capacidade de se copiar e se inserir em outros locais do genoma, sem quaisquer conseqüências de funcionamento. De acordo com Collins “os genomas de mamíferos são gerados com esses ERA, com mais ou menos 45% do genoma humano formado desses fragmentos de destroços genéticos”. [3]
Algumas espécies podem ter perdido alguns desses ERA, mas muitos estão na posição de acordo com sua chegada no genoma do ancestral mamífero comum e seu transporte de uma geração a outra desde então. Alguns podem dizer que esses são elementos colocador por Deus ali que são tratados por nós como “DNA lixo” por causa de nosso conhecimento atual sobre o DNA, mas alguns exemplos nos dizem que esse não pode ser o caso. Como Collins diz:

“O processo de transposição danifica o gene saltador. Existem ERA ao longo dos genomas do ser humano e do camundongo que ficaram truncados ao chegar ao DNA, removendo qualquer possibilidade de funcionamento. Em muitos casos, pode-se identificar um ERA degolado e totalmente extinto em posições paralelas, tanto no genoma do ser humano quanto no do camundongo.”
“A menos que se queira assumir aposição de que Deus colocou esses ERA nessas exatas posições, para nos confundir e desviar, é praticamente impossível escapar da conclusão de que existiu um ancestral comum para humanos e camundongos. Esses dados recentes de genoma apresentam, assim, um desafio arrebatador aos que mantiverem a idéia de que todas as espécies foram criadas a partir do nada.” [4]

Não apenas isso, mas nosso “parente vivo mais próximo”, o chimpanzé apresenta em seu genoma 96% de semelhança com o DNA humano.
O ser humano apresenta 23 pares de cromossomos e o chimpanzé 24. Essa diferença parece ser conseqüência de uma fusão de cromossomos ancestrais que criaram o cromossomo humano 2. O estudo do gorila e do orangotango também apontam para uma fusão, já que cada um deles possui 24 cromossomos.
Agora, com o estudo completo do genoma humano, cientistas conseguem ver exatamente o local dessa fusão. Nesse local há uma seqüência incrível, que acontece nas extremidades de todos os cromossomos de primatas, exatamente onde a evolução teria previsto, no meio do nosso segundo cromossomo fundido.
Outro argumento para um ancestral comum entre chimpanzés e humanos vem dos pseudogenes. Quase todas as propriedades de um DNA funcional podem ser vistas nesses genes. Se compararmos o de um humano com o de um chimpanzé, vemos que há genes raros com uma função nítida em uma espécie, mas não em outra. O gene caspase-12, por exemplo:

“O gene humano conhecido como caspase-12, por exemplo, suportou muitos golpes para ser derrotado, embora seja encontrado num lugar relativo idêntico no chimpanzé.O gene caspase-12 do chimpanzé trabalha bem, assim como o gene semelhante em quase todos os mamíferos, inclusive os camundongos. Se os humanos surgiram em conseqüência de um ato sobrenatural de criação especial, por que Deus se daria ao trabalho de inserir um gene sem função exatamente ali?” [5]

Conclusão

Em suma, vimos uma evidencia forte vinda do DNA para a evolução. Muito do material (praticamente tudo) foi retirado do livro “A Linguagem de Deus”, de Francis Collins. Talvez possa ter parecido que Collins é ateu pelo final, mas ele é um Criacionista Evolucionário. Nessa posição, acredita-se que Deus guiou a evolução ou planejou de antemão que os organismo poderiam evoluir. E eu quero citar um ultimo parágrafo desse livro:

“Nesse ponto, materialistas ateus podem estar aplaudindo. Se os humanos evoluíram rigorosamente por meio de mutação e seleção natural, quem precisa de Deus para nos explicar? A isso, retruco: eu preciso. A comparação entre sequências de chimpanzé e de ser humano, embora interessante, não nos explica o que é preciso para ser humano. A meu ver, apenas a seqüência de DNA, mesmo acompanhada por um imenso baú do tesouro com dados sobre funções biológicas, nunca irá esclarecer determinados atributos especiais de humanos, como o conhecimento da Lei Moral e a busca universal por Deus. Livrar Deus do fardo de atos especiais da criação não o exclui como fonte daquilo que torna a humanidade especial, nem do próprio universo. Simplesmente nos mostra alguma coisa sobre como ele trabalha.” [6]

Fontes

[1] – BioLogos: What is the genetic evidence for evolution? - http://biologos.org/questions/genetic-evidence
[2] – Francis Collins, “A Linguagem de Deus”, p. 140
[3] – Idem, p. 142
[4] – Idem, p. 142-143
[5] – Idem, p. 144
[6] – Idem, p. 146

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